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Café pode prolongar a vida, mas moderação é essencial, diz estudo

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Café - Foto: amenic181/ Istockphoto.com Café - Foto: amenic181/ Istockphoto.com

O café, bebida indispensável para milhões de pessoas, pode ser mais do que um simples estimulante matinal: ele pode ajudar a prolongar a vida. Um estudo conduzido pela Queen Mary University, na Inglaterra, revelou que a cafeína atua em mecanismos celulares ligados ao envelhecimento, como o estresse oxidativo e a reparação do DNA. Publicado em 2025, o estudo destaca que o consumo moderado de café — entre três e cinco xícaras diárias — está associado a benefícios para a longevidade, mas alerta para os riscos de exageros. A pesquisa, realizada com leveduras de fissão, traz novas perspectivas sobre como a cafeína pode influenciar a saúde humana, reforçando estudos anteriores que apontam a redução de doenças crônicas. Por que o café tem esse potencial? A resposta está em compostos bioativos, como a cafeína e os ácidos clorogênicos, que combatem inflamações e danos celulares. No entanto, especialistas enfatizam que o equilíbrio é crucial, já que o consumo excessivo pode causar insônia, ansiedade e outros problemas.

A descoberta reacende o interesse global pela bebida, presente em 80% dos lares brasileiros, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Além disso, o café é a segunda bebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água. Para entender melhor como ele pode ser um aliado da saúde, é preciso explorar os detalhes científicos e as recomendações práticas.

Como a cafeína age nas células
O estudo da Queen Mary University utilizou leveduras de fissão, organismos com características celulares semelhantes às humanas, para investigar os efeitos da cafeína. Os cientistas submeteram as leveduras a condições de estresse, como toxinas e falta de nutrientes, e observaram que a cafeína aumentava sua sobrevida. Esse efeito está ligado à ativação da AMPK, uma enzima que regula a energia celular. Quando as células enfrentam escassez de recursos, a AMPK atua como um “interruptor” que otimiza o uso de energia, protegendo contra danos.

A pesquisa também revelou que a cafeína influencia células com DNA danificado. Normalmente, essas células pausam a divisão para reparar os danos, mas a cafeína parece anular essa pausa, reduzindo o risco de agravamento. “Esses mecanismos podem explicar por que o café está associado a benefícios para a saúde”, afirmou Charalampos Rallis, um dos autores do estudo.

Além disso, a cafeína demonstrou potencial para combater o estresse oxidativo, um processo ligado ao envelhecimento e a doenças como Alzheimer e Parkinson. Os resultados abrem portas para futuras pesquisas sobre como replicar esses efeitos com dietas ou medicamentos.

Benefícios já conhecidos do café
O café não é novidade no radar da ciência. Estudos anteriores já associaram seu consumo a uma série de vantagens para a saúde. Pesquisas publicadas nos últimos cinco anos indicam que a bebida pode reduzir em até 20% o risco de doenças cardiovasculares, segundo a American Heart Association. Outros estudos apontam uma diminuição de 15% no risco de diabetes tipo 2 em consumidores regulares.

Os compostos bioativos do café, como os ácidos clorogênicos, têm propriedades antioxidantes que protegem as células contra inflamações. Esses compostos também modulam a resposta do corpo ao estresse, um fator crítico no envelhecimento. “O café contém mais de mil substâncias químicas, muitas com efeitos biológicos positivos”, explica Janifer Trizi, médica integrativa especializada em longevidade.

Além disso, a bebida tem sido estudada por seu potencial neuroprotetor. Pesquisas sugerem que o consumo regular de café pode reduzir em até 30% o risco de doenças neurodegenerativas, como Parkinson. Esses benefícios, no entanto, dependem de fatores como a quantidade consumida e a qualidade do café.

O limite do consumo ideal
Embora o café traga benefícios, a moderação é indispensável. Especialistas recomendam um consumo diário de três a cinco xícaras, equivalente a cerca de 300 a 500 miligramas de cafeína. Quantidades acima disso podem levar a efeitos adversos, como:

  • Insônia e alterações no sono;
  • Ansiedade e nervosismo;
  • Problemas digestivos, como refluxo;
  • Aumento da pressão arterial em pessoas sensíveis.

