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Defesa Civil confirma terceira vítima das chuvas no RS; 90 cidades afetadas

Alerta chuva Clima
Alerta chuva Clima / Foto: Frank Wagner /shutterstock.com Chuvas - Foto: fcafotodigital/ istockphoto.com

As chuvas intensas que castigam o Rio Grande do Sul desde o início da semana resultaram em três mortes confirmadas, uma pessoa desaparecida e mais de 4,5 mil desalojados, segundo a Defesa Civil estadual. O mais recente óbito ocorreu em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde um idoso de 72 anos perdeu a vida após uma árvore cair sobre o carro que ocupava. As outras vítimas foram registradas em Candelária e Caxias do Sul. Ao menos 90 municípios enfrentam prejuízos causados por alagamentos, deslizamentos de terra e danos em infraestruturas, como estradas e pontes. A situação, agravada por volumes de chuva que ultrapassam 300 mm em algumas regiões, mantém o estado em alerta.

O cenário de devastação mobilizou equipes de resgate e autoridades locais, que trabalham para atender a população afetada. Em Porto Alegre, o nível do rio Guaíba alcançou 2,67 metros, próximo da cota de inundação, intensificando os esforços de monitoramento. A previsão meteorológica indica que a instabilidade deve persistir até o final da semana, aumentando a preocupação com novas inundações.

Chuvas
Chuvas – Foto: fcafotodigital/ Istockphoto.com

Os impactos das chuvas revelam a vulnerabilidade de diversas regiões do estado, especialmente aquelas já afetadas por enchentes em 2024. A seguir, são apresentados os principais pontos da tragédia:

  • Mortes confirmadas: Três óbitos, sendo um em Sapucaia do Sul, um em Candelária e um em Caxias do Sul.
  • Desaparecido: Um homem de 65 anos, em Candelária, segue sem ser localizado.
  • Desalojados: Mais de 4,5 mil pessoas estão fora de casa, em abrigos ou com familiares.
  • Municípios afetados: 90 cidades relatam danos, com destaque para a Região Metropolitana e o Vale do Taquari.

Detalhes dos incidentes fatais
Em Sapucaia do Sul, a tragédia ocorreu na quinta-feira, 19 de junho, na Avenida Rubem Berta, que conecta a cidade a São Leopoldo. Mauro Perfeito da Silva, de 72 anos, dirigia seu veículo quando uma árvore, derrubada pelos ventos fortes, atingiu o carro. Sua filha, de 37 anos, que estava no banco do passageiro, sofreu ferimentos, mas não corre risco de morte. O caso foi registrado como o terceiro óbito diretamente ligado ao evento climático, conforme informou a Defesa Civil.

Já em Candelária, na Região Central, uma mulher de 54 anos, identificada como Geneci da Rosa, morreu na terça-feira, 17 de junho, após o carro em que estava ser arrastado pela correnteza. O veículo foi levado pelas águas de um rio local, e o corpo da vítima foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. O marido dela, de 65 anos, que também estava no carro, permanece desaparecido, e as buscas continuam na região.

O terceiro caso aconteceu entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. Na quarta-feira, 18 de junho, Mario César Trielweiler Gonçalves, de 21 anos, perdeu a vida quando a cabeceira de uma ponte cedeu, fazendo com que o carro em que estava caísse em um arroio e fosse levado pela correnteza. As autoridades locais reforçaram a sinalização em áreas de risco após o incidente.

Regiões mais afetadas
As chuvas atingiram com força diferentes áreas do Rio Grande do Sul, com destaque para a Região Metropolitana de Porto Alegre, o Vale do Taquari e a Região Central. Em Canoas, cerca de 35% do território foi impactado por alagamentos, segundo a prefeitura. Em Jaguari, na Região Central, o Rio Jaguari alcançou 13 metros, mais que o dobro de seu nível normal, forçando a retirada de 1,2 mil pessoas de suas casas. A cidade decretou situação de emergência na quarta-feira, 18 de junho.

Na cidade de Quevedos, também na Região Central, o volume de chuva em 48 horas chegou a 371,8 mm, conforme dados da Agência Nacional de Águas. Esse valor é quase três vezes a média esperada para todo o mês de junho, que gira em torno de 115 mm. Em Porto Alegre, o acumulado de 125 mm em dois dias já superou a média mensal, agravando o risco de inundações em bairros próximos ao Guaíba.

Esforços de resgate e assistência
Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Polícia Rodoviária Federal estão mobilizadas para resgatar vítimas e prestar assistência às comunidades afetadas. Em São Sebastião do Caí, onde o Rio Caí atingiu uma elevação histórica de 16 metros, as autoridades monitoram a redução gradual do nível das águas, que caiu para 14,8 metros na noite de quinta-feira, 19 de junho. A preocupação agora é o possível represamento do rio devido à cheia do Guaíba e do Rio Jacuí.

