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Flamengo trava projeto de estádio próprio e reacende debate político no Rio

Torcida do Flameng
Torcida do Flameng - Foto: A.PAES / Shutterstock.com Torcida do Flameng - Foto: A.PAES / Shutterstock.com

O Flamengo enfrenta um impasse no projeto de construção de seu estádio próprio no terreno do Gasômetro, na região central do Rio de Janeiro, reacendendo tensões políticas e administrativas no clube. A atual gestão, liderada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, não avança na assinatura do contrato definitivo com a Prefeitura do Rio e a Caixa Econômica Federal, necessário para formalizar a aquisição do terreno por R$ 138,1 milhões e encerrar uma disputa judicial. O prefeito Eduardo Paes, que viabilizou a desapropriação da área, aguarda uma posição do clube, mas descarta a devolução do terreno, enquanto o ex-presidente Rodolfo Landim critica a inércia da diretoria. A questão, que envolve o pagamento de R$ 23,9 milhões à Caixa a partir de 2026, será discutida em reunião do Conselho Deliberativo na próxima segunda-feira, 11 de agosto de 2025, na Gávea. A falta de progresso no projeto, aliado ao foco na gestão do Maracanã, coloca em xeque o sonho de uma arena própria para o Rubro-Negro.

O terreno do Gasômetro, adquirido em julho de 2024, é visto como estratégico por sua localização próxima à Rodoviária Novo Rio e ao Maracanã, facilitando o acesso de torcedores. A área de 86.592 m² foi arrematada em leilão por R$ 138,1 milhões, com apoio da Prefeitura, que compensou a Caixa com Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs). Apesar do avanço inicial, a gestão atual prioriza estudos de viabilidade econômica, adiando decisões cruciais.

A indefinição mobiliza diferentes atores no clube e na política carioca. A reunião na Gávea deve abordar os resultados da concessão do Maracanã, gerida em parceria com o Fluminense, e pode reforçar a preferência por manter o estádio atual como casa do Flamengo.

  • Principais pontos do impasse:
  • A assinatura do contrato definitivo com a Caixa está atrasada, com prazos já vencidos.
  • O pagamento de R$ 23,9 milhões à Caixa deve começar em 2026, mas não há avanço.
  • A Prefeitura se comprometeu a custear a retirada de gasodutos, orçada em R$ 100 milhões.
  • A gestão de Bap foca na redução de custos do Maracanã, adiando o projeto do Gasômetro.

Gestão atual prioriza Maracanã e gera críticas

A administração de Luiz Eduardo Baptista argumenta que a redução dos custos operacionais do Maracanã, desde o início da nova concessão de 20 anos em 2024, torna a construção de um novo estádio economicamente inviável no momento. Dados a serem apresentados na reunião do Conselho Deliberativo indicam que os custos do Maracanã caíram significativamente, fortalecendo a posição de manter a parceria com o Fluminense. A diretoria também aponta desequilíbrios financeiros deixados pela gestão anterior, liderada por Rodolfo Landim, como obstáculo para investimentos bilionários em uma nova arena. A atual gestão contratou três empresas especializadas e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para análises técnicas do terreno, mas os estudos seguem sem prazo definido para conclusão.

Por outro lado, a oposição no clube, liderada por Landim, acusa Bap de abandonar o projeto do estádio próprio. Landim, que viabilizou a compra do terreno em 2024, afirma que a falta de interesse da diretoria atual coloca em risco a posse da área. Ele destaca que, sem a assinatura do contrato definitivo, o Flamengo pode perder o terreno para a Caixa, caso a Prefeitura desista de esperar. A pressão de Landim ganhou força nos últimos dias, alinhada ao discurso do prefeito Eduardo Paes, que reafirmou apoio ao projeto, incluindo a promessa de arcar com a remoção de dutos de gás no terreno.

Papel da Prefeitura e os desafios do terreno

A Prefeitura do Rio, sob comando de Eduardo Paes, desempenha um papel central na viabilização do projeto. Em 2024, Paes formalizou a desapropriação do terreno do Gasômetro, resolvendo um impasse jurídico com a Caixa Econômica Federal. A área, localizada na Avenida São Cristóvão, foi adquirida por R$ 138,1 milhões, com a Prefeitura compensando a Caixa por meio de CEPACs. Além disso, Paes se comprometeu a custear a retirada de tubulações de gás, estimada em R$ 100 milhões, para tornar o terreno viável para construção. Em julho de 2025, o prefeito enviou um ofício ao Flamengo reforçando esse compromisso, mas a falta de resposta do clube mantém o projeto paralisado.

