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Após críticas, plataforma garante repasse total de vaquinha para Agam

Agam, alpinista e guia na Indonésia
Agam, alpinista e guia na Indonésia - Foto: Redes Sociais Agam, alpinista e guia na Indonésia - Foto: Redes Sociais

Após intensa mobilização nas redes sociais, a plataforma Voaa e o site Razões para Acreditar anunciaram, em 30 de junho de 2025, que os R$ 522 mil arrecadados em uma vaquinha para o alpinista indonésio Agam Rinjani serão repassados integralmente, sem a cobrança da taxa administrativa de 20%. A decisão veio após o cancelamento inicial da campanha, motivado por críticas à taxa, que gerou revolta entre doadores. Agam liderou o resgate do corpo da brasileira Juliana Marins, que morreu após cair em um penhasco no Monte Rinjani, na Indonésia. O processo de transferência internacional já começou, e doadores têm 48 horas para solicitar reembolso, caso prefiram. A reviravolta reflete a pressão pública e o reconhecimento ao gesto heroico do guia.

A campanha, lançada para agradecer a dedicação de Agam, rapidamente alcançou números expressivos, superando metas iniciais de R$ 100 mil em poucas horas. A solidariedade dos brasileiros, sensibilizados pela coragem do alpinista, transformou a iniciativa em um fenômeno nas redes sociais. No entanto, a taxa de 20% cobrada pela Voaa, que resultaria em mais de R$ 100 mil retidos, desencadeou uma onda de críticas. Muitos doadores sentiram que a essência da campanha foi comprometida, levando a organização a reconsiderar sua decisão.

  • Principais fatos da campanha:
    • Arrecadação total: R$ 522.305,53.
    • Meta inicial: R$ 100 mil, ajustada para R$ 350 mil.
    • Motivo do cancelamento: críticas à taxa de 20%.
    • Nova decisão: repasse integral sem descontos.

A história de Agam, que arriscou a vida em condições extremas, continua a inspirar milhares de pessoas, enquanto a polêmica expõe desafios na gestão de vaquinhas online.

Reviravolta após pressão pública
A decisão de repassar o valor integral a Agam foi anunciada por Vicente Carvalho, sócio-fundador do Razões para Acreditar, em um comunicado oficial. Ele destacou que a mobilização dos doadores nas redes sociais foi determinante para a revisão da medida. Comentários em plataformas como Instagram e X expressaram indignação com o cancelamento inicial, com muitos afirmando que a prioridade deveria ser recompensar o alpinista. A plataforma Voaa, parceira na campanha, também reconheceu que a comunicação sobre a taxa poderia ter sido mais transparente.

O prazo de 48 horas para solicitação de reembolsos foi estabelecido para garantir que os doadores tenham liberdade de escolha. Segundo a organização, o repasse para Agam já está em andamento, com a preparação de documentação necessária para a transferência internacional. A medida busca restaurar a confiança do público e assegurar que o gesto de solidariedade alcance seu objetivo original.

História de coragem no Monte Rinjani
Agam Rinjani, guia experiente e alpinista de Makassar, na Indonésia, ganhou notoriedade ao liderar a operação de resgate do corpo de Juliana Marins, de 26 anos. A jovem brasileira, natural de Niterói, faleceu após cair 300 metros em uma encosta durante uma trilha no Monte Rinjani, em Lombok. O acidente ocorreu em 20 de junho de 2025, enquanto Juliana fazia um mochilão pela Ásia. Encontrada por turistas espanhóis, ela permaneceu no local por quatro dias, mas as condições climáticas adversas e a falta de equipamentos adequados dificultaram o resgate.

Agam, acompanhado de outros voluntários como Tyo Survival, enfrentou chuva, frio intenso e terrenos instáveis para alcançar o corpo. Durante a operação, ele passou uma noite inteira em uma encosta íngreme, a cerca de 590 metros do cume, utilizando âncoras de segurança para evitar quedas. O alpinista relatou que o risco de morte era iminente, com pedras caindo e visibilidade quase nula.

Juliana Marins.
Juliana Marins. – Foto: Instagram

Detalhes da operação de resgate
A missão de resgate no Monte Rinjani foi marcada por desafios extremos. A equipe, composta por voluntários como Dwi Januanto Nugroho, Syamsul Padhli Otonk e Furqan Renggoo, trabalhou sob condições adversas. A forte neblina e o terreno escorregadio obrigaram os resgatistas a improvisar um acampamento vertical a poucos metros do corpo de Juliana.

  • Condições enfrentadas pela equipe:
    • Chuva constante e temperaturas baixas.
    • Terreno instável com risco de deslizamentos.
    • Visibilidade reduzida devido à neblina.
    • Falta de equipamentos especializados.

