Inscrições para a segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) começam nesta quarta-feira, 2 de julho de 2025, oferecendo 3.652 vagas em 32 órgãos públicos federais, com salários iniciais entre R$ 4 mil e R$ 16,4 mil. Organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o certame, conhecido como “Enem dos Concursos”, permite que candidatos concorram a múltiplos cargos dentro de nove blocos temáticos com uma única inscrição. As provas objetivas estão marcadas para 5 de outubro, e a discursiva, para 7 de dezembro, em 228 cidades. A taxa de inscrição é de R$ 70, com isenção para grupos específicos até 8 de julho. A iniciativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos visa centralizar seleções federais, garantindo acessibilidade e eficiência.
A estrutura do concurso foi ampliada em relação à edição anterior, com a inclusão de novos blocos temáticos e mudanças no conteúdo programático. A substituição da Cesgranrio pela FGV como banca organizadora trouxe um estilo de prova mais interpretativo, exigindo maior atenção dos candidatos.
Principais novidades do edital:
- Nove blocos temáticos, incluindo Seguridade Social e Ciências, Dados e Tecnologia.
- Provas em duas etapas, com objetiva e discursiva em datas distintas.
- Paridade de gênero, garantindo 50% de mulheres na segunda fase.
- Cotas para negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
Mudanças na organização do certame
A troca da banca examinadora é uma das alterações mais significativas para 2025. A FGV, conhecida por enunciados longos e questões que demandam interpretação apurada, substitui a Cesgranrio, que tinha um estilo mais objetivo. Professores de cursos preparatórios destacam que a nova banca exige maior cuidado com textos densos e sutilezas nas alternativas. Letícia Bastos, do Gran Concursos, aponta que os candidatos devem praticar questões anteriores da FGV para se familiarizar com o formato.
Além disso, o edital unificado, diferente dos oito editais da edição anterior, centraliza as informações sobre vagas, conteúdos e critérios de classificação. O processo seletivo abrange cargos de níveis médio, técnico e superior, com 2.480 vagas imediatas e 1.172 para cadastro reserva. A maioria das oportunidades está em Brasília, mas há vagas em outros estados, como 315 no Rio de Janeiro.

O cronograma foi ajustado para facilitar a logística. As provas objetivas, com 90 questões para nível superior e menos para nível médio, serão aplicadas em um único turno, das 13h às 18h, em 5 de outubro. A prova discursiva, exclusiva para aprovados na primeira fase, ocorre em 7 de dezembro, com formato adaptado ao bloco temático escolhido.
Novidades nos conteúdos programáticos
A reformulação do conteúdo é outro ponto de atenção. A disciplina de Finanças, central na primeira edição, foi substituída por Tecnologia no Trabalho, refletindo a demanda por servidores com mentalidade digital. Aline Menezes, do Gran Concursos, explica que essa mudança acompanha a digitalização dos serviços públicos, conforme destacado pela ministra Esther Dweck.
Tópicos de finanças, no entanto, não foram completamente eliminados. Eles agora integram a disciplina de Administração Pública Federal, exigindo conhecimentos básicos de orçamento estatal. A inclusão de conteúdos como direito previdenciário e assistência social no bloco de Seguridade Social também é uma novidade, motivada pela adesão do INSS ao certame, que oferece 300 vagas.
A prova de Língua Portuguesa ganhou destaque em dois blocos específicos (Saúde e Regulação), sendo cobrada como conhecimento específico na primeira fase. Para outros blocos, ela integra os conhecimentos gerais, ao lado de disciplinas como Raciocínio Lógico e Atualidades.
Como realizar a inscrição
O processo de inscrição é totalmente online, pelo site da FGV, a partir das 10h de 2 de julho até 20 de julho. O candidato deve preencher dados pessoais, indicar o CPF, responder a um questionário socioeconômico, escolher o bloco temático e definir a ordem de preferência dos cargos.
Quem pode solicitar isenção da taxa de R$ 70:
- Inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
- Bolsistas ou ex-bolsistas do ProUni ou Fies.
- Doadores de medula óssea reconhecidos pelo Ministério da Saúde.
