A seleção brasileira feminina de futebol consolidou sua posição de favorita na Copa América Feminina 2025 ao golear a Bolívia por 6 a 0, nesta quarta-feira, 16 de julho, no Estádio Gonzalo Pozo Ripalda, em Quito, Equador. Com uma atuação impecável liderada por Kerolin, que marcou três gols, e Luany, com dois, o time comandado por Arthur Elias assumiu a liderança do Grupo B, com seis pontos. A partida, válida pela segunda rodada, destacou a superioridade técnica das brasileiras, que superaram a altitude de 2.850 metros e a fragilidade defensiva boliviana com jogadas rápidas e precisas. A vitória reforça a busca pelo nono título do torneio, que garante vaga no Mundial e nas Olimpíadas.
A noite foi marcada pelo domínio brasileiro desde o apito inicial. Mesmo enfrentando condições adversas, como a altitude equatoriana, a equipe se adaptou rapidamente, controlando a posse de bola e criando oportunidades em sequência. Kerolin, capitã e atacante do Manchester City, foi o destaque com um hat-trick, enquanto Luany consolidou sua importância no ataque.
- Gols brasileiros: Luany (12’ e 31’ do 1º tempo), Kerolin (36’ de pênalti, 33’ e 40’ do 2º tempo), Amanda Gutierres (47’ do 2º tempo).
- Posse de bola: Brasil teve 68% contra 32% da Bolívia.
- Finalizações: 22 do Brasil, sendo 10 no alvo; Bolívia não finalizou com perigo.
A estratégia de Arthur Elias, com triangulações ofensivas e pressão alta, desmontou a defesa adversária, enquanto a entrada de Marta no segundo tempo trouxe ainda mais experiência ao time.
Kerolin rouba a cena com versatilidade
Kerolin, de 25 anos, foi o nome da partida. Recuperada de uma grave lesão no joelho e de uma suspensão por doping, a atacante mostrou por que é peça-chave na seleção. Sua atuação combinou precisão, movimentação e liderança. Aos 12 minutos, ela já havia acertado a trave, sinalizando o que viria pela frente. O primeiro gol veio de um pênalti convertido com tranquilidade aos 36 minutos do primeiro tempo, após falta sofrida por Luany.
No segundo tempo, Kerolin ampliou com dois gols em sete minutos, aproveitando espaços na defesa boliviana. Sua capacidade de atuar tanto como finalizadora quanto como criadora de jogadas foi essencial.
- Hat-trick: Kerolin marcou aos 36’ (pênalti), 33’ e 40’ do segundo tempo.
- Chute no travessão: Aos 25 minutos do primeiro tempo, quase encobriu a goleira.
- Passes decisivos: Completou 92% dos passes, com três assistências para finalizações.
- Movimentação: Cobriu 10,2 km, a maior distância percorrida na partida.
A jogadora, que se transferiu para o Manchester City em 2025, reforçou sua importância para o esquema tático de Elias, que prioriza velocidade e transições rápidas.
A Bolívia, por sua vez, pouco pôde fazer. Com apenas três vitórias em 30 jogos na história do torneio, a equipe comandada por Rosana Gómez tentou uma marcação alta, mas sucumbiu à intensidade brasileira.
Superioridade brasileira desde o início
O Brasil entrou em campo com uma formação ofensiva, com destaque para o meio-campo formado por Angelina, Duda Sampaio e Dudinha. A estratégia de Elias foi explorar as laterais, com Yasmim e Fê Palermo criando jogadas pelas pontas. A defesa, liderada por Tarciane e Isa Haas, foi pouco exigida, enquanto a goleira Camila não precisou fazer defesas significativas.
Aos 11 minutos, o Brasil já pressionava, com Dudinha chutando de fora da área e Luany aproveitando o rebote para abrir o placar. O segundo gol veio aos 31 minutos, quando Fátima cruzou e Luany completou. A equipe manteve o ritmo no segundo tempo, com Kerolin e Amanda Gutierres fechando a goleada.
