O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) anunciou, em junho de 2025, a nova lista do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), que avalia o consumo de combustível de veículos comercializados no Brasil. A atualização, publicada no site oficial do órgão, destaca 697 modelos e versões de carros de passeio e comerciais leves, com a Toyota mantendo a liderança pelo segundo ano consecutivo. Os modelos Corolla e Corolla Cross, equipados com sistema híbrido flex, alcançaram as melhores médias de eficiência energética, medidas em megajoules por quilômetro (MJ/km). A divulgação ocorre às vésperas da implementação do IPI Verde, política que incentiva veículos mais sustentáveis. A lista, que abrange 35 marcas, reflete avanços na tecnologia automotiva e a adaptação das montadoras às normas mais rígidas de emissões do Proconve L8.
A eficiência energética, principal critério do ranking, avalia a quantidade de energia necessária para mover um veículo por quilômetro. Modelos híbridos, como os da Toyota, se destacam por combinar motores a combustão e elétricos, reduzindo o consumo, especialmente em ambientes urbanos. A lista também inclui veículos com motores 1.0, que dominam as categorias de entrada, e versões recalibradas para atender às exigências ambientais. A seguir, os principais destaques da atualização:
- Liderança da Toyota: Corolla e Corolla Cross mantêm o topo com 1,21 MJ/km e 1,31 MJ/km, respectivamente.
- Novidades no ranking: Modelos como Hyundai HB20 e Fiat Cronos ganharam posições com melhorias mecânicas.
- Foco na sustentabilidade: A lista reflete o impacto do Proconve L8, que exige redução de emissões poluentes.

O ranking de 2025 chega em um momento de alta nos preços dos combustíveis, reforçando a busca por veículos econômicos. Abaixo, os detalhes do desempenho dos modelos e as tendências do mercado automotivo brasileiro.
Eficiência energética em destaque
A eficiência energética, medida em MJ/km, é o coração do ranking do Inmetro. Quanto menor o valor, mais eficiente é o veículo, consumindo menos combustível para percorrer a mesma distância. O Toyota Corolla, com seu sistema híbrido flex, registrou 1,21 MJ/km, seguido pelo Corolla Cross, com 1,31 MJ/km. Esses números refletem a capacidade dos modelos híbridos de alternar entre o motor elétrico e o de combustão, otimizando o consumo, especialmente em trajetos urbanos, onde o trânsito intenso exige paradas frequentes.
Outros modelos também se destacaram, como o Renault Kwid, que alcançou 1,36 MJ/km, e o Chevrolet Onix Plus, com 1,39 MJ/km. Esses veículos, equipados com motores 1.0, são opções acessíveis para quem busca economia sem recorrer à tecnologia híbrida. A Hyundai, por sua vez, melhorou a calibração dos motores do HB20 e HB20S, garantindo posições competitivas no ranking. A Fiat, com o Cronos 1.0, também marcou presença, beneficiada por ajustes no motor Firefly e câmbio manual, que reduziram o consumo energético para 1,42 MJ/km.
Tecnologia híbrida flex da Toyota
O domínio da Toyota no ranking se deve à tecnologia híbrida flex, introduzida no Brasil em 2019 com o Corolla. Essa inovação permite que o veículo utilize etanol ou gasolina no motor a combustão, combinado com um motor elétrico que recarrega automaticamente durante a condução. No ciclo urbano, o Corolla alcança 18,5 km/l com gasolina e 12,8 km/l com etanol, enquanto o Corolla Cross registra 17,8 km/l e 11,8 km/l, respectivamente.
A eficiência dos modelos híbridos é ainda mais evidente em cidades, onde o motor elétrico assume maior protagonismo. Em testes do Inmetro, o Corolla Cross demonstrou economia significativa em trajetos com tráfego intenso, reduzindo o gasto de combustível em até 30% em comparação com modelos convencionais. A tecnologia também contribui para menores emissões de CO2, alinhando-se às metas de sustentabilidade do Proconve L8, que entrou em vigor em janeiro de 2025.
Impacto do Proconve L8 no mercado
A oitava fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve L8) trouxe mudanças significativas para a indústria automotiva. As novas normas, mais rígidas, exigem que os veículos reduzam emissões de gases poluentes, como óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. Para atender a essas exigências, montadoras como Hyundai, Fiat e Volkswagen recalibraram motores e adotaram tecnologias mais eficientes.
A Hyundai, por exemplo, ajustou os motores 1.0 do HB20 e HB20S, melhorando a combustão e reduzindo o consumo energético. A Fiat aplicou melhorias semelhantes no Cronos, enquanto a Volkswagen otimizou o Polo 1.0 TSI, que alcançou 1,42 MJ/km. Essas mudanças não apenas garantiram conformidade com o Proconve L8, mas também elevaram a competitividade desses modelos no ranking do Inmetro.
Modelos de entrada ganham espaço
Além dos híbridos, os carros com motores 1.0 continuam sendo protagonistas entre os modelos mais econômicos. O Renault Kwid, por exemplo, mantém sua posição como o veículo mais acessível da lista, com preço inicial de R$ 76.089. Seu motor 1.0 de três cilindros entrega 15,3 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada com gasolina, números que o tornam ideal para motoristas urbanos.
O Chevrolet Onix Plus, outro destaque, combina economia e espaço interno. Com 1,39 MJ/km, o sedã registra 13,5 km/l na cidade e 17,4 km/l na estrada com gasolina. Já o Peugeot 208, com motor 1.0 aspirado, surpreendeu ao alcançar 1,40 MJ/km, beneficiado por um design aerodinâmico e peso reduzido. Esses modelos reforçam a tendência de que motores menores, quando bem calibrados, podem oferecer eficiência comparável a tecnologias mais avançadas.
