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Como o golpe da mão fantasma invade celulares e o que fazer para se proteger

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Golpe - Foto: Tero Vesalainen/istock Golpe - Foto: Tero Vesalainen/istock

A crescente digitalização trouxe praticidade, mas também abriu portas para golpes sofisticados, como o da mão fantasma, que usa acesso remoto para roubar dados e dinheiro. Criminosos se passam por funcionários de bancos, manipulando vítimas para instalar aplicativos que permitem controle total de seus dispositivos. A Febraban, entidade que representa os bancos brasileiros, emitiu alertas em 2025, destacando o aumento de casos desde 2022. Este golpe, que explora a confiança em ferramentas legítimas, já causou prejuízos de R$ 10,1 bilhões em 2024. Proteger-se exige atenção a ligações suspeitas, senhas seguras e uso de canais oficiais. Entender as táticas dos fraudadores é o primeiro passo para evitar cair nessa armadilha.

O golpe da mão fantasma, também chamado de golpe do acesso remoto, ganhou notoriedade pela sua capacidade de enganar até os mais atentos. Ele se vale de técnicas de engenharia social, manipulando psicologicamente as vítimas para que cedam o controle de seus celulares ou computadores. A seguir, os principais pontos desse tipo de fraude:

  • Falsa emergência: Golpistas criam urgência, alegando problemas como invasão de conta ou transações suspeitas.
  • Uso de apps legítimos: Ferramentas como AnyDesk e TeamViewer são exploradas para acessar dispositivos remotamente.
  • Prejuízos elevados: Em 2024, fraudes desse tipo geraram perdas bilionárias, segundo a Febraban.

A sofisticação do golpe reside na combinação de tecnologia acessível e manipulação emocional, o que torna essencial a educação digital para combatê-lo.

Táticas dos criminosos
Os fraudadores iniciam o golpe com uma abordagem convincente, geralmente por telefone. Eles se apresentam como representantes de bancos, usando informações pessoais obtidas em vazamentos de dados para ganhar credibilidade. Alegam que a conta da vítima foi comprometida e sugerem a instalação de um aplicativo para “solucionar o problema”. Esses apps, disponíveis em lojas oficiais, não levantam suspeitas, mas, ao receberem autorização, permitem que o criminoso veja tudo na tela do dispositivo.

A manipulação psicológica é central. Os golpistas criam um senso de urgência, pressionando a vítima a agir rapidamente. Em alguns casos, usam detalhes precisos, como o nome do banco ou transações recentes, para reforçar a confiança. Após o acesso, eles buscam senhas salvas em mensagens, e-mails ou blocos de notas, muitas vezes reutilizadas em outros serviços, facilitando a fraude.

Por que o golpe é tão eficaz
A eficácia do golpe da mão fantasma está na exploração de vulnerabilidades humanas e tecnológicas. A Febraban aponta que a falta de atenção, aliada ao medo de perder dinheiro, leva muitas pessoas a ignorarem sinais de alerta. Além disso, a familiaridade com aplicativos de acesso remoto, popularizados durante a pandemia, reduz a desconfiança.

Outro fator é a má gestão de senhas. Muitos usuários armazenam credenciais em locais acessíveis no celular, como aplicativos de mensagens ou notas. A reutilização de senhas em diferentes plataformas também amplia os riscos, já que o acesso a um único serviço pode comprometer outros. Segundo a Kaspersky, o Brasil registrou 1.379 golpes por minuto em 2024, com o golpe da mão fantasma entre os mais frequentes.

Sinais de uma tentativa de fraude
Identificar o golpe exige atenção a comportamentos suspeitos. A Febraban lista alguns sinais que devem acender o alerta:

  • Ligações de números desconhecidos pedindo instalação de aplicativos ou fornecimento de senhas.
  • Mensagens alarmantes exigindo ações imediatas, como clicar em links ou baixar ferramentas.
  • Pedidos para transferir dinheiro para “proteger” a conta, algo que bancos nunca solicitam.
  • Links recebidos por SMS ou WhatsApp, especialmente de fontes não verificadas.

Se a abordagem parecer estranha, a recomendação é desligar o telefone e contatar o banco por canais oficiais, como os números no verso do cartão ou o aplicativo oficial.

