Na tarde de 25 de junho de 2025, o tenista campineiro Felipe Meligeni, 147º no ranking mundial, foi eliminado na segunda rodada do qualifying de Wimbledon pelo japonês Shintaro Mochizuki, 146º, com um duplo 6/3. A derrota marcou o fim da participação brasileira no quali masculino, deixando João Fonseca como o único representante do país na chave simples masculina do torneio, que ocorre de 30 de junho a 13 de julho em Londres. Além de Meligeni, Thiago Monteiro, Thiago Wild e Laura Pigossi também caíram nas fases classificatórias, enquanto Bia Haddad garantiu vaga na chave principal feminina. O cenário reflete os desafios dos tenistas brasileiros em um dos maiores palcos do tênis mundial, com Fonseca emergindo como uma promessa para o futuro.
O qualifying de Wimbledon, conhecido por sua alta competitividade, colocou à prova quatro brasileiros, mas apenas Fonseca e Haddad avançaram diretamente à chave principal. A eliminação de Meligeni, que chegou à Europa com expectativas altas após conquistas recentes, foi um revés significativo. A contusão nas costas, sofrida em maio durante um treino em Roma, ainda parece influenciar seu desempenho.
- Desafios no quali: Nenhum dos quatro brasileiros no qualifying (Meligeni, Monteiro, Wild e Pigossi) conseguiu vaga na chave principal.
- Destaques brasileiros: João Fonseca, com vitória recente em Eastbourne, e Bia Haddad são as apostas do Brasil.
- Período do torneio: Wimbledon 2025 ocorre entre 30 de junho e 13 de julho, em Londres.
Trajetória de Felipe Meligeni
Felipe Meligeni desembarcou na Europa em maio com o melhor ranking de sua carreira, 117º, impulsionado pelo título no Challenger 125 da Cidade do México. A meta era clara: alcançar o top 100 e consolidar sua presença em torneios de elite, como o Masters 1000 de Roma e Roland Garros. No entanto, uma lesão nas costas, sofrida durante um treino com João Fonseca em Roma, alterou seus planos. O problema físico o forçou a abandonar o quali do Masters 1000 e a estreia no Challenger de Oeiras, em Portugal.
A recuperação de Meligeni foi gradual, mas a falta de ritmo competitivo ficou evidente em Wimbledon. Contra Mochizuki, o campineiro não conseguiu impor seu jogo, cedendo em dois sets. O japonês, com um estilo sólido e consistente, aproveitou os erros de Meligeni para avançar. Apesar do revés, o tenista brasileiro segue como um nome promissor, com potencial para retornar ao top 120 ainda em 2025.
Ascensão de João Fonseca
João Fonseca, de apenas 18 anos, emerge como a principal esperança brasileira em Wimbledon. Sua recente vitória por 2 a 1 contra Zizou Bergs no ATP 250 de Eastbourne, em junho de 2025, demonstrou sua capacidade de competir em alto nível. O jovem tenista, que já figura entre os 100 melhores do mundo, combina potência nos golpes com uma mentalidade agressiva, características que o tornam um adversário temido na grama londrina.
Fonseca chegou à chave principal de Wimbledon sem precisar do quali, um feito notável para sua idade. Sua preparação incluiu torneios preparatórios na grama, onde ajustou seu jogo para a superfície rápida. A confiança adquirida em Eastbourne, aliada à experiência em competições de alto nível, posiciona Fonseca como um nome a ser observado em Londres.
Desempenho dos brasileiros no quali
O qualifying de Wimbledon revelou a dificuldade dos tenistas brasileiros em superar a barreira das fases classificatórias. Thiago Monteiro, conhecido por sua consistência, não conseguiu avançar, sucumbindo na primeira rodada. Thiago Wild, que já brilhou em torneios de saibro, também caiu precocemente, evidenciando a necessidade de adaptação à grama. Laura Pigossi, única representante feminina no quali, foi eliminada na estreia, reforçando o domínio de Bia Haddad como principal nome do tênis feminino brasileiro.
