Europa

Geleira desaba e soterra 90% de Blatten, na Suíça, com um desaparecido

blatten
blatten - foto: Robert Harding Video/Shutterstock.com blatten - foto: Robert Harding Video/Shutterstock.com

Um colapso devastador do glaciar Birch, na Suíça, soterrou cerca de 90% da vila de Blatten, no vale de Lötschental, cantão de Valais, na tarde de 28 de maio de 2025, deixando uma pessoa desaparecida. O evento, ocorrido por volta das 15h30, horário local, foi desencadeado por semanas de instabilidade geológica na montanha Kleiner Nesthorn, que sobrecarregou o glaciar com milhões de toneladas de rochas. A vila, evacuada desde 19 de maio após alertas de geólogos, viu casas, infraestruturas e a paisagem local serem engolidas por uma avalanche de gelo, rochas e lama. O desastre, registrado como um terremoto de 3,1 na escala Richter, mobilizou equipes de resgate e o exército suíço. A tragédia expõe os riscos crescentes de deslizamentos nas regiões alpinas, enquanto autoridades monitoram o rio Lonza, bloqueado por detritos, para evitar inundações.

A evacuação preventiva de aproximadamente 300 moradores e até do gado local evitou uma tragédia humana maior. Imagens de drones exibidas pela emissora suíça SRF revelaram um cenário desolador, com vastas áreas cobertas por lama e escombros. A magnitude do evento chocou autoridades e moradores, que agora enfrentam a perda de grande parte da vila.

  • Volume de detritos: Cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos de rochas, gelo e neve.
  • Área afetada: 90% da vila de Blatten, incluindo casas e infraestruturas.
  • Risco adicional: Bloqueio do rio Lonza, com potencial para inundações.

O presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, expressou solidariedade à população, destacando a gravidade da perda de lares. Equipes de emergência continuam as buscas pelo desaparecido, um homem de 64 anos que não estava entre os evacuados.

Instabilidade geológica no glaciar

O colapso do glaciar Birch não foi um evento isolado, mas o resultado de semanas de movimentações geológicas. Desde o início de maio, geólogos monitoravam a montanha Kleiner Nesthorn, que apresentava rachaduras e deslizamentos de rochas. Em 18 de maio, um deslizamento inicial alertou as autoridades, que ordenaram a evacuação total da vila no dia seguinte. A sobrecarga de detritos, estimada em 9 milhões de toneladas, pressionou o glaciar, acelerando sua movimentação para até 10 metros por dia.

No dia 27 de maio, pequenos colapsos já ocorriam na frente do glaciar, mas a ruptura massiva aconteceu no dia seguinte. Dados sísmicos registraram o impacto como um evento de magnitude 3,1, sentido em áreas próximas. A vila de Blatten, localizada no pitoresco vale de Lötschental, foi quase completamente soterrada por uma mistura de gelo, rochas e lama.

  • Fatores de instabilidade: Deslizamentos de rochas e derretimento de permafrost.
  • Movimentação do glaciar: Até 10 metros diários antes do colapso.
  • Monitoramento: Uso de drones, câmeras e dados LIDAR para avaliar riscos.

A Suíça tem histórico de deslizamentos em regiões alpinas, mas a escala do evento em Blatten é considerada sem precedentes no último século, segundo especialistas.

Evacuação preventiva

A decisão de evacuar Blatten foi tomada com base em análises geológicas detalhadas. Em 17 de maio, as autoridades locais identificaram o risco iminente de uma avalanche de rochas e gelo. Dois dias depois, a vila foi esvaziada, com cerca de 300 moradores realocados para áreas seguras. Até o gado, incluindo 52 vacas, foi removido da região, uma medida que reflete a gravidade da ameaça.

A evacuação foi coordenada com precisão, evitando vítimas entre os residentes. Barreiras de avalanche, instaladas previamente, conseguiram conter parte dos detritos nos primeiros deslizamentos, mas foram insuficientes contra a avalanche massiva do dia 28. A estrada principal do vale foi fechada, e as autoridades declararam a área como zona de risco, proibindo o acesso.

Os moradores, agora abrigados em cidades vizinhas, acompanham as notícias com apreensão. Muitos perderam casas construídas ao longo de gerações, e a reconstrução da vila enfrenta obstáculos logísticos e financeiros.

Resposta das autoridades

A resposta ao desastre foi imediata. O cantão de Valais declarou uma “situação especial” e solicitou apoio da unidade de socorro a desastres do exército suíço. Equipamentos como bombas e máquinas de remoção de detritos foram mobilizados para desobstruir o rio Lonza, cuja barragem natural de escombros aumenta o risco de inundações.

Dois ministros do governo suíço, Martin Pfister (Defesa e Proteção Civil) e Albert Rosti (Meio Ambiente), visitaram o local no dia do colapso. Durante uma coletiva de imprensa, Pfister descreveu o evento como uma tragédia de “proporções impressionantes”. Equipes de resgate, equipadas com drones de câmeras térmicas, intensificaram as buscas pelo desaparecido.

