A plataforma Gov.br, principal portal de serviços digitais do governo federal brasileiro, passará por uma atualização significativa em suas assinaturas digitais ainda em 2025, adotando a computação pós-quântica para reforçar a segurança dos dados dos cidadãos. A iniciativa, liderada pela Kryptus em parceria com a VoxData Technology, posiciona o Brasil como pioneiro na implementação dessa tecnologia em escala nacional. A mudança ocorre em resposta aos desafios emergentes da computação quântica, que podem comprometer sistemas de criptografia tradicionais a partir de 2029. A nova tecnologia visa proteger informações sensíveis, como dados pessoais e transações governamentais, em um cenário de crescentes ameaças cibernéticas. O projeto também reflete esforços para antecipar riscos e modernizar a infraestrutura digital do país.
Essa atualização é parte de um movimento estratégico para garantir que os serviços digitais do governo estejam preparados para os avanços tecnológicos futuros. A computação pós-quântica, embora não substitua os fundamentos da criptografia atual, introduz algoritmos mais robustos, capazes de resistir a ataques de computadores quânticos. A iniciativa também ocorre em um momento em que a inteligência artificial (IA) amplifica os desafios de cibersegurança, exigindo soluções inovadoras.
- Principais objetivos da atualização:
- Proteger dados sensíveis dos brasileiros contra ameaças quânticas.
- Garantir a continuidade dos serviços digitais do Gov.br.
- Posicionar o Brasil como líder em segurança digital na América Latina.
O anúncio foi feito por Roberto Gallo, CEO da Kryptus, em entrevista ao podcast CD Cast, destacando a urgência de preparar o país para a era quântica. A seguir, o projeto será detalhado, abordando seus benefícios, desafios e implicações para o futuro da segurança digital no Brasil.
Pioneirismo na adoção da criptografia pós-quântica
A decisão de implementar a computação pós-quântica no Gov.br coloca o Brasil à frente de muitos países no que diz respeito à segurança digital. A Kryptus, empresa brasileira especializada em cibersegurança, lidera o desenvolvimento da tecnologia em colaboração com a VoxData Technology. Esse esforço conjunto visa criar um sistema de assinaturas digitais capaz de resistir a ataques de computadores quânticos, que têm o potencial de quebrar algoritmos de criptografia tradicionais, como RSA e ECC, em poucos anos.
A tecnologia pós-quântica utiliza algoritmos baseados em problemas matemáticos mais complexos, como reticulados e códigos corretores de erros. Esses métodos são projetados para serem seguros mesmo contra a capacidade de processamento de computadores quânticos. O projeto do Gov.br é um marco, pois aplica essa tecnologia em uma plataforma que atende milhões de brasileiros, abrangendo serviços como emissão de documentos, acesso a benefícios sociais e declarações fiscais.
A implementação em 2025 será gradual, começando com a substituição das assinaturas digitais existentes por novos certificados baseados em algoritmos pós-quânticos. Essa transição exigirá testes rigorosos para garantir compatibilidade com os sistemas atuais e evitar interrupções nos serviços. A Kryptus já está trabalhando em protocolos de validação para assegurar que a nova tecnologia funcione de forma eficiente e segura.
Por que a computação quântica é uma ameaça iminente
A computação quântica, embora ainda em fase de desenvolvimento, representa um divisor de águas para a segurança digital. Diferentemente dos computadores clássicos, que processam informações em bits (0 ou 1), os computadores quânticos utilizam qubits, permitindo cálculos exponencialmente mais rápidos para certos problemas. Essa capacidade pode comprometer sistemas de criptografia amplamente utilizados, como os que protegem transações bancárias, comunicações governamentais e dados pessoais.
Especialistas preveem que computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia atual estarão disponíveis entre 2029 e 2030. Esse prazo curto exige ações preventivas, como a adoção de tecnologias pós-quânticas. Roberto Gallo, da Kryptus, enfatizou que o Brasil precisa agir agora para evitar vulnerabilidades futuras. Ele destacou que a demora na preparação pode expor dados sensíveis dos cidadãos a ataques cibernéticos sofisticados.
Além disso, a integração de inteligência artificial nas estratégias de ciberataques aumenta a urgência de modernizar a criptografia. A IA pode automatizar tentativas de invasão, identificar vulnerabilidades em sistemas e acelerar a exploração de falhas. A computação pós-quântica é, portanto, uma resposta tanto às ameaças quânticas quanto ao avanço de tecnologias como a IA.
Benefícios da nova tecnologia para os cidadãos
A atualização das assinaturas digitais do Gov.br trará benefícios diretos para os usuários da plataforma. Com mais de 140 milhões de cadastros ativos, o portal é uma das principais portas de acesso a serviços públicos no Brasil. A adoção da criptografia pós-quântica garantirá maior proteção para atividades como:
- Emissão de carteiras digitais, como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a Carteira de Identidade Nacional (CIN).
