A Stellantis, gigante automotiva que reúne marcas como Peugeot, Citroën e Opel, anunciou a substituição das correias banhadas a óleo por correntes metálicas nos motores 1.0 e 1.2 PureTech na Europa, após problemas recorrentes de durabilidade. A decisão, que inclui um recall em larga escala, foi tomada em 2022 para resolver falhas que causaram entupimentos no sistema de lubrificação e consumo excessivo de óleo, afetando milhares de veículos. A mudança abrange modelos das marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall, mas não impacta Fiat e Jeep, que utilizam motores diferentes. No Brasil, o problema foi menos grave devido a manutenções preventivas mais frequentes. A empresa também ampliou garantias e criou uma plataforma para reembolsos de reparos.
A substituição da correia por corrente visa maior confiabilidade, já que a solução inicial de reforçar a correia não resolveu os problemas. A Stellantis também abandonou o nome “PureTech” para evitar associação com as falhas. A mudança reflete uma tendência do setor automotivo em buscar componentes mais duráveis.
- Principais marcas afetadas: Peugeot, Citroën, DS, Opel, Vauxhall.
- Motores envolvidos: 1.0 e 1.2 PureTech de três cilindros.
- Solução adotada: substituição por corrente metálica em novos modelos.
- Impacto no Brasil: mínimo, com manutenção preventiva mais rígida.
Origem dos problemas com a correia banhada a óleo
A correia banhada a óleo foi introduzida pela antiga PSA (Peugeot-Citroën) em 2012 com a promessa de combinar o baixo ruído das correias tradicionais com a durabilidade das correntes metálicas. O conceito dependia do óleo lubrificante para proteger a correia, mas falhas na formulação do óleo e no material do componente levaram à sua deterioração precoce. Partículas da correia desgastada obstruíam filtros, dutos e bombas de óleo, comprometendo a lubrificação e causando danos graves aos motores.
A Stellantis tentou inicialmente aplicar uma camada protetora à correia, fabricada pela Continental, mas o óleo ainda se infiltrava pelas laterais, mantendo os problemas. A troca recomendada, que era de seis anos ou 240 mil km, foi reduzida para três anos ou 60 mil km, com custo médio de 800 euros (cerca de R$ 5.200) por manutenção.
Recall e medidas corretivas da Stellantis
Para enfrentar a crise, a Stellantis anunciou um recall em larga escala, focado na substituição das correias por versões reforçadas ou por correntes metálicas. A garantia dos motores PureTech foi esticada para 10 anos ou 175 mil km, oferecendo alívio aos proprietários. Uma plataforma digital foi criada para reembolsar reparos feitos em concessionárias autorizadas, desde que comprovados.
- Motores afetados: primeira geração dos PureTech (2012-2022).
- Custo estimado do recall: não divulgado, mas envolve milhares de veículos.
- Plataforma de reembolso: disponível para reparos em concessionárias.
- Prazo de garantia estendido: até 10 anos ou 175 mil km.
A adoção de correntes metálicas começou em 2022, especialmente nos motores híbridos leves de 48V, como o do Peugeot 308 com 136 cv. Modelos mais recentes já abandonaram a correia em favor da corrente, que é mais resistente, embora gere maior ruído.
Impacto no Brasil e diferenças regionais
No Brasil, o motor 1.2 PureTech foi usado apenas no Peugeot 208 até 2020, mas com trocas de correia recomendadas a cada 80 mil km, o que minimizou problemas. Diferentemente da Europa, onde a promessa de 240 mil km sem manutenção gerou expectativas irreais, a abordagem brasileira foi mais conservadora. Marcas como Fiat e Jeep, que utilizam motores GSE 1.0 e 1.3 com corrente, não enfrentaram o problema.
A Stellantis informou que os casos no Brasil foram raros, e os proprietários afetados receberam suporte das concessionárias. A manutenção preventiva rigorosa evitou a má reputação vista no exterior, onde proprietários relataram falhas graves e custos elevados.

Evolução técnica e abandono do nome PureTech
A transição para correntes metálicas reflete uma mudança estratégica da Stellantis. A primeira geração dos motores PureTech, lançada em 2012, foi criticada por problemas de projeto, como a escolha do material da correia e a sensibilidade ao uso de óleos inadequados. Versões atualizadas, a partir de 2022, incorporaram correntes, especialmente em modelos híbridos, que exigem maior durabilidade.
- Motores com corrente: híbridos leves de 48V e novos modelos 1.2.
- Modelos ainda com correia: Peugeot 308 convencional (130 cv).
- Razão do abandono do nome: evitar associação com falhas passadas.
A decisão de abandonar o nome “PureTech” busca renovar a imagem dos motores. A Stellantis agora foca em tecnologias mais confiáveis, como correntes metálicas, que já eram padrão em outros motores do grupo, como os GSE da Fiat.
Tendências no setor automotivo
A falha das correias banhadas a óleo não é exclusividade da Stellantis. A Chevrolet, no Brasil, enfrentou problemas semelhantes com os motores 1.0 e 1.2 de modelos como o Onix, também causados por óleos fora das especificações. A solução da GM incluiu garantias estendidas e correias reforçadas, mas a Stellantis optou por uma mudança mais radical, adotando correntes em larga escala.
O setor automotivo tem revisado o uso de correias banhadas a óleo, com montadoras como Ford e Volkswagen também enfrentando desafios semelhantes. A corrente metálica, embora mais barulhenta, voltou a ser preferida por sua durabilidade, especialmente em motores de alta performance ou híbridos.
- Outras montadoras afetadas: Chevrolet, Ford, Volkswagen.
- Vantagem da corrente: maior resistência e menor manutenção.
- Desvantagem: aumento do ruído em comparação com correias.
- Tendência atual: retorno às correntes em motores modernos.
Estratégias para proprietários de veículos afetados
Proprietários de veículos com motores PureTech na Europa podem verificar se estão elegíveis ao recall por meio do site oficial da Stellantis ou de concessionárias. A plataforma de reembolso exige comprovantes de reparos, e a garantia esticada cobre danos causados por falhas na correia.
No Brasil, proprietários do antigo Peugeot 208 devem manter a manutenção em dia, com trocas de óleo conforme as especificações do fabricante. A Stellantis recomenda o uso de óleos sintéticos de alta qualidade para evitar o ressecamento da correia, mesmo nas versões reforçadas.
- Verificação de recall: site oficial ou concessionárias.
- Manutenção recomendada: troca de óleo a cada 10 mil km.
- Documentação para reembolso: recibos de concessionárias.
- Óleo indicado: sintético, conforme manual do veículo.
Futuro dos motores Stellantis
A adoção de correntes metálicas sinaliza uma mudança de longo prazo na Stellantis. Modelos híbridos e elétricos, que representam o futuro da empresa, já utilizam tecnologias mais robustas. A experiência com as correias banhadas a óleo serviu como lição para o grupo, que agora prioriza durabilidade em seus projetos.
A substituição das correias também responde às demandas dos consumidores por veículos mais confiáveis e com menor custo de manutenção. A Stellantis investe em motores mais eficientes, como os híbridos leves, que combinam desempenho e economia sem os problemas do passado.