  • Medidas emergenciais: Mobilização do exército e fechamento de estradas.
  • Apoio governamental: Presença de ministros e promessa de suporte a longo prazo.
  • Buscas: Uso de tecnologia avançada para localizar o desaparecido.

O prefeito de Blatten, Matthias Bellwald, afirmou que a vila foi “perdida”, mas prometeu esforços para reconstrução, destacando a resiliência da comunidade.

Riscos ambientais associados

O colapso do glaciar Birch expõe os desafios ambientais enfrentados pelos Alpes suíços. O derretimento acelerado de glaciares, combinado com o degelo do permafrost, tem desestabilizado encostas em toda a região. Entre 2022 e 2023, os glaciares suíços perderam 10% de seu volume, um ritmo alarmante que agrava os riscos de deslizamentos.

O evento em Blatten também levanta preocupações sobre o rio Lonza. Os detritos bloquearam o leito do rio, criando uma barragem natural que pode causar inundações se não for controlada. Autoridades monitoram o fluxo de água, que já apresenta coloração marrom devido ao transporte de sedimentos.

  • Perda de glaciares: 10% do volume entre 2022 e 2023.
  • Permafrost: Degelo compromete estabilidade das encostas.
  • Risco de inundações: Bloqueio do rio Lonza exige intervenção urgente.

A Suíça planeja implementar um sistema nacional de monitoramento com dados de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA) para antecipar futuros deslizamentos.

Histórico de desastres alpinos

Deslizamentos não são novidade nos Alpes suíços. Em 2017, um deslizamento em Bondo matou oito pessoas e destruiu casas. Em 2023, a vila de Brienz foi evacuada por risco de colapso de montanha, escapando por pouco de um destino semelhante ao de Blatten. Esses eventos destacam a vulnerabilidade de comunidades alpinas.

A monitorização de glaciares e encostas tem se intensificado, com o uso de tecnologias como LIDAR e drones. Em Blatten, imagens capturadas por drones da Pomona Media mostraram a extensão dos danos, com florestas e infraestruturas soterradas. A vila, antes um destino turístico pitoresco, agora é um campo de escombros.

Esforços de reconstrução

A reconstrução de Blatten enfrenta desafios significativos. Cerca de 130 casas foram destruídas, e a infraestrutura básica, como redes de água e eletricidade, foi comprometida. O governo suíço prometeu apoio financeiro e logístico, mas a recuperação pode levar anos.

Os moradores, muitos dos quais perderam tudo, aguardam decisões sobre o futuro da vila. Alguns defendem a reconstrução no mesmo local, enquanto outros sugerem a realocação para áreas menos vulneráveis. O custo da reconstrução permanece incerto, mas autoridades já discutem parcerias com organizações internacionais.

  • Danos estimados: 90% da vila, incluindo 130 casas.
  • Apoio prometido: Recursos do governo e do exército suíço.
  • Debate: Reconstrução no local ou realocação da vila.

A solidariedade da comunidade e do governo será essencial para superar a tragédia.

Monitoramento futuro

A Suíça intensifica esforços para prevenir desastres semelhantes. O governo planeja usar dados do satélite Sentinel-1 da ESA para monitorar movimentos de terreno em tempo real. O sistema, esperado para o final de 2025, visa identificar riscos em áreas alpinas com antecedência.

Em Blatten, a vigilância continua. Geólogos alertam que o glaciar Birch ainda apresenta instabilidade, com rachaduras visíveis no gelo. Pequenos colapsos podem ocorrer nos próximos dias, exigindo monitoramento constante.

  • Tecnologia: Satélites e LIDAR para monitoramento de encostas.
  • Prazo: Sistema nacional previsto para o final de 2025.
  • Riscos remanescentes: Instabilidade no glaciar Birch.

O desastre serve como alerta para a necessidade de tecnologias avançadas e planejamento em regiões vulneráveis.

Solidariedade nacional

A tragédia mobilizou a Suíça. A presidente Karin Keller-Sutter usou as redes sociais para expressar apoio aos moradores de Blatten, enfatizando a dor de perder um lar. Comunidades vizinhas ofereceram abrigo e suprimentos, enquanto voluntários se organizam para ajudar nas buscas.

O evento também reacendeu debates sobre a preservação dos Alpes. Organizações ambientais pedem medidas para proteger glaciares e encostas, enquanto cientistas reforçam a importância de monitorar mudanças climáticas. A união de esforços reflete a determinação do país em apoiar as vítimas.

  • Apoio comunitário: Abrigos e suprimentos de cidades vizinhas.
  • Debate ambiental: Proteção de glaciares e encostas alpinas.
  • Envolvimento: Voluntários auxiliam nas operações de resgate.

As buscas pelo desaparecido seguem, com equipes trabalhando contra o tempo em um cenário de destruição.

To Top