O Programa Acredita no Primeiro Passo, lançado pelo Governo Federal, está transformando a realidade de milhares de brasileiros inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) ao oferecer microcrédito de até R$ 21 mil com condições facilitadas. Anunciada em 2024 e ampliada em 2025, a iniciativa beneficia especialmente os participantes do Bolsa Família, trabalhadores informais e pequenos produtores rurais, promovendo empreendedorismo e mobilidade social. Implementado em parceria com instituições como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, o programa já liberou mais de R$ 500 milhões, alcançando cerca de 200 mil famílias. A medida, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visa reduzir a pobreza e estimular a economia local. O acesso é simplificado, sem exigência de fiadores, e inclui capacitação para gestão financeira. O objetivo é alcançar 1 milhão de empreendedores nos próximos anos, com foco em regiões como Norte e Nordeste.
A relevância do programa está na sua capacidade de atender uma população historicamente excluída do sistema financeiro. Muitos inscritos no CadÚnico enfrentam barreiras para acessar crédito devido à falta de garantias ou histórico financeiro. O Acredita contorna esses obstáculos com um Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre até 100% das operações, reduzindo riscos para os bancos.
- Público-alvo: Inscritos no CadÚnico, incluindo beneficiários do Bolsa Família e trabalhadores informais.
- Valor disponível: Até R$ 21 mil, com média de R$ 6 mil por operação.
- Taxas de juros: Reduzidas, com prazos de até 60 meses.
- Capacitação: Cursos de gestão financeira e apoio do Sebrae para formalização como MEI.
O programa também prioriza a inclusão de mulheres, destinando 50% dos recursos a empreendedoras, além de jovens, negros e comunidades tradicionais. Essa abordagem reflete o compromisso do governo em combater desigualdades estruturais.
O que é o Programa Acredita no Primeiro Passo?
Iniciado em abril de 2024, o Acredita no Primeiro Passo é um dos eixos do Programa Acredita, instituído pela Lei nº 14.995/2024. A iniciativa foca na concessão de microcrédito produtivo orientado, voltado para inscritos no CadÚnico que desejam iniciar ou expandir pequenos negócios. Diferentemente de empréstimos tradicionais, o programa não exige garantias como bens ou avalistas, utilizando o FGO para assegurar as operações. O aporte inicial de R$ 1 bilhão, com R$ 500 milhões liberados em 2024, garante a sustentabilidade do fundo.

A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) é um requisito para acessar o crédito, mas os beneficiários recebem orientação do Sebrae para regularizar seus negócios. A medida não obriga a saída imediata do Bolsa Família, permitindo uma transição gradual para quem melhora sua renda. Até março de 2025, o programa já movimentou R$ 619,1 milhões apenas no Nordeste, com o Banco do Nordeste liderando as operações.
O ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, enfatizou que o programa é uma ferramenta de superação da pobreza. Ele destacou casos como o de Patrícia Morais dos Santos, ex-beneficiária do Bolsa Família em Fortaleza, que transformou seu serviço de beleza em um salão estruturado com o microcrédito.
Como funciona o acesso ao crédito?
Para solicitar o empréstimo, os interessados devem procurar instituições financeiras parceiras, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste ou Banco da Amazônia. O processo é simplificado, com análise socioeconômica rápida para avaliar a viabilidade do negócio e a capacidade de pagamento. O aplicativo Caixa Tem tem sido uma ferramenta central, permitindo solicitações e gerenciamento de recursos sem deslocamentos.
Os requisitos incluem:
- Estar inscrito no CadÚnico com dados atualizados.
- Ser maior de 16 anos e menor de 65 anos.
- Apresentar documentos como RG, CPF, comprovante de residência e número do Bolsa Família.
- Formalizar-se como MEI, com apoio do Sebrae.
A baixa taxa de inadimplência, de apenas 0,043% em 2024, reflete a responsabilidade dos beneficiários e a eficácia do programa. A ausência de exigências como histórico financeiro impecável também permite que pessoas negativadas acessem o crédito, ampliando a inclusão financeira.
Benefícios para pequenos empreendedores
O microcrédito do Acredita é destinado a atividades produtivas, como compra de equipamentos, melhoria de infraestrutura ou expansão de pequenos comércios. Diferentemente de empréstimos consignados, suspensos em 2023 devido ao risco de endividamento, o foco é gerar renda sustentável. Exemplos de uso incluem aquisição de matéria-prima para artesanato, ferramentas para agricultura ou reformas em pontos comerciais.
