A partir de 17 de junho de 2025, o governo federal libera R$ 6 bilhões do FGTS para 8,1 milhões de trabalhadores demitidos sem justa causa que aderiram ao saque-aniversário, permitindo acesso a saldos retidos. A medida, anunciada por Medida Provisória, corrige distorções que limitavam saques após demissões, beneficiando quem optou pela modalidade entre 2020 e 2023. Os valores serão depositados até 20 de junho, com consulta pelo app FGTS ou canais da Caixa. A iniciativa injeta recursos na economia, alivia finanças de famílias e reforça debates sobre mudanças permanentes no fundo.
Elegibilidade para a liberação
A liberação dos R$ 6 bilhões do FGTS abrange um grupo específico de trabalhadores impactados pelas regras do saque-aniversário. A medida, implementada pelo governo federal, visa corrigir uma falha que impedia o acesso integral aos saldos do fundo após demissões sem justa causa. Cerca de 8,1 milhões de pessoas serão contempladas, desde que atendam a critérios claros definidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Os trabalhadores elegíveis incluem aqueles que optaram pelo saque-aniversário entre janeiro de 2020 e dezembro de 2023. Além disso, é necessário que tenham sido demitidos sem justa causa após a adesão e possuam saldo superior a R$ 3.000 em suas contas vinculadas. A Caixa Econômica Federal, responsável pela operacionalização, destaca que a medida beneficia quem não conseguiu acessar os recursos remanescentes devido às restrições da modalidade.
- Critérios principais:
- Adesão ao saque-aniversário no período especificado.
- Demissão sem justa causa após a escolha da modalidade.
- Saldo mínimo de R$ 3.000 no FGTS.
- Não ter sacado o montante total previamente.
Essa etapa complementa a liberação inicial de R$ 6 bilhões, realizada em março de 2025, que priorizou contas com até R$ 3.000. Juntas, as duas fases totalizam R$ 12 bilhões, atendendo a uma demanda antiga de trabalhadores e sindicatos.
Datas e cronologia dos pagamentos
O processo de liberação ocorre em um período curto, entre 17 e 20 de junho de 2025, com depósitos escalonados para facilitar a gestão bancária. A prioridade é dada a trabalhadores com contas na Caixa, mas os valores também serão transferidos para contas de outros bancos, caso solicitado. O Ministério do Trabalho reforça que o cronograma foi desenhado para garantir agilidade.
No dia 17 de junho, a primeira leva de pagamentos será realizada, seguida por novas liberações nos dias 18 e 20. Trabalhadores devem estar atentos às datas, pois os valores estarão disponíveis para movimentação até 31 de agosto de 2025. Após esse prazo, os recursos retornam às contas vinculadas, sujeitos às regras padrão do FGTS.
Como acessar os valores liberados
A consulta e movimentação dos valores são facilitadas por canais digitais e presenciais. O aplicativo FGTS, disponível para Android e iOS, é a ferramenta mais prática para verificar saldos e solicitar transferências. Por meio dele, o trabalhador pode confirmar se está entre os contemplados e acompanhar o depósito.
Além do app, a Caixa disponibiliza outras opções:
- Site oficial do FGTS: para consultas detalhadas do saldo.
- Agências da Caixa: atendimento presencial para casos específicos.
- Central telefônica 111: suporte para dúvidas e esclarecimentos.
Para evitar transtornos, é recomendável manter os dados cadastrais atualizados no sistema da Caixa. O prazo para movimentar os valores, até 31 de agosto de 2025, exige atenção, já que o não uso implica na devolução dos recursos à conta vinculada.
Origem do saque-aniversário
Criado em 2019, o saque-aniversário permite que trabalhadores retirem anualmente uma parcela do saldo do FGTS no mês de seu aniversário. A modalidade, opcional, foi pensada para oferecer maior flexibilidade financeira, mas trouxe desvantagens significativas. A principal crítica é a perda do direito ao saque integral do fundo em caso de demissão sem justa causa, o que gerou insatisfação entre trabalhadores e entidades sindicais.
A nova liberação busca corrigir essa limitação, permitindo que demitidos acessem os saldos retidos. A medida, embora emergencial, reacende discussões sobre a necessidade de ajustes permanentes nas regras do fundo, especialmente para proteger trabalhadores em situações de vulnerabilidade.

