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Fundos imobiliários ganham força com dólar a R$ 5,56 na B3

Dólar
Dólar - Foto: ADragan/istock Dólar - Foto: ADragan/istock

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de oscilações intensas nesta segunda-feira, 21 de julho de 2025, com o dólar fechando em queda a R$ 5,5631, recuo de 0,31% em relação ao pregão anterior, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, registrou leve alta de 0,19%, alcançando 135.510,99 pontos. A movimentação reflete a reação dos investidores a tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, agravadas por recentes operações da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de expectativas sobre a política monetária global. Fundos imobiliários (FIIs) e ações de empresas como BRF e Usiminas se destacaram com valorizações expressivas, enquanto o mercado monitora a proximidade das eleições no Japão e seus impactos no iene. Em São Paulo, a bolsa brasileira atraiu atenção de investidores urbanos e gestores, que buscam oportunidades em meio à volatilidade. A instabilidade macroeconômica e os desdobramentos políticos continuam a moldar as decisões de investimento, com o foco dividido entre câmbio, renda variável e ativos imobiliários.

O pregão desta segunda-feira foi marcado por uma combinação de fatores domésticos e internacionais que influenciaram o desempenho dos mercados. A queda do dólar ante o real, embora modesta, trouxe alívio a investidores que temiam uma escalada após ameaças de tarifas comerciais impostas pelos EUA. Enquanto isso, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 134.265,3 pontos e a máxima de 135.640,67 pontos, com volume financeiro de R$ 33,4 bilhões.

Dólar e Real
Dólar e Real – Rmcarvalho/istockphoto.com
  • Principais destaques do dia:
    • Dólar a R$ 5,5631, com recuo de 0,31%.
    • Ibovespa sobe 0,19%, fechando a 135.510,99 pontos.
    • Fundos imobiliários como KNCR11 e XPML11 avançam.
    • Ações de BRF (4,36%) e Usiminas (2,04%) lideram altas.

Cenário global pressiona o câmbio

O dólar abriu o dia em alta, mas perdeu força ao longo da sessão, influenciado por previsões de bancos como o Bank of America, que projeta um enfraquecimento da moeda americana no médio prazo, com o par EUR/USD podendo atingir 1,17 até o final de 2025. No Brasil, a cotação do euro também recuou 0,20%, fechando a R$ 6,5020. A valorização do iene japonês, que subiu 0,48% ante o real, reflete a cautela do mercado com as eleições no Japão, previstas para os próximos dias, que podem impactar a política monetária do Banco do Japão.

A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, intensificada após a operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, trouxe incertezas. A imposição de tarifas comerciais pelo governo americano, com o Brasil enfrentando a maior alíquota entre os países taxados, gerou preocupações sobre o impacto no setor exportador. Apesar disso, o mercado brasileiro demonstrou resiliência, com investidores ajustando posições em ativos de renda variável.

O comportamento do câmbio também foi influenciado por dados econômicos dos EUA, onde os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam praticamente estáveis após uma breve queda, enquanto o Dow Jones subiu 0,38%. A estabilidade relativa nos mercados globais contribuiu para a redução da pressão sobre o real, mas a volatilidade permanece alta.

Fundos imobiliários em alta na B3

Os fundos imobiliários (FIIs) consolidaram-se como protagonistas no pregão desta segunda-feira, com destaque para papéis como KNCR11 (Kinea Rendimentos Imobiliários), que subiu 0,53%, e XPML11 (XP Malls), com alta de 0,90%. O índice IFIX, que mede o desempenho dos FIIs, avançou 0,29%, fechando a 3.289,98 pontos. O crescimento reflete o interesse crescente de investidores por ativos que oferecem renda mensal isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas, especialmente em um cenário de juros elevados.

A popularidade dos FIIs no Brasil não é novidade. Segundo dados da B3, o número de investidores em fundos imobiliários atingiu 2,7 milhões, com um patrimônio total de R$ 188 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. A liquidez também impressiona, com um volume médio diário de R$ 279 milhões negociados na bolsa.

  • Principais FIIs em destaque no pregão:
    • KNCR11: Alta de 0,53%, cotado a R$ 103,71.
    • XPML11: Avanço de 0,90%, a R$ 101,97.
    • HGRE11: Subiu 1,27%, fechando a R$ 115,22.
    • BCRI11: Valorização de 1,08%, a R$ 63,31.

O interesse por FIIs é impulsionado pela diversificação de portfólio e pela possibilidade de rendimentos regulares, especialmente em setores como shoppings e logística. Fundos como o XPML11, focado em shoppings, se beneficiam da retomada do consumo presencial, enquanto o KNCR11, voltado para recebíveis imobiliários, atrai investidores em busca de estabilidade.

