A jovem Juliana Marins, de 26 anos, natural de Niterói, teve sua autópsia finalizada na manhã desta quarta-feira, 2 de julho, no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Rio de Janeiro, após sua morte trágica durante uma trilha no vulcão Monte Rinjani, na Indonésia. O exame, conduzido pela Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio do Departamento-Geral de Polícia Técnico-Científica (DGPTC), durou cerca de duas horas e meia e foi acompanhado por peritos da Polícia Federal e um assistente técnico da família. O corpo foi liberado para os familiares, que planejam realizar o velório no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. A nova necropsia foi solicitada devido a dúvidas sobre o laudo indonésio, que não esclareceu o momento exato da morte. A família busca respostas sobre possíveis falhas no resgate, já que Juliana permaneceu quatro dias na encosta do vulcão antes de ser encontrada sem vida.
A solicitação da nova perícia partiu da família, com apoio da Defensoria Pública da União (DPU), que questionou inconsistências no atestado de óbito emitido pela Embaixada do Brasil em Jacarta. O laudo preliminar do exame brasileiro deve ser entregue em até sete dias, trazendo possíveis esclarecimentos sobre as circunstâncias do falecimento.

- Principais pontos levantados pela família:
- Dúvidas sobre o momento exato da morte.
- Possível omissão de socorro pelas autoridades indonésias.
- Falta de clareza no laudo inicial realizado em Bali.
O caso gerou comoção em Niterói, cidade natal de Juliana, onde a prefeitura auxiliou no custeio do translado do corpo.
Detalhes da tragédia no Monte Rinjani
Juliana Marins, publicitária formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), era conhecida por sua paixão por aventuras e trilhas. No dia 21 de junho, ela escalava o Monte Rinjani, o segundo vulcão mais alto da Indonésia, localizado na ilha de Lombok. Durante a trilha na trilha Cemara Nunggal, a mais de 2.600 metros de altitude, a jovem caiu em um barranco íngreme, sofrendo graves ferimentos. Imagens captadas por drones de outros turistas indicaram que Juliana ainda estava viva horas após a queda, o que levantou questionamentos sobre a demora no resgate.
A Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia enfrentou dificuldades para alcançar a brasileira devido às condições meteorológicas adversas, ao terreno acidentado e a problemas logísticos. O corpo só foi resgatado no dia 25 de junho, quatro dias após o acidente, e a primeira autópsia, realizada em um hospital em Bali, apontou que Juliana morreu devido a uma hemorragia interna causada por múltiplas fraturas e lesões em órgãos vitais.
Questionamentos sobre o laudo indonésio
A autópsia inicial, conduzida pelo legista Ida Bagus Putu Alit, indicou que a morte ocorreu cerca de 20 minutos após o trauma, mas não especificou quando exatamente o trauma ocorreu. Essa falta de precisão motivou a família a solicitar uma nova perícia no Brasil. Além disso, o laudo indonésio descartou hipotermia como causa da morte, apesar das temperaturas próximas de 0 ºC à noite no Monte Rinjani. O legista destacou a ausência de sinais de necrose nas extremidades, o que reforçou a tese de que Juliana não morreu por exposição ao frio.
A família Marins, representada pela DPU, também criticou a falta de acesso ao laudo indonésio antes de sua divulgação à imprensa local. A Defensoria Pública chegou a encaminhar um ofício à Polícia Federal solicitando a abertura de um inquérito para investigar possíveis omissões por parte das autoridades indonésias durante as operações de resgate.
Procedimento no IML do Rio
A nova necropsia no Rio de Janeiro foi realizada com rigor técnico, sob a supervisão de dois peritos legistas experientes da Polícia Civil. Um perito da Polícia Federal e um assistente técnico contratado pela família, o professor de medicina legal Nelson Massini, também acompanharam o procedimento. O exame começou às 8h30 e terminou por volta das 11h, quando o corpo foi liberado para os familiares.
- Detalhes do procedimento:
- Duração: cerca de duas horas e meia.
- Equipe: dois peritos da Polícia Civil, um da Polícia Federal e um assistente técnico.
- Objetivo: esclarecer a causa e o momento exato da morte.
- Prazo para laudo preliminar: até sete dias.
A irmã de Juliana, Mariana Marins, esteve presente no IML, mas evitou contato com a imprensa. A família optou por manter a privacidade durante o processo, focando na busca por respostas.
