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Chuvas no RS elevam rios Taquari e Caí e deixam milhares desabrigados

Tempestades Chuvas
Tempestades Chuvas - Foto: Bilanol/Shutterstock.com Tempestades Chuvas - Foto: Bilanol/Shutterstock.com

As chuvas intensas que castigam o Rio Grande do Sul desde o início da semana elevaram os níveis dos rios Taquari, Caí e outros, provocando novas enchentes em cidades ainda marcadas pela tragédia climática de maio de 2024. Em Lajeado, o rio Taquari superou a cota de inundação, atingindo 19,47 metros, enquanto em São Sebastião do Caí, o rio Caí chegou a 10,60 metros, gerando alertas e evacuações. Pelo menos duas pessoas morreram, e mais de 2.200 estão desalojadas ou desabrigadas. A situação, agravada por precipitações acima da média, mobiliza autoridades e expõe a fragilidade das regiões em recuperação. A Defesa Civil monitora os rios, e o governador Eduardo Leite acompanha as operações de resgate.

O impacto das chuvas vai além das áreas ribeirinhas, afetando estradas, pontes e o abastecimento de água e energia em 51 municípios. A expectativa é que as precipitações diminuam a partir de sexta-feira (20), mas os próximos dias seguem críticos.

  • Cidades mais afetadas: Lajeado, Muçum, São Sebastião do Caí, Canoas e Jaguari.
  • Números iniciais: 2.256 pessoas desalojadas, 1.038 em abrigos, duas mortes confirmadas.
  • Rios em alerta: Taquari, Caí, Jaquari, Ibirapuitã e Jacuí.

Alerta máximo em Lajeado

Em Lajeado, o rio Taquari cruzou a cota de inundação de 19 metros às 16h45 de quarta-feira (18), alcançando 19,47 metros. O nível, embora elevado, está abaixo do pico histórico de 30 metros registrado em maio de 2024, quando a enchente devastou áreas urbanas e rurais. A prefeitura intensificou as ações de monitoramento e orientou a população a elevar móveis e pertences. Moradores de áreas baixas, ainda em reconstrução, enfrentam o temor de novas perdas. Equipes da Defesa Civil trabalham para reforçar barreiras e desobstruir sistemas de drenagem.

A situação exige resposta rápida. Em apenas algumas horas, o nível do rio subiu significativamente, exigindo evacuações preventivas. A memória da tragédia passada aumenta a tensão entre os moradores, muitos dos quais ainda não se recuperaram das perdas materiais e emocionais.

Rio Caí sobe e ameaça São Sebastião do Caí

Em São Sebastião do Caí, o rio Caí atingiu 10,60 metros às 17h de quarta-feira, 10 centímetros acima da cota de inundação. O prefeito João Marcos Guará alertou para a possibilidade de o rio alcançar até 13 metros até a madrugada de quinta-feira (19). A prefeitura organizou a retirada de 37 pessoas de áreas de risco, que foram levadas para um abrigo no ginásio municipal. O governador Eduardo Leite visitou a cidade de helicóptero para avaliar a situação e coordenar ações de apoio.

A enchente atual, embora menos severa que a de 2024, que atingiu 17,6 metros, reacende o trauma de uma população que teve 36% de seus 26 mil habitantes diretamente impactados no último ano. As autoridades locais reforçam a importância de medidas preventivas, como a elevação de objetos e a saída de áreas vulneráveis.

Muçum enfrenta nova alta do Taquari

Na cidade de Muçum, o rio Taquari registrou uma elevação de 60 centímetros em três horas, atingindo 11,50 metros às 18h de quarta-feira. Apesar do aumento, o nível permanece abaixo da cota de inundação de 18 metros. A rápida subida, no entanto, mantém as autoridades em alerta, especialmente porque a cidade foi uma das mais devastadas em 2024. A prefeitura monitora o rio hora a hora e orienta os moradores a permanecerem atentos a possíveis mudanças.

A combinação de chuvas intensas e solos já saturados dificulta o escoamento da água, aumentando o risco de alagamentos. A Defesa Civil local mantém equipes preparadas para agir em caso de piora no cenário.

enchentes cidades gauchas
enchentes cidades gauchas – Foto: Reprodução TV GLOBO

Jaguari e o drama do rio Jaquari

O rio Jaquari, na cidade de Jaguari, atingiu 12,38 metros, quase 3 metros acima da cota de inundação. A cheia deixou cerca de 1.200 pessoas desabrigadas ou desalojadas. A prefeitura abriu abrigos para acolher as famílias afetadas, e a Defesa Civil estadual enviou reforços para a região. A situação reflete a gravidade das chuvas, que superaram as previsões iniciais e sobrecarregaram os sistemas de drenagem.

