Um vídeo publicado pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, alcançou mais de 22 milhões de visualizações em poucos dias, após ser postado em 6 de agosto de 2025, no YouTube. A gravação, intitulada “Adultização”, denuncia a exploração de crianças e adolescentes por influenciadores digitais, com destaque para o caso do paraibano Hytalo Santos. Filmado em São Paulo, onde Felca reside, o conteúdo de quase 50 minutos detalha como menores são expostos em vídeos com conotação sensual, atraindo público inadequado. A denúncia gerou grande repercussão, levando à desativação da conta de Instagram de Santos e mobilizando autoridades, como o Ministério Público da Paraíba. O vídeo combina apuração detalhada, depoimentos de especialistas e demonstrações práticas sobre algoritmos de redes sociais, alertando pais e responsáveis sobre os riscos da exposição infantil online.
A força do conteúdo está na abordagem direta e na coragem de Felca em nomear influenciadores e práticas questionáveis. Ele aponta como o ambiente digital, combinado com desigualdades sociais no Brasil, facilita a exploração de menores para ganho financeiro. O vídeo também gerou controvérsias, com Felca sendo alvo de acusações de difamação, o que o levou a processar mais de 200 perfis nas redes sociais.
- Principais pontos abordados no vídeo:
- Exposição de menores em conteúdos inadequados, como danças sensuais.
- Algoritmos que direcionam vídeos infantis para públicos adultos mal-intencionados.
- Casos específicos, como o de Hytalo Santos e a adolescente Kamylinha.
- Proposta de doações a ONGs para retirada de processos judiciais.
O impacto imediato da denúncia reforça a relevância do tema e a influência de Felca, que já possui mais de 4,3 milhões de inscritos no YouTube e 6,5 milhões de seguidores no Instagram.
Repercussão da denúncia nas redes sociais
O vídeo de Felca rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados na internet, alcançando números expressivos em menos de uma semana. Publicado na quinta-feira, 6 de agosto, o conteúdo ultrapassou 2 milhões de visualizações em 24 horas e chegou a 22 milhões em poucos dias, superando até mesmo o número de inscritos no canal do youtuber. A abordagem detalhada, com quase 50 minutos de duração, incluiu trechos de vídeos de influenciadores, explicações sobre o funcionamento de algoritmos e uma entrevista com a psicóloga Ana Beatriz Chamat, especialista em infância e adolescência.
A denúncia focou em casos como o de Hytalo Santos, influenciador paraibano que, segundo Felca, promove a “adultização” de menores, como a adolescente Kamylinha, que aparece em seus vídeos desde os 12 anos. A exposição de menores em cenários com bebidas alcoólicas ou situações que sugerem intimidade foi classificada por Felca como um “circo macabro”. A desativação da conta de Instagram de Santos após o vídeo sugere uma resposta direta à denúncia, embora não haja confirmação oficial de que o caso esteja ligado à ação de Felca.
A reação nas redes sociais foi intensa, com apoio de figuras públicas, como a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que elogiou a iniciativa e anunciou medidas judiciais contra plataformas digitais. No entanto, a investigação de Felca também gerou polêmica, com o youtuber sendo acusado de pedofilia por seguir perfis de menores durante sua apuração. Ele negou as acusações, afirmando que a ação teve caráter investigativo, e anunciou processos contra 233 perfis por difamação.
- Reações imediatas ao vídeo:
- Desativação da conta de Hytalo Santos no Instagram.
- Apoio de figuras públicas, como a deputada Erika Hilton.
- Abertura de processos contra 233 perfis por difamação.
- Mobilização de ONGs e autoridades para apurar os casos citados.
Quem é Felca e sua trajetória na internet
Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, é um humorista e youtuber de 27 anos, nascido em Londrina, Paraná, e atualmente residente em São Paulo. Ele começou sua carreira em 2012 como streamer de videogames, mas ganhou notoriedade com vídeos de “reacts”, nos quais comenta produtos, serviços ou conteúdos virais com humor sarcástico. Seu canal no YouTube, criado em 2017, acumula mais de 4,3 milhões de inscritos, enquanto no Instagram ele reúne 6,5 milhões de seguidores.
Entre os conteúdos que o tornaram famoso estão a resenha da base da influenciadora Virgínia Fonseca, com 19,5 milhões de visualizações, e críticas às “lives de NPC” no TikTok, que lhe renderam 1 milhão de seguidores na plataforma em apenas quatro dias. Felca também se destacou por se posicionar contra a promoção de apostas esportivas por influenciadores, o que quase o levou a participar da CPI das Bets no Congresso Nacional.
- Momentos marcantes da carreira de Felca:
- Vídeo sobre a base de Virgínia Fonseca, com 19,5 milhões de views.
- Crescimento exponencial no TikTok com lives de NPC em 2023.
