A escalada do conflito entre Israel e Irã atingiu o terceiro dia neste domingo (15), com intensos bombardeios registrados em Tel Aviv, Jerusalém e Teerã, deixando ao menos 78 mortos no Irã e 13 em Israel. As Forças de Defesa de Israel (IDF) realizaram ataques aéreos contra alvos militares e nucleares iranianos, enquanto o Irã respondeu com mísseis balísticos, atingindo áreas urbanas israelenses. A violência, iniciada na sexta-feira (13), já matou líderes militares iranianos e civis, gerando alertas internacionais e temor de uma guerra regional. Equipes de resgate buscam sobreviventes nos escombros, e a ONU pede contenção.
O confronto ganhou contornos dramáticos com a morte de figuras-chave no Irã, incluindo Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, e Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. As ações de Israel, justificadas como resposta à ameaça nuclear iraniana, destruíram parte do complexo de Natanz, segundo o premiê Benjamin Netanyahu. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu retaliar, enquanto o Irã alertou israelenses a evitarem “áreas vitais”.
- Principais alvos atingidos: instalações nucleares em Natanz e bases de mísseis no Irã; áreas residenciais em Tel Aviv e Jerusalém.
- Resposta internacional: ONU e países do Golfo pedem desescalada; Trump sinaliza possível envolvimento dos EUA.
- Impacto humanitário: equipes de resgate relatam dificuldades em acessar vítimas em zonas de conflito.
A troca de ataques ocorre em um momento de fragilidade diplomática, com negociações nucleares entre Irã e EUA paralisadas. A tensão regional, já elevada por conflitos envolvendo Hamas e Hezbollah, pode desencadear consequências imprevisíveis.

Origem da nova escalada
A onda de hostilidades começou na noite de quinta-feira (12), pelo horário de Brasília, quando Israel lançou a Operação Leão Ascendente, visando alvos estratégicos no Irã. Segundo as IDF, a ação foi motivada pela “agressão contínua” do regime iraniano, com foco em seu programa nuclear. O ataque matou líderes militares e cientistas nucleares, como Fereydoon Abbasi, ex-chefe da agência nuclear iraniana. A mídia estatal iraniana reportou 78 mortes apenas em Teerã, com mais de 320 feridos, incluindo civis.
O Irã retaliou com a operação “Promessa Verdadeira 3”, disparando mísseis balísticos contra Israel. Imagens noturnas mostraram o sistema Domo de Ferro interceptando projéteis sobre Tel Aviv, mas algumas áreas foram atingidas, resultando em 13 mortes confirmadas até o momento. A intensidade dos ataques, que atingiram áreas residenciais, marca uma mudança em relação a confrontos anteriores, que evitavam centros urbanos.
Ataques a infraestruturas críticas
Israel concentrou seus esforços em instalações nucleares e militares no Irã. Netanyahu afirmou que a principal estrutura do complexo de Natanz, a 225 km de Teerã, foi destruída, comprometendo o programa de enriquecimento de urânio do país. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que não houve aumento nos níveis de radiação, mas alertou que o Irã descumpre obrigações de não proliferação.
No Irã, sistemas de defesa antiaérea foram ativados no oeste do país, mas não evitaram danos a bases de mísseis e prédios residenciais. A agência estatal IRNA relatou que bairros populosos de Teerã sofreram colapsos estruturais, com mulheres e crianças entre os feridos. O governador da província do Azerbaijão Oriental, Bahram Sarmast, informou 31 mortes na região, incluindo 30 militares.
Resposta iraniana e ameaças
O Irã, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, classificou os ataques israelenses como uma “declaração de guerra”. Em comunicado à Organização de Cooperação Islâmica (OCI), Araqchi pediu ações coletivas contra Israel, acusando-o de violar o direito internacional. O porta-voz militar iraniano, Abolfazl Shekarchi, prometeu que Israel e seus aliados, incluindo os EUA, “pagarão um preço alto”.
- Alvos potenciais: bases militares dos EUA, França e Reino Unido na região.
- Estratégia iraniana: uso de mísseis balísticos e drones para atingir áreas urbanas em Israel.
- Ameaças aos civis: Irã alertou israelenses a evitarem zonas próximas a infraestruturas críticas.
- Mobilização militar: Forças Armadas iranianas em estado de alerta máximo.
O líder supremo, Ali Khamenei, reforçou que Israel “cometeu um erro de cálculo” e prometeu uma resposta que demonstre a “capacidade e vontade” do povo iraniano. A retórica beligerante eleva os temores de uma escalada incontrolável.
