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Curitiba registra -0,3°C e geada marca inverno rigoroso no Paraná

Curitiba Frio
Curitiba Frio - Foto: Claudio Augusto Johann da Silva/Istock.com Curitiba Frio - Foto: Claudio Augusto Johann da Silva/Istock.com

Curitiba amanheceu coberta por uma fina camada de geada nesta quarta-feira, 25 de junho de 2025, registrando -0,3°C, a menor temperatura do ano na capital paranaense. O frio intenso, provocado por uma massa de ar polar que avança sobre o Sul do Brasil, não se limitou à capital: 29 municípios do Paraná também marcaram recordes de mínimas, com 19 deles registrando temperaturas negativas. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a combinação de céu claro e ventos fracos intensificou a formação de geada, especialmente nas regiões Centro-Sul, Campos Gerais e na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O fenômeno, que transformou gramados e carros em cenários brancos, reflete a força do inverno, iniciado oficialmente na última sexta-feira, dia 20. A máxima na capital não deve ultrapassar 16°C, enquanto a população se adapta a um dos dias mais gelados de 2025.

O impacto da onda de frio foi sentido em diferentes pontos do estado. Em bairros mais afastados de Curitiba, como no entorno da região sul, a sensação térmica chegou a ser ainda mais rigorosa. Municípios próximos, como Fazenda Rio Grande, registraram -2,6°C, enquanto Pinhais marcou -1,5°C. A meteorologista Júlia Munhoz, do Simepar, destacou que as condições climáticas atuais são ideais para a formação de geada branca, com o ar seco e frio predominando.

A massa de ar polar, responsável por esse cenário, começou a influenciar o Paraná desde o início da semana. Na terça-feira, 24 de junho, 43 das 48 estações do Simepar já haviam registrado as menores temperaturas de 2025, com 15 delas apontando valores negativos. A expectativa é que o frio continue intenso, especialmente nas madrugadas, com possibilidade de novas geadas em diversas regiões.

  • Cidades mais afetadas: Além de Curitiba, municípios como Palmas (-5,2°C), General Carneiro (-4,1°C) e Guarapuava (-2,8°C) enfrentaram temperaturas extremamente baixas.
  • Geada generalizada: O fenômeno foi observado em áreas como Centro-Sul, Sudeste e Campos Gerais, cobrindo gramados, telhados e plantações.
  • Sensação térmica: Em algumas regiões, como no distrito de Horizonte, em Palmas, a sensação térmica chegou a -13,1°C, intensificando o desconforto.

O que causou a onda de frio

A chegada de uma massa de ar polar ao Sul do Brasil foi o principal fator para a queda brusca nas temperaturas. Esse sistema atmosférico, caracterizado por ar seco e frio, começou a se deslocar na segunda-feira, 23 de junho, causando uma redução significativa nas temperaturas já na noite do mesmo dia. Diferentemente de outros períodos, as mínimas foram registradas no final da noite, por volta das 23h45, e não ao amanhecer, como é comum. Em cidades como Cruzeiro do Iguaçu (6,4°C) e Foz do Iguaçu (3,2°C), o frio já dava sinais de sua intensidade.

O meteorologista Paulo Barbieri, do Simepar, explicou que a ausência de nuvens e a calma dos ventos criaram condições perfeitas para a formação de geada. Quando o céu está limpo, o calor acumulado durante o dia se dissipa rapidamente à noite, levando a temperaturas ainda mais baixas. Esse cenário foi particularmente marcante na metade sul do Paraná, onde as temperaturas negativas foram mais frequentes.

Regiões mais afetadas no Paraná

O frio não poupou diferentes áreas do estado, com destaque para o Centro-Sul e o Sudoeste. Em Palmas, no distrito de Horizonte, os termômetros marcaram -5,2°C, a menor temperatura registrada no Paraná em 2025 até o momento. Outras cidades, como Laranjeiras do Sul (-2°C) e Santa Maria do Oeste (-1,6°C), também estabeleceram novos recordes desde o início das medições do Simepar em suas estações.

Na Região Metropolitana de Curitiba, o impacto foi igualmente significativo. Além de Fazenda Rio Grande e Pinhais, São José dos Pinhais registrou 0°C, com sensação térmica de -5°C no Parque São José. Mesmo cidades mais ao norte, como Cascavel e Palotina, enfrentaram temperaturas próximas de zero, algo menos comum para essas regiões. O litoral, geralmente mais ameno, também sentiu o frio, com Paranaguá registrando 10,1°C, a mínima mais alta entre as estações do Simepar.

Geada e seus impactos

A geada, um fenômeno caracterizado pela formação de cristais de gelo em superfícies expostas, foi amplamente observada no Paraná. Em Curitiba, gramados nos bairros Campo Comprido e Santa Felicidade amanheceram cobertos por uma camada branca, criando cenários típicos de inverno. No interior, a geada foi ainda mais intensa, especialmente em áreas rurais, onde produtores agrícolas estão em alerta.