“A dose ideal varia de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como peso, idade e sensibilidade à cafeína”, destaca Trizi. Indivíduos com condições como hipertensão ou ansiedade devem consultar um médico antes de aumentar o consumo.

Além disso, a forma de preparo do café influencia seus efeitos. Cafés filtrados, por exemplo, contêm menos substâncias que podem elevar o colesterol, como o diterpeno, presente em cafés expressos ou coados sem filtro. Optar por grãos de qualidade e evitar adoçantes em excesso também maximiza os benefícios.

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café – Foto: igorr1 / istockphoto.com

Outros fatores que influenciam a longevidade
Embora o café seja promissor, ele não é uma solução isolada. A longevidade depende de um conjunto de fatores, como:

  • Alimentação equilibrada, rica em vegetais e fibras;
  • Exercícios físicos regulares, pelo menos 150 minutos por semana;
  • Sono de qualidade, com 7 a 8 horas por noite;
  • Gestão do estresse, com práticas como meditação.

A genética também desempenha um papel importante. Estudos mostram que até 25% da expectativa de vida é determinada por fatores genéticos, enquanto o restante depende do estilo de vida. Assim, o café pode ser um aliado, mas deve ser combinado com hábitos saudáveis.

O café na cultura e na ciência
O café é mais do que uma bebida: é um símbolo cultural. No Brasil, ele está presente em 98% dos lares, segundo a ABIC, e movimenta uma indústria que gera mais de 8 milhões de empregos. Globalmente, o consumo de café cresce 2% ao ano, impulsionado por novas gerações que valorizam cafés especiais.

Na ciência, a bebida tem sido objeto de milhares de estudos. Desde os anos 2000, mais de 20 mil artigos científicos exploraram seus efeitos, segundo a PubMed. Essa atenção reflete o interesse em entender como algo tão comum pode impactar a saúde. “O café é um laboratório químico natural”, diz Rallis, destacando a complexidade de seus compostos.

A pesquisa da Queen Mary University é apenas o começo. Cientistas planejam novos experimentos com células humanas para confirmar os achados e explorar aplicações práticas, como o desenvolvimento de suplementos baseados na cafeína.

A importância da qualidade do café
Nem todo café é igual. A origem dos grãos, o processo de torra e o método de preparo afetam suas propriedades. Cafés de origem única, cultivados em regiões como a Serra da Mantiqueira, no Brasil, tendem a ter maior concentração de antioxidantes. Já cafés industrializados, com torras excessivas, podem perder parte de seus compostos benéficos.

O tipo de preparo também faz diferença. Métodos como a prensa francesa preservam óleos naturais, mas podem aumentar o teor de substâncias que elevam o colesterol. Cafés descafeinados, por sua vez, mantêm muitos dos antioxidantes, mas em menor quantidade. “Escolher um café de qualidade é tão importante quanto consumi-lo com moderação”, recomenda Trizi.

O futuro das pesquisas sobre café
As descobertas sobre o café abrem novas perspectivas para a medicina e a nutrição. Pesquisadores estão investigando como os compostos da bebida podem ser usados em terapias contra doenças crônicas. Por exemplo, a cafeína já é estudada como coadjuvante em tratamentos para Parkinson, devido à sua capacidade de estimular o sistema nervoso.

Além disso, a indústria de suplementos está atenta. Empresas já desenvolvem produtos que isolam compostos do café, como os ácidos clorogênicos, para potencializar seus efeitos antioxidantes. Esses avanços, no entanto, exigem mais estudos para garantir segurança e eficácia.

Enquanto isso, os consumidores podem aproveitar o café com consciência. A bebida, quando consumida corretamente, é um prazer que pode trazer benefícios duradouros.

Curiosidades sobre o café e a saúde
O café reserva algumas surpresas que vão além da longevidade. Veja alguns fatos interessantes:

  • Uma xícara de café contém cerca de 95 mg de cafeína, mas isso varia conforme o tipo de grão e o preparo;
  • O café pode melhorar o desempenho físico, aumentando a liberação de adrenalina;
  • Estudos associam o consumo de café a uma redução de 10% no risco de depressão em mulheres;
  • A bebida pode proteger o fígado, reduzindo o risco de cirrose em até 40%.

Esses benefícios reforçam o potencial do café, mas também lembram a importância de consumi-lo com equilíbrio.

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