- Acesso a benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
- Declarações fiscais e consultas ao e-CAC da Receita Federal.
- Assinatura de documentos eletrônicos com validade jurídica.
A nova tecnologia também aumentará a confiança dos cidadãos nos serviços digitais, reduzindo o risco de fraudes e vazamentos de dados. Em um contexto em que os ataques cibernéticos crescem globalmente, a iniciativa reforça o compromisso do governo com a privacidade e a segurança dos brasileiros.

Desafios técnicos da implementação
A transição para a criptografia pós-quântica não é isenta de obstáculos. Um dos principais desafios é garantir que os novos algoritmos sejam compatíveis com a infraestrutura existente do Gov.br. Isso inclui servidores, aplicativos móveis e sistemas de autenticação usados por órgãos públicos. A Kryptus está conduzindo testes extensivos para minimizar o impacto da atualização nos serviços.
Outro obstáculo é a necessidade de atualizar os certificados digitais emitidos pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Esses certificados, que validam a identidade de usuários e empresas em transações digitais, precisarão ser substituídos por versões pós-quânticas. Esse processo exigirá coordenação entre o governo, empresas de tecnologia e autoridades certificadoras.
Além disso, a implementação em larga escala demandará investimentos significativos em infraestrutura e treinamento de equipes técnicas. A VoxData Technology está colaborando com a Kryptus para desenvolver soluções escaláveis, mas o sucesso do projeto dependerá de uma execução meticulosa.
Limitações do ecossistema de inovação no Brasil
Roberto Gallo, da Kryptus, apontou que o Brasil enfrenta barreiras estruturais para a inovação em cibersegurança. O alto custo de capital e o sistema tributário desfavorável desencorajam investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Projetos como a atualização do Gov.br exigem anos de planejamento e recursos financeiros, o que pode ser desafiador em um ambiente econômico instável.
A falta de uma autoridade central para coordenar a cibersegurança também prejudica a implementação de políticas consistentes. Embora a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) tenha estabelecido diretrizes importantes, a ausência de uma entidade unificada dificulta a resposta a ameaças cibernéticas em nível nacional. Gallo defendeu a criação de um órgão responsável por centralizar estratégias de segurança digital.
- Fatores que limitam a inovação no Brasil:
- Alto custo de capital para financiar projetos de longo prazo.
- Sistema tributário que penaliza investimentos em tecnologia.
- Falta de coordenação entre governo, empresas e academia.
- Escassez de incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento.
Preparação para um futuro quântico
A atualização do Gov.br é apenas o primeiro passo para preparar o Brasil para a era quântica. Outros setores, como bancos, empresas de telecomunicações e indústrias, também precisarão adotar a criptografia pós-quântica nos próximos anos. A iniciativa do governo federal pode servir como modelo para essas organizações, demonstrando a viabilidade de implementar tecnologias avançadas em larga escala.
O projeto também destaca a importância de parcerias público-privadas na modernização da infraestrutura digital. A colaboração entre a Kryptus, a VoxData Technology e o governo federal é um exemplo de como a iniciativa privada pode contribuir para soluções de interesse público. Nos próximos meses, o governo deverá divulgar mais detalhes sobre o cronograma de implementação e os impactos esperados para os usuários.
Papel da inteligência artificial na cibersegurança
A inteligência artificial desempenha um papel duplo no contexto da segurança digital. Por um lado, ela é uma ferramenta poderosa para identificar ameaças e automatizar defesas cibernéticas. Por outro, pode ser usada por hackers para criar ataques mais sofisticados. A computação pós-quântica é projetada para enfrentar esses desafios, mas a IA continuará a exigir inovações constantes em cibersegurança.
No caso do Gov.br, a IA será usada para monitorar tentativas de invasão e detectar anomalias em tempo real. Essa abordagem complementa a criptografia pós-quântica, criando uma camada adicional de proteção. A Kryptus está investindo em soluções de IA para fortalecer os sistemas do portal, garantindo que ele permaneça seguro mesmo diante de ameaças emergentes.
Próximos passos para o Gov.br
A atualização das assinaturas digitais é parte de um plano mais amplo para modernizar o Gov.br. O governo federal pretende expandir os serviços oferecidos pela plataforma, integrando novas funcionalidades, como reconhecimento facial avançado e autenticação biométrica. A criptografia pós-quântica será a base para essas inovações, garantindo que elas sejam seguras desde o início.
O projeto também inclui campanhas de conscientização para informar os cidadãos sobre a importância da segurança digital. Essas iniciativas serão fundamentais para aumentar a adoção do Gov.br e reduzir o risco de fraudes. A expectativa é que a atualização esteja concluída até o final de 2025, com benefícios visíveis para os usuários a partir de 2026.