Uma megaoperação policial realizada no Complexo de Israel, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira, 10 de junho de 2025, resultou na interdição total da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, duas das principais vias da cidade, além de afetar a circulação de trens e BRTs. A ação, coordenada pela Polícia Civil, visava desarticular a organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), liderada por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”. O intenso tiroteio gerou pânico entre motoristas e passageiros, que buscaram abrigo em meio aos disparos. Até o momento, 12 pessoas foram presas, e três fuzis, granadas e um coquetel molotov foram apreendidos. Por volta das 08h25, as vias foram liberadas, mas o impacto no transporte público e na rotina dos cariocas foi significativo.
A operação, que mobilizou diversas delegacias especializadas, foi resultado de sete meses de investigações. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram cenas de desespero, com pessoas deitadas no asfalto ou dentro de veículos para se proteger dos tiros. A violência também deixou dois feridos: um passageiro e um motorista de ônibus, atingidos por disparos na Avenida Brasil.
- Impactos imediatos da operação:
- Interdição total da Avenida Brasil e Linha Vermelha por cerca de duas horas.
- Suspensão parcial dos trens do ramal Saracuruna e operação irregular de linhas de BRT.
- Pelo menos 50 linhas de ônibus afetadas, segundo o Rio Ônibus.
O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) decretou “Estágio 2” de mobilização às 6h50, refletindo a gravidade da situação. A seguir, um panorama detalhado dos acontecimentos e suas consequências.
Detalhes da megaoperação policial
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação no Complexo de Israel com o objetivo de combater o tráfico de drogas e a atuação do TCP. A ação envolveu um grande contingente de agentes, que enfrentaram resistência armada por parte de criminosos. O confronto resultou em trocas de tiros intensas, especialmente nas proximidades de Vigário Geral e Cidade Alta. A investigação, conduzida ao longo de sete meses, identificou “Peixão” como um dos principais alvos, apontado como líder do tráfico na região.
Durante a operação, os policiais apreenderam armamento pesado, incluindo três fuzis, além de explosivos como granadas e um coquetel molotov. Até o momento, 12 suspeitos foram detidos, mas a polícia segue em busca de outros envolvidos. A ação também revelou a sofisticação do armamento utilizado pelo grupo criminoso, o que reforça os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate ao crime organizado no Rio.
Vias bloqueadas e caos no trânsito
A interdição da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, duas das vias mais importantes do Rio, gerou transtornos significativos para milhares de trabalhadores que se deslocavam para o centro da cidade. As vias foram fechadas nos dois sentidos por cerca de duas horas, entre 6h50 e 08h25, devido ao risco representado pelo tiroteio. Motoristas relataram momentos de tensão, com muitos abandonando seus veículos para buscar abrigo.
Imagens amplamente compartilhadas nas redes sociais mostram motoristas e passageiros deitados no asfalto ou escondidos dentro de carros e ônibus. A situação foi particularmente crítica na altura de Vigário Geral, onde os disparos atingiram a rede aérea da SuperVia, concessionária responsável pelos trens da região. Técnicos foram acionados para reparar os danos, mas precisaram aguardar a estabilização da área para iniciar os trabalhos.
- Principais vias afetadas:
- Avenida Brasil: interditada totalmente, liberada às 08h25.
- Linha Vermelha: fechada nos dois sentidos, também liberada às 08h25.
- Rede aérea da SuperVia: danificada por disparos, afetando o ramal Saracuruna.
Feridos em ônibus durante o confronto
Dois ônibus da empresa Evanil foram atingidos por disparos na Avenida Brasil, deixando um passageiro e um motorista feridos. Um dos feridos, Manoel Americo da Silva, de 60 anos, foi baleado no ombro esquerdo e encaminhado ao Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI). Ele passou por procedimentos de urgência e, segundo o hospital, seu estado de saúde é estável. A vítima está sob avaliação da equipe de ortopedia para determinar os próximos passos do tratamento.
Não há informações detalhadas sobre o estado de saúde do motorista baleado. A Semove, empresa responsável pelos ônibus, lamentou o ocorrido e reforçou a necessidade de colaboração com as autoridades para identificar os responsáveis. A companhia também pediu que a população envie informações ao Disque Denúncia para auxiliar nas investigações.
Impacto no transporte público
A operação policial afetou diretamente o funcionamento do transporte público na zona norte do Rio. A SuperVia informou que os trens do ramal Saracuruna operaram de forma parcial, com circulação suspensa entre Gramacho e Saracuruna devido ao tiroteio próximo à estação Parada de Lucas. Nos trechos entre Central do Brasil e Penha e entre Duque de Caxias e Gramacho, os intervalos médios foram de 30 minutos, comprometendo a rotina de milhares de passageiros.