Envolvimento internacional
A comunidade internacional reagiu com preocupação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu o fim imediato das hostilidades, alertando para o risco de um “conflito devastador em grande escala”. Países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, condenaram os ataques e defenderam a contenção. A Rússia, aliada do Irã, expressou “profunda preocupação” e monitora a situação por meio de seus serviços de inteligência.
Os Estados Unidos, que ajudaram Israel a interceptar mísseis iranianos, evacuaram pessoal não essencial de sua embaixada em Bagdá. O presidente Donald Trump sugeriu que os EUA podem se envolver diretamente no conflito e mencionou o presidente russo, Vladimir Putin, como possível mediador, uma proposta que analistas consideram improvável devido às tensões geopolíticas.
Ações do Hamas e frentes adicionais
Enquanto Israel e Irã trocam ataques, o Hamas, grupo palestino apoiado pelo Irã, lançou projéteis contra o sul de Israel, acionando sirenes na região. As IDF destacaram que o país enfrenta uma “guerra em várias frentes”, com combates simultâneos contra o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano. Um ataque israelense em Gaza, no sábado (14), matou dezenas em uma escola usada como abrigo, segundo o Ministério da Saúde local, intensificando as tensões na Faixa.
A operação israelense contra o Hamas, iniciada após o ataque de 7 de outubro de 2023, já deixou mais de 55 mil mortos em Gaza, segundo dados da ONU. A morte do líder do Hamas, Yahya Sinwar, em outubro de 2024, enfraqueceu o grupo, mas não interrompeu suas ações. A simultaneidade dos conflitos complica a estratégia militar de Israel.
Esforços de resgate e impacto humanitário
Nos dois países, equipes de emergência enfrentam desafios para acessar áreas atingidas. Em Israel, o serviço Magen David Adom relatou dificuldades em localizar vítimas em escombros na região metropolitana de Tel Aviv. Entre os feridos, dois pacientes estão em estado crítico devido a estilhaços e inalação de fumaça.
No Irã, o Crescente Vermelho reportou 55 feridos na província do Azerbaijão Oriental, incluindo 20 crianças atingidas em um ataque a um prédio em Teerã. A falta de energia em algumas áreas da capital iraniana dificulta os trabalhos de resgate, e hospitais estão sobrecarregados.
Riscos de uma corrida nuclear
Os ataques israelenses ao complexo de Natanz reacenderam temores de uma corrida nuclear no Oriente Médio. O Irã possui urânio enriquecido a 60%, próximo do nível necessário para uma bomba nuclear, segundo a AIEA. A destruição parcial de Natanz pode atrasar o programa iraniano, mas analistas alertam que a humilhação pública pode levar Teerã a acelerar seus esforços nucleares.
- Preocupações globais: proliferação nuclear e instabilidade regional.
- Histórico do programa: acordo nuclear de 2015 desfeito por Trump em 2018.
- Resposta da AIEA: ameaça de levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU.
A possibilidade de um Irã nuclear é vista como uma ameaça existencial por Israel, que há anos conduz operações secretas contra o programa iraniano, incluindo o uso do vírus Stuxnet na década de 2000.
Reações regionais e diplomacia
A Organização de Cooperação Islâmica (OCI) anunciou que trabalhará com a ONU para mobilizar apoio contra Israel. O secretário-geral da OCI, Hissein Brahim Taha, destacou a necessidade de proteger a estabilidade regional. Países árabes, como Jordânia e Arábia Saudita, mantêm uma postura cautelosa, convivendo com o Irã, mas preocupados com a escalada.
O Iraque, vizinho do Irã, tenta evitar ser arrastado para o conflito. Assessores do premiê iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, afirmaram que o governo negocia com grupos pró-Irã para evitar retaliações contra bases americanas no país. A fragilidade da região aumenta o risco de um conflito mais amplo.
Situação militar atual
Israel mantém suas forças em alerta máximo, com dezenas de milhares de soldados mobilizados. A Força Aérea israelense realizou ataques com 200 caças, lançando mais de 330 munições contra alvos iranianos. O Mossad, serviço de inteligência de Israel, teria auxiliado na identificação de alvos, incluindo drones lançados de dentro do território iraniano.
O Irã, por sua vez, intensificou o uso de drones e mísseis balísticos, com mais de 100 projéteis disparados contra Israel no domingo (15). As defesas aéreas iranianas, embora ativas, sofreram danos significativos nos ataques iniciais de Israel, limitando sua capacidade de resposta.