  • Medidas emergenciais: Abertura de abrigos e distribuição de kits de assistência.
  • Áreas mais afetadas: Bairros próximos ao rio e zonas rurais.
  • Desafios logísticos: Estradas bloqueadas e pontes danificadas.

Canoas lida com alagamentos localizados

Em Canoas, as chuvas de 69 mm em quatro horas durante a madrugada de quarta-feira causaram alagamentos em diversos bairros. A prefeitura informou que não há risco de enchentes generalizadas, mas 89 pessoas estão desalojadas e 28, desabrigadas. Um abrigo com capacidade para 150 pessoas foi aberto no ginásio São Luís. Equipes trabalham na desobstrução de bueiros e canais com caminhões de hidrojateamento.

A interrupção dos serviços em uma Unidade de Pronto-Atendimento no bairro Mathias Velho, devido a alagamentos, transferiu atendimentos para o Hospital Nossa Senhora das Graças. As aulas da rede municipal foram suspensas, e uma breve queda de energia afetou o funcionamento de bombas de drenagem, embora o problema tenha sido resolvido rapidamente.

Porto Alegre monitora o Guaíba

Na capital, Porto Alegre, o lago Guaíba registrou 2,12 metros às 18h15 de quarta-feira, ainda abaixo da cota de inundação de 3,60 metros. No entanto, as autoridades acompanham a possibilidade de elevação nos próximos dias, já que as águas dos rios Taquari e Caí deságuam no delta do Jacuí, que alimenta o Guaíba. A precipitação na cidade atingiu 140 mm entre terça e quarta-feira, superando a média mensal de junho (130 mm).

Os bairros Humaitá e as ilhas dos Marinheiros e da Pintada, duramente atingidos em 2024, registraram os maiores volumes de chuva, com 163 mm e 160 mm, respectivamente. Dois abrigos emergenciais foram abertos, e o trânsito enfrenta 23 pontos de bloqueio, sendo nove totais e 14 parciais.

Outros rios em situação crítica

Além do Taquari e do Caí, outros rios do estado ultrapassaram suas cotas de inundação. O rio Ibirapuitã, em Alegrete, e o Jacuí, em Dona Francisca, estão em níveis elevados, exigindo monitoramento constante. Em São Leopoldo, o rio dos Sinos atingiu 3,60 metros, superando a cota de atenção, mas ainda abaixo da cota de inundação de 4,50 metros.

A combinação de chuvas intensas e rios já próximos de seus limites aumenta a complexidade da resposta emergencial. A Defesa Civil estadual mantém equipes mobilizadas em todas as regiões afetadas.

  • Rios monitorados: Ibirapuitã, Jacuí, dos Sinos.
  • Cidades em alerta: Alegrete, Dona Francisca, São Leopoldo.
  • Ações preventivas: Reforço de barreiras e evacuações em áreas de risco.

Mobilização estadual e impactos gerais

O governador Eduardo Leite tem se deslocado para as cidades mais afetadas, coordenando ações com prefeituras e a Defesa Civil. Em São Sebastião do Caí, sua presença reforçou a importância de evacuações preventivas. Em todo o estado, 51 cidades registraram ocorrências relacionadas às chuvas, incluindo destelhamentos, quedas de árvores e danos em infraestrutura.

O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) emitiu um alerta orientando a população a evitar deslocamentos durante o feriado de Corpus Christi, de quinta-feira (19) a domingo (22), devido ao risco de bloqueios em rodovias. Problemas no abastecimento de água e energia também foram reportados em diversas regiões.

Previsão e próximos passos

A Defesa Civil prevê uma redução nas chuvas a partir de sexta-feira (20), com precipitações entre 30 e 50 mm por dia nas regiões da Serra, norte, sul e na fronteira com o Uruguai. Apesar da melhora esperada, as autoridades alertam que os solos saturados e os rios elevados mantêm o risco de alagamentos e deslizamentos.

As equipes de resgate permanecem em prontidão, e a população é orientada a seguir as recomendações das autoridades, como evitar áreas alagadas e monitorar alertas oficiais. A tragédia de 2024, que deixou marcas profundas no estado, serve como lembrete da necessidade de ações rápidas e coordenadas.

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