A gigante chinesa Xiaomi, conhecida por seus smartphones, alcançou um marco histórico no setor automotivo ao registrar quase 300 mil pedidos de compra de seu novo SUV elétrico YU7 em apenas uma hora, no dia 26 de junho de 2025, em Pequim. O feito, anunciado pelo CEO Lei Jun, coloca a empresa como uma forte concorrente da Tesla, liderada por Elon Musk, no competitivo mercado de veículos elétricos. Com preço acessível e tecnologia avançada, o YU7 superou expectativas, impulsionando as ações da Xiaomi na Bolsa de Hong Kong. A rápida adesão reflete a crescente demanda por carros elétricos na China e a confiança na marca. Esse lançamento reforça a estratégia da Xiaomi de diversificar seu portfólio e desafiar gigantes globais.
O volume impressionante de encomendas foi detalhado por Lei Jun em um vídeo divulgado pela empresa. Segundo ele, em apenas dois minutos, a Xiaomi recebeu 196 mil pré-encomendas pagas, com 128 mil pedidos confirmados na sequência. O evento, realizado na noite de quinta-feira, foi descrito como um “milagre na indústria automotiva chinesa”. A notícia reverberou no mercado financeiro, elevando as ações da empresa em 3,6% no dia seguinte.
O YU7, segundo modelo automotivo da Xiaomi, chega com preço competitivo de US$ 35,6 mil, cerca de 4% abaixo do Tesla Model Y. Equipado com uma bateria de 96,3 kWh, o SUV promete autonomia de até 835 quilômetros, superando os 719 quilômetros do concorrente americano. Além disso, diferenciais como software de assistência ao motorista sem custo adicional e design funcional, com gavetas nos bancos traseiros, atraíram consumidores.
- Preço acessível: US$ 35,6 mil, mais barato que o Tesla Model Y.
- Autonomia superior: Até 835 km com uma única carga.
- Tecnologia inclusa: Assistência ao motorista sem custo extra.
- Demanda recorde: 300 mil pedidos em uma hora.
Preço competitivo impulsiona sucesso
O valor do YU7 é um dos principais atrativos. Vendido por US$ 35,6 mil, o modelo é estrategicamente posicionado para atrair consumidores que buscam qualidade a um custo acessível. Comparado ao Tesla Model Y, que custa cerca de US$ 37 mil na China, o SUV da Xiaomi oferece vantagens financeiras e tecnológicas. A inclusão do software de assistência ao motorista, que na Tesla custa 64 mil yuans (US$ 8,9 mil) adicionais, é um diferencial significativo.
A Xiaomi também aposta na integração de seus dispositivos. O YU7 conecta-se ao ecossistema da marca, permitindo que motoristas controlem smartphones e outros aparelhos diretamente do painel do veículo. Essa funcionalidade reflete a expertise da empresa em tecnologia e sua capacidade de criar produtos interconectados, um fator que ressoa com o público jovem e conectado.
O mercado chinês, maior consumidor de veículos elétricos do mundo, respondeu com entusiasmo. A China representou 60% das vendas globais de carros elétricos em 2023, segundo a BloombergNEF, e a Xiaomi soube capitalizar essa tendência. A combinação de preço, autonomia e tecnologia posiciona o YU7 como uma escolha atrativa em um setor altamente competitivo.
Reações no mercado financeiro
A notícia do sucesso do YU7 teve impacto imediato na Bolsa de Hong Kong. As ações da Xiaomi subiram 3,6% na sexta-feira, 27 de junho, consolidando uma valorização de 73,3% no acumulado de 2025. Com isso, a empresa alcançou um valor de mercado de aproximadamente US$ 190 bilhões, superando a BYD, outra gigante chinesa do setor automotivo.
Analistas do mercado financeiro, como os da London Stock Exchange Group (LSEG), destacaram a Xiaomi como a empresa de capital aberto com melhor desempenho na região Ásia-Pacífico em 2025. A confiança dos investidores reflete a percepção de que a empresa está bem posicionada para crescer no setor de veículos elétricos, mesmo em um mercado saturado.
A rápida ascensão da Xiaomi contrasta com os desafios enfrentados pela Tesla. A montadora americana viu sua participação no mercado chinês cair de 15% em 2020 para 7,5% nos primeiros cinco meses de 2025. Fatores como a guerra de preços e a concorrência de marcas locais, como BYD e Xiaomi, pressionam a empresa de Elon Musk.

Segundo modelo reforça estratégia ousada
O YU7 é apenas o segundo veículo lançado pela Xiaomi, após o sedã SU7, que em março de 2024 superou as vendas do Tesla Model 3 na China em apenas um mês. O sucesso inicial do SU7, elogiado até pelo CEO da Ford, Jim Farley, sinalizou o potencial da Xiaomi no setor automotivo. Agora, com o YU7, a empresa consolida sua posição.
