A jovem tenista francesa Lois Boisson, de apenas 22 anos, mantém viva a esperança de um título local em Roland Garros, algo que não acontece desde 2000, ao alcançar as semifinais do torneio em sua estreia na chave principal de um Grand Slam. Enfrentando a norte-americana Coco Gauff, número 2 do mundo, na quadra Philippe Chatrier, em Paris, nesta quinta-feira, 5 de junho de 2025, Boisson conta com o apoio fervoroso da torcida francesa. A partida, marcada para o meio-dia (horário de Brasília), destaca não apenas o talento da wildcard ranqueada em 361º lugar, mas também a intensa atmosfera criada pelo público, que tem sido um fator decisivo e desafiador para as jogadoras. Enquanto Boisson transforma a pressão em motivação, Gauff se prepara mentalmente para enfrentar um ambiente hostil, e a russa Mirra Andreeva, eliminada por Boisson nas quartas, reflete sobre as lições de lidar com a torcida.
A trajetória de Boisson é marcada por façanhas impressionantes. A francesa, que sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior em 2024, superou nomes como Jessica Pegula, número 3 do mundo, nas oitavas, e Mirra Andreeva, número 6, nas quartas, em partidas que demonstraram sua consistência e potência no forehand. Sua campanha já é a melhor de uma tenista da casa desde Marion Bartoli em 2011. O apoio do público, que entoa cânticos e o hino nacional “La Marseillaise” antes dos jogos, tem sido um diferencial para a jovem, que evita distrações externas, como redes sociais, para manter o foco.
Por outro lado, Coco Gauff, com experiência em grandes palcos desde os 15 anos, encara a semifinal como uma oportunidade de alcançar sua segunda final em Roland Garros, após ser vice-campeã em 2022. A norte-americana, que venceu Madison Keys nas quartas por 6-7, 6-4, 6-1, destaca sua preparação mental para lidar com torcidas adversas.
- Principais destaques da semifinal:
- Boisson é a primeira wildcard feminina a chegar às semifinais de Roland Garros na Era Aberta.
- Gauff busca sua segunda final de Grand Slam, após o título do US Open em 2023.
- A torcida francesa cria um ambiente único, com cânticos e apoio constante.
A russa Mirra Andreeva, de 18 anos, também deixou sua marca no torneio, apesar da derrota para Boisson por 7-6 (8-6), 6-3. A número 6 do mundo reconheceu a força da adversária e a dificuldade de manter a concentração em meio à pressão do público.
Ascensão meteórica de Lois Boisson
Lois Boisson entrou em Roland Garros como uma desconhecida para muitos, ocupando a 361ª posição no ranking da WTA. Sua participação como wildcard foi uma oportunidade de ouro, especialmente após um ano marcado por recuperação física e emocional devido à lesão no joelho em 2024. A francesa, que começou a jogar profissionalmente aos 16 anos, já havia enfrentado desafios em torneios menores, como o WTA 125 de Rouen, onde venceu Harriet Dart, mas perdeu na segunda rodada. Em Paris, porém, ela surpreendeu o mundo do tênis com vitórias convincentes.
Contra Jessica Pegula, Boisson perdeu o primeiro set por 3-6, mas se recuperou para vencer por 6-4 e 6-4, mostrando resiliência e agressividade. Na partida contra Andreeva, sua solidez no saque e a potência do forehand foram decisivas para fechar o jogo em dois sets. A francesa acumula apenas duas derrotas em sets no torneio, demonstrando consistência rara para uma estreante em Grand Slams.
A torcida tem desempenhado um papel crucial em sua campanha. Durante o aquecimento contra Andreeva, o som de “La Marseillaise” ecoou na quadra Philippe Chatrier, emocionando Boisson e energizando o público. A jogadora, no entanto, mantém uma abordagem focada, evitando redes sociais e mantendo-se em sua “bolha” para não se distrair com a fama repentina.
Lois Boisson headlines our Stat of the Day by @Infosys once again by becoming only the third woman since 1980 to reach the semi-finals at her first major after Monica Seles and Jennifer Capriati 🤯#RolandGarroswithInfosys #ExperiencetheNext pic.twitter.com/8wgs5bFt0E
— Roland-Garros (@rolandgarros) June 4, 2025
Coco Gauff e a experiência em grandes palcos
Coco Gauff, aos 21 anos, é uma veterana em comparação com Boisson. A norte-americana alcançou a final de Roland Garros em 2022 e venceu o US Open em 2023, consolidando-se como uma das principais estrelas do circuito. Sua vitória nas quartas contra Madison Keys, atual campeã do Australian Open, foi um teste de paciência e adaptação. Após perder o primeiro set em um tiebreak, Gauff ajustou sua estratégia, reduzindo erros e explorando a agressividade para vencer os sets seguintes.
