Marinha alerta para ventania de até 70 km/h e ressaca com ondas de 3 metros no litoral de SP e RJ entre 24 e 25 de junho, com orientações de segurança. A Marinha do Brasil emitiu um alerta para ventos intensos e ressaca no mar que devem atingir o litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro entre os dias 24 e 25 de junho de 2025. Com ventos que podem alcançar até 70 km/h e ondas de até 3 metros, as condições adversas geram preocupações para a segurança de banhistas, pescadores e motoristas em estradas litorâneas. O aviso, divulgado pelo Centro de Hidrografia da Marinha, abrange áreas entre Santos (SP) e Arraial do Cabo (RJ), com intensificação prevista a partir da tarde de terça-feira. A Defesa Civil de São Paulo e o Centro de Operações do Rio reforçaram a orientação para que a população evite atividades no mar e redobre a atenção em áreas costeiras. O fenômeno, causado por uma frente fria no Atlântico, também pode provocar alagamentos e transtornos em cidades litorâneas.
As autoridades alertam que a combinação de ventos fortes e mar agitado aumenta os riscos de acidentes, especialmente em praias e mirantes. Em São Paulo, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) publicou recomendações para motoristas que trafegam em rodovias próximas ao litoral, onde rajadas podem comprometer a visibilidade e a estabilidade de veículos. No Rio de Janeiro, a prefeitura intensificou o monitoramento das condições do mar, com equipes de limpeza preparadas para atuar em caso de alagamentos nas orlas.

- Principais recomendações das autoridades:
- Evitar banhos de mar e esportes aquáticos.
- Não permanecer em mirantes ou áreas próximas ao mar.
- Redobrar a atenção ao trafegar em estradas litorâneas.
O alerta reforça a importância de seguir as orientações para minimizar riscos durante o período de instabilidade climática.
Previsão meteorológica detalhada
A frente fria responsável pelo alerta é um sistema meteorológico comum no inverno, mas sua intensidade preocupa especialistas. Segundo o Centro de Hidrografia da Marinha, os ventos devem atingir força 7 na escala Beaufort, indicando condições perigosas para navegação e atividades costeiras. A ressaca, com ondas de 2,5 a 3 metros, pode causar erosão em praias e invadir calçadões, como já ocorreu em eventos anteriores no Leblon e em Santos. Meteorologistas explicam que o fenômeno ocorre devido à interação entre a frente fria e um sistema de alta pressão no Atlântico, que amplifica a agitação marítima.
Em São Paulo, a previsão indica que o litoral norte, incluindo cidades como Ubatuba e São Sebastião, será o mais afetado. Já no Rio, praias da zona sul, como Copacabana e Ipanema, estão em estado de atenção. A temperatura nas regiões costeiras deve variar entre 18°C e 24°C, com possibilidade de chuvas esparsas.
Histórico de ressacas no litoral
Eventos semelhantes já causaram transtornos significativos no Sudeste. Em 2023, uma ressaca em Arraial do Cabo inundou ruas e casas, enquanto no Rio de Janeiro ondas de até 3,5 metros invadiram a avenida Delfim Moreira, no Leblon. Em São Paulo, Ubatuba enfrentou, em 2020, uma ressaca que destruiu barracas e feriu banhistas. Esses episódios destacam a vulnerabilidade das cidades costeiras a fenômenos climáticos intensos.
A repetição desses eventos levanta debates sobre a necessidade de medidas preventivas, como a construção de barreiras costeiras e o reforço de infraestruturas urbanas. Especialistas apontam que o aumento da frequência de ressacas pode estar relacionado às mudanças climáticas, que intensificam a força das frentes frias e elevam o nível do mar.
Medidas de segurança em São Paulo
A Defesa Civil paulista intensificou a comunicação com a população, enviando alertas por SMS e redes sociais. Em cidades como Santos e Guarujá, equipes de bombeiros marítimos estão em prontidão para realizar resgates, caso necessário. O DER destacou a importância de motoristas evitarem dirigir em alta velocidade nas estradas litorâneas, especialmente na Rio-Santos, onde quedas de árvores e galhos são riscos adicionais.
- Ações preventivas em SP:
- Monitoramento contínuo das condições do mar.
- Reforço nas equipes de limpeza urbana.
- Orientação para evitar atividades náuticas.
- Alertas em tempo real para motoristas.
Em Ilhabela, a prefeitura suspendeu temporariamente travessias de balsas para garantir a segurança de moradores e turistas. A medida reflete a gravidade do alerta, já que o arquipélago é particularmente suscetível a ventos fortes.