A transição da Xiaomi de fabricante de smartphones para montadora é marcada por investimentos pesados. Em 2021, a empresa anunciou um plano de US$ 10 bilhões para o setor automotivo ao longo de uma década. Recentemente, captou US$ 5,3 bilhões em uma oferta de ações na Bolsa de Hong Kong, destinada a expandir sua capacidade de produção.
A nova fábrica da Xiaomi em Pequim, equipada com mais de 700 robôs, produz um veículo a cada 76 segundos. Com apenas 20 funcionários, a unidade é um exemplo de automação avançada, reduzindo custos e erros. A empresa planeja aumentar a produção para 350 mil unidades em 2025, com foco nos mercados asiático e europeu.
Automação e tecnologia de ponta
A fábrica da Xiaomi é um diferencial competitivo. Com capacidade para produzir 40 carros por hora, a unidade combina eficiência e inovação. Os robôs realizam tarefas complexas, como instalação de componentes e inspeção de qualidade, enquanto o software integrado garante precisão.
O YU7 incorpora tecnologias avançadas, como:
- Bateria de 96,3 kWh: Suporta carregamento rápido e oferece longa autonomia.
- 15 radares e 11 câmeras: Geram mapas 3D para condução assistida.
- Integração com dispositivos: Conexão com smartphones e outros aparelhos Xiaomi.
- Design funcional: Bancos com gavetas e teto de vidro com proteção UV.
Essa abordagem tecnológica alinha-se à visão de Lei Jun de transformar a Xiaomi em uma líder global em dispositivos conectados. A empresa, que já compete com a Apple no mercado de smartphones, agora desafia a Tesla com uma proposta de valor agressiva.
Competição acirrada no mercado chinês
O mercado de veículos elétricos na China é o mais competitivo do mundo. Além da Xiaomi, marcas como BYD, que vendeu 4,3 milhões de carros elétricos e híbridos em 2024, e Li Auto, com 500 mil unidades no mesmo período, dominam o cenário. A guerra de preços, iniciada pela Tesla em 2023, intensificou a concorrência, forçando montadoras a reduzirem margens.
A BYD, por exemplo, viu sua margem bruta cair de 22,1% para 21,9% em 2024, apesar do aumento de 24% na receita. A Xiaomi, por sua vez, opera com prejuízo no segmento automotivo, mas projeta lucratividade no segundo semestre de 2025. A estratégia de vender a preços baixos visa conquistar mercado, mesmo à custa de perdas iniciais.
A China incentiva o setor com políticas agressivas. Isenções fiscais, subsídios e placas verdes para veículos elétricos facilitam a adoção. Em 2024, mais da metade dos carros emplacados no país eram elétricos ou híbridos, e o governo projeta que esses modelos superem os tradicionais em 2025.
Expansão internacional em vista
A Xiaomi planeja levar o YU7 a mercados além da China. Após o sucesso doméstico, a empresa mira a Europa e a Ásia, onde a demanda por veículos elétricos cresce. No entanto, enfrenta barreiras, como tarifas de 100% impostas pelos EUA e 17% pela União Europeia sobre carros chineses.
Apesar dos desafios, a Xiaomi aposta na integração de seus produtos. A conexão do YU7 com smartphones e dispositivos da marca cria uma experiência única, atraindo consumidores familiarizados com o ecossistema Xiaomi. A empresa também planeja lançar novos modelos, como o SU7 Ultra, voltado ao segmento premium.
Apoio governamental chinês
O sucesso da Xiaomi reflete o apoio do governo chinês ao setor automotivo. Durante o Fórum Econômico Mundial de 2025, em Tianjin, o premiê Li Qiang destacou políticas de estímulo a produtos de alto valor, como veículos elétricos. A China investe em infraestrutura, com 649 mil carregadores públicos instalados em 2022, e domina a cadeia de suprimentos, desde baterias até robôs industriais.
A Xiaomi se beneficia desse ecossistema. Sua fábrica em Pequim, por exemplo, utiliza tecnologias desenvolvidas localmente, reduzindo custos. A empresa também mantém parcerias com fornecedores chineses, garantindo agilidade na produção.
Números que impressionam
O desempenho da Xiaomi no lançamento do YU7 é um marco:
- 300 mil pedidos: Volume registrado em uma hora.
- 73,3% de valorização: Alta das ações em 2025.
- US$ 190 bilhões: Valor de mercado da empresa.
- 835 km de autonomia: Capacidade do YU7.
- 350 mil unidades: Meta de produção para 2025.
Esses dados reforçam a posição da Xiaomi como uma força emergente no setor automotivo, capaz de rivalizar com gigantes estabelecidos.