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Candidato a prefeito de NY é detido por proteger imigrante em Manhattan

Brad Lander
Brad Lander - Foto: Instagram Brad Lander - Foto: Instagram

Em um corredor lotado do tribunal de imigração no sul de Manhattan, Brad Lander, controlador da cidade de Nova York e candidato a prefeito, foi algemado e detido por agentes do Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE) na manhã de 17 de junho de 2025. O incidente ocorreu enquanto Lander tentava escoltar um imigrante, identificado como Edgardo, para fora do prédio após uma audiência judicial. Vídeos gravados por repórteres mostram o político, de terno e gravata, sendo empurrado contra a parede e levado por agentes mascarados, enquanto exigia ver um mandado judicial. A detenção, que durou cerca de quatro horas, gerou protestos imediatos de apoiadores e figuras políticas, incluindo a governadora Kathy Hochul, que ajudou a garantir sua liberação sem acusações formais. O caso expõe a crescente tensão entre autoridades locais e federais em meio à intensificação das políticas de imigração do governo Trump.

A ação de Lander fazia parte de uma iniciativa recente: nas últimas três semanas, ele compareceu ao tribunal de imigração no Federal Plaza 26 para acompanhar imigrantes, temendo que fossem detidos pelo ICE após suas audiências. A prática de detenções em tribunais, antes considerada ilegal, foi normalizada sob novas diretrizes federais, facilitando deportações rápidas. A prisão do controlador reacendeu o debate sobre os direitos dos imigrantes e o papel de políticos locais na resistência às políticas de imigração.

  • Motivo da detenção: Lander foi acusado de obstruir agentes federais ao tentar impedir a prisão de Edgardo.
  • Contexto político: O incidente ocorreu a uma semana da primária democrata para prefeito, onde Lander ocupa o terceiro lugar.
  • Reação pública: Centenas de pessoas se reuniram em Foley Square para exigir sua liberação, com apoio de figuras como Andrew Cuomo e Zohran Mamdani.

A detenção de Lander não foi um evento isolado. Outros democratas, como o senador Alex Padilla e o prefeito de Newark, Ras Baraka, também enfrentaram confrontos com agentes federais recentemente, sinalizando uma escalada nas tensões entre autoridades locais e o governo federal.

Detenção no tribunal: o que aconteceu

O confronto começou no 12º andar do Federal Plaza 26, onde Lander acompanhava Edgardo, cuja audiência de imigração havia acabado de ser concluída. Segundo relatos de repórteres presentes, agentes do ICE, alguns com máscaras e coletes identificados como “polícia federal”, abordaram o imigrante para detê-lo. Lander, que estava de braços dados com Edgardo, exigiu ver um mandado judicial e questionou a autoridade dos agentes para prender cidadãos americanos.

Vídeos mostram o momento em que os agentes separam Lander do imigrante, empurrando-o contra a parede e algemando-o. “Vocês não têm autoridade para deter cidadãos americanos”, gritou Lander, enquanto era levado para uma sala de detenção. Ele permaneceu detido por cerca de quatro horas, acompanhado por sua equipe de segurança do NYPD e dois advogados. A esposa de Lander, Meg Barnette, descreveu a cena como “chocante e inaceitável”, afirmando que os agentes agiram com violência desnecessária.

A Procuradoria dos EUA no Distrito Sul de Nova York informou que está investigando o incidente, mas nenhuma acusação formal foi apresentada contra Lander até o momento. Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, acusou o controlador de “atacar agentes da lei e obstruir um oficial federal”, alegando que tais ações comprometem a segurança dos agentes do ICE, que enfrentam um aumento de 413% em agressões contra eles.

Reações políticas e protestos

A prisão de Lander gerou uma onda de indignação entre líderes democratas. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou a detenção como um “abuso de poder” e defendeu que Lander apenas protegia os direitos civis de um imigrante. A governadora Kathy Hochul, que foi ao local para exigir a liberação do controlador, chamou o incidente de “vergonhoso” e confirmou que as acusações contra ele foram retiradas.

