A Raízen, maior produtora de etanol do Brasil, anunciou a suspensão das atividades da Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP), resultando na demissão de cerca de 2 mil trabalhadores. O comunicado, feito na terça-feira (15), pegou de surpresa funcionários e lideranças sindicais, que negociaram rapidamente um acordo com a empresa na quarta-feira (16) para garantir verbas rescisórias, abonos e a manutenção de benefícios por seis meses. A paralisação, sem prazo para término, afeta diretamente Sertãozinho e cidades vizinhas como Pontal, Barrinha e Pitangueiras. A decisão integra a estratégia de “reciclagem de portfólio” da Raízen, que inclui a venda de quase 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por R$ 1 bilhão. O sindicato, representando 60% dos demitidos, também obteve compromissos de apoio à recolocação no mercado de trabalho.
A notícia abalou a região, conhecida como polo do setor sucroenergético. A Usina Santa Elisa, fundada em 1936, tem capacidade de moagem de 6 milhões de toneladas de cana e opera 36 mil hectares de lavoura. A suspensão das operações levanta preocupações sobre impactos econômicos locais, incluindo fornecedores e prestadores de serviços.
- Principais pontos do acordo:
- Extensão de plano de saúde e odontológico por seis meses, sem custos.
- Pagamento de abono proporcional ao tempo de serviço.
- Crédito de seis parcelas de vale-alimentação.
A decisão da Raízen reflete um momento de reestruturação no setor sucroenergético, enquanto a região busca soluções para minimizar os impactos.
Impactos da paralisação da Usina Santa Elisa
A suspensão das atividades da Usina Santa Elisa gerou reações imediatas em Sertãozinho e cidades vizinhas. A unidade, uma das mais tradicionais da região, empregava diretamente cerca de 2 mil pessoas, sendo 60% representadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar, da Alimentação e Afins de Sertãozinho e Região. O presidente do sindicato, Antônio Vitor, descreveu a notícia como uma “tragédia sem explicação”, destacando a falta de aviso prévio e a surpresa com a decisão.
Além dos funcionários diretos, o fechamento afeta fornecedores, transportadores e prestadores de serviços locais, que dependem da operação da usina. A Raízen informou que a paralisação faz parte de uma estratégia de otimização de ativos, com a venda de cana para outras usinas da região, garantindo que não haverá desabastecimento de açúcar ou etanol.
O impacto econômico, porém, preocupa lideranças locais. Sertãozinho, que tem na indústria sucroenergética um pilar de sua economia, pode enfrentar desafios com a redução de empregos e circulação de renda. A prefeitura já anunciou medidas para mitigar os efeitos, como parcerias com empresas para recolocação de trabalhadores.
- Dados da Usina Santa Elisa:
- Fundada em 1936.
- Capacidade de moagem: 6 milhões de toneladas de cana por ano.
- Área de lavoura: 36 mil hectares.
- Venda de cana: 4 milhões de toneladas por R$ 1 bilhão.
Detalhes do acordo com os trabalhadores
O acordo firmado entre a Raízen e o sindicato foi concluído após uma reunião na quarta-feira (16), com foco na proteção dos direitos dos demitidos. A negociação garantiu benefícios adicionais além das verbas rescisórias legais, oferecendo suporte financeiro e assistencial por um período determinado.
Os trabalhadores terão acesso a planos de saúde e odontológico por seis meses, sem custos para titulares e dependentes. O seguro de vida em grupo também foi estendido pelo mesmo período. Além disso, cada funcionário receberá um abono calculado com base no tempo de serviço: um salário nominal para quem tem menos de cinco anos na empresa e um salário adicional para cada cinco anos completos de trabalho contínuo.
Outro ponto relevante é o pagamento de seis parcelas de vale-alimentação, creditadas junto com as verbas rescisórias. A data exata para os pagamentos ainda será definida, conforme a ata da reunião. A Raízen também se comprometeu a apoiar a recolocação dos ex-funcionários, por meio de parcerias com outras empresas e cursos de qualificação profissional.
- Benefícios garantidos:
- Plano de saúde e odontológico por seis meses, sem custos.
- Seguro de vida em grupo por seis meses.
- Abono de um salário por até cinco anos de serviço, ou proporcional.
- Seis parcelas de vale-alimentação.
- Apoio à recolocação no mercado de trabalho.