O terreno apresenta desafios técnicos significativos, como a presença de dutos subterrâneos e solos contaminados, que exigem intervenções complexas antes do início das obras. O projeto original, idealizado na gestão de Landim, prevê um estádio com capacidade para 70 mil a 80 mil torcedores, com estrutura vertical inspirada no Santiago Bernabéu, do Real Madrid. A obra, orçada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, inclui áreas temáticas, bares, restaurantes e um sistema sustentável com reutilização de água e painéis solares.

  • Desafios técnicos do Gasômetro:
  • Remoção de gasodutos, com custo de R$ 100 milhões, assumido pela Prefeitura.
  • Solos contaminados exigem tratamento antes da construção.
  • Licenciamento ambiental e projeto executivo podem levar até dois anos.
  • Investimento total estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões.

Tensões políticas no Flamengo

O impasse no projeto do estádio reacende rivalidades políticas no Flamengo. Rodolfo Landim, que deixou a presidência em dezembro de 2024, voltou a se posicionar como defensor do projeto, criticando abertamente a gestão de Bap. Em entrevista recente, Landim afirmou que a inércia da diretoria atual foi um dos motivos para apoiar outro candidato nas eleições do clube. Ele alertou que o risco de devolução do terreno à Caixa é real, caso a Prefeitura perca a paciência. A declaração gerou reações mistas entre conselheiros, com alguns apoiando a visão de Landim e outros defendendo a cautela de Bap.

A reunião do Conselho Deliberativo, marcada para 11 de agosto, será um momento decisivo. A diretoria apresentará dados que justificam a manutenção do Maracanã como principal casa do Flamengo, enquanto a oposição deve pressionar por avanços no projeto do Gasômetro. O embate reflete divisões internas no clube, com reflexos na relação com a Prefeitura e o Governo do Estado, que apoia a concessão do Maracanã.

Impacto na torcida e na cidade

A indefinição sobre o estádio próprio frustra parte da torcida rubro-negra, que vê na arena um sonho de autonomia e identidade. O projeto do Gasômetro, anunciado como um marco para os quase 50 milhões de torcedores do Flamengo, prometia modernizar a experiência de jogo, com cadeiras cativas, camarotes e naming rights para financiar a obra. A localização estratégica, próxima a vias de transporte público, também beneficiaria a revitalização da zona portuária do Rio, como destacado por Paes.

A Prefeitura enxerga o estádio como parte de um projeto maior de recuperação urbana, comparável à demolição da Perimetral. Jorge Arraes, secretário municipal de Coordenação Governamental, reforçou que a construção traria desenvolvimento econômico e social à região. Contudo, sem o avanço do Flamengo, o projeto permanece no campo das promessas.

  • Benefícios esperados do estádio:
  • Revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro.
  • Criação de áreas temáticas e comerciais para torcedores.
  • Sustentabilidade com reutilização de água e energia solar.
  • Capacidade para até 80 mil torcedores em estrutura moderna.

Próximos passos e incertezas

O futuro do estádio do Flamengo depende de decisões internas e externas. A reunião do Conselho Deliberativo pode esclarecer se a gestão de Bap manterá o foco no Maracanã ou retomará o projeto do Gasômetro. A pressão de Landim e o apoio de Paes sugerem que o tema continuará aquecido na política do clube. Enquanto isso, a torcida aguarda sinais concretos de progresso, ciente de que o sonho da arena própria enfrenta barreiras financeiras, técnicas e políticas.

A Prefeitura, por sua vez, mantém o compromisso de apoiar o Flamengo, mas exige que o clube formalize o contrato definitivo. Sem isso, a lei necessária para liberar os CEPACs não será enviada à Câmara dos Vereadores, e o projeto seguirá travado. O prazo para o início das obras, estimado em dois anos a partir de 2024, está cada vez mais apertado, com risco de adiamento para além de 2029, data inicialmente planejada para a inauguração.

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