A Mobi-Rio, responsável pela operação do BRT, relatou que o corredor Transbrasil foi interrompido nos dois sentidos por determinação da Polícia Civil. Mesmo após a normalização, as linhas 60 (Deodoro x Gentileza – Parador), 61 (Deodoro x Gentileza – Expresso) e 71 (Vigário Geral x Gentileza – Expresso) operaram com intervalos irregulares, causando atrasos.
O Rio Ônibus destacou que pelo menos 50 linhas de ônibus tiveram seus trajetos alterados ou interrompidos. A entidade criticou a violência recorrente no transporte público e cobrou medidas das autoridades para garantir a segurança de motoristas e passageiros.
Reação da população e autoridades
A violência gerada pela operação policial provocou indignação entre moradores e trabalhadores da zona norte. Muitos relataram medo e frustração com a interrupção de suas rotinas. Nas redes sociais, vídeos e relatos circularam amplamente, mostrando o desespero de quem ficou preso no meio do confronto. Alguns questionaram a falta de planejamento das autoridades, argumentando que operações em horários de pico agravam os transtornos para a população.
A Semove, em nota, expressou solidariedade às vítimas e reforçou seu compromisso em colaborar com as forças de segurança. A empresa também pediu que informações sobre os criminosos sejam encaminhadas ao Disque Denúncia, destacando a importância da participação popular no combate à criminalidade.
Contexto da criminalidade no Rio
O Complexo de Israel, que engloba comunidades como Vigário Geral, Cidade Alta e Parada de Lucas, é uma das áreas mais conflagradas do Rio de Janeiro. A região é palco de disputas entre facções criminosas, como o TCP e o Comando Vermelho (CV), pelo controle do tráfico de drogas. Operações policiais frequentes visam enfraquecer essas organizações, mas os confrontos armados muitas vezes resultam em impactos diretos na população.
A liderança de “Peixão” no TCP tem sido um dos focos das autoridades, que o consideram um dos principais articuladores do tráfico na zona norte. A apreensão de armamento pesado durante a operação reforça a capacidade bélica do grupo, que utiliza fuzis e explosivos para manter o controle territorial.
- Facções atuantes na região:
- Terceiro Comando Puro (TCP): liderado por “Peixão”, alvo principal da operação.
- Comando Vermelho (CV): também presente em disputas territoriais no Complexo de Israel.
- Outras facções menores: atuam de forma secundária na região.
Medidas de segurança e próximos passos
A Polícia Civil informou que a operação no Complexo de Israel segue em andamento, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e apreender mais materiais ilícitos. As autoridades não divulgaram o número total de mandados expedidos, mas confirmaram que a ação envolve diversas delegacias especializadas, incluindo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
O COR-Rio mantém o monitoramento da situação na zona norte, com possibilidade de novos alertas caso haja escalada da violência. A SuperVia e a Mobi-Rio afirmaram que trabalham para normalizar os serviços de transporte, mas a retomada total depende da segurança nas áreas afetadas.
Histórico de operações na região
O Complexo de Israel tem sido alvo recorrente de operações policiais nos últimos anos. Em outubro de 2024, um tiroteio na Avenida Brasil, também envolvendo o TCP, resultou em uma morte e cinco feridos, além de paralisar o trânsito por horas. A repetição de episódios semelhantes evidencia a complexidade do combate ao crime organizado no Rio, que exige não apenas ações repressivas, mas também políticas públicas para enfrentar as raízes da violência.
- Operações recentes no Complexo de Israel:
- Outubro 2024: confronto na Avenida Brasil deixa um morto e cinco baleados.
- Fevereiro 2025: operação policial fecha vias e gera críticas pela falta de planejamento.
- Junho 2025: megaoperação atual, com 12 prisões e apreensão de armamento pesado.
Desafios para a mobilidade urbana
A paralisação de vias e serviços de transporte durante operações policiais expõe a vulnerabilidade da mobilidade urbana no Rio de Janeiro. A Avenida Brasil e a Linha Vermelha são essenciais para a ligação entre a zona norte, a Baixada Fluminense e o centro da cidade. Quando interditadas, o impacto se estende a milhares de trabalhadores, estudantes e empresas que dependem dessas rotas.
A suspensão dos trens e a operação irregular dos BRTs agravaram a situação, deixando muitos passageiros sem alternativas de deslocamento. A normalização gradual dos serviços ao longo da manhã não evitou atrasos significativos, especialmente para quem precisava chegar ao trabalho no início do expediente.
Ações de apoio às vítimas
As vítimas do tiroteio, incluindo Manoel Americo da Silva, recebem atendimento médico em unidades de saúde da região. O Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde Manoel está internado, informou que ele passou por exames complementares e segue em observação. A ausência de informações sobre o motorista ferido preocupa colegas de trabalho e representantes do setor de transporte, que cobram maior proteção para os profissionais que atuam em áreas de risco.
A Semove reiterou que mantém contato com as autoridades para garantir assistência às vítimas e apoio às investigações. A empresa também destacou a importância de medidas preventivas para evitar novos episódios de violência no transporte público.