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BRICS Pay avança e desafia dólar: Trump reage com tarifas e investigações

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Brics - Foto: Yau Ming Low/Istock.com Brics - Foto: Yau Ming Low/Istock.com

BRICS Pay revoluciona comércio global e reduz dependência do dólar: Trump reage com tarifas. O grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, avança na criação do BRICS Pay, um sistema de pagamentos que promete transações mais rápidas e baratas entre os países do bloco, sem o uso do dólar. Anunciado na 16ª Cúpula do BRICS em outubro de 2024, na Rússia, o sistema, apelidado de “Pix Global”, utiliza tecnologias como blockchain e carteiras digitais para facilitar transferências em moedas locais. A iniciativa, que busca maior autonomia financeira, provocou reações do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de até 50% sobre importações de países do bloco e iniciou investigações contra o Pix brasileiro, alegando práticas discriminatórias. O movimento reflete a tensão geopolítica crescente entre economias emergentes e a hegemonia do dólar, com impactos no comércio global.

O BRICS Pay não é uma moeda única, mas uma plataforma que permite transações diretas entre moedas nacionais, como o real, o yuan e a rupia, reduzindo custos de conversão e exposição a sanções financeiras ocidentais. A proposta ganhou força após sanções contra a Rússia em 2022, que limitaram seu acesso ao sistema SWIFT, controlado pelo Ocidente.

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BRICS – Foto: Dilok Klaisataporn / istockphoto
  • Objetivo principal: Facilitar o comércio entre os países do BRICS sem depender do dólar.
  • Tecnologias utilizadas: Blockchain, QR codes e carteiras digitais para transações instantâneas.
  • Impacto esperado: Redução de custos e maior autonomia financeira para o bloco.

A iniciativa tem apoio de líderes como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que defende uma ordem econômica mais equilibrada, e o presidente russo Vladimir Putin, que criticou a “armação” do dólar pelo Ocidente.

Sistema BRICS Pay: Como funciona e por que incomoda

O BRICS Pay é projetado para agilizar transações comerciais entre os países do bloco, que juntos representam cerca de 45% da população mundial e 35% do PIB global, segundo dados de 2024. A plataforma permite que exportadores, como os brasileiros do agronegócio, recebam pagamentos diretamente em moedas locais, como o yuan ou a rupia, sem a necessidade de conversão para o dólar. Isso reduz custos de transação e aumenta a competitividade de produtos no mercado internacional.

A tecnologia por trás do sistema ainda está em desenvolvimento, mas especialistas apontam que ela pode integrar blockchain para garantir segurança e transparência, além de canais de comunicação direta entre bancos centrais. A plataforma também busca contornar o SWIFT, sistema que facilita transferências internacionais, mas é sujeito a restrições impostas pelos EUA.

  • Transações instantâneas: Pagamentos processados em tempo real, 24/7.
  • Menor custo: Elimina taxas de conversão e intermediários financeiros.
  • Autonomia financeira: Reduz dependência de sistemas controlados pelo Ocidente.
  • Integração tecnológica: Uso de QR codes e carteiras digitais para facilitar trocas.

Apesar do potencial, a implementação enfrenta desafios, como a compatibilidade entre sistemas bancários nacionais e a necessidade de infraestrutura tecnológica robusta.

Reação de Trump: Tarifas e investigações

Donald Trump, presidente dos EUA, vê o BRICS Pay como uma ameaça direta à hegemonia do dólar, que domina cerca de 90% das transações globais e 59% das reservas de câmbio, conforme dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em resposta, Trump anunciou tarifas de 10% sobre importações de países associados ao BRICS e uma taxa específica de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 1º de agosto de 2025. Além disso, ele ordenou uma investigação sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, alegando que ele prejudica empresas americanas como Visa e Mastercard.

Em um post no Truth Social em julho de 2025, Trump declarou que “qualquer tentativa de brincar com o dólar” resultaria em tarifas de até 100% e exclusão do mercado americano. A retórica reflete a preocupação de que a redução do uso do dólar possa enfraquecer a influência econômica e geopolítica dos EUA.

  • Tarifas de 50%: Aplicadas a produtos brasileiros, como soja e carne.
  • Investigação do Pix: Foco em suposta discriminação contra empresas americanas.
  • Ameaça de 100%: Alerta aos países do BRICS contra iniciativas de desdolarização.

A reação de Trump gerou críticas de líderes do BRICS, como Lula, que classificou as tarifas como “coerção econômica” durante a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, em julho de 2025.