Estratégia da Raízen e contexto do setor
A paralisação da Usina Santa Elisa é parte de uma estratégia de “reciclagem de portfólio” da Raízen, que busca reduzir dívidas e otimizar operações. A empresa vendeu quase 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por cerca de R$ 1 bilhão, direcionando a matéria-prima para outras usinas da região. A Raízen não divulgou o montante total de sua dívida, mas informou que os recursos obtidos serão usados para melhorar sua saúde financeira.
O setor sucroenergético brasileiro enfrenta desafios como oscilações nos preços do açúcar e etanol, além de custos elevados de manutenção e logística. Apesar disso, especialistas afirmam que o Brasil possui capacidade industrial suficiente para absorver a cana da Usina Santa Elisa sem comprometer a oferta de produtos. José Carlos de Lima Júnior, consultor em agronegócio, destacou que a redistribuição da cana para outras unidades evita impactos na produção nacional.
No entanto, o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br) alertou para possíveis efeitos em cascata. A entidade apontou riscos de rompimento de contratos com fornecedores e impactos nas indústrias locais, que dependem da operação contínua de usinas como a Santa Elisa.

Ações de apoio aos trabalhadores
A prefeitura de Sertãozinho, liderada pelo secretário de Desenvolvimento e Inovação, Paulo Roberto Gallo, anunciou um plano emergencial para apoiar os cerca de 200 trabalhadores da cidade afetados pelo fechamento. O plano inclui a atuação do Posto de Atendimento ao Trabalho (PAT) para recolocação profissional e parcerias com empresas da região para absorção da mão de obra.
Além disso, cursos de qualificação e requalificação profissional serão oferecidos em conjunto com o sindicato e órgãos públicos. Essas iniciativas visam minimizar o impacto do desemprego em uma região onde a usina era um dos principais empregadores.
A Raízen também se comprometeu a intermediar vagas de emprego em outras empresas, além de apoiar programas de capacitação. A expectativa é que parte dos trabalhadores seja absorvida por usinas próximas, que receberam a cana vendida pela Raízen.
- Medidas de apoio:
- Recolocação via Posto de Atendimento ao Trabalho (PAT).
- Cursos de qualificação e requalificação profissional.
- Parcerias com empresas para absorção de mão de obra.
- Intermediação de vagas pela Raízen.
Histórico e relevância da Usina Santa Elisa
Fundada em 1936, a Usina Santa Elisa é um marco no setor sucroenergético do interior de São Paulo. Localizada em Sertãozinho, a unidade contribuiu para o desenvolvimento econômico da região de Ribeirão Preto, consolidando a cidade como um polo industrial. Sua capacidade de moagem de 6 milhões de toneladas de cana por ano a coloca entre as principais usinas do estado.
O fechamento, mesmo que temporário, levanta questões sobre o futuro do setor na região. A Raízen não informou se há planos de reabrir a usina ou se a paralisação pode se tornar permanente. A venda de ativos, incluindo a cana, sugere uma reestruturação profunda, que pode impactar o modelo de negócios da empresa.
A decisão também reflete tendências globais no setor de biocombustíveis, com empresas buscando maior eficiência em meio a pressões econômicas e ambientais. A região de Sertãozinho, no entanto, enfrenta o desafio de manter sua relevância econômica sem uma de suas principais usinas.
- Marcos históricos:
- Fundação: 1936.
- Capacidade: 6 milhões de toneladas de cana por ano.
- Área de atuação: 36 mil hectares de lavoura.
- Contribuição: Desenvolvimento do setor sucroenergético em Ribeirão Preto.
Preocupações com o futuro econômico
O fechamento da Usina Santa Elisa não afeta apenas os trabalhadores diretos, mas também toda a cadeia produtiva local. Fornecedores de insumos, transportadoras e prestadores de serviços podem enfrentar perdas significativas. O consultor José Carlos de Lima Júnior destacou que o impacto será mais sentido por aqueles diretamente ligados à unidade de Sertãozinho.
A prefeitura e o sindicato buscam soluções conjuntas, mas a dimensão do impacto ainda é incerta. A venda da cana para outras usinas garante a continuidade da produção, mas não resolve a questão do desemprego local. A preocupação do Ceise Br com o “efeito cascata” reforça a necessidade de ações coordenadas para proteger a economia regional.
A Raízen, por sua vez, mantém silêncio sobre planos de longo prazo para a Usina Santa Elisa. A falta de clareza sobre a possível reabertura da unidade aumenta a incerteza entre trabalhadores e lideranças locais.