O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, durante todo o ano, vacinas gratuitas que protegem contra doenças contagiosas de alto impacto, como gripe, sarampo, Covid-19, meningite e hepatite B. Por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o Ministério da Saúde oferece 19 tipos de imunizantes no Calendário Nacional de Vacinação, distribuídos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o Brasil. A imunização é uma ferramenta essencial para prevenir a transmissão de agentes infecciosos, reduzir complicações graves e proteger a população. Para receber as doses, basta comparecer a uma UBS com um documento de identificação, sendo a caderneta de vacinação recomendada, mas não obrigatória. Essas vacinas salvam vidas e evitam surtos de doenças que já causaram milhares de mortes no passado.
O acesso universal às vacinas reforça a importância do PNI, que completou 50 anos em 2024, como um dos pilares da saúde pública brasileira. Abaixo, detalhamos cinco doenças contagiosas que contam com imunizantes disponíveis gratuitamente, destacando sintomas, formas de transmissão e a relevância da vacinação.
Gripe: proteção anual contra o vírus influenza
A gripe, causada pelo vírus influenza, é uma infecção respiratória com alta capacidade de transmissão. O vírus, que circula em quatro tipos (A, B, C e D), é responsável por epidemias sazonais, especialmente os subtipos A (H1N1, H₂N₂, H₃N₂) e B. A doença pode variar de casos leves a quadros graves, com sintomas como:
- Febre alta e calafrios;
- Dores musculares e de cabeça;
- Tosse seca e coriza;
- Fadiga intensa;
- Dificuldade respiratória em casos severos.
A transmissão ocorre por gotículas liberadas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato com superfícies contaminadas. O período de contágio pode se estender por até sete dias após o início dos sintomas. A vacina contra a gripe, incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2025, é recomendada para todos a partir dos 6 meses de idade.
Desde março de 2025, a imunização contra a gripe passou a ser permanente para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos acima de 60 anos. Outros grupos, como profissionais de saúde e pessoas com comorbidades, também têm acesso em campanhas específicas. A vacina deve ser tomada anualmente, devido à mutação constante do vírus, e protege contra complicações como pneumonias bacterianas secundárias.
Covid-19: barreira contra casos graves
A Covid-19, provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, é uma infecção respiratória de alta transmissibilidade que marcou o mundo com a pandemia iniciada em 2020. Os sintomas variam de leves, como tosse e febre, a graves, incluindo dispneia e falência respiratória. Entre os sinais mais comuns estão:
- Febre ou calafrios;
- Fadiga e dor de cabeça;
- Perda de olfato ou paladar;
- Congestão nasal e dor de garganta.
O vírus se espalha por contato direto, gotículas ou aerossóis, podendo permanecer no ar por horas. Cerca de 15% dos casos evoluem para formas graves, com risco de trombose, sequelas neurológicas ou óbito. A vacinação, disponível no SUS para todas as faixas etárias, é a principal estratégia para evitar hospitalizações e complicações.
As doses contra a Covid-19 são atualizadas para cobrir variantes emergentes, e o reforço periódico é indicado, especialmente para idosos e imunossuprimidos. A campanha de vacinação, iniciada em 2021, já aplicou mais de 500 milhões de doses no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. A imunização continua sendo essencial para controlar surtos e proteger a população vulnerável.
Sarampo: erradicação depende da vacina
O sarampo, causado pelo vírus Morbillivirus, é uma doença altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de morte infantil. A transmissão ocorre por gotículas liberadas ao falar, tossir ou respirar, com uma taxa de contágio de até 90% entre não vacinados. Os sintomas incluem:
- Febre alta acima de 38,5°C;
- Manchas vermelhas no corpo;
- Tosse seca e coriza;
- Conjuntivite e mal-estar.
O período de transmissão vai de quatro dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas. A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente no SUS para pessoas de 12 meses a 59 anos. A tetra viral, que inclui proteção contra varicela, é outra opção disponível.
A vacinação em duas doses é essencial para garantir imunidade. Apesar de o Brasil ter eliminado o sarampo em 2016, surtos recentes, como o de 2019, reforçam a necessidade de manter altas coberturas vacinais. Adolescentes e adultos com esquema incompleto devem buscar a imunização nas UBS.