Expansão do BRICS e impacto global

A adesão de novos membros ao BRICS, como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, fortaleceu o bloco, que agora busca ampliar sua influência no chamado Sul Global. A inclusão de nações ricas em recursos, como os Emirados, e mercados emergentes, como a Indonésia, aumenta o alcance do BRICS Pay, que pode movimentar centenas de bilhões de dólares em transações anuais até 2030, segundo projeções de economistas russos.

O bloco também criou o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que, sob a presidência de Dilma Rousseff, anunciou em 2025 que começará a conceder empréstimos em moedas locais, como o real, em vez do dólar. Essa medida reforça a estratégia de desdolarização e atraiu críticas de Trump, que classificou o BRICS como um “grupo antiamericano”.

  • Novos membros: Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes e Indonésia.
  • NDB e empréstimos: Financiamentos em moedas locais para projetos no Sul Global.
  • Cúpula de 2024: Reforçou a integração econômica e a redução da dependência do dólar.
  • Projeção para 2030: Transações de bilhões de dólares sem uso do dólar.

A expansão do BRICS e o avanço do BRICS Pay sinalizam uma mudança no equilíbrio econômico global, com países emergentes buscando maior soberania financeira.

Tecnologia e inovação no BRICS Pay

O BRICS Pay se inspira em sistemas como o Pix brasileiro, que, desde seu lançamento em 2020, transformou a economia digital do Brasil, com mais de 150 milhões de usuários e 60 milhões de empresas adotando o sistema. A plataforma global planeja integrar tecnologias avançadas para garantir eficiência e segurança nas transações internacionais.

Especialistas destacam que o uso de blockchain pode prevenir fraudes e reduzir custos operacionais, enquanto carteiras digitais e QR codes facilitam o acesso em países com alta penetração de smartphones. China e Rússia, que já testam transações bilaterais em moedas locais, lideram os esforços técnicos para a implementação do sistema.

  • Blockchain: Garante transparência e segurança nas transações.
  • Carteiras digitais: Facilitam transferências em mercados emergentes.
  • Testes bilaterais: China e Rússia já realizam trocas em yuan e rublo.
  • Inspiração no Pix: Modelo brasileiro serve como base para o BRICS Pay.

Os desafios incluem a harmonização de regulamentações financeiras entre os países e a resistência de nações que ainda dependem do dólar para o comércio internacional.

Respostas do BRICS às pressões dos EUA

Os líderes do BRICS têm se mantido firmes diante das ameaças de Trump. Na Cúpula de 2025, no Rio de Janeiro, o bloco condenou tarifas unilaterais e sanções como violações das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente chinês Xi Jinping destacou a necessidade de um sistema financeiro “mais justo”, enquanto o primeiro-ministro indiano Narendra Modi alertou contra a politização do BRICS como um grupo antiocidental.

O Brasil, como presidente rotativo do BRICS em 2025, tem defendido o fortalecimento do NDB e a expansão do BRICS Pay como formas de promover o desenvolvimento sustentável. Lula enfatizou que o bloco “não é contra ninguém, mas a favor da cooperação entre o Sul Global”.

  • Condenação de tarifas: BRICS critica medidas protecionistas dos EUA.
  • Foco no Sul Global: Prioridade em desenvolvimento e cooperação econômica.
  • Neutralidade de Modi: Índia busca evitar imagem antiocidental do bloco.

A resistência do BRICS às pressões americanas reflete o desejo de criar um sistema financeiro mais inclusivo, mas também expõe tensões internas, como as diferenças geopolíticas entre China e Índia.

Futuro do comércio global e do dólar

O avanço do BRICS Pay ocorre em um momento de crescente multipolaridade no cenário econômico global. Países como a Turquia, o Azerbaijão e a Malásia expressaram interesse em ingressar no bloco, enquanto o México participou como observador na Cúpula de 2025. A ampliação do BRICS aumenta o potencial do sistema de pagamentos para desafiar o domínio do dólar, que ainda é usado em 90% do comércio global, segundo dados de 2024.

Economistas apontam que, embora a desdolarização total seja improvável no curto prazo, devido à estabilidade do dólar e à falta de uma moeda alternativa viável, o BRICS Pay pode reduzir significativamente a dependência do dólar em transações intra-bloco. Isso poderia impactar setores como o agronegócio brasileiro, que exporta bilhões em produtos para a China e a Índia.

  • Interesse de novos membros: Turquia, Azerbaijão e Malásia buscam adesão.
  • Participação do México: Observador na Cúpula de 2025 sinaliza abertura.
  • Impacto no agronegócio: Exportações brasileiras podem ganhar competitividade.
  • Limites da desdolarização: Dólar segue dominante, mas perde espaço relativo.

O embate entre o BRICS e os EUA reflete uma disputa maior pelo controle do sistema financeiro global, com implicações de longo alcance para o comércio e a geopolítica.

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