As solicitações de isenção devem ser feitas até 8 de julho, com envio de documentos em formatos como JPG ou PDF. Pessoas travestis, transexuais ou transgêneras podem indicar o nome social durante o cadastro.
Estrutura dos blocos temáticos
Os nove blocos temáticos agrupam cargos por áreas de atuação, permitindo maior flexibilidade na escolha. O bloco de Administração, com 1.172 vagas, é o maior, mas inclui mil vagas para cadastro reserva. Outros blocos, como Seguridade Social (790 vagas), abrangem áreas como saúde e previdência.
Cada bloco tem conteúdos específicos, exigindo estratégias de estudo direcionadas. Fernando Maciel, professor do Gran Concursos, recomenda focar em disciplinas transversais, como Ética no Serviço Público e Direito Administrativo, que aparecem em vários blocos. Para cargos de nível médio, a redação segue o modelo dissertativo-argumentativo, semelhante ao Enem.
Ações afirmativas e paridade de gênero
A edição de 2025 reforça a inclusão com cotas e medidas de equidade. Das vagas, 65% são para ampla concorrência, 25% para pessoas negras, 3% para indígenas, 2% para quilombolas e 5% para pessoas com deficiência. Um sorteio definiu cotas para cargos com menos de duas vagas, garantindo representatividade.
A paridade de gênero é uma inovação. Na primeira edição, apenas 37% dos aprovados eram mulheres, apesar de serem maioria entre os inscritos. Agora, o edital assegura que 50% dos convocados para a segunda fase sejam mulheres, ajustando a convocação se necessário. Por exemplo, em um cargo com 20 vagas, se menos de 50% dos classificados forem mulheres, candidatas adicionais serão chamadas.
Preparação para as provas
A mudança de banca exige ajustes na preparação. Erick Alves, do Direção Concursos, sugere resolver simulados cronometrados para lidar com textos longos, especialmente em Políticas Públicas e Direito. A FGV é conhecida por questões que contextualizam normas em situações práticas, exigindo leitura crítica.
Para os conteúdos específicos, professores recomendam priorizar temas como:
- Direito Previdenciário e Legislação Previdenciária no bloco de Seguridade Social.
- Tecnologia no Trabalho, com foco em ferramentas digitais, em todos os blocos.
- Administração Pública Federal, incluindo noções de orçamento e gestão.
A prova discursiva, aplicada apenas aos classificados (até nove vezes o número de vagas por cargo), varia conforme o bloco, exigindo desde dissertações até análises técnicas.
Locais e logística das provas
As provas serão aplicadas em 228 cidades, ampliando o acesso. O candidato escolhe o município no momento da inscrição, e a FGV divulgará os locais com antecedência. A logística foi ajustada após críticas à primeira edição, que enfrentou problemas como adiamentos e questões judiciais.
A identificação dos candidatos também mudou. Um código de barras substitui a antiga “bolinha” manual, reduzindo erros. A expectativa é que os resultados iniciais sejam divulgados em janeiro de 2026, com chamamento dos aprovados entre março e abril.
Demanda por servidores e relevância do certame
A alta demanda por servidores, especialmente no INSS, eleva a importância do CNU. O órgão não realiza concursos para analista há mais de uma década, e as 300 vagas oferecidas são vistas como estratégicas. Outros órgãos, como Ministério da Saúde e agências reguladoras, também buscam reforçar seus quadros.
A centralização do concurso em um único edital facilita o planejamento dos candidatos, mas aumenta a concorrência. Na primeira edição, quase um milhão de pessoas se inscreveram, e a expectativa para 2025 é semelhante, dado o número de vagas e a abrangência nacional.
Expectativas para os candidatos
Com a publicação do edital em 30 de junho, os candidatos têm menos de quatro meses para se preparar. Especialistas reforçam a importância de um cronograma organizado, com revisão constante de legislação e prática de questões. Viviane Rocha, do Estratégia Concursos, sugere acompanhar debates políticos e leis recentes, como as diretrizes do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), que podem aparecer nas provas.
O CNU 2025 consolida o modelo inovador de seleção federal, combinando acessibilidade, inclusão e modernização. A estrutura em blocos e a ênfase em temas como tecnologia refletem as prioridades do governo para um serviço público mais eficiente e digital.