Aposentados e pensionistas do INSS aguardam a confirmação da antecipação do décimo terceiro salário para abril de 2025, seguindo a prática adotada desde 2020, enquanto trabalhadores com carteira assinada receberão o benefício até 30 de novembro e 20 de dezembro, conforme a CLT. O pagamento, que beneficia cerca de 90 milhões de pessoas, deve injetar R$ 400 bilhões na economia, segundo projeções baseadas em 2024. Para o INSS, o abono de 34,2 milhões de segurados pode começar em 24 de abril, dependendo da aprovação do Orçamento. No setor privado, o cálculo considera o salário mínimo de R$ 1.518 e médias de horas extras. A medida, anunciada em 25 de março de 2025, aquece o comércio e alivia as finanças de famílias em todo o Brasil.
O décimo terceiro do INSS, pago em duas parcelas, beneficia aposentados, pensionistas e segurados de auxílios, mas exclui o BPC. No setor privado, a obrigatoriedade abrange trabalhadores formais, com prazos fixos. A seguir, detalhes sobre os pagamentos, cálculos e impactos econômicos.
- Beneficiários INSS: 34,2 milhões, sendo 28,2 milhões com até R$ 1.518.
- Setor privado: Cerca de 60 milhões de trabalhadores formais.
- Impacto econômico: R$ 400 bilhões, equivalente a 3% do PIB.
Antecipação para segurados do INSS
A antecipação do décimo terceiro do INSS, iniciada em 2020 como resposta à pandemia, tornou-se uma estratégia recorrente para estimular a economia. Em 2024, a primeira parcela foi paga de 24 de abril a 8 de maio, e a segunda de 24 de maio a 7 de junho, injetando R$ 67,6 bilhões para 33,7 milhões de segurados. Para 2025, a expectativa é que o governo mantenha o cronograma, com depósitos começando em 24 de abril para beneficiários com até um salário mínimo e em 1º de maio para quem recebe acima.
A decisão depende da aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), prevista para março de 2025. Sem a antecipação, os pagamentos seguiriam o padrão tradicional, com parcelas em agosto e novembro. O Ministério da Previdência Social destacou que a medida beneficia especialmente cidades menores, onde os benefícios do INSS representam até 30% da renda local.
Cronograma de pagamento do INSS
Os depósitos do INSS seguem o número final do benefício, sem o dígito verificador. Em 2024, o calendário foi:
- Final 1: 24 de abril (1ª parcela), 24 de maio (2ª parcela, até R$ 1.412).
- Final 5: 30 de abril (1ª parcela), 30 de maio (2ª parcela, até R$ 1.412).
- Final 0: 8 de maio (1ª parcela), 7 de junho (2ª parcela, até R$ 1.412).
- Acima do mínimo: 1º a 7 de maio (1ª parcela), 3 a 7 de junho (2ª parcela).
Para 2025, o cronograma deve ser semelhante, com ajustes para o novo salário mínimo de R$ 1.518. Segurados podem consultar datas no aplicativo Meu INSS ou na Central 135, que opera das 7h às 22h, de segunda a sábado.
Pagamentos no setor privado
No setor privado, o décimo terceiro é pago em duas parcelas: a primeira até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. O valor corresponde a um salário mensal para quem trabalhou o ano todo ou é proporcional aos meses trabalhados, considerando períodos superiores a 15 dias. Em 2024, o benefício injetou R$ 320 bilhões, beneficiando 60 milhões de trabalhadores formais.
Para 2025, o cálculo reflete o salário mínimo de R$ 1.518 ou a média de rendimentos variáveis, como comissões. A segunda parcela inclui descontos de INSS e Imposto de Renda, quando aplicável. Empresas que pagarem em parcela única devem fazê-lo até 30 de novembro, sob pena de multas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Elegibilidade para o benefício
No INSS, têm direito ao décimo terceiro aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios como doença, acidente e reclusão. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Renda Mensal Vitalícia não estão incluídos, pois são assistenciais. Em 2025, 34,2 milhões de segurados devem receber o abono, sendo 28,2 milhões com até R$ 1.518 e 12,3 milhões acima desse valor, até o teto de R$ 8.157,41.
No setor privado, o direito abrange trabalhadores com carteira assinada, incluindo temporários, rurais, avulsos e domésticos. Quem trabalhou pelo menos 15 dias em um mês recebe o proporcional. Demitidos sem justa causa também têm direito ao valor ajustado na rescisão.
