A Renault deu início à produção pré-série da picape Niagara na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, Argentina, em 24 de junho de 2025, com quatro unidades já montadas para testes no Brasil. O modelo, que rivalizará com Fiat Toro e Ram Rampage, tem lançamento previsto para outubro de 2026 e contará com um investimento de R$ 1,9 bilhão. Diferentemente da Oroch, fabricada em São José dos Pinhais (PR), a Niagara usará a plataforma RGMP, motor 1.3 turbo flex de 170 cv e opções híbridas, incluindo tração 4×4. A produção inicial não interrompe a linha de outros modelos, como Sandero e Logan. O Brasil será o principal destino de exportação, com 70% da produção voltada para mercados externos. A picape promete design sofisticado e acabamento premium, alinhado à nova estratégia da marca na América Latina.
O projeto, revelado como conceito em 2023, marca a aposta da Renault em um segmento de picapes intermediárias em crescimento. A empresa planeja fabricar três protótipos por semana até o fim de 2025.
A Niagara terá porte próximo ao da Ram Rampage, com mais de cinco metros de comprimento, e opções híbridas leve e completa.
- Destaques da Renault Niagara:
- Produção pré-série iniciada em Córdoba, Argentina.
- Investimento de R$ 1,9 bilhão para desenvolvimento.
- Motor 1.3 turbo flex e opções híbridas 4×4.
- Lançamento previsto para outubro de 2026.
Início da produção pré-série
A fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, concluiu a montagem das primeiras quatro unidades da Niagara, identificadas internamente como Projeto H1312. Esses protótipos, enviados ao Brasil para testes de engenharia, utilizam a carroceria definitiva, marcando o fim da fase de “mulas” disfarçadas. A produção pré-série ocorre na mesma linha de modelos como Kangoo, Sandero e Logan, sem paralisação da fábrica.
A Renault planeja intensificar a produção de protótipos, com uma meta de três unidades semanais até o fim de 2025. As férias coletivas de dezembro serão usadas para instalar novos robôs e ferramentas, preparando a linha para a produção em série em 2026. O investimento de R$ 1,9 bilhão moderniza a planta, que emprega 2.200 funcionários e tem capacidade anual de 70 mil unidades.
A estratégia de exportação prioriza o Brasil, com 70% da produção destinada a mercados externos, incluindo Colômbia e México. A fábrica também produz as picapes médias Alaskan e Nissan Frontier, reforçando seu papel como polo de utilitários.
Design sofisticado e plataforma RGMP
A Niagara, inspirada no conceito de 2023, adota um visual urbano, com faróis estreitos, maçanetas traseiras embutidas e tampa da caçamba estilizada. Daniel Nozaki, diretor do centro de design da Renault América Latina, afirmou que o modelo de produção manterá elementos do conceito, exceto detalhes como retrovisores e rodas exagerados. A picape terá mais de cinco metros de comprimento e 2,95 metros de entre-eixos, similar à Ram Rampage.
Construída sobre a plataforma modular RGMP, compartilhada com o Renault Kardian e o futuro SUV Boreal, a Niagara suporta tração 4×4 e sistemas híbridos. O acabamento interno promete ser superior ao da Oroch, com materiais variados e foco em conforto, visando atrair consumidores de picapes maiores.
- Características do design:
- Faróis estreitos e grade inspirada no conceito.
- Maçanetas traseiras embutidas para visual limpo.
- Comprimento acima de 5 metros, similar à Rampage.
- Acabamento interno premium com materiais variados.
Motorização híbrida inovadora
A Niagara contará com a tecnologia E-Tech Hybrid 4×4, combinando um motor 1.3 turbo flex de 170 cv com um sistema híbrido leve de 48V na dianteira e um motor elétrico na traseira para tração 4×4. O conjunto, acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem de sete marchas, promete eficiência e desempenho. Uma variante híbrida completa (HEV), similar ao Toyota Corolla, também está em testes.
A ausência de motorização diesel, comum em rivais como a Fiat Toro, reflete a aposta da Renault em eletrificação. O motor 1.3 turbo flex, nacionalizado em 2024, já equipa modelos como o Captur, garantindo até 27,5 kgfm de torque. A tração 4×4 com motor elétrico traseiro é uma solução inédita no segmento, otimizada por gerenciamento eletrônico.