Ações reagem à volatilidade do mercado

O mercado de ações também apresentou desempenho positivo, apesar das incertezas. A BRF (BRFS3) liderou as altas do Ibovespa, com valorização de 4,36%, impulsionada por expectativas de resultados robustos no próximo balanço trimestral. A Usiminas (USIM5) subiu 2,04%, refletindo a recuperação do setor siderúrgico, enquanto a Petrobras (PETR4) teve leve alta de 0,065%, mesmo com preocupações sobre a exploração da Margem Equatorial.

Por outro lado, algumas ações enfrentaram quedas. O Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,64% após analistas do Citi emitirem um alerta sobre os resultados do segundo trimestre. A instabilidade no setor bancário reflete a cautela dos investidores com possíveis impactos da política monetária do Banco Central do Brasil, que mantém a Selic em patamares elevados.

  • Ações com maior desempenho:
    • BRF (BRFS3): Alta de 4,36%, a R$ 21,29.
    • Usiminas (USIM5): Subiu 2,04%, a R$ 4,00.
    • Gerdau (GGBR4): Avanço de 1,80%, a R$ 16,40.
    • Petrobras (PETR4): Crescimento de 0,065%, a R$ 31,01.

A volatilidade do Ibovespa reflete a combinação de fatores domésticos, como a operação contra Bolsonaro, e externos, como a tensão comercial com os EUA. Mesmo assim, o índice conseguiu se manter no azul, apoiado por setores como alimentos e siderurgia.

Fatores que moldam o mercado

A movimentação do mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira foi influenciada por uma série de eventos globais e domésticos. A operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro, que incluiu mandados de busca e apreensão e medidas como o uso de tornozeleira eletrônica, aumentou a percepção de risco político no Brasil. A reação do presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou o “tratamento terrível” ao ex-presidente brasileiro, adicionou pressão às relações comerciais bilaterais.

No cenário global, a proximidade das eleições no Japão mantém os investidores atentos ao iene, com o Bank of America destacando possíveis impactos no par USD/JPY. Além disso, previsões de bancos como UBS e Goldman Sachs apontam para um enfraquecimento do dólar no médio prazo, o que pode beneficiar moedas emergentes como o real.

O mercado de criptomoedas também atraiu atenção, com o Bitcoin registrando alta de 40% nos últimos 90 dias, enquanto o Ethereum acumula ganhos de 90% no mesmo período. A retomada de plataformas de negociação de criptoativos no Brasil, como a que voltou a operar com tokens como Bitcoin e Ethereum, reforça o interesse por esses ativos.

O papel dos juros e da política monetária

A política monetária continua sendo um fator determinante para o desempenho do mercado. No Brasil, a taxa Selic elevada mantém os investimentos em renda fixa atrativos, mas também pressiona os custos de financiamento para empresas. Nos EUA, o Federal Reserve monitora os impactos das tarifas comerciais, com o Livro Bege apontando que empresas estão repassando aumentos de custos aos consumidores.

No caso dos fundos imobiliários, a isenção de Impostos de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas é um diferencial que atrai investidores. No entanto, a tributação de 20% sobre ganhos de capital na venda de cotas permanece, o que exige planejamento financeiro. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece ferramentas como calculadoras de IR para auxiliar investidores na gestão tributária.

  • Fatores que influenciam os FIIs:
    • Isenção de IR para rendimentos de pessoas físicas.
    • Liquidez elevada, com R$ 279 milhões negociados diariamente.
    • Diversificação em setores como shoppings e logística.
    • Sensibilidade à taxa Selic e à inflação.

Tendências para o mercado financeiro

O mercado financeiro brasileiro segue navegando em um cenário de incertezas, mas com oportunidades claras em setores como fundos imobiliários e ações de empresas exportadoras. A queda do dólar e a resiliência do Ibovespa indicam que os investidores estão ajustando estratégias para aproveitar a volatilidade. A proximidade de eventos como as eleições no Japão e a divulgação de balanços corporativos no Brasil deve manter o mercado em alerta nas próximas semanas.

Os fundos imobiliários, em particular, se destacam como uma opção para quem busca renda passiva e diversificação. A retomada do consumo e o crescimento do setor logístico, impulsionado pelo comércio eletrônico, favorecem fundos como XPML11 e HGLG11. Já no mercado de ações, empresas como BRF e Usiminas mostram que setores tradicionais ainda têm fôlego para crescer.

A combinação de fatores domésticos, como a estabilidade do real, e globais, como a política monetária americana, continuará a moldar o desempenho da B3. Investidores urbanos e gestores devem permanecer atentos às oscilações do câmbio e às decisões de política monetária para ajustar suas carteiras.

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