Em Porto Alegre, a prefeitura abriu o Ginásio do Departamento Municipal de Habitação, no bairro Santana, como ponto de acolhimento emergencial. Até a noite de domingo, 19 de junho, oito moradores da região das Ilhas haviam sido recebidos no local, incluindo seis adultos e duas crianças. Outros abrigos foram instalados em cidades como Lajeado, Canoas e Cachoeira do Sul, que também enfrentam grandes desafios logísticos para atender os desalojados.

Histórico de enchentes no estado
O Rio Grande do Sul tem enfrentado uma série de desastres climáticos nos últimos anos, com enchentes recorrentes que expõem a fragilidade de sua infraestrutura. Em 2024, o estado viveu sua maior tragédia climática, com 184 mortes e mais de 600 mil pessoas desalojadas, segundo a Defesa Civil. As chuvas de maio daquele ano, que atingiram 471 cidades, foram classificadas como o pior evento climático da história gaúcha, superando até a cheia de 1941.

As áreas mais afetadas em 2024, como o Vale do Taquari e a Região Metropolitana, voltam a sofrer com as chuvas de 2025. Especialistas apontam que a combinação de fenômenos climáticos, como o El Niño, e as mudanças climáticas globais intensificam a frequência e a severidade desses eventos. Em setembro de 2023, outro ciclone extratropical deixou 54 mortos, especialmente no Vale do Taquari, reforçando a necessidade de medidas preventivas.

Medidas de prevenção e alertas
A Defesa Civil estadual emitiu alertas para que a população evite áreas de risco, como encostas e margens de rios. Em cidades como Roca Sales, que ainda se recuperam das enchentes de 2024, os moradores foram orientados a deixar suas casas e buscar locais seguros. O governador Eduardo Leite reforçou a importância de seguir as recomendações das autoridades, destacando que a prioridade é salvar vidas.

Os alertas incluem:

  • Evitar travessias em áreas alagadas: Muitas vítimas foram arrastadas ao tentar cruzar ruas ou pontes inundadas.
  • Monitorar níveis de rios: A Defesa Civil disponibiliza atualizações em tempo real sobre as cotas de inundação.
  • Procurar abrigos oficiais: Locais preparados oferecem segurança e assistência básica.
  • Atenção a deslizamentos: Encostas instáveis representam alto risco em cidades serranas.

Previsão do tempo e próximos passos
Segundo o Climatempo, a chuva deve continuar em grande parte do Rio Grande do Sul até sexta-feira, 20 de junho, com volumes que podem chegar a 100 mm em algumas regiões. A partir de sábado, 21 de junho, o tempo deve começar a se estabilizar, com previsão de dias secos que podem facilitar os trabalhos de recuperação. No entanto, os meteorologistas alertam que a saturação do solo aumenta o risco de novos deslizamentos, especialmente na Serra Gaúcha.

As autoridades planejam intensificar o monitoramento de rios como o Taquari, o Caí e o Guaíba, que permanecem acima de suas cotas de alerta. Em cidades como Lajeado e Canoas, equipes de engenharia avaliam danos em pontes e estradas para liberar o tráfego com segurança. A prioridade, segundo a Defesa Civil, é garantir o atendimento às vítimas e restabelecer o acesso a serviços essenciais, como água potável e energia elétrica.

Impactos na infraestrutura
Os temporais danificaram significativamente a infraestrutura do estado. Em Santa Maria, uma ponte foi levada pela correnteza do Arroio Barramansa, isolando comunidades rurais. Em Canoas, alagamentos comprometeram redes de abastecimento de água, e quatro estações de tratamento em Porto Alegre operam com capacidade reduzida. Estradas como a RSC-287 e a ERS-437 apresentam bloqueios parciais ou totais devido a deslizamentos e pistas submersas.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e o Comando Rodoviário da Brigada Militar atualizaram a lista de trechos críticos, com ênfase nas regiões Central, Serra e dos Vales. A recuperação dessas vias é essencial para o transporte de suprimentos e o deslocamento de equipes de resgate. Em algumas cidades, como Cachoeira do Sul, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido, afetando milhares de moradores.

Apoio às vítimas
Organizações não governamentais e voluntários têm se mobilizado para arrecadar donativos, como alimentos, roupas e itens de higiene, para os desalojados. Em Porto Alegre, igrejas e escolas foram transformadas em pontos de coleta e distribuição. O governo estadual anunciou que vai destinar recursos emergenciais para os municípios mais afetados, embora os valores ainda não tenham sido detalhados.

A solidariedade também se reflete nas ações de resgate. Em Roca Sales, moradores usaram tratores para levar água e mantimentos a áreas isoladas, enquanto em Canoas voluntários ajudaram a transportar famílias para abrigos. Essas iniciativas, somadas ao trabalho das autoridades, têm sido fundamentais para minimizar os impactos da tragédia.

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