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Surto de botulismo em Diamante: brócolis contaminado mata dois e interna 14 na Calábria na Itália

Luigi di Sarno, um artista de 52 anos, e Tamara D'Acunto, 45, foram identificados como as duas vítimas — Foto: Reprodução
Luigi di Sarno, um artista de 52 anos, e Tamara D'Acunto, 45, foram identificados como as duas vítimas — Foto: Reprodução

Um surto de botulismo em Diamante, na Calábria, Itália, deixou dois mortos e 14 pessoas internadas após o consumo de sanduíches com salsichas e brócolis adquiridos em um food truck local. As vítimas, Luigi di Sarno, de 52 anos, e Tamara D’Acunto, de 45 anos, faleceram entre 3 e 5 de agosto de 2025, enquanto outras 14 pessoas, incluindo dois adolescentes, foram hospitalizadas com sintomas graves. A intoxicação, causada pela bactéria Clostridium botulinum, está sob investigação, com autoridades apontando brócolis em conserva como possível fonte. O caso, que chocou a região, levou à apreensão do food truck e ao recolhimento nacional de produtos suspeitos. A demora no diagnóstico médico e falhas no armazenamento de alimentos são alvos de apuração.

A tragédia abalou a pequena cidade de Diamante, conhecida por seu turismo costeiro. O Ministério da Saúde italiano ativou protocolos de emergência, distribuindo antídotos para conter a crise. Investigações envolvem o proprietário do food truck, Giuseppe Santonocito, e cinco médicos acusados de negligência.

  • Vítimas: Luigi di Sarno, artista de rua, e Tamara D’Acunto, ambos com sintomas graves.
  • Causa suspeita: Brócolis em conserva, armazenado em azeite, potencialmente contaminado.
  • Ações imediatas: Apreensão do food truck e recolhimento de pães industrializados.
  • Contexto: Segundo surto fatal de botulismo na Itália em menos de um mês.

O caso expõe vulnerabilidades na segurança alimentar e na resposta médica, levantando debates sobre regulamentação de food trucks.

Origem do surto e investigações em curso

A investigação, conduzida pela Procuradoria de Paola, aponta que os sanduíches continham brócolis em conserva, armazenado em azeite, como possível fonte da toxina botulínica. Giuseppe Santonocito, dono do food truck, alega que os produtos foram adquiridos de fornecedores e que ele não é responsável pela contaminação. O veículo foi apreendido, e amostras estão sendo analisadas para confirmar a origem do problema. Autoridades suspeitam que o armazenamento inadequado, com o food truck exposto ao sol, pode ter favorecido a proliferação da bactéria.

Nove pessoas estão sob investigação, incluindo Santonocito, três funcionários da empresa fornecedora e cinco médicos de hospitais em Cosenza. A acusação contra os médicos envolve falhas no diagnóstico, já que algumas vítimas, como Luigi di Sarno, receberam alta mesmo com sintomas graves. A irmã do artista relatou que ele sentia dificuldades para respirar antes de morrer, mas foi liberado do hospital.

  • Acusações: Homicídio culposo e comércio de produtos nocivos.
  • Foco da investigação: Condições de armazenamento e falhas no diagnóstico médico.
  • Medidas preventivas: Recolhimento de lotes de pães e conservas em todo o país.

A análise microbiológica deve esclarecer se a contaminação ocorreu na produção ou no manuseio dos alimentos.

O que é botulismo e por que é tão perigoso

O botulismo é uma intoxicação rara, mas potencialmente fatal, causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa toxina ataca o sistema nervoso, causando paralisia muscular, dificuldades respiratórias e, em casos graves, a morte. A doença está associada a alimentos mal conservados, como enlatados e conservas caseiras, especialmente quando não esterilizados corretamente.

Na Itália, a tradição de conservas caseiras, comum no sul do país, contribui para a incidência de casos. Dados do Instituto Superior de Saúde italiano mostram que, entre 2001 e 2020, foram registrados 452 casos, com uma taxa de letalidade de 3,1%. Em 2023, o país liderou a Europa com 36 casos confirmados.

  • Sintomas principais: Visão dupla, dificuldade para engolir, fala arrastada e paralisia.
  • Tratamento: Administração de antitoxina nas primeiras horas é crucial.
  • Prevenção: Esterilização rigorosa e armazenamento adequado de alimentos.
  • Risco elevado: Conservas caseiras e alimentos mal armazenados.

