Com 57 anos, Matheus Nachtergaele, ator consagrado no cinema, teatro e televisão, abriu o coração sobre sua relação conturbada com o álcool, uma substância que marcou sua vida por anos. Conhecido por papéis marcantes em “Cidade de Deus” e no remake de “Vale Tudo”, ele revelou, em entrevista recente, como o abuso da bebida se tornou um “horror” e como conseguiu reduzir o consumo. A conversa, publicada em 9 de maio de 2025, trouxe detalhes sobre os desafios enfrentados durante sua ascensão meteórica à fama e a luta para abandonar o tabaco, seu único vício atual. O relato aconteceu em meio à sua volta às novelas, interpretando Poliana em “Vale Tudo”. A história de Nachtergaele reflete a complexidade de lidar com vícios em um cenário de exposição pública, trazendo à tona os impactos emocionais e sociais do consumo de substâncias.
O ator destacou que o álcool, uma droga lícita, foi sua principal companheira durante muito tempo, especialmente em momentos de celebração que, com o tempo, se transformaram em sofrimento. Ele também abordou o peso do sucesso rápido, que o levou a buscar na bebida uma forma de lidar com a pressão social e as expectativas. Hoje, Nachtergaele mantém o consumo restrito a ocasiões sociais, mas enfrenta o desafio de abandonar o cigarro, que afeta sua saúde aos 57 anos. Sua trajetória oferece um olhar profundo sobre os altos e baixos de uma carreira brilhante.
Ascensão meteórica e o peso da fama
Matheus Nachtergaele alcançou a fama de forma rápida, com papéis que o colocaram no centro das atenções ainda jovem. Ele descreveu essa experiência como “violenta” e “precoce”, algo que o desestabilizou emocionalmente. A pressão de estar no topo, combinada com a excitação da sociedade em relação ao seu sucesso, contribuiu para o uso excessivo de álcool.
O ator explicou que a bebida servia como um mecanismo para suportar as deformações do ego e a intensidade do reconhecimento público. Essa fase de descontrole, segundo ele, foi marcada por momentos de dificuldade em lidar com a própria imagem e as expectativas alheias.
Além disso, Nachtergaele destacou que a fama trouxe uma exposição que nem sempre foi fácil de gerenciar. Ele precisou encontrar formas de se proteger emocionalmente, o que, por um tempo, incluiu o consumo de álcool como uma espécie de refúgio temporário.
O impacto de Cidade de Deus
Um marco em sua carreira, o filme “Cidade de Deus” (2002) não apenas consolidou Nachtergaele como um dos grandes nomes do cinema brasileiro, mas também mudou sua perspectiva sobre as drogas. Ao interpretar Sandro Cenoura, ele mergulhou na realidade das comunidades cariocas e na violência associada ao tráfico.
Essa experiência o fez refletir sobre o impacto social das substâncias ilícitas. Ele percebeu que o consumo de drogas, mesmo as lícitas como o álcool, está conectado a uma cadeia de violência e sofrimento.
- Consciência social: O contato com a realidade retratada no filme o afastou do consumo desenfreado.
- Mudança de perspectiva: Nachtergaele passou a enxergar as drogas como parte de um ciclo de destruição.
- Impacto profissional: O papel exigiu imersão emocional, o que o levou a repensar escolhas pessoais.
Essa compreensão foi um divisor de águas, ajudando-o a reduzir o consumo de álcool e a buscar maior equilíbrio em sua vida.
A luta contra o tabaco
Embora tenha superado o abuso de álcool, Nachtergaele ainda enfrenta o vício em tabaco, que considera seu maior desafio atual. Aos 57 anos, ele sente os efeitos do consumo prolongado na saúde e expressa o desejo de abandonar o cigarro.
O ator relatou que o tabaco é a única substância que ainda consome com frequência, mas reconhece os prejuízos que ela causa. Ele descreveu o processo de tentar parar como algo difícil, especialmente por ser um hábito enraizado há décadas.
Nachtergaele também mencionou que não tem preconceitos contra drogas em geral, mas entende os riscos do uso excessivo. Ele incluiu medicamentos psicotrópicos, como antidepressivos e ansiolíticos, em sua reflexão, destacando que mesmo substâncias prescritas podem ser perigosas se mal utilizadas.