Cálculo do décimo terceiro
Para segurados do INSS, o valor do décimo terceiro é igual ao benefício mensal, pago em duas parcelas. Um aposentado com R$ 1.518 receberá R$ 759 em cada parcela, com descontos de Imposto de Renda na segunda, se aplicável. Para quem começou a receber em 2025, o cálculo é proporcional: um benefício iniciado em julho garante 6/12 do valor total.
No setor privado, o cálculo divide o salário bruto por 12 e multiplica pelos meses trabalhados. Um trabalhador com salário de R$ 3.000 que atuou o ano todo recebe R$ 1.500 por parcela. Horas extras e comissões são incluídas na média anual, ajustada na segunda parcela com encargos trabalhistas.
- INSS exemplo: R$ 1.518 (integral) = R$ 759 por parcela.
- Setor privado exemplo: R$ 3.000 (12 meses) = R$ 1.500 por parcela.
- Proporcional INSS: Início em julho = R$ 759 (6/12).
- Variáveis CLT: Média de comissões e horas extras inclusa.

Impacto econômico
O décimo terceiro representa cerca de 3% do PIB, com projeção de R$ 400 bilhões em 2025, superando os R$ 320 bilhões de 2024. No INSS, os R$ 68 bilhões previstos para 34,2 milhões de segurados impulsionam o varejo no primeiro semestre, especialmente em farmácias e supermercados. No setor privado, os R$ 332 bilhões restantes aquecem o comércio de fim de ano, com destaque para eletrônicos e vestuário.
Regiões como Nordeste e Norte, onde o INSS é a principal fonte de renda para 20% das famílias, sentem o efeito com mais intensidade. Em cidades como Recife e Belém, o abono eleva as vendas em até 25% no período de pagamento. No Sudeste, São Paulo e Rio lideram o consumo, com bilhões movimentados em shoppings e e-commerce.
Desafios fiscais e operacionais
A antecipação do décimo terceiro do INSS depende da aprovação da LOA, adiada para março de 2025 devido a negociações no Congresso. O governo precisa equilibrar o orçamento, já que o abono exige R$ 68 bilhões, além dos R$ 15 bilhões do ressarcimento por descontos indevidos. A situação fiscal, com debates sobre cortes de gastos, pode influenciar a decisão.
Empresas enfrentam desafios para gerenciar o fluxo de caixa no fim do ano, especialmente pequenas e médias, que representam 70% dos empregos formais. A obrigatoriedade do pagamento até dezembro exige planejamento, com algumas optando por antecipar a primeira parcela em meses como julho para aliviar o orçamento.
Consulta e suporte
Segurados do INSS podem verificar os valores do décimo terceiro no aplicativo Meu INSS, com login via Gov.br, ou pela Central 135, com espera média de 5 minutos. A partir de 30 de junho, agências dos Correios oferecem atendimento presencial, com foco em idosos sem acesso digital, especialmente no Nordeste.
No setor privado, trabalhadores devem consultar o RH da empresa para detalhes sobre o cálculo e datas. O Ministério do Trabalho fiscaliza o cumprimento dos prazos, com multas de até R$ 3 mil por empregado em caso de atraso.
Histórico do décimo terceiro
Instituído em 1962 pela Lei 4.090, o décimo terceiro surgiu como conquista sindical sob João Goulart. Na época, apenas trabalhadores formais tinham direito, mas a Constituição de 1988 ampliou o benefício para aposentados do INSS. A antecipação, iniciada em 2020, consolidou-se como ferramenta econômica, injetando bilhões no primeiro semestre.
- Origem: Lei 4.090 de 1962, assinada por João Goulart.
- Expansão: Constituição de 1988 incluiu segurados do INSS.
- Antecipação: Prática desde 2020, com decretos anuais.
- Volume 2024: R$ 320 bilhões (INSS e CLT).
Efeitos regionais
O décimo terceiro tem impacto variável por região. No Sudeste, São Paulo e Rio concentram o maior volume financeiro, com bilhões gastos em varejo e serviços. No Nordeste, o INSS sustenta cidades menores, onde até 30% da renda local vem de benefícios. No Sul, a indústria absorve parte dos recursos, com destaque para o agronegócio.
A antecipação do INSS beneficia especialmente o primeiro semestre, aliviando gastos com impostos e educação. No setor privado, o fim de ano concentra o consumo, com picos em dezembro devido às festas.