O governo brasileiro emitiu, no dia 22 de junho de 2025, uma nota oficial condenando os ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel contra instalações nucleares do Irã, classificando as ações como violações à soberania iraniana e ao direito internacional. A manifestação, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), expressa preocupação com a escalada militar no Oriente Médio, iniciada com uma ofensiva israelense em 13 de junho e intensificada por bombardeios americanos a três usinas iranianas – Fordow, Natanz e Esfahan – na noite de 21 de junho. A nota destaca os riscos de contaminação radioativa e desastres ambientais, além de reforçar a necessidade de uma solução diplomática para conter o conflito. A posição do Brasil reflete sua defesa histórica do uso pacífico da energia nuclear e da não proliferação de armas atômicas, especialmente em regiões geopoliticamente instáveis.
A condenação brasileira ocorre em meio a um cenário de tensões crescentes. O Irã, que alega manter seu programa nuclear para fins pacíficos, retaliou os ataques com mísseis contra cidades israelenses como Tel Aviv e Haifa, enquanto o governo de Donald Trump celebrou o sucesso da operação, afirmando que a usina de Fordow foi destruída. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, acusou os EUA de cruzarem “uma linha vermelha muito grande”, prometendo respostas baseadas no direito de autodefesa.

O posicionamento do Brasil também critica os ataques recíprocos a áreas densamente povoadas, que resultaram em centenas de mortes, incluindo civis, e danos a infraestruturas essenciais, como hospitais. O Itamaraty pediu “máxima contenção” às partes envolvidas e alertou para os impactos globais de uma escalada descontrolada, que poderia comprometer a estabilidade regional e o regime de não proliferação nuclear.
- Violações ao direito internacional: Os bombardeios a instalações nucleares contrariam a Carta da ONU e normas da AIEA.
- Riscos ambientais: Danos às usinas podem causar vazamentos radioativos, afetando populações civis.
- Apelo por diplomacia: O Brasil defende negociações para evitar um conflito mais amplo.
Reações internacionais ao conflito
A comunidade internacional reagiu de forma diversa aos ataques. A Rússia, aliada do Irã, classificou as ações americanas como “irresponsáveis” e contrárias ao direito internacional. A China, por sua vez, condenou as violações à soberania iraniana e pediu um cessar-fogo imediato, enquanto a União Europeia, por meio da chefe de diplomacia Kaja Kallas, instou por negociações para evitar uma escalada maior. Países como Omã e Paquistão, que mantêm relações diplomáticas com o Irã, também repudiaram os bombardeios, destacando os riscos à segurança regional.
Por outro lado, alguns membros do G7, como os Estados Unidos, justificaram as ações como uma tentativa de impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. No entanto, o Japão, integrante do grupo, adotou uma postura mais neutra, pedindo contenção de ambos os lados sem endossar a narrativa de defesa preventiva.
O Conselho de Segurança da ONU agendou uma sessão de emergência para 22 de junho, com o objetivo de discutir medidas para conter o conflito. O secretário-geral António Guterres alertou para o risco de uma “espiral de caos” com consequências globais, reforçando a necessidade de soluções diplomáticas.
Cronologia dos eventos recentes
O conflito entre Israel e Irã ganhou nova dimensão em 2025, mas suas raízes remontam a décadas de rivalidades geopolíticas. A recente escalada começou com a “Operação Leão Crescente”, lançada por Israel em 13 de junho, que teve como alvos instalações nucleares e lideranças militares iranianas. A ofensiva matou figuras importantes, como o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e intensificou as tensões.
- 12 de junho: Conselho da AIEA declara que o Irã violou obrigações de não proliferação nuclear.
- 13 de junho: Israel inicia ataques aéreos contra usinas iranianas, incluindo Natanz.
- 14-20 de junho: Irã retaliou com mísseis contra Israel, causando pelo menos 20 mortes.
- 21 de junho: EUA bombardeiam Fordow, Natanz e Esfahan, com apoio logístico de Israel.
- 22 de junho: Brasil e outros países condenam os ataques e pedem contenção.
Essa sequência de eventos elevou o temor de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio, com analistas apontando que a Arábia Saudita e a Turquia poderiam buscar desenvolver suas próprias armas nucleares em resposta.