Meningite: prevenção contra múltiplos agentes
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas. A meningite meningocócica, provocada pela bactéria meningococo, é uma das formas mais graves. No Ceará, até junho de 2025, foram registrados 127 casos de meningite, incluindo um caso meningocócico em São Gonçalo do Amarante. Os sintomas variam, mas os mais frequentes são:
- Febre e dor de cabeça intensa;
- Rigidez na nuca;
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade à luz e confusão mental.
A transmissão ocorre por gotículas respiratórias ou contato com secreções, além de vias fecal-orais em alguns casos virais. O SUS oferece vacinas como a meningocócica C, a meningocócica ACWY, a pneumocócica 10-valente e a pentavalente, que protegem contra diferentes agentes causadores de meningite.
Crianças recebem essas vacinas no calendário infantil, enquanto adolescentes e adultos podem acessar doses específicas em campanhas. A imunização é crucial para reduzir a incidência de casos graves, que podem levar à morte ou sequelas permanentes.
Hepatite B: vacina desde o nascimento
A hepatite B, causada pelo vírus HBV, é uma infecção crônica que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose ou câncer hepático. Conhecida como uma “doença silenciosa”, muitas vezes não apresenta sintomas iniciais. Quando manifestos, incluem:
- Cansaço e tontura;
- Urina escura e fezes claras;
- Pele e olhos amarelados;
- Dor abdominal e febre.
A transmissão ocorre por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem proteção ou de mãe para filho durante a gestação. A vacina, aplicada em três doses, é oferecida no SUS para todas as idades, sendo administrada em recém-nascidos nas primeiras 24 horas de vida.
A imunização é altamente eficaz e, junto com medidas como uso de preservativos e não compartilhamento de objetos perfurocortantes, reduz significativamente o risco de infecção. O Brasil registrou cerca de 250 mil casos de hepatite B entre 1999 e 2023, segundo o Ministério da Saúde, destacando a importância da vacinação contínua.
Como acessar as vacinas no SUS
Para receber qualquer uma dessas vacinas, é necessário comparecer a uma UBS com um documento de identificação. A caderneta de vacinação facilita o acompanhamento, mas sua ausência não impede a imunização. As UBS funcionam de segunda a sexta-feira, e algumas oferecem atendimento em horários estendidos ou aos sábados, dependendo do município.
O PNI recomenda que pais e responsáveis verifiquem o calendário vacinal das crianças, enquanto adultos devem consultar profissionais de saúde para atualizar esquemas vacinais. A adesão às campanhas anuais, como a de vacinação contra a gripe, também é fundamental para manter a proteção coletiva.
Importância da imunização coletiva
A vacinação não protege apenas o indivíduo, mas também a comunidade, por meio da imunidade coletiva. Doenças como o sarampo exigem coberturas vacinais acima de 95% para evitar surtos. No Brasil, a queda nas taxas de vacinação nos últimos anos, impulsionada por desinformação, levou ao retorno de doenças controladas, como o sarampo em 2018.
O Ministério da Saúde intensificou esforços para reverter esse cenário, com campanhas educativas e ampliação do acesso às vacinas. Em 2024, o Brasil alcançou 86% de cobertura vacinal para a tríplice viral, ainda abaixo da meta ideal. A participação da população é essencial para erradicar essas doenças.
Avanços do Programa Nacional de Imunizações
Criado em 1973, o PNI é referência mundial em saúde pública, oferecendo vacinas gratuitas que preveniram milhões de mortes. A inclusão da vacina da gripe no calendário permanente em 2025 é um marco, assim como a expansão da vacina meningocócica ACWY para adolescentes. Essas medidas refletem o compromisso do SUS em enfrentar desafios epidemiológicos.
O programa também investe em logística para distribuir imunizantes a áreas remotas, garantindo equidade no acesso. Em 2025, o Ministério da Saúde planeja intensificar a vacinação em escolas e comunidades indígenas, visando alcançar grupos vulneráveis.
Desafios na adesão à vacinação
Apesar dos avanços, a hesitação vacinal permanece um obstáculo. Movimentos antivacina e a disseminação de notícias falsas nas redes sociais impactam a confiança da população. No Brasil, a cobertura vacinal para doenças como hepatite B caiu de 93% em 2015 para 81% em 2023, segundo dados oficiais.
Estratégias como visitas domiciliares, campanhas escolares e parcerias com líderes comunitários têm sido adotadas para reverter essa tendência. A educação em saúde é crucial para esclarecer mitos e reforçar a segurança das vacinas, que passam por rigorosos testes antes de serem liberadas.