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Microsoft corta jogos e 9 mil empregos no Xbox, mas Game Pass cresce

Xbox Game Pass
Xbox Game Pass - Foto; Miguel Lagoa / Shutterstock.com Xbox Game Pass - Foto; Miguel Lagoa / Shutterstock.com

A Microsoft anunciou, em 2 de julho de 2025, a demissão de cerca de 9 mil funcionários, equivalente a 4% de sua força de trabalho global, impactando significativamente sua divisão de jogos Xbox. As demissões, parte de uma reestruturação para conter custos, resultaram no cancelamento de projetos como Perfect Dark e Everwild, além do fechamento do estúdio The Initiative. Apesar dos cortes, a empresa celebrou conquistas no setor de jogos, com o Xbox Game Pass atingindo quase US$5 bilhões em receita anual e a Microsoft se tornando a principal publicadora no PlayStation no último trimestre. A reestruturação ocorre em meio a críticas de funcionários sobre a condução “desumana” do processo, enquanto a empresa foca em áreas estratégicas como serviços de assinatura e multiplataforma.

Os layoffs, os maiores em dois anos, afetaram estúdios como King, ZeniMax e Turn 10, com cerca de 200 demissões na divisão de Candy Crush e quase 50% da equipe de Forza Motorsport. A Microsoft justificou as medidas como necessárias para eficiência em um mercado dinâmico.

  • Principais impactos dos layoffs:
    • Cancelamento de Perfect Dark e Everwild.
    • Fechamento do estúdio The Initiative.
    • Redução de 10% na equipe da King, em Barcelona.
    • Corte de quase 50% dos funcionários da Turn 10.

Apesar das demissões, a empresa destacou o sucesso de títulos como Call of Duty: Black Ops 6 e o crescimento do Xbox em plataformas rivais.

Escala e detalhes das demissões

A Microsoft realizou, em 2 de julho, uma das maiores rodadas de demissões de sua história recente, afetando cerca de 9 mil trabalhadores em diversas divisões, com foco na área de jogos. A divisão Xbox, que inclui estúdios como Bethesda, King e Rare, sofreu cortes significativos, com o fechamento de The Initiative e a suspensão de projetos aguardados, como o reboot de Perfect Dark.

O estúdio King, responsável por Candy Crush, demitiu aproximadamente 200 funcionários, cerca de 10% de sua força de trabalho, principalmente em Barcelona. A Turn 10, desenvolvedora de Forza Motorsport, perdeu quase metade de sua equipe, enquanto a ZeniMax, que publica The Elder Scrolls, também foi impactada, com cortes em escritórios em Londres e Rockville.

Phil Spencer, CEO da divisão de jogos, comunicou as mudanças em um memorando interno, enfatizando a necessidade de focar em áreas de crescimento estratégico e reduzir camadas de gestão para aumentar agilidade. Funcionários afetados foram incentivados a se candidatar a outras vagas internas, com prioridade na revisão de suas aplicações.

  • Estúdios e projetos afetados:
    • The Initiative: estúdio fechado, Perfect Dark cancelado.
    • Rare: Everwild, anunciado em 2019, cancelado.
    • ZeniMax: novo MMORPG cancelado, cortes em marketing.
    • King: 200 demissões, foco em jogos mobile reduzido.
    • Turn 10: quase 50% da equipe demitida, futuro incerto.

Sucesso financeiro em meio a cortes

Apesar das demissões, a Microsoft reportou resultados positivos em sua divisão de jogos no ano fiscal encerrado em 30 de junho de 2025. A receita de jogos cresceu 9% em relação ao ano anterior, atingindo US$23,5 bilhões, impulsionada por um aumento de 16% na receita de conteúdos e serviços. O Xbox Game Pass alcançou quase US$5 bilhões em receita anual, um marco histórico para a empresa.

O CEO Satya Nadella destacou que a Microsoft se tornou a principal publicadora no PlayStation no quarto trimestre, com sucessos como Forza Horizon 5 e Oblivion Remastered. A estratégia de levar jogos first-party para plataformas rivais, como PlayStation e Nintendo Switch, ampliou o alcance da marca Xbox, que agora conta com mais de 500 milhões de usuários ativos mensais.