- Thiago Monteiro: Eliminado na primeira rodada do quali masculino.
- Thiago Wild: Caiu na segunda rodada, sem alcançar a chave principal.
- Laura Pigossi: Perdeu na estreia do qualifying feminino.
- Bia Haddad: Garantida na chave principal, é a principal aposta feminina.
Desafios da grama para os brasileiros
A grama, superfície característica de Wimbledon, apresenta desafios únicos para os tenistas brasileiros, acostumados majoritariamente ao saibro. A velocidade da bola, o quique baixo e a necessidade de reflexos rápidos exigem adaptações táticas e técnicas. Para Meligeni, Monteiro e Wild, a falta de torneios preparatórios na grama em 2025 pode ter pesado nas eliminações precoces.
Bia Haddad, por outro lado, tem mostrado versatilidade em diferentes superfícies. Sua experiência em torneios de grama, incluindo participações anteriores em Wimbledon, a coloca em uma posição favorável. A tenista, que já alcançou o top 20 mundial, aposta em seu jogo agressivo e na solidez defensiva para avançar nas rodadas iniciais.
Histórico brasileiro em Wimbledon
O Brasil tem uma história modesta em Wimbledon, com poucos tenistas alcançando fases avançadas. Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros, nunca passou da terceira rodada em Londres. Maria Esther Bueno, ícone do tênis brasileiro, é a grande exceção, com três títulos de simples (1959, 1960 e 1964). Nos últimos anos, Bia Haddad e Thiago Monteiro têm sido os principais representantes, mas sem resultados expressivos na grama.
João Fonseca, com sua juventude e talento, pode mudar esse cenário. Sua ascensão meteórica no circuito profissional, aliada à confiança adquirida em 2025, sugere que o Brasil pode, enfim, ter um representante competitivo em Wimbledon.
Preparação para a chave principal
A chave principal de Wimbledon, que começa em 30 de junho, reúne os melhores tenistas do mundo. João Fonseca enfrentará adversários de peso, mas sua vitória em Eastbourne indica que ele está preparado para o desafio. O sorteio da chave, esperado para os próximos dias, definirá seu primeiro oponente.
Bia Haddad, por sua vez, chega ao torneio com a experiência de quem já enfrentou as principais jogadoras do circuito. Sua preparação incluiu torneios na grama, onde buscou aprimorar saques e voleios, fundamentos essenciais para a superfície. A tenista brasileira tem chances de avançar pelo menos até a terceira rodada, caso mantenha a regularidade.
Números do qualifying
O qualifying de Wimbledon é um torneio à parte, com 128 jogadores na disputa por apenas 16 vagas na chave principal masculina. Em 2025, a competição foi marcada por jogos equilibrados e surpresas. A eliminação de Meligeni, Monteiro, Wild e Pigossi reflete a dificuldade do torneio, que exige consistência e adaptação em poucos dias.
- Total de jogadores no quali: 128 na chave masculina, 128 na feminina.
- Vagas na chave principal: 16 por gênero.
- Brasileiros no quali: Quatro (três homens, uma mulher).
- Eliminados na segunda rodada: Meligeni e Wild.
Próximos passos dos eliminados
Felipe Meligeni, Thiago Monteiro, Thiago Wild e Laura Pigossi agora voltam suas atenções para a temporada de quadras duras, que começa em julho. O US Open, último Grand Slam do ano, é o próximo grande objetivo. Meligeni, em particular, planeja focar na recuperação física para evitar novas lesões. Monteiro e Wild, por sua vez, devem disputar torneios menores para ganhar ritmo antes do major americano.
Expectativas para Fonseca e Haddad
João Fonseca e Bia Haddad carregam as esperanças brasileiras em Wimbledon. Fonseca, com seu estilo arrojado, pode surpreender adversários mais experientes, especialmente nas primeiras rodadas. Haddad, com sua solidez, tem potencial para alcançar a segunda semana do torneio, algo raro para tenistas brasileiros. A torcida brasileira estará de olho nos dois, que representam a nova geração e a experiência do tênis nacional.