A toxina não altera sabor ou aparência dos alimentos, o que dificulta sua identificação antes do consumo.

Reações e medidas das autoridades

O Ministério da Saúde italiano agiu rapidamente, distribuindo antitoxinas para hospitais em Cosenza. Seis pacientes estão em UTI, mas alguns já mostram sinais de recuperação, como a extubação de um deles. A operação envolveu a colaboração de instituições como o Centro de Controle de Intoxicações de Pavia e a Farmácia Militar de Taranto, que forneceram frascos de antitoxina.

O prefeito de Diamante, Achille Ordine, pediu calma à população, descrevendo o surto como um caso isolado. Ele enfatizou que a cidade continua segura para turistas, mas a tragédia gerou preocupação entre moradores e visitantes. O recolhimento nacional de pães industrializados usados nos sanduíches foi ordenado como medida preventiva.

  • Resposta sanitária: Distribuição de antitoxinas e monitoramento de pacientes.
  • Ações judiciais: Investigação de responsabilidades criminais e administrativas.
  • Impacto local: Receio de danos à imagem turística de Diamante.

A rápida mobilização de recursos médicos evitou um número maior de vítimas, mas o caso reforça a necessidade de maior vigilância.

Segundo surto recente na Itália

O caso de Diamante não é isolado. No final de julho de 2025, um surto de botulismo na Sardenha matou uma mulher de 38 anos após o consumo de guacamole contaminado em um festival. Sete outras pessoas foram internadas. A semelhança entre os casos alarma as autoridades, que intensificaram a fiscalização de alimentos em eventos públicos e food trucks.

Na Sardenha, o molho industrial foi identificado como fonte, diferente do caso da Calábria, onde conservas caseiras são suspeitas. Ambos os incidentes expõem a fragilidade na cadeia de suprimentos alimentares, especialmente em produtos artesanais.

  • Comparação: Sardenha envolveu molho industrial; Calábria, conservas caseiras.
  • Medidas nacionais: Fiscalização reforçada em feiras e food trucks.
  • Alerta público: Orientação para evitar alimentos de origem duvidosa.

Os surtos consecutivos levantam questões sobre a segurança alimentar em eventos gastronômicos.

Prevenção e recomendações ao público

Especialistas reforçam a importância de práticas seguras no preparo e armazenamento de alimentos. Conservas caseiras devem passar por esterilização rigorosa, com controle de temperatura e acidez. Alimentos com embalagens estufadas ou odores estranhos devem ser descartados imediatamente.

O Centro de Controle de Intoxicações Maugeri, em Pavia, alerta que crianças menores de um ano não devem consumir mel ou conservas caseiras devido ao risco de botulismo infantil. Em caso de sintomas como visão dupla ou dificuldade para engolir, é essencial procurar ajuda médica imediata.

  • Esterilização: Ferver recipientes e monitorar acidez para inibir a bactéria.
  • Descarte: Evitar alimentos com sinais de deterioração ou armazenamento inadequado.
  • Atendimento rápido: Contatar serviços de emergência ao suspeitar de intoxicação.
  • Grupos de risco: Crianças e idosos são mais vulneráveis à toxina.

A prevenção é a melhor arma contra o botulismo, especialmente em regiões com forte tradição de conservas.

Implicações para o setor alimentício

O surto em Diamante colocou os food trucks sob escrutínio. Muitos operam com regulamentação limitada, o que pode facilitar falhas no armazenamento e manuseio de alimentos. Giuseppe Santonocito, dono do food truck, afirmou estar devastado, mas insiste que a contaminação veio de fornecedores. Seu advogado, Francesco Liserre, destacou que ele é respeitado no setor há quase uma década.

A tragédia pode levar a mudanças na legislação italiana, com maior controle sobre a origem e o armazenamento de produtos vendidos em feiras e food trucks. A confiança do consumidor também foi abalada, especialmente em cidades turísticas como Diamante.

  • Regulamentação: Possível revisão de normas para food trucks.
  • Impacto econômico: Prejuízo para pequenos comerciantes e turismo local.
  • Confiança pública: Necessidade de campanhas de conscientização.

O caso serve como alerta para a importância de padrões sanitários rigorosos.

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