Após localizarem o corpo na terça-feira, 24 de junho, os voluntários aguardaram até o amanhecer do dia seguinte para realizar o içamento, devido à impossibilidade de movimentação segura durante a noite. Agam carregou a maca com o corpo de Juliana sozinho em trechos da descida, demonstrando força física e emocional.

Solidariedade brasileira em destaque
A história de Agam comoveu o Brasil, impulsionando uma onda de apoio nas redes sociais. Seu perfil no Instagram, que antes contava com poucos seguidores, ultrapassou 1,5 milhão em poucos dias. Brasileiros inundaram suas publicações com mensagens de gratidão, chamando-o de “herói” e “anjo”. A família de Juliana também expressou profundo agradecimento, destacando a coragem dos voluntários em um comunicado oficial.

A vaquinha, inicialmente organizada pela tradutora indonésia Sinta Stepani, ganhou força com a adesão do Razões para Acreditar e da Voaa. Agam, que relutou em aceitar doações, cedeu à insistência dos brasileiros, prometendo dividir o valor com sua equipe e investir parte em projetos de reflorestamento nas montanhas da Indonésia.

Polêmica da taxa administrativa
A taxa de 20% cobrada pela Voaa gerou controvérsia desde que foi anunciada. Embora a plataforma justificasse o valor como necessário para cobrir custos operacionais, como curadoria, produção de conteúdo e gestão jurídica, muitos doadores consideraram a porcentagem excessiva. Um abaixo-assinado online, que reuniu cerca de mil assinaturas, exigiu que apenas taxas bancárias fossem descontadas, reforçando a intenção de direcionar o máximo possível a Agam.

A revolta se intensificou com o cancelamento da campanha, anunciado em 29 de junho. Doadores criticaram a decisão, argumentando que a plataforma priorizou seus interesses em detrimento do alpinista. Comentários como “Vocês usaram a história do Agam para lucrar” e “Devolver o dinheiro não resolve, ele merece a doação” refletiram o descontentamento generalizado.

Gestão de vaquinhas online sob escrutínio
O caso expôs desafios na administração de campanhas de arrecadação online. Plataformas como a Voaa operam com taxas que variam de 8% a 20%, dependendo dos serviços oferecidos. No caso da vaquinha de Agam, a Voaa destacou que seu modelo inclui acompanhamento completo das campanhas, desde a verificação até o desfecho. Contudo, a falta de clareza inicial sobre a taxa alimentou desconfiança entre os doadores.

Outras plataformas, como Vakinha e Kickante, cobram taxas menores, geralmente entre 6% e 12%. A comparação intensificou as críticas à Voaa, que fechou os comentários em suas páginas para conter mensagens de ódio. A polêmica levantou debates sobre transparência e ética em campanhas solidárias, especialmente em casos de grande visibilidade.

Compromisso com o reflorestamento
Agam, conhecido por seu ativismo ambiental, planeja usar parte dos recursos para iniciativas de preservação. Produtor de café aos pés do Monte Rinjani, ele já liderava projetos para gerar empregos locais e combater o descarte de lixo nas trilhas. Suas publicações no Instagram frequentemente incentivam a proteção ambiental, o que reforçou sua imagem como um líder comunitário.

Os planos do alpinista incluem:

  • Divisão do valor com os sete voluntários da equipe.
  • Financiamento de mudas para reflorestamento.
  • Melhoria de infraestrutura para resgates futuros.
  • Apoio a comunidades locais afetadas por desmatamento.

Repercussão internacional da história
A história de Agam transcendeu as fronteiras do Brasil, alcançando veículos de imprensa na Indonésia e em outros países. Jornais locais destacaram a solidariedade brasileira, enquanto a imprensa asiática elogiou a dedicação do alpinista. A campanha de arrecadação, mesmo com a polêmica, tornou-se um exemplo de como gestos de coragem podem unir pessoas de diferentes culturas.

A família de Juliana, que acompanhou o resgate por meio de atualizações em tempo real, reiterou sua gratidão. Em uma publicação no Instagram, eles afirmaram que a dedicação de Agam e sua equipe permitiu um momento de despedida, apesar da tragédia.

Próximos passos da transferência
O processo de repasse dos R$ 522 mil exige trâmites complexos devido à natureza internacional da transferência. A Voaa informou que está providenciando cadastros e documentos para garantir que o valor chegue a Agam sem atrasos. A plataforma também prometeu revisar internamente suas taxas, respondendo às críticas recebidas.

Doadores que optarem pelo reembolso devem enviar um e-mail para o endereço oficial da campanha dentro do prazo estipulado. A expectativa é que a maior parte dos colaboradores mantenha sua contribuição, assegurando que Agam receba o reconhecimento financeiro por sua bravura.

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