Efeitos econômicos da medida
A injeção de R$ 6 bilhões na economia deve impulsionar o consumo, especialmente entre famílias de baixa renda. O governo estima que o pacote total de R$ 12 bilhões, somando as duas etapas de liberação, eleve o PIB em até 0,1 ponto percentual em 2025. Esse impacto, embora modesto, é significativo em um contexto de recuperação econômica.
Para trabalhadores demitidos, os recursos representam um alívio imediato. Muitos enfrentam dificuldades para se recolocar no mercado, e o acesso ao FGTS pode ajudar a cobrir despesas essenciais, como alimentação, moradia e pagamento de dívidas. Economistas destacam que a medida estimula a circulação de dinheiro em setores como varejo e serviços.
Reações de trabalhadores e sindicatos
A liberação foi bem recebida por centrais sindicais, que há anos criticavam as restrições do saque-aniversário. A CUT destacou que a medida corrige uma injustiça, devolvendo aos trabalhadores o direito de usar recursos que lhes pertencem. Já a Força Sindical enfatizou a importância do dinheiro para famílias em situação de vulnerabilidade.
Trabalhadores contemplados também expressaram alívio. Muitos relatam que a retenção dos saldos dificultava a reorganização financeira após a perda do emprego. A medida, segundo eles, chega em um momento crucial, oferecendo suporte para enfrentar desafios econômicos.
Distribuição dos recursos
Os valores liberados variam conforme o saldo disponível em cada conta vinculada. A Caixa esclarece que trabalhadores com saldos maiores receberão quantias proporcionais, respeitando os limites individuais. Essa distribuição garante equidade, mas exige que os beneficiários consultem seus saldos para entender o montante exato a ser recebido.
- Faixas de pagamento:
- Contas com saldos entre R$ 3.000 e R$ 10.000: saques médios.
- Contas acima de R$ 10.000: saques mais elevados, conforme o limite.
- Contas com saldos próximos ao mínimo: valores ajustados proporcionalmente.
A transparência na distribuição é reforçada pelo acesso digital, que permite ao trabalhador verificar os cálculos diretamente no aplicativo ou site do FGTS.
Debates sobre mudanças permanentes
O governo avalia propostas para eliminar a trava que impede o saque integral do FGTS por optantes do saque-aniversário após demissões. Tramita no Congresso Nacional um projeto que pode tornar essa mudança definitiva, garantindo maior segurança aos trabalhadores. A iniciativa tem apoio de sindicatos, mas enfrenta resistência de setores que temem a descapitalização do fundo.
Outra proposta em estudo é a criação de uma modalidade híbrida, que combine os benefícios do saque-aniversário com a proteção do saque-rescisão. Essa alternativa busca equilibrar flexibilidade e segurança, mas ainda está em fase inicial de discussão.
Soluções para problemas de acesso
Alguns trabalhadores podem enfrentar dificuldades para acessar os valores, seja por inconsistências cadastrais ou por não atenderem aos critérios. Casos comuns incluem demissões por justa causa, adesão ao saque-aniversário fora do período estipulado ou pendências no sistema da Caixa.
Para regularizar a situação, é possível:
- Atualizar dados no aplicativo FGTS.
- Procurar uma agência da Caixa para atendimento presencial.
- Entrar em contato com a central 111 para esclarecimentos.
Se o problema persistir, a orientação é registrar uma reclamação na ouvidoria da Caixa ou buscar apoio na Justiça do Trabalho. A Caixa recomenda agir rapidamente para evitar a perda do prazo de movimentação.
Importância da medida para o trabalhador
A liberação dos R$ 6 bilhões é vista como um passo importante para devolver aos trabalhadores o controle sobre seus recursos. Para muitos, o FGTS é uma reserva essencial em momentos de crise, e a trava do saque-aniversário criava barreiras injustas. A medida, embora temporária, beneficia milhões de pessoas e reforça a necessidade de revisar as regras do fundo.
A ação também destaca o papel do FGTS como instrumento de proteção social. Ao permitir o acesso aos saldos retidos, o governo responde a uma demanda antiga, oferecendo suporte financeiro em um cenário de desafios econômicos.