Monitoramento no Rio de Janeiro
No Rio, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) publicou uma série de recomendações para a população. Equipes da Comlurb estão preparadas para limpar areia e detritos em calçadões, enquanto o Corpo de Bombeiros reforçou o efetivo em praias movimentadas. O alerta de ressaca, emitido com o número 295/2025, indica que as ondas devem atingir o pico na madrugada de quarta-feira, entre 2h e 5h.
A prefeitura carioca também orientou pescadores a não saírem para o mar durante o período. Em áreas como a Região dos Lagos, onde Arraial do Cabo e Cabo Frio estão no trecho afetado, as autoridades locais intensificaram a fiscalização para evitar que banhistas ignorem os avisos.
Impactos em atividades econômicas
As condições climáticas adversas afetam diretamente setores como turismo e pesca. Em São Paulo, quiosques à beira-mar em cidades como Praia Grande e Mongaguá estão em alerta para possíveis danos. No Rio, a suspensão de atividades náuticas, como passeios de barco e prática de stand-up paddle, já causa prejuízos para pequenos empresários.
Em 2024, um episódio semelhante no Rio resultou na suspensão de 80% das atividades turísticas aquáticas em Copacabana, segundo associações locais. Pescadores artesanais, que dependem do mar para o sustento, também enfrentam dificuldades, já que a proibição de navegação pode se estender por até 48 horas.
Riscos para a população
A combinação de ventania e ressaca aumenta os perigos para banhistas desavisados. Em 2023, um adolescente desapareceu no mar em Ipanema durante uma ressaca, e casos de afogamento são registrados com frequência em condições semelhantes. O Corpo de Bombeiros do Rio realizou, em 2024, mais de 200 resgates em praias durante um único fim de semana de mar agitado.
- Principais riscos identificados:
- Correntes de retorno em praias.
- Queda de árvores e galhos.
- Alagamentos em áreas urbanas costeiras.
- Erosão de faixas de areia.
As autoridades recomendam que a população evite áreas próximas ao mar, especialmente em mirantes e pedras, onde ondas podem surpreender pedestres.
Prevenção e adaptação
Especialistas defendem a necessidade de investimentos em infraestrutura para proteger cidades costeiras. Em Santos, por exemplo, barreiras de contenção já foram implementadas em alguns trechos da orla, mas não são suficientes para eventos mais intensos. No Rio, a criação de um comitê para estudar o avanço do mar reflete a preocupação com a elevação do nível oceânico.
A longo prazo, medidas como o reflorestamento de manguezais e a construção de recifes artificiais podem ajudar a mitigar os impactos das ressacas. Enquanto isso, a conscientização da população sobre os riscos climáticos é essencial para reduzir acidentes.
Orientações para navegantes
A Marinha do Brasil publicou recomendações específicas para navegantes, que devem consultar as condições meteorológicas antes de sair ao mar. Embarcações de pequeno porte são particularmente vulneráveis às ondas altas, e a navegação recreativa foi desaconselhada no período do alerta.
- Dicas para navegantes:
- Verificar boletins do Centro de Hidrografia da Marinha.
- Evitar navegação em alto-mar.
- Manter equipamentos de segurança a bordo.
A previsão é que as condições do mar melhorem a partir da noite de quarta-feira, mas os navegantes devem permanecer atentos a possíveis atualizações.
Ações comunitárias e conscientização
Associações de moradores em cidades litorâneas têm se mobilizado para reforçar a comunicação sobre os riscos. Em Ubatuba, por exemplo, voluntários distribuem panfletos com orientações de segurança em praias movimentadas. No Rio, grupos de surfistas colaboram com os bombeiros para alertar banhistas sobre correntes de retorno.
A educação ambiental também ganha espaço, com escolas promovendo palestras sobre mudanças climáticas e seus impactos no litoral. Essas iniciativas buscam preparar a população para lidar com eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Planejamento urbano em risco
As ressacas frequentes expõem a fragilidade do planejamento urbano em áreas costeiras. Em São Sebastião, por exemplo, ruas próximas à orla sofrem com alagamentos recorrentes, enquanto em Arraial do Cabo a proximidade de casas com o mar aumenta os danos durante ressacas. Autoridades locais enfrentam o desafio de equilibrar o desenvolvimento turístico com a proteção ambiental.
Investimentos em drenagem urbana e barreiras de contenção são apontados como prioridades, mas a falta de recursos limita a implementação em algumas cidades. A longo prazo, a relocação de comunidades em áreas de risco pode ser necessária, especialmente em locais como Atafona, no Rio, onde o mar já destruiu dezenas de casas.