No final da tarde, centenas de apoiadores se reuniram em Foley Square, em Manhattan, segurando cartazes e entoando “Libertem Brad Lander”. Entre os presentes estavam outros candidatos à prefeitura, como Zohran Mamdani, que acusou o ICE de “aterrorizar comunidades”, e Andrew Cuomo, que descreveu a ação como “bandidagem desenfreada” do governo Trump.

  • Apoio de aliados: Candidatos como Scott Stringer, Adrienne Adams e Michael Blake compareceram ao protesto.
  • Críticas ao ICE: Vereadores como Alexa Avilés denunciaram a violência contra um “oficial eleito que apenas testemunhava injustiças”.
  • Resposta do prefeito: A equipe de Eric Adams pediu foco na segurança de todos os nova-iorquinos, independentemente do status migratório.

A mobilização rápida dos apoiadores e a presença de figuras de peso, como Hochul, foram cruciais para a liberação de Lander, mas o incidente levantou preocupações sobre a segurança de políticos que desafiam as políticas federais de imigração.

Contexto da política de imigração

Desde a posse de Donald Trump em janeiro de 2025, o governo federal intensificou as operações de deportação, com ordens diretas para aumentar as detenções em cidades governadas por democratas, como Nova York. Dados recentes apontam um aumento de 807% nas prisões de imigrantes sem antecedentes criminais entre janeiro e junho de 2025, comparado ao mesmo período do ano anterior.

O ICE, apoiado por agentes do FBI, DEA e outras agências federais, tem usado táticas agressivas, incluindo detenções em tribunais de imigração, prática que contraria normas anteriores que protegiam esses espaços como zonas seguras. A administração Trump justificou as ações como necessárias para “proteger a segurança nacional” e combater o que chama de “crise migratória”.

Lander, que já havia acompanhado quatro famílias em audiências anteriores, destacou a falta de devido processo legal para imigrantes como Edgardo, que foi levado para um centro de detenção do ICE em local desconhecido, sem acesso imediato a um advogado. “Estamos normalizando a separação de famílias e a destruição da democracia constitucional”, declarou Lander após sua liberação.

Histórico de confrontos com o ICE

A detenção de Lander é parte de uma série de incidentes envolvendo democratas e agentes federais. Em maio, o prefeito de Newark, Ras Baraka, foi preso por invasão de propriedade em um centro de detenção, mas as acusações foram retiradas. Na mesma ocasião, a deputada LaMonica McIver foi indiciada por supostamente agredir agentes federais.

Na semana anterior à prisão de Lander, o senador Alex Padilla, da Califórnia, foi algemado após tentar questionar a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, durante uma coletiva de imprensa. Esses episódios sugerem uma estratégia do governo Trump de confrontar diretamente políticos que se opõem às suas políticas de imigração.

  • Casos recentes:
    • Ras Baraka, preso em maio de 2025, com acusações retiradas.
    • LaMonica McIver, indiciada por agressão a agentes federais.
    • Alex Padilla, detido por interromper coletiva de imprensa.
  • Tática federal: Uso de máscaras por agentes para dificultar identificação.
  • Resistência local: Aumento de protestos contra operações do ICE em cidades como Los Angeles e Nova York.

Impacto na campanha eleitoral

A prisão de Lander ocorreu a poucos dias da primária democrata para prefeito de Nova York, marcada para 24 de junho de 2025. Embora esteja em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Andrew Cuomo e Zohran Mamdani, o incidente pode impulsionar sua campanha, que tem focado em questões progressistas, como direitos dos imigrantes e reformas policiais.

Vídeos do confronto, amplamente compartilhados nas redes sociais, mostram Lander como um defensor ativo dos imigrantes, o que pode atrair eleitores progressistas. No entanto, a acusação do ICE de que ele buscava um “momento viral” pode ser usada por adversários para questionar suas intenções. Lander negou que a ação tenha sido planejada, afirmando que sua única intenção era garantir que Edgardo pudesse sair do tribunal em segurança.

A campanha de Lander ganhou apoio de figuras como Mamdani, com quem ele mantém uma aliança de endosso mútuo no sistema de votação por classificação. A solidariedade de outros candidatos, como Scott Stringer e Adrienne Adams, reforça a narrativa de unidade entre os democratas contra as políticas de Trump.