- Críticas públicas a influenciadores envolvidos com “bets”.
- Denúncia de exploração infantil em 2025, com 22 milhões de views.
Algoritmos e a amplificação do problema
Um dos pontos centrais do vídeo de Felca é a demonstração de como algoritmos de redes sociais contribuem para a disseminação de conteúdos inadequados. Ele criou uma conta nova no Instagram para mostrar como, ao interagir com vídeos de crianças, o algoritmo passa a sugerir conteúdos semelhantes, muitas vezes com conotação sensual, para públicos adultos. Essa prática, segundo o youtuber, facilita o acesso de predadores sexuais a materiais que exploram menores.
Felca também destacou códigos usados em comentários de vídeos, que indicariam a disponibilidade de conteúdos ilícitos em plataformas como o Telegram. A psicóloga Ana Beatriz Chamat, entrevistada no vídeo, reforçou que a exposição de crianças em contextos inadequados pode causar danos psicológicos graves, como perda de identidade e traumas de longo prazo.
A combinação de desigualdade social e falta de regulamentação no Brasil, segundo Felca, cria um ambiente propício para a exploração infantil online. Ele apontou que influenciadores lucram com a exposição de menores, atraindo um público que nem sempre busca apenas entretenimento.
- Fatores que amplificam a exploração infantil online:
- Algoritmos que sugerem conteúdos com base em interações.
- Falta de fiscalização rigorosa nas plataformas digitais.
- Desigualdade social que incentiva a busca por ganhos rápidos.
- Uso de códigos em comentários para conteúdos ilícitos.
Ações judiciais e propostas de Felca
Durante a produção do vídeo, Felca enfrentou acusações de pedofilia por seguir perfis de menores como parte de sua investigação. Ele refutou as alegações, afirmando que o objetivo era apurar os casos, e anunciou ações judiciais contra 233 perfis na plataforma X por difamação. Para evitar longos processos, ele propôs um acordo: os acusados podem doar R$ 250 a instituições que combatem a exploração infantil, como Childhood Brasil ou Instituto Liberta, e publicar um pedido de desculpas nas redes sociais para que as ações sejam retiradas.
O youtuber também incentivou denúncias anônimas por meio do Disque 100, um serviço nacional para reportar violações de direitos humanos. Ele disponibilizou um e-mail ([email protected]) para envio de comprovantes de doações, reforçando seu compromisso com a causa.
- Medidas propostas por Felca:
- Doação de R$ 250 a ONGs para retirada de processos judiciais.
- Uso do Disque 100 para denúncias anônimas.
- Doação de valores arrecadados em processos a instituições de caridade.
Mobilização de autoridades e ONGs
A denúncia de Felca não apenas gerou repercussão nas redes, mas também mobilizou autoridades. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) já investigava Hytalo Santos por exploração de menores desde 2024, mas o vídeo trouxe nova atenção ao caso. Dois promotores, um de Bayeux e outro de João Pessoa, conduzem inquéritos criminais sobre o influenciador. A deputada Erika Hilton anunciou que acionará a Polícia Federal para investigar as plataformas digitais envolvidas.
ONGs como Childhood Brasil, Instituto Liberta e Aldeias Infantis SOS foram citadas por Felca como referência para doações e apoio à causa. Essas organizações trabalham na prevenção e combate à exploração infantil, oferecendo suporte a vítimas e promovendo conscientização.
- Ações de autoridades e ONGs:
- Investigação do MPPB contra Hytalo Santos desde 2024.
- Ação da deputada Erika Hilton junto à Polícia Federal.
- Trabalho de ONGs na proteção de crianças e adolescentes.
Impacto cultural e social da denúncia
O vídeo de Felca reacendeu o debate sobre a segurança de crianças nas redes sociais. A exposição de menores em conteúdos que misturam entretenimento e sensualidade levanta questões éticas sobre o papel dos influenciadores e das plataformas digitais. A psicóloga Ana Beatriz Chamat destacou no vídeo que a “adultização” pode levar a sérios problemas psicológicos, como ansiedade e distorção da autoimagem.
A sociedade brasileira, marcada por desigualdades, enfrenta desafios adicionais para combater esse tipo de exploração. A busca por visibilidade e lucro rápido nas redes sociais muitas vezes coloca crianças em situações de vulnerabilidade, agravadas pela falta de regulamentação eficaz.
- Desafios para combater a exploração infantil online:
- Ausência de leis específicas para conteúdo digital infantil.
- Pressão econômica sobre famílias em situação de vulnerabilidade.
- Dificuldade de monitoramento em plataformas como Instagram e Telegram.
A denúncia de Felca, com mais de 22 milhões de visualizações, marca um momento significativo na luta contra a exploração infantil na internet, destacando a importância de criadores de conteúdo éticos e engajados.