Posicionamento premium
Diferentemente da Oroch, voltada para frotistas com motor 1.6 SCe de 120 cv, a Niagara mira um público premium, competindo com Fiat Toro, Chevrolet Montana e Ram Rampage. Daniel Nozaki destacou que testes com consumidores brasileiros posicionaram a Niagara como preferida, superando até picapes de uma tonelada. A estratégia busca um “size impression”, com visual imponente que atrai compradores de picapes maiores.
A Renault planeja preços entre R$ 150 mil e R$ 180 mil, posicionando a Niagara acima da Oroch, que varia de R$ 121 mil a R$ 157 mil. A convivência dos modelos permitirá à Oroch atender frotistas, enquanto a Niagara foca em consumidores urbanos e sofisticados.
Parceria com a Nissan
A Nissan desenvolverá uma picape intermediária baseada na mesma plataforma RGMP, também produzida em Córdoba. O modelo, com design próprio, marcará a estreia da marca japonesa no segmento de picapes monobloco no Mercosul. A parceria espelha a produção conjunta das picapes médias Alaskan e Frontier na mesma fábrica.
Guy Rodriguez, presidente da Nissan América Latina, confirmou que o projeto utiliza inteligência artificial no centro de design brasileiro, visando personalização estética. A picape da Nissan, com lançamento previsto para 2026, também competirá com Toro e Rampage, ampliando a disputa no segmento.
- Detalhes da parceria Renault-Nissan:
- Produção conjunta em Córdoba.
- Picape Nissan com design próprio.
- Uso da plataforma RGMP.
- Lançamento em 2026.
Estratégia para a América Latina
A Niagara integra o International Game Plan 2027 da Renault, que busca reposicionar a marca com veículos de maior valor agregado. O Kardian, lançado em 2024, foi o primeiro passo, seguido pelo SUV Boreal, previsto para 2025. A picape reflete a demanda latino-americana por utilitários, com 202.969 picapes emplacadas no Brasil no primeiro semestre de 2024, segundo a Fenabrave, representando 20% do mercado.
Pablo Sibilla, presidente da Renault Argentina, destacou a especialização da fábrica de Santa Isabel em utilitários, distinguindo-a da produção de carros de passeio no Brasil. O investimento de US$ 350 milhões fortalece a planta, que exportará 65 mil unidades anuais, com potencial para atingir 100 mil.
Preparativos na fábrica de Córdoba
A produção pré-série da Niagara começou sem interrupções na linha de Santa Isabel, que mantém a fabricação de Sandero, Logan, Kangoo, Alaskan e Frontier. Em dezembro de 2025, a fábrica passará por uma parada técnica para instalar novos equipamentos, garantindo a produção em série a partir de outubro de 2026.
As quatro unidades iniciais foram enviadas ao Brasil para testes de durabilidade e desempenho, com foco na adaptação do motor híbrido ao mercado flex. A Renault planeja expandir a produção para mercados além da América Latina, como África e Ásia, no médio prazo.
Recepção no mercado
A notícia da produção pré-série gerou entusiasmo entre consumidores e especialistas. Postagens nas redes sociais, com milhares de interações, destacaram o design arrojado e a proposta híbrida. Usuários compararam a Niagara à Ram Rampage, elogiando o foco em sofisticação. A hashtag #RenaultNiagara alcançou 10 mil menções em 24 horas após o anúncio.
A imprensa automotiva destacou a estratégia da Renault de competir no segmento premium, com sites como Autoesporte e Motor1 prevendo forte concorrência com a Toro. A promessa de cinco anos de atualizações e a opção 4×4 híbrida atraíram atenção de consumidores urbanos e rurais.
- Reações do público:
- Entusiasmo com design arrojado e híbrido 4×4.
- Comparações com Ram Rampage e Fiat Toro.
- Expectativa por preços entre R$ 150 mil e R$ 180 mil.
- Interesse em mercados de exportação.
Contexto do segmento de picapes
O mercado de picapes intermediárias no Brasil cresceu 15% em 2024, segundo a Fenabrave, com modelos como Fiat Toro (46 mil unidades vendidas) e Chevrolet Montana (22 mil unidades) liderando. A Niagara entra em um segmento aquecido, com concorrentes como a Ford Maverick e a futura Volkswagen Tarok, prevista para 2026.
A aposta em eletrificação diferencia a Niagara, já que rivais como a Toro oferecem diesel, enquanto a Montana foca em motores turbo flex. A Renault busca capturar consumidores que valorizam tecnologia e design, sem abrir mão da praticidade de uma picape de meia tonelada.