Retorno às novelas com Vale Tudo
Após quase uma década afastado das novelas, Nachtergaele voltou à televisão em 2024, com o personagem Norberto em “Renascer”. Em 2025, ele assumiu o papel de Poliana, no remake de “Vale Tudo”, exibido no horário nobre.
O retorno às novelas marcou um momento de reconexão com o público brasileiro. Ele destacou que atuar em uma produção das oito permite um contato diário e profundo com os telespectadores, algo que considera único.
- Teatro e cinema: Antes de voltar à TV, Nachtergaele dedicou-se intensamente ao teatro e ao cinema brasileiro.
- Energia renovada: Ele descreveu sua volta como um mergulho total, com entusiasmo e compromisso.
- Conexão com o público: As novelas o colocam dentro das casas das pessoas, reforçando sua relevância cultural.
- Vila Isabel: O personagem Poliana, do bairro fictício, trouxe novos desafios artísticos.
Essa fase reflete a versatilidade do ator, que transita entre diferentes formatos artísticos com facilidade.
Reflexões sobre substâncias e saúde
Nachtergaele abordou a complexidade do uso de substâncias, sejam elas lícitas ou ilícitas. Ele destacou que o consumo desenfreado pode levar a consequências graves, independentemente da natureza da droga.
O ator também falou sobre a importância de reconhecer os limites do próprio corpo e mente. Aos 57 anos, ele sente a necessidade de cuidar mais da saúde, especialmente em relação ao tabaco, que continua sendo um obstáculo.
Sua experiência serve como um alerta para os riscos do vício, mas também como um exemplo de superação. Ele conseguiu controlar o consumo de álcool e busca o mesmo com o cigarro, mostrando que a mudança é possível com consciência e esforço.
O papel da arte na transformação pessoal
A trajetória de Nachtergaele revela como a arte pode ser um canal para reflexões profundas. Seus papéis em “Cidade de Deus” e “Vale Tudo” não apenas marcaram sua carreira, mas também influenciaram sua visão de mundo.
Ele destacou que o trabalho artístico o ajudou a entender melhor a sociedade e a si mesmo. A imersão em personagens complexos trouxe aprendizados que ele aplicou em sua vida pessoal, como a decisão de reduzir o consumo de álcool.
Além disso, o retorno ao teatro após anos focado no cinema reforçou sua paixão pela atuação. Ele descreveu o palco como um espaço de liberdade e conexão, que o ajudou a encontrar equilíbrio em meio aos desafios pessoais.
Desafios de uma carreira multifacetada
Ao longo de décadas, Nachtergaele construiu uma carreira que abrange cinema, teatro e televisão. Ele participou da retomada do cinema brasileiro, com papéis em filmes premiados, e agora retorna às novelas com energia renovada.
O ator destacou que cada formato exige habilidades diferentes, mas todos o conectam ao público de forma única. Ele vê a televisão, especialmente as novelas, como uma ponte para dialogar com milhões de pessoas diariamente.
- Cinema brasileiro: Sua contribuição foi essencial para o fortalecimento do setor nos anos 2000.
- Teatro como paixão: O palco é onde ele encontra liberdade criativa.
- Televisão e alcance: As novelas amplificam sua voz e relevância cultural.
Essa versatilidade é um dos pilares de sua longevidade no meio artístico.
A relação com o público
Nachtergaele sempre teve uma conexão especial com o público, seja nas telas ou nos palcos. Ele valoriza a oportunidade de entrar na casa das pessoas por meio das novelas, algo que considera um privilégio.
O ator também reconhece o peso da responsabilidade que vem com a visibilidade. Ele busca usar sua plataforma para compartilhar histórias que inspirem reflexão, como seu relato sobre o vício e a superação.
Sua sinceridade ao falar sobre temas delicados, como o abuso de álcool, reforça sua autenticidade. Ele não teme expor vulnerabilidades, o que o torna ainda mais próximo do público.
Um olhar para o futuro
Aos 57 anos, Nachtergaele continua ativo e comprometido com sua carreira. Ele planeja seguir explorando novos papéis e formatos, mantendo o equilíbrio entre cinema, teatro e televisão.
O ator também está focado em melhorar sua saúde, com o objetivo de abandonar o tabaco. Ele vê esse desafio como parte de um processo contínuo de autoconhecimento e cuidado pessoal.
Sua história é um exemplo de resiliência e transformação, mostrando que é possível superar obstáculos e encontrar novos caminhos, mesmo após anos de luta.