O Simepar emitiu um alerta para a possibilidade de geada negra, um fenômeno raro que ocorre em condições de frio extremo e ar seco. Diferentemente da geada branca, a geada negra não forma gelo visível, mas congela a seiva das plantas, causando danos severos às lavouras. Em 1975, um evento semelhante devastou plantações no Paraná, e, embora o risco atual seja pontual, a atenção permanece alta.

  • Setores afetados: Cafezais, hortaliças e pomares são os mais vulneráveis à geada.
  • Prevenção: Produtores foram orientados a cobrir plantas e usar técnicas de aquecimento.
  • Monitoramento: O serviço Alerta Geada, do Simepar, fornece previsões para até 72 horas.
  • Danos potenciais: A geada negra pode levar à necrose de tecidos vegetais, comprometendo safras.

Previsão para os próximos dias

A partir de quinta-feira, 26 de junho, as temperaturas no Paraná devem começar a subir gradualmente, especialmente no interior do estado. Em Curitiba, a previsão indica mínima de 7°C e máxima de 22°C, com possibilidade de chuva no final do dia. As regiões oeste e noroeste podem enfrentar temporais localizados, enquanto o sul e o sudeste permanecem sob influência de ar mais úmido, o que reduz a chance de novas geadas.

Na sexta-feira, 27 de junho, o frio perde intensidade, mas as mínimas ainda ficam próximas de 10°C na metade sul do estado. A nebulosidade deve aumentar, trazendo chuva persistente em algumas áreas, como o centro e o oeste. Segundo o Simepar, a instabilidade climática será mais pronunciada no final de semana, com pancadas de chuva isoladas em várias regiões.

Histórico de frio em Curitiba

Curitiba é conhecida como a capital mais fria do Brasil, com um clima temperado oceânico que favorece temperaturas baixas no inverno. A cidade, situada a 934 metros acima do nível do mar, é particularmente suscetível a ondas de frio. Em 1972, os termômetros marcaram -5,4°C, a menor temperatura registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) desde 1931. Mais recentemente, em 2020, a cidade enfrentou uma onda de calor atípica, com 35,5°C, mostrando a variabilidade climática da região.

Geadas são comuns nos meses de junho, julho e agosto, mas também podem ocorrer em abril ou setembro em anos mais frios. Em 1994, uma geada negra deixou marcas na vegetação da cidade, com mínima de -0,2°C. Já nevascas, embora raras, foram registradas em anos como 1975, 1979 e 2020, quando chuva congelada acompanhou o fenômeno.

Cuidados recomendados

A onda de frio trouxe desafios para a população paranaense, especialmente em áreas urbanas e rurais. Em Curitiba, a prefeitura intensificou o atendimento a pessoas em situação de rua, oferecendo abrigo e roupas quentes. A Defesa Civil orientou os moradores a se protegerem do frio intenso, com recomendações práticas para enfrentar as baixas temperaturas.

  • Agasalhos: Usar várias camadas de roupa, incluindo gorros e luvas.
  • Aquecimento: Evitar aquecedores a gás em ambientes fechados para prevenir intoxicação.
  • Saúde: Manter a imunidade com alimentação equilibrada e bebidas quentes.
  • Emergências: Contatar a Defesa Civil pelo 199 em caso de necessidade.

Reações da população

Apesar do frio rigoroso, muitos curitibanos aproveitaram o cenário para registrar a geada em parques e jardins. No Jardim Botânico, moradores como Guilherme Braz saíram cedo para fotografar o amanhecer gelado, embora o vento forte tenha impedido a formação de geada em algumas áreas. José Bertoldi, um fotógrafo amador, lamentou não ter capturado o cenário ideal, mas prometeu voltar na quinta-feira, quando novas geadas são esperadas.

Em áreas rurais, a preocupação com as lavouras dominou as conversas. Produtores de Guarapuava e Pato Branco relataram dificuldades para proteger plantações, enquanto outros aguardam os boletins do Simepar para planejar os próximos dias. A combinação de frio e beleza natural, no entanto, também gerou momentos de contemplação, com imagens de campos cobertos de gelo circulando nas redes sociais.

Importância do monitoramento climático

O trabalho do Simepar tem sido fundamental para orientar a população e os setores produtivos durante a onda de frio. Com atualizações diárias no site www.simepar.br, o órgão fornece dados detalhados sobre temperaturas, chuvas e umidade para os 399 municípios paranaenses. O serviço Alerta Geada, desenvolvido em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), é especialmente valioso para agricultores, que dependem de previsões precisas para minimizar prejuízos.

A meteorologista Júlia Munhoz destacou a importância de acompanhar os boletins, já que as condições atmosféricas podem mudar rapidamente. Além do site, o Simepar divulga informações em redes sociais e no WhatsApp, garantindo acesso amplo aos dados climáticos.

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