A capacitação é outro diferencial. Por meio de parcerias com o Sebrae e empresas como Coca-Cola e Huawei, o programa oferece cursos em gestão financeira, marketing digital e técnicas de produção. Em 2024, mais de 7 mil pessoas foram qualificadas, com ênfase em áreas de alta demanda, como tecnologia e comércio online.
Prioridade para mulheres e regiões vulneráveis
Metade dos recursos do programa é reservada para mulheres empreendedoras, reconhecendo seu papel na economia informal. Dados do governo mostram que 54% das famílias no CadÚnico vivem com renda per capita inferior a R$ 109 mensais, e muitas são chefiadas por mulheres. O Acredita oferece condições especiais, como prazos estendidos e juros ainda mais baixos, para esse público.
As regiões Norte e Nordeste, marcadas por altos índices de vulnerabilidade, são priorizadas na distribuição dos recursos. No Ceará, por exemplo, o Banco do Nordeste assinou 100 contratos em um único evento, beneficiando microempreendedores como Patrícia Morais. A estratégia é replicada em outros estados, com meta de injetar R$ 12 bilhões na economia até 2026.
Integração com o Caixa Tem
O uso do aplicativo Caixa Tem revolucionou o acesso ao crédito. Disponível para smartphones, a plataforma permite que beneficiários em áreas remotas solicitem empréstimos e consultem saldos em tempo real. Em 2024, 70% das transações de benefícios sociais foram digitais, e o Acredita segue esse modelo, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência. A segurança de dados é garantida, com proteção contra fraudes.
A digitalização também facilita a formalização como MEI. Pelo aplicativo, os usuários recebem orientações e podem iniciar o processo sem visitar agências físicas. Essa acessibilidade é crucial para populações em áreas rurais, onde o acesso a serviços bancários é limitado.
Impacto econômico e social
O programa já demonstra resultados concretos. Entre janeiro e abril de 2025, 75% dos novos empregos formais no Brasil foram ocupados por inscritos no CadÚnico, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. O microcrédito contribui para essa tendência, ao permitir que pequenos negócios gerem renda e contratem localmente.
No Nordeste, atividades como artesanato, agricultura familiar e comércio de alimentos foram impulsionadas. A projeção é que 1,25 milhão de transações de microcrédito sejam realizadas até 2026, movimentando R$ 7,5 bilhões. A iniciativa também fortalece a economia local, já que os recursos circulam em comunidades vulneráveis.
Formalização como MEI: um passo essencial
A exigência de formalização como MEI é um pilar do programa. O processo, orientado pelo Sebrae, inclui abertura de CNPJ, emissão de notas fiscais e acesso a benefícios previdenciários. Para muitos beneficiários, essa é a primeira oportunidade de regularizar seus negócios, o que aumenta a credibilidade junto a fornecedores e clientes.
O apoio do Sebrae vai além da formalização. Cursos presenciais e online ensinam desde planejamento financeiro até estratégias de vendas digitais. Em 2024, mais de 200 mil empreendedores receberam orientação, com foco em sustentabilidade e crescimento.
Exemplos de sucesso
Histórias como a de Patrícia Morais ilustram o potencial do programa. Após anos oferecendo serviços de beleza em casa, ela acessou o microcrédito para abrir um salão em Fortaleza. Hoje, atende uma clientela fixa e planeja expandir o negócio. Casos semelhantes são registrados em todo o Brasil, especialmente em regiões rurais, onde pequenos produtores rurais utilizam o crédito para adquirir sementes e equipamentos.
Outro exemplo é Maria Silva, agricultora no Pará, que investiu R$ 6 mil em ferramentas agrícolas. Com o aumento da produção, ela passou a vender em feiras locais, triplicando sua renda mensal. Esses relatos reforçam a importância do microcrédito para a autonomia financeira.
Expansão e metas futuras
O governo planeja liberar mais R$ 500 milhões em 2025, ampliando o alcance do programa. A meta é atingir 1 milhão de empreendedores, com ênfase em populações vulneráveis. Bancos como o BNDES e o Banco da Amazônia estão em negociações para integrar novas linhas de crédito, aumentando a capilaridade do Acredita.
A prioridade para jovens, negros e comunidades tradicionais reflete o compromisso com a inclusão. Projetos de agricultura sustentável e artesanato indígena, por exemplo, recebem incentivos adicionais, com prazos de pagamento estendidos. A expansão também inclui parcerias com o setor privado, como programas de capacitação oferecidos por grandes empresas.