A Polícia Civil do Paraná, em conjunto com forças de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas, deflagrou na manhã de 24 de junho de 2025 a Operação Falso 9, uma ação contra uma organização criminosa especializada em falsificar documentos de jogadores de futebol para desviar salários. Entre as vítimas estão os atletas Gabriel Barbosa, conhecido como Gabigol, do Cruzeiro, e Walter Kannemann, do Grêmio. A operação, que cumpriu mandados de prisão e busca em cidades como Curitiba, Porto Velho, Cuiabá e Lábrea, revelou um golpe que movimentou R$ 1,2 milhão, com prejuízo de R$ 938 mil apenas para Gabigol. A ação, apoiada pelo Ministério da Justiça, expôs um esquema sofisticado de estelionato eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com apenas R$ 135 mil recuperados até o momento.
O grupo criminoso utilizava documentos falsificados para abrir contas bancárias em nome dos jogadores e solicitava a portabilidade de seus salários. As instituições financeiras, ao detectarem irregularidades, denunciaram as fraudes, permitindo o início das investigações. A operação abrangeu quatro estados, com 11 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão.
As transações rápidas realizadas pelos golpistas, como saques, compras e transferências, dificultaram o rastreamento dos valores. A ação conjunta das polícias civis revelou a extensão do esquema, que beneficiou pessoas físicas e jurídicas em várias regiões do país.
- Principais alvos: Jogadores da Série A, incluindo Gabigol e Kannemann.
- Prejuízo estimado: R$ 1,2 milhão, com R$ 938 mil desviados de um único atleta.
- Cidades envolvidas: Curitiba, Almirante Tamandaré, Porto Velho, Cuiabá e Lábrea.
- Crimes investigados: Estelionato eletrônico, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro.

Modus operandi do esquema criminoso
A quadrilha operava com alta sofisticação, utilizando dados reais dos atletas combinados com documentos forjados. Após abrir contas fraudulentas, os criminosos solicitavam a portabilidade salarial, desviando os valores para contas sob seu controle. O delegado Thiago Lima, da Polícia Civil do Paraná, explicou que o grupo agia rapidamente para pulverizar os recursos, dificultando a recuperação.
As investigações apontaram que a organização criminosa atuava de forma interestadual, com núcleos em pelo menos quatro estados. Em Porto Velho e Cuiabá, foram identificados beneficiários que receberam mais de R$ 287 mil dos valores desviados. A velocidade das transações era um dos principais desafios para as autoridades, que conseguiram bloquear apenas uma fração do montante.
O esquema foi descoberto após denúncias de instituições financeiras, que identificaram irregularidades em operações de portabilidade. A colaboração entre os bancos e as polícias foi essencial para mapear a rede criminosa.
Detalhes da Operação Falso 9
A Operação Falso 9 mobilizou dezenas de policiais em diferentes cidades. No Paraná, dois mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão foram cumpridos em Curitiba e Almirante Tamandaré. Em Rondônia, a ação simultânea reforçou a investigação, com mandados executados em Porto Velho. Cuiabá e Lábrea também foram alvos, ampliando o alcance da operação.
- Mandados cumpridos: 11 de prisão (nove preventivas e dois temporários) e 22 de busca e apreensão.
- Apoio institucional: Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab).
- Recuperação financeira: Apenas R$ 135 mil dos R$ 1,2 milhão desviados.
- Penas potenciais: Até 33 anos de prisão por estelionato, falsificação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A escolha do nome “Falso 9” reflete a posição tática no futebol, usada para confundir adversários, assim como o grupo enganava bancos e vítimas. A operação foi planejada por meses, com base em relatórios financeiros e interceptações autorizadas.
Impacto nas vítimas e no futebol brasileiro
Gabigol e Kannemann, atletas de destaque na Série A, foram alvos devido aos altos salários, que atraíram a atenção dos criminosos. Até o momento, nenhum dos jogadores se pronunciou publicamente sobre o caso. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas, já que o esquema pode ter atingido mais atletas.
Os bancos envolvidos corrigiram falhas nos sistemas de portabilidade e ressarciram os jogadores, que não tinham conhecimento das fraudes. A ação da Polícia Civil destaca a vulnerabilidade de figuras públicas a golpes cibernéticos, especialmente em um contexto de crescente digitalização financeira.
A operação também levanta questões sobre a segurança de dados pessoais no Brasil. Informações como CPF, RG e contratos de jogadores, que muitas vezes circulam em negociações ou registros públicos, podem ser exploradas por criminosos.
Alcance interestadual da quadrilha
A rede criminosa operava com ramificações em diferentes regiões, o que exigiu uma ação coordenada entre as polícias civis. Em Porto Velho, as investigações apontaram para a existência de um núcleo financeiro que recebia parte dos valores desviados. Cuiabá também foi identificada como um ponto de distribuição, com transferências para contas de terceiros.
Em Lábrea, no Amazonas, a operação revelou conexões com pessoas jurídicas que atuavam como laranjas no esquema. A Polícia Civil acredita que a quadrilha usava empresas de fachada para lavar o dinheiro, dificultando o rastreamento.
A colaboração entre os estados foi essencial para desarticular a organização. O Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça forneceu suporte técnico, analisando transações digitais e identificando padrões de comportamento dos criminosos.
Prevenção contra fraudes financeiras
Para evitar golpes semelhantes, especialistas recomendam medidas de segurança tanto para indivíduos quanto para instituições financeiras. A Operação Falso 9 reforça a importância de proteger dados pessoais e monitorar transações bancárias.
- Verificação de identidade: Bancos devem adotar autenticações multifatoriais para portabilidade salarial.
- Monitoramento constante: Sistemas de inteligência artificial podem detectar movimentações suspeitas em tempo real.
- Educação financeira: Usuários devem desconfiar de solicitações de dados por telefone ou e-mail.
- Denúncia imediata: Irregularidades devem ser reportadas às autoridades e às instituições financeiras.
As instituições financeiras já implementaram melhorias em seus sistemas de segurança, mas o caso evidencia a necessidade de maior cooperação entre o setor privado e as forças policiais.
Desafios no combate ao crime cibernético
O avanço da tecnologia tem facilitado a ação de quadrilhas especializadas em fraudes eletrônicas. A Operação Falso 9 é apenas uma das várias ações recentes contra o crime cibernético no Brasil. Em maio de 2025, a Polícia Civil de Goiás desarticulou outra organização que aplicava o golpe do “Falso Intermediário”, bloqueando R$ 663 mil em contas fraudulentas.
A sofisticação dos criminosos exige que as autoridades invistam em tecnologia e treinamento. O uso de inteligência artificial e análise de big data tem se mostrado eficaz na identificação de padrões criminosos, mas a velocidade das transações financeiras ainda é um obstáculo.
A Polícia Civil do Paraná planeja continuar as investigações para identificar outros envolvidos no esquema. A expectativa é que novas prisões sejam realizadas nas próximas semanas, à medida que mais evidências forem coletadas.