A situação de Edgardo

Enquanto Lander foi liberado e voltou para casa, o imigrante Edgardo, que ele tentava proteger, permanece detido pelo ICE. Segundo o controlador, Edgardo não teve acesso a um advogado e enfrenta a possibilidade de deportação sem uma audiência justa. O caso de Edgardo reflete a realidade de muitos imigrantes em Nova York, onde 40% da população é composta por imigrantes ou descendentes diretos.

Lander destacou a ironia de que alguns dos agentes que o detiveram também são imigrantes ou filhos de imigrantes, como um agente paquistanês de Brighton Beach e outro indo-guianês de South Ozone Park. “Isso mostra o que Nova York representa: diversidade”, disse ele, criticando a administração Trump por tentar “dividir a cidade”.

A falta de transparência sobre o destino de imigrantes detidos em tribunais tem preocupado advogados e ativistas. Organizações como a ACLU de Nova York denunciaram as detenções como uma violação do devido processo, exigindo que o ICE forneça informações claras sobre os detidos e garanta acesso a representação legal.

Resposta do ICE e críticas

O ICE defendeu a prisão de Lander, alegando que ele interferiu em uma operação legítima. Em comunicado, a agência destacou que “ninguém está acima da lei” e acusou políticos de comprometerem a segurança dos agentes por motivos eleitoreiros. A porta-voz Tricia McLaughlin reforçou que as detenções em tribunais são necessárias para cumprir as metas de deportação estabelecidas pelo governo.

No entanto, críticos argumentam que a presença de agentes mascarados e a falta de mandados judiciais claros violam princípios constitucionais. A ACLU de Nova York classificou a prisão de Lander como uma “intimidação perigosa” e um ataque à democracia, exigindo que todos os candidatos e autoridades condenem a ação.

  • Argumentos do ICE:
    • Aumento de 413% em agressões contra agentes.
    • Necessidade de cumprir metas de deportação.
    • Acusação de políticos buscarem “momentos virais”.
  • Críticas ao ICE:
    • Uso de máscaras para ocultar identidades.
    • Detenções sem mandados judiciais claros.
    • Violação do devido processo legal.

Nova York como cidade-santuário

Nova York é conhecida como uma “cidade-santuário”, com leis que limitam a cooperação entre autoridades locais e o ICE. Lander, que ajudou a criar essas leis quando era vereador, prometeu continuar defendendo os direitos dos imigrantes. “Este é um momento crítico para ter um prefeito que enfrente o ICE e Donald Trump”, declarou ele após sua liberação.

A designação de cidade-santuário, no entanto, enfrenta desafios sob a administração Trump, que ameaçou cortar verbas federais para cidades que resistem às políticas de imigração. A intensificação das operações do ICE em Nova York, incluindo detenções em tribunais, é vista como uma tentativa de enfraquecer essa resistência.

A vereadora Alexa Avilés, presente no protesto, destacou que a violência contra Lander é apenas uma amostra do que imigrantes menos conhecidos enfrentam diariamente. “Se isso acontece com um oficial eleito, imagine o que fazem com pessoas sem visibilidade”, disse ela.

Ações futuras de Lander

Após sua liberação, Lander prometeu retornar ao tribunal de imigração nas próximas semanas para continuar acompanhando imigrantes. Ele também pediu que outros nova-iorquinos se juntem à iniciativa, chamada New York City ICE Watch, que organiza voluntários para monitorar audiências e proteger imigrantes de detenções arbitrárias.

A experiência de Lander no tribunal reforçou sua campanha para prefeito, centrada em defender a diversidade e os direitos civis. Ele destacou que, enquanto ele pôde voltar para casa, milhares de imigrantes detidos pelo ICE não têm a mesma sorte. “Edgardo não vai dormir na cama dele hoje à noite, e isso é uma injustiça”, afirmou.

O incidente também levantou questões sobre a segurança de políticos que desafiam o ICE. Lander disse que não teme represálias, mas pediu maior transparência nas operações da agência e o fim das detenções em tribunais. Sua determinação em continuar o trabalho, apesar do risco, pode fortalecer sua imagem entre eleitores que veem a resistência ao ICE como uma prioridade.

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