Call of Duty: Black Ops 6 atraiu 50 milhões de jogadores, com mais de 2 bilhões de horas de jogo, enquanto Minecraft registrou recordes de uso mensal após o lançamento do filme A Minecraft Movie. A empresa também superou 500 milhões de horas de jogos transmitidos via nuvem no último ano.

Xbox series X
Xbox series X – Foto: Natanael Ginting / Shutterstock.com

Reações internas e críticas

As demissões geraram críticas internas significativas. Funcionários da divisão Xbox descreveram o processo como “caótico” e “desumano”, apontando falta de transparência e apoio inadequado aos afetados. Alguns trabalhadores relataram que a constante ameaça de cortes desde 2024 abalou o moral das equipes, especialmente após demissões anteriores que totalizaram mais de 8 mil vagas no setor de jogos.

Em maio de 2025, a Microsoft já havia demitido 6 mil funcionários, e em setembro de 2024, cortou 650 vagas na divisão Xbox, relacionadas à integração da Activision Blizzard, adquirida por US$69 bilhões em 2023. A nova rodada de layoffs, a quarta em 18 meses, intensificou as tensões internas.

Um executivo da Xbox sugeriu, em uma postagem no LinkedIn, que os demitidos explorassem ferramentas de IA para buscar novas oportunidades, o que foi recebido com indignação por parte dos funcionários, dado o contexto sensível. A Microsoft negou rumores de que Phil Spencer planeja se aposentar, reafirmando seu compromisso com a liderança da divisão de jogos.

  • Histórico recente de layoffs na Microsoft:
    • Janeiro 2024: 1.900 demissões, foco em Activision Blizzard.
    • Maio 2025: 6.000 cortes, 3% da força de trabalho global.
    • Setembro 2024: 650 demissões na divisão Xbox.
    • Julho 2025: 9.100 cortes, incluindo 830 em Redmond.

Estratégia multiplataforma e futuro do Xbox

A Microsoft intensificou sua estratégia multiplataforma, levando jogos exclusivos do Xbox para o PlayStation e Nintendo Switch. Essa abordagem rendeu frutos, com seis dos dez jogos mais vendidos no PlayStation nos EUA no segundo trimestre de 2025 sendo publicados pela Microsoft, incluindo Doom: The Dark Ages e Indiana Jones and the Great Circle.

Apesar do declínio de 25% na receita de hardware Xbox no último ano fiscal, a empresa aposta no crescimento de serviços como o Game Pass e na expansão para outras plataformas. Nadella destacou que o Xbox tem cerca de 40 jogos em desenvolvimento, sugerindo um pipeline robusto, embora os cancelamentos recentes levantem dúvidas sobre a execução desses projetos.

A reestruturação também reflete uma mudança de foco para áreas de maior retorno, como jogos mobile e serviços de assinatura, enquanto reduz investimentos em projetos de longo prazo, como Everwild e Perfect Dark, que enfrentavam dificuldades de desenvolvimento.

Impactos na indústria de jogos

As demissões na Microsoft refletem uma tendência mais ampla na indústria de jogos, que enfrenta cortes significativos desde 2022. Estima-se que 35 mil empregos foram perdidos globalmente até maio de 2025, com grandes empresas como Sony, EA e Unity também reduzindo equipes. O boom de consumo durante a pandemia foi seguido por uma correção de mercado, com menos lançamentos de peso e investimentos mais cautelosos.

Os cancelamentos de jogos na Microsoft, incluindo um novo MMORPG da ZeniMax Online Studios e o fim do suporte a Warcraft Rumble, indicam uma priorização de projetos com retorno imediato. Estúdios como Raven Software e Sledgehammer Games, que trabalham em Call of Duty, também foram afetados, embora em menor escala.

  • Tendências na indústria de jogos:
    • Redução de 35 mil empregos globais desde 2022.
    • Cancelamento de projetos de longo prazo em favor de retornos rápidos.
    • Crescimento de serviços de assinatura, como Game Pass.
    • Expansão de jogos first-party para plataformas rivais.
    • Aumento do uso de IA em desenvolvimento, gerando debates éticos.

A Microsoft enfrenta o desafio de equilibrar eficiência operacional com a manutenção de sua reputação como líder em inovação no setor de jogos, enquanto trabalhadores afetados buscam recolocação em um mercado competitivo.

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