Gauff é conhecida por sua habilidade defensiva e velocidade na quadra, características que a tornam uma adversária formidável no saibro. Contra Boisson, ela espera um jogo físico, com trocas longas de bola, especialmente considerando o estilo de jogo da francesa, que combina topspin pesado com golpes sólidos de fundo. A norte-americana também destacou sua preparação mental:
- Estratégias de Gauff para lidar com a torcida:
- Transformar o apoio adverso em motivação, fingindo que a torcida está a seu favor.
- Manter a calma em momentos de pressão, ignorando provocações.
- Usar a experiência de jogos anteriores em ambientes hostis, como em Wimbledon e no US Open.
Lições de Mirra Andreeva
Mirra Andreeva, apesar da eliminação, teve uma campanha notável em Roland Garros. A russa, que venceu dois torneios WTA 1000 em 2025, chegou às quartas com vitórias sólidas, mas encontrou em Boisson uma adversária que soube capitalizar os momentos-chave. Andreeva reconheceu que sua postura no primeiro set, quando ignorou a torcida, foi eficaz, mas a pressão crescente no segundo set a desconcentrou.
A jovem de 18 anos destacou a força do jogo de Boisson, especialmente o saque e o forehand, que renderam diversos winners. Andreeva também minimizou a diferença de ranking, lembrando que já conhecia o estilo de jogo da francesa de torneios menores na Suíça. Sua análise reflete um aprendizado contínuo:
- Pontos a melhorar, segundo Andreeva:
- Manter a consistência emocional durante toda a partida.
- Evitar reagir a provocações do público.
- Aproveitar melhor as oportunidades em momentos decisivos.
O peso da torcida francesa
A quadra Philippe Chatrier, com capacidade para 15 mil espectadores, transforma-se em um caldeirão durante os jogos de tenistas locais. A torcida francesa é conhecida por sua paixão, mas também por momentos de excesso, como vaias e interrupções entre os pontos. Para Boisson, esse apoio é uma vantagem, mas ela reconhece que pode ser intimidante para adversárias.
Gauff, por sua vez, vê o ambiente como parte do charme do esporte. A norte-americana já enfrentou torcidas adversas em outros torneios e acredita que a energia do público torna o tênis mais emocionante. Sua abordagem é prática: ela se prepara para o pior cenário e usa a pressão como combustível.
Histórico de Roland Garros para tenistas francesas
A última campeã francesa em Roland Garros foi Mary Pierce, em 2000, que derrotou Conchita Martínez na final. Desde então, o jejum de 25 anos tem pesado sobre as tenistas da casa. Marion Bartoli, semifinalista em 2011, foi a última a chegar tão longe no torneio. Boisson, com sua campanha histórica, reacende a esperança de um título local, algo que seria comparável à vitória de Emma Raducanu no US Open de 2021 como qualifier.
A francesa já garantiu um salto significativo no ranking, projetado para o 68º lugar, e embolsará ao menos 690 mil euros, independentemente do resultado contra Gauff. Sua trajetória é um marco para o tênis francês, que busca renovação em meio a uma geração de jovens talentos.
Preparação para a semifinal
A semifinal entre Boisson e Gauff promete ser um confronto de estilos. Boisson aposta em seu forehand com topspin e na consistência do saque, enquanto Gauff confia em sua defesa e velocidade para prolongar os pontos. A francesa terá a vantagem do apoio do público, mas enfrentará uma adversária experiente, que já superou desafios semelhantes.
A preparação de Boisson inclui sessões intensivas com seu treinador, que utiliza tecnologias avançadas para análise de desempenho. Gauff, por sua vez, ajustou a tensão de sua raquete após a partida contra Keys, buscando maior controle nos golpes. Ambas as jogadoras estão cientes do peso histórico do momento, mas mantêm o foco no presente.
Um marco para o tênis feminino
A campanha de Boisson é um exemplo de superação e talento emergente. Sua habilidade de lidar com a pressão da torcida e de adversárias de alto nível demonstra um potencial que vai além de Roland Garros. Para Gauff, a semifinal é mais um passo em sua consolidação como uma das melhores do mundo.
O confronto também destaca a nova geração do tênis feminino, com jogadoras jovens dominando as fases finais do torneio. A presença de Andreeva, Boisson e Gauff nas quartas e semifinais reforça a renovação do esporte, que continua a atrair atenções globais.
Expectativas para o jogo
A partida está marcada para a quadra Philippe Chatrier, com transmissão ao vivo em diversos países. A torcida francesa promete lotar as arquibancadas, criando um ambiente vibrante. Boisson, que já superou expectativas, entra como azarão, mas com a confiança de quem venceu duas top 10 no torneio. Gauff, favorita pelas casas de apostas, sabe que precisará de seu melhor tênis para neutralizar a francesa e o público.
O jogo será um teste de resistência física e mental, com trocas de bola intensas e momentos de alta tensão. A vencedora enfrentará a ganhadora do duelo entre Iga Swiatek e Aryna Sabalenka na final, marcada para sábado, 7 de junho.