Riscos ambientais e humanitários
Os bombardeios a instalações nucleares levantaram alertas sobre os perigos de vazamentos radioativos. O diretor da AIEA, Rafael Mariano Grossi, classificou os ataques como “profundamente preocupantes”, destacando que danos a usinas como Fordow poderiam liberar materiais radioativos, contaminando solos, rios e populações próximas.
No Irã, relatórios iniciais indicam que os ataques causaram pelo menos 78 mortes, incluindo militares e civis, com mais de 320 feridos. Em Israel, os ataques retaliatórios iranianos deixaram 13 feridos em uma área residencial na Galileia Ocidental. A destruição de infraestruturas civis, incluindo hospitais, também foi registrada, violando normas do direito internacional humanitário.
A possibilidade de desastres ambientais de larga escala preocupa especialistas. Um vazamento em Natanz, por exemplo, poderia afetar não apenas o Irã, mas também países vizinhos, como Iraque e Turquia, devido à dispersão de partículas radioativas pelo vento.
Posicionamento histórico do Brasil
A postura brasileira reflete uma tradição diplomática de defesa da soberania nacional e do multilateralismo. O país, que possui um programa nuclear próprio voltado para fins pacíficos, como a geração de energia e aplicações médicas, sempre se posicionou contra a proliferação de armas nucleares.
Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil intensificou esforços para mediar conflitos internacionais, como visto em negociações anteriores envolvendo o programa nuclear iraniano. Em 2010, o país, ao lado da Turquia, tentou intermediar um acordo para evitar sanções ao Irã, embora a iniciativa não tenha prosperado.
A nota do Itamaraty reforça essa linha, destacando que ataques a instalações nucleares não apenas violam a soberania, mas também desestabilizam o regime global de não proliferação, do qual o Brasil é signatário por meio do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
Tensões geopolíticas no Oriente Médio
A escalada militar ocorre em um momento de fragilidade nas negociações nucleares entre o Irã e potências ocidentais. Até março de 2025, relatórios de inteligência americana indicavam que o Irã não estava desenvolvendo armas nucleares. No entanto, a retórica de Israel, que acusa Teerã de estar próximo de obter uma bomba atômica, ganhou força após o fracasso de tratativas mediadas por Omã.
O envolvimento dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, marca uma mudança em relação à postura inicial de buscar uma solução diplomática. A decisão de bombardear as usinas iranianas, no entanto, gerou críticas até mesmo dentro dos EUA, com o líder democrata Hakeem Jeffries acusando Trump de enganar o eleitorado, que esperava menos intervenções militares no exterior.
Ameaças à segurança regional
Os ataques intensificaram a instabilidade no Oriente Médio, uma região já marcada por conflitos prolongados, como a guerra em Gaza e tensões no Líbano. A entrada direta dos EUA no conflito elevou temores de uma guerra mais ampla, potencialmente envolvendo aliados regionais como a Arábia Saudita e o Qatar, além de potências globais como Rússia e China.
O Irã, que possui o maior programa de mísseis balísticos do Oriente Médio, com mais de 3 mil unidades, demonstrou capacidade de retaliar alvos distantes. Analistas apontam que uma resposta iraniana contra bases americanas na região ou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crítica para o transporte de petróleo, poderia disparar uma crise econômica global.
Esforços por desescalada
Diversos líderes mundiais pediram moderação. O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, destacou a necessidade de diálogo, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a retomada de negociações no âmbito do TNP. Na América Latina, países como Venezuela e Cuba também condenaram os ataques, alinhando-se à posição brasileira de repúdio às violações de soberania.
A proposta de uma resolução na ONU, liderada por Rússia, França e Paquistão, busca um cessar-fogo imediato. No entanto, as divergências no Conselho de Segurança, especialmente entre EUA e Rússia, dificultam um consenso.
Cenário humanitário no Irã
No Irã, o impacto dos ataques vai além das instalações nucleares. A destruição de infraestruturas civis, como redes elétricas e hospitais, agravou a situação de comunidades locais. O Itamaraty confirmou que cerca de 200 brasileiros residem no país e recomendou que evitem sair de casa devido aos riscos de novos confrontos.
Organizações humanitárias, como o Crescente Vermelho Iraniano, relataram dificuldades em atender feridos devido à interrupção de serviços essenciais. A ONU estima que milhares de pessoas podem precisar de assistência caso o conflito se prolongue.