- Pontos fortes: Posse de bola dominante, transições rápidas e pressão alta.
- Jogadas pelas laterais: 65% das chances criadas vieram de cruzamentos.
- Solidez defensiva: Bolívia não conseguiu finalizar no gol de Camila.
- Adaptação à altitude: Treinamento prévio em Quito garantiu resistência física.
A entrada de Marta aos 28 minutos do segundo tempo trouxe ainda mais controle ao jogo. A veterana, mesmo sem marcar, deu uma assistência e ajudou a manter a posse de bola.
Histórico de domínio na Copa América
A seleção brasileira feminina tem um histórico avassalador na Copa América, com oito títulos em nove edições. A edição de 2025, disputada no Equador, reúne dez seleções divididas em dois grupos, com as duas melhores de cada chave avançando às semifinais. O torneio é crucial, pois garante vagas para a Copa do Mundo de 2027 e os Jogos Olímpicos de 2028.
Na estreia, o Brasil venceu a Venezuela por 2 a 0, em uma atuação menos brilhante, mas suficiente para confirmar o favoritismo. A goleada contra a Bolívia reforça a confiança para o próximo confronto, contra o Paraguai, na terça-feira, 22 de julho, às 21h.
- Títulos brasileiros: 1991, 1995, 1998, 2003, 2010, 2014, 2018 e 2022.
- Artilharia histórica: Marta lidera com 24 gols no torneio.
- Invencibilidade: Brasil não perde na fase de grupos desde 2006.
- Classificação: Seis pontos em duas rodadas, liderança do Grupo B.
O Paraguai, que goleou a Bolívia por 4 a 0 na primeira rodada, será um adversário mais desafiador, mas o Brasil chega embalado pela atuação convincente.
Preparação tática e desafios da altitude
A preparação do Brasil para o torneio incluiu uma aclimatação de dez dias em Quito, o que minimizou os efeitos da altitude. O trabalho físico, coordenado pela comissão técnica, permitiu que as jogadoras mantivessem a intensidade ao longo dos 90 minutos. A Bolívia, por outro lado, sofreu com a falta de entrosamento e falhas defensivas, especialmente na marcação das laterais.
Arthur Elias optou por uma formação 4-3-3, com ênfase em trocas rápidas de passes e jogadas verticais. A estratégia foi bem-sucedida, com 22 finalizações, contra nenhuma da adversária.
- Formação tática: 4-3-3 com laterais ofensivas e meio-campo criativo.
- Finalizações: 10 chutes no gol, 7 bloqueados, 5 fora do alvo.
- Posse no ataque: 62% do tempo no campo adversário.
- Altitude: Jogadoras correram em média 9,8 km, contra 7,2 km das bolivianas.
A Bolívia, apesar da derrota, mostrou evolução em relação a torneios anteriores, mas ainda enfrenta dificuldades para competir com as potências sul-americanas.
Próximos passos na competição
Com a liderança do Grupo B assegurada, o Brasil agora foca no duelo contra o Paraguai, que também venceu seus dois jogos. A partida será decisiva para definir a primeira colocação da chave, que pode garantir um confronto mais acessível nas semifinais. O Grupo A, composto por Argentina, Chile, Equador, Peru e Uruguai, também está em disputa acirrada.
A Copa América Feminina é uma vitrine para jogadoras como Kerolin, que buscam consolidar suas carreiras em clubes europeus. A atacante, com passagem pelo futebol norte-americano antes de chegar ao Manchester City, é um exemplo de resiliência, superando lesões e desafios fora de campo.
- Próximo jogo: Brasil x Paraguai, 22 de julho, 21h, em Quito.
- Objetivo: Garantir a liderança do grupo e vaga nas semifinais.
- Importância: Vaga no Mundial de 2027 e Olimpíadas de 2028 em jogo.
- Destaques: Kerolin, Luany e Marta são nomes a serem observados.
A goleada sobre a Bolívia reforça o favoritismo brasileiro, mas a competição promete confrontos mais equilibrados nas próximas fases.