Envolvimento de órgãos brasileiros
A realização da nova autópsia foi viabilizada por um acordo entre a Advocacia-Geral da União (AGU), a DPU e o governo do estado do Rio de Janeiro, homologado pela 7ª Vara Federal de Niterói. O translado do corpo da Indonésia para o Brasil envolveu esforços conjuntos da Força Aérea Brasileira (FAB), que transportou o corpo de São Paulo ao Rio de Janeiro, e da Polícia Federal, que supervisionou a retirada no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A Prefeitura de Niterói, sensibilizada pela tragédia, arcou com os custos do transporte internacional, enquanto o Corpo de Bombeiros do Rio auxiliou no traslado do corpo até o IML. A coordenação entre esses órgãos garantiu que o procedimento fosse realizado dentro do prazo de seis horas após a chegada do corpo ao Brasil, conforme determinado pela Justiça Federal.
Repercussão em Niterói
A morte de Juliana Marins abalou a comunidade de Niterói, onde ela era conhecida por seu espírito aventureiro e engajamento em causas sociais. Amigos e familiares organizaram homenagens nas redes sociais, destacando sua alegria e determinação. A prefeitura da cidade anunciou que o Mirante da Praia do Sossego receberá o nome de Juliana, em reconhecimento à sua trajetória.
A tragédia também reacendeu debates sobre a segurança em trilhas de alto risco, especialmente em destinos turísticos internacionais. Especialistas apontam que a falta de equipamentos adequados, como roupas térmicas e calçados apropriados, pode agravar os riscos em ambientes extremos como o Monte Rinjani.
Possíveis desdobramentos legais
A DPU solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar se houve negligência por parte das autoridades indonésias. O governador da província de Sonda Ocidental, Lalu Muhamad Iqbal, admitiu em um vídeo publicado no dia 28 de junho que a operação de resgate enfrentou limitações estruturais, como a falta de helicópteros adequados para evacuação em condições climáticas adversas.
A família Marins considera levar o caso a cortes internacionais, caso sejam confirmadas falhas no socorro à jovem. A nova autópsia no Brasil pode ser um elemento-chave para embasar essas ações, especialmente se o laudo apontar que Juliana sobreviveu por mais tempo do que o indicado pelo exame indonésio.
Cronologia dos acontecimentos
Para esclarecer a sequência dos eventos, segue uma linha do tempo dos principais momentos do caso:
- 21 de junho: Juliana Marins cai durante trilha no Monte Rinjani. Imagens de drones mostram a jovem ainda viva.
- 24 de junho: Equipes de resgate encontram o corpo a 600 metros de profundidade.
- 25 de junho: Corpo é retirado do vulcão e levado para Bali.
- 26 de junho: Primeira autópsia é realizada em hospital na ilha de Bali.
- 1º de julho: Corpo chega ao Brasil, desembarcando em Guarulhos e seguindo para o Rio.
- 2 de julho: Nova autópsia é realizada no IML Afrânio Peixoto, no Rio de Janeiro.
Homenagens e legado
A família de Juliana agradeceu o apoio recebido de amigos, autoridades e da companhia aérea Emirates, que ofereceu suporte logístico durante o translado. Em uma carta publicada nas redes sociais, a irmã de Juliana, Mariana, expressou sua dor: “Tentei mover uma montanha por você, irmã. Desculpa não ter sido suficiente.” A mensagem emocionou milhares de pessoas, reforçando a comoção em torno do caso.
O velório de Juliana será realizado no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói, mas o horário ainda não foi definido. A cerimônia será um momento de despedida para amigos e familiares, que buscam honrar a memória da jovem.
Segurança em trilhas internacionais
Casos como o de Juliana Marins destacam a importância de medidas de segurança em atividades de aventura. Especialistas recomendam que trilheiros verifiquem as condições climáticas, usem equipamentos adequados e contratem guias experientes. No Monte Rinjani, a falta de infraestrutura para resgates rápidos é um problema recorrente, segundo relatos de outros turistas.
A tragédia também levanta questões sobre a responsabilidade de operadoras turísticas e autoridades locais em destinos remotos. A família de Juliana espera que o caso inspire mudanças nas políticas de segurança em trilhas de alto risco, para evitar que outras pessoas enfrentem situações semelhantes.