Principais destaques do ranking
O ranking de 2025 trouxe algumas surpresas e confirmou tendências do mercado automotivo. Abaixo, os principais modelos e suas médias de consumo:
- Toyota Corolla: 1,21 MJ/km, 18,5 km/l (gasolina, cidade), 15,7 km/l (gasolina, estrada).
- Toyota Corolla Cross: 1,31 MJ/km, 17,8 km/l (gasolina, cidade), 14,7 km/l (gasolina, estrada).
- Renault Kwid: 1,36 MJ/km, 15,3 km/l (gasolina, cidade), 15,7 km/l (gasolina, estrada).
- Chevrolet Onix Plus: 1,39 MJ/km, 13,5 km/l (gasolina, cidade), 17,4 km/l (gasolina, estrada).
- Hyundai HB20S: 1,40 MJ/km, 14,2 km/l (gasolina, cidade), 16,5 km/l (gasolina, estrada).
Esses números refletem o esforço das montadoras em oferecer veículos mais econômicos, especialmente em um cenário de combustíveis caros e maior conscientização ambiental.
Tendências do mercado automotivo
A atualização do ranking do Inmetro evidencia o crescimento da oferta de veículos híbridos e a consolidação dos motores 1.0 como opções econômicas. A Toyota, com sua tecnologia híbrida flex, abriu caminho para outras montadoras, como a Fiat, que lançou os modelos Pulse e Fastback Hybrid em 2024. Esses veículos, embora não tenham alcançado o topo do ranking, já mostram potencial para competir em eficiência energética.
Outra tendência é a maior adoção de câmbios automáticos entre os modelos econômicos. O Hyundai HB20S, por exemplo, é o carro automático mais econômico do Brasil, com 1,40 MJ/km. Essa característica atrai consumidores que buscam conforto sem abrir mão da economia. A Volkswagen também investiu em versões automáticas do Polo, que mantêm bom desempenho no ranking.
Desempenho em diferentes cenários
O ranking do Inmetro avalia o consumo em dois cenários: urbano e rodoviário. No ciclo urbano, os híbridos se destacam pela capacidade de usar o motor elétrico em baixas velocidades. O Corolla, por exemplo, consome 12,8 km/l com etanol na cidade, contra 11,1 km/l na estrada. Já o Renault Kwid apresenta equilíbrio, com 10,8 km/l (etanol, cidade) e 11 km/l (etanol, estrada), ideal para quem alterna entre os dois ambientes.
Modelos como o Chevrolet Onix Plus, por outro lado, têm melhor desempenho em rodovias, alcançando 17,4 km/l com gasolina. Essa versatilidade é um diferencial para consumidores que percorrem longas distâncias. A escolha do combustível também influencia: a gasolina, com maior densidade energética (28,9 MJ/l contra 20 MJ/l do etanol), tende a oferecer maior autonomia, embora o etanol seja mais sustentável.
Sustentabilidade em foco
A preocupação com o meio ambiente é um dos pilares do ranking do Inmetro. Além do consumo, o PBEV avalia as emissões de CO2 e outros poluentes. Os modelos híbridos, como o Corolla e o Corolla Cross, emitem menos gases devido ao uso do motor elétrico. O Renault Kwid, embora não seja híbrido, também apresenta emissões reduzidas, com 88 g/km de CO2, um dos menores valores entre os carros a combustão.
A implementação do IPI Verde, prevista para 2025, deve reforçar essa tendência. A política reduzirá impostos para veículos com baixa emissão, incentivando a compra de modelos híbridos e elétricos. Montadoras como Toyota e Hyundai já se preparam para lançar novas versões alinhadas a esses incentivos, o que pode transformar o mercado nos próximos anos.
Comparação com anos anteriores
O ranking de 2025 mostra avanços em relação a 2024, quando o Corolla também liderou com 1,21 MJ/km. A principal diferença está na maior presença de modelos recalibrados, como o HB20 e o Cronos, que ganharam posições. A média de consumo energético dos SUVs compactos, por exemplo, caiu de 1,84 MJ/km em 2024 para 1,80 MJ/km em 2025, refletindo melhorias na eficiência.
A Volkswagen, que em 2023 teve o Polo como quarto colocado, manteve a competitividade com ajustes no motor 1.0 TSI. Já a Fiat, ausente do top 10 em anos anteriores, consolidou o Cronos como uma opção econômica. Essas mudanças indicam que as montadoras estão investindo em tecnologias para atender tanto os consumidores quanto as normas ambientais.
Preço versus economia
A economia de combustível é um fator decisivo, mas o preço inicial dos veículos também pesa na escolha. O Renault Kwid, com valor a partir de R$ 76.089, é a opção mais acessível do ranking. O Chevrolet Onix Plus, com preço inicial de R$ 85.990, oferece bom custo-benefício para famílias. Já o Toyota Corolla, com preço acima de R$ 150.000, é voltado para quem busca tecnologia avançada e está disposto a investir mais.
A relação entre preço e economia a longo prazo é um ponto a considerar. Um veículo híbrido, embora mais caro, pode gerar economia significativa ao longo dos anos, especialmente para motoristas que rodam muito na cidade. Por outro lado, modelos como o Kwid e o Onix Plus são ideais para quem precisa de um carro econômico com investimento inicial menor.