Fraudes Virtuais
Fraudes Virtuais – Foto:Smallroombigdream/Shutterstock.com

Segurança dos sistemas bancários
A Febraban reforça que os aplicativos bancários são extremamente seguros, com camadas de proteção que incluem criptografia e autenticação biométrica. Não há registros de violações diretas nesses sistemas. O problema ocorre quando a vítima, manipulada, entrega o acesso ao criminoso. “Os bancos investem R$ 5 bilhões anualmente em segurança da informação”, afirma Walter Faria, diretor-adjunto de Serviços da Febraban. Esses investimentos garantem que os apps sejam robustos, mas a proteção depende do comportamento do usuário.

Os bancos também nunca solicitam senhas, números de cartão ou transferências para resolver problemas. Qualquer contato com essas demandas deve ser tratado como suspeito. A autenticação em duas etapas, obrigatória em muitos aplicativos bancários, adiciona uma camada extra de segurança, mas não é infalível se o dispositivo já foi comprometido.

Medidas para evitar o golpe
Prevenir o golpe da mão fantasma exige práticas simples, mas eficazes, de segurança digital. A Febraban recomenda ações que minimizam os riscos:

  • Desconfiar de contatos inesperados: Nunca instale aplicativos ou clique em links indicados por terceiros, mesmo que pareçam legítimos.
  • Usar senhas fortes: Crie credenciais únicas para cada serviço e evite salvá-las em locais acessíveis no celular.
  • Ativar autenticação em duas etapas: Essa medida dificulta o acesso não autorizado, mesmo que uma senha seja comprometida.
  • Baixar apps apenas de lojas oficiais: Google Play Store e Apple Store são os únicos canais confiáveis para aplicativos bancários.
  • Monitorar movimentações: Configure alertas no aplicativo do banco para receber notificações de transações em tempo real.

Adotar essas práticas reduz significativamente as chances de ser vítima. Além disso, manter o sistema operacional e os aplicativos atualizados protege contra vulnerabilidades exploradas por criminosos.

O que fazer se cair no golpe
Quem suspeita ter sido vítima deve agir rapidamente para limitar os danos. A primeira providência é desconectar o dispositivo da internet, interrompendo o acesso remoto. Em seguida, é crucial contatar o banco pelos canais oficiais para bloquear contas e cartões. Trocar todas as senhas, começando pelas mais sensíveis, como as de bancos e e-mails, é outra medida essencial.

Registrar um boletim de ocorrência é importante para documentar o crime e facilitar investigações. Se possível, levar o dispositivo a uma assistência técnica para remover o aplicativo malicioso ou restaurar o sistema pode evitar novos acessos. A Febraban orienta que vítimas guardem provas, como capturas de tela de mensagens ou registros de chamadas, para embasar eventuais ações legais.

A vulnerabilidade de grupos específicos
Idosos são alvos frequentes do golpe da mão fantasma, devido à menor familiaridade com tecnologia. Em 2024, 36% dos brasileiros enfrentaram tentativas de golpes, com pessoas acima de 60 anos sendo as mais afetadas, segundo o Ministério da Justiça. Familiares devem orientar os mais velhos sobre os riscos de compartilhar informações ou instalar aplicativos desconhecidos.

A educação digital é uma ferramenta poderosa para proteger esses grupos. Campanhas de conscientização, como as promovidas pela Febraban, buscam ensinar práticas seguras, mas o envolvimento da família é fundamental para reforçar essas orientações.

Esforços institucionais contra fraudes
A Febraban desempenha um papel central no combate a golpes financeiros. Desde 2015, a entidade mantém a Operação Tentáculos, em parceria com a Polícia Federal, que já resultou em mais de 60 ações contra crimes digitais. Além disso, campanhas educativas em TVs, rádios e redes sociais alertam sobre novas táticas criminosas.

Ferramentas de denúncia, disponíveis nos sites dos bancos e no portal antifraudes.febraban.org.br, permitem que clientes relatem tentativas de golpe. Essas iniciativas, combinadas com investimentos em tecnologia, ajudam a reduzir os prejuízos, mas a prevenção depende da colaboração dos usuários.

A evolução dos golpes digitais
O golpe da mão fantasma é apenas uma das muitas fraudes que se adaptam ao cenário digital. Em 2024, a Febraban registrou 523 milhões de queixas sobre golpes, com o golpe do WhatsApp e a falsa central de atendimento também entre os mais relatados. A digitalização, embora traga benefícios, transforma o Brasil em um alvo constante de cibercriminosos, com o país ocupando o segundo lugar mundial em ataques cibernéticos, segundo a Kaspersky.

A sofisticação dos golpes exige que os usuários estejam sempre atualizados sobre novas táticas. Acompanhar alertas de instituições como a Febraban e adotar boas práticas de segurança são passos fundamentais para proteger dados e finanças.

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