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Maníaco do Parque anuncia mudança de nome e transformação antes da liberdade em 2028

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maniaco do parque - Foto: Divulgação maniaco do parque - Foto: Divulgação

Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque, condenado a 280 anos de prisão por estuprar e assassinar nove mulheres no Parque Ibirapuera, em São Paulo, nos anos 1990, será libertado em 2028 após cumprir 30 anos, o limite máximo permitido pela legislação brasileira da época. Em entrevista à psicóloga forense Simone Lopes Bravo, ele afirmou estar transformado, planeja mudar de nome e nega impulsos violentos, atribuindo a mudança à conversão evangélica. Preso na Penitenciária de Iaras, interior paulista, ele vive recluso, com sobrepeso e sem dentes devido a uma condição genética. A proximidade de sua soltura, sem progressão de regime ou avaliações psicológicas, levanta debates sobre reintegração e segurança pública.

A entrevista, publicada na coluna True Crime do jornal O Globo, detalha os encontros entre Francisco e Simone, iniciados por cartas e autorizados após a psicóloga ser registrada como “amiga” no sistema prisional. O caso, que chocou o Brasil, envolve crimes brutais e agora ganha nova atenção com as declarações do condenado sobre sua transformação.

  • Crimes que marcaram São Paulo: Francisco atraía vítimas com falsas promessas de trabalho como modelo.
  • Condições na prisão: Ele divide cela com outros seis detentos condenados por crimes sexuais.
  • Religiosidade e mudança: Afirma que a fé evangélica eliminou seus impulsos violentos.

Origens dos crimes e perfil psicológico

Os crimes do Maníaco do Parque começaram a ganhar notoriedade em 1998, quando corpos de mulheres foram encontrados no Parque Ibirapuera. Francisco confessou ter abordado vítimas com promessas de trabalho, levando-as a áreas isoladas onde cometia os estupros e assassinatos. Em suas conversas com Simone Bravo, ele revisitou detalhes perturbadores, como retornar aos locais dos crimes para se masturbar diante dos corpos, movido por impulsos que descreveu como incontroláveis.

Ele relatou que os pensamentos violentos surgiram na infância, influenciados por revistas pornográficas no ambiente de trabalho do avô. Na adolescência, enfrentou conflitos internos e dificuldades em manter relacionamentos. “Meus pensamentos eram mais fortes que eu. Não conseguia controlar”, declarou. Questionado sobre não atacar homens, ele respondeu que sua atração era exclusivamente por mulheres.

O perfil psicológico traçado por Simone, que resultou no livro “Maníaco do Parque – A Loucura Lúcida”, aponta para um criminoso com impulsos compulsivos, mas que agora alega controle total após sua conversão religiosa em 1999, na Penitenciária de Itaí.

Transformação religiosa e polêmicas

Francisco afirma ter mudado radicalmente após se converter ao evangelismo, sendo batizado ainda na prisão. Ele diz meditar na Bíblia diariamente e nega pensamentos violentos desde então. “Nunca mais voltaram”, afirmou. Sua rotina na Penitenciária de Iaras inclui orações e trabalhos manuais, embora atualmente não exerça nenhuma função laboral no presídio.

  • Conversão evangélica: Batizado em 1999, ele atribui sua mudança à fé.
  • Rotina prisional: Dedica-se a orações e meditação, sem trabalho fixo.
  • Falta de remorso público: Não sente necessidade de pedir desculpas às famílias das vítimas, afirmando que “Deus já me perdoou”.

A ausência de pedidos de perdão às famílias das vítimas gerou controvérsia. Francisco diz estar disposto a conversar com os parentes, mas limita sua mensagem a uma defesa da conversão religiosa como “único caminho”. Essa postura reacende debates sobre a reintegração de criminosos de alta periculosidade e a efetividade de avaliações psicológicas antes da soltura.

Maníaco do Parque
Maníaco do Parque – Reprodução/vídeo/Youtube/Brasil Urgente

Condições de saúde e vida na prisão

Hoje com cerca de 120 quilos e sem dentes devido à amelogênese imperfeita, Francisco vive em uma cela compartilhada no Pavilhão 3 da Penitenciária de Iaras. Ele relatou histórico de infecções urinárias, agravadas por uma condição médica não tratada na infância, que causava dores durante relações sexuais. Segundo ele, uma infecção na prisão foi superada sem tratamento médico, após um “propósito com Deus”.

  • Saúde debilitada: Sobrepeso e perda de dentes marcam sua aparência atual.
  • Condição genética: Amelogênese imperfeita causou a perda total dos dentes.
  • Vida reclusa: Divide cela com outros condenados por crimes sexuais.

O sistema prisional paulista impõe restrições rígidas a visitas, permitindo apenas parentes diretos ou cônjuges. Simone Bravo conseguiu acesso ao se registrar como “amiga”, após a mãe de Francisco, Maria Helena Pereira, aceitar dinheiro para ser retirada da lista de visitantes. Esse episódio levanta questões éticas sobre a relação entre a psicóloga e o condenado.

Debate sobre a liberdade iminente

A proximidade da libertação de Francisco, prevista para 2028, preocupa autoridades e familiares das vítimas. Como a legislação da época não exigia progressão de regime para crimes hediondos, ele sairá diretamente da prisão sem avaliações psicológicas ou programas de reintegração. Especialistas apontam que a ausência de acompanhamento pode aumentar o risco de reincidência, embora Francisco insista em sua transformação.

  • Sem progressão de regime: Sai da cela para as ruas sem etapas intermediárias.
  • Falta de avaliação: Não será submetido a testes psicológicos antes da soltura.
  • Risco de reincidência: Especialistas alertam para a necessidade de monitoramento.

A psicóloga Simone Bravo, que passou anos estudando o caso, destaca a complexidade do perfil de Francisco. Seu livro detalha como ele alternava momentos de lucidez com impulsos incontroláveis, mas questiona se a transformação alegada é genuína ou uma estratégia para aceitação social.

Repercussão e legado do caso

O caso do Maníaco do Parque permanece como um marco na crônica policial brasileira, reacendendo discussões sobre segurança pública, reabilitação de criminosos e proteção às vítimas. A decisão de Francisco de mudar de nome ao deixar a prisão sugere uma tentativa de se desvincular de seu passado, mas não apaga a memória dos crimes que chocaram o país.

A entrevista com Simone Bravo trouxe novos detalhes sobre a mente do criminoso, mas também reacendeu o trauma das famílias das vítimas, que cobram justiça e acompanhamento rigoroso após a soltura. A sociedade agora enfrenta o desafio de lidar com a reintegração de um condenado por crimes tão graves, em um sistema que pouco evoluiu em políticas de reabilitação desde os anos 1990.

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