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Etanol reciclado da Ambipar transforma resíduos em inovação sustentável

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Gasolina- - Foto: Edson Torres Nunes Filho / Shutterstock.com Gasolina- - Foto: Edson Torres Nunes Filho / Shutterstock.com

Um novo etanol produzido a partir de resíduos alimentícios, como balas, chocolates e sucos, está transformando o cenário dos biocombustíveis no Brasil. Desenvolvido pela Ambipar, o Ambiálcool, iniciado em 2021 em Nova Odessa, São Paulo, converte lixo da indústria alimentícia em combustível automotivo de alta pureza, aprovado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Testado em veículos flex, como o Citroën Basalt, o combustível reciclado alcança desempenho comparável ao etanol de cana, com consumo de 9,3 km/l na cidade e 11,9 km/l na rodovia. A iniciativa reduz resíduos enviados a aterros, promove a economia circular e atende à crescente demanda por combustíveis renováveis. O projeto, que já processa 500 toneladas de resíduos mensais, visa dobrar a capacidade produtiva até dezembro de 2025, destacando o Brasil como líder em inovação sustentável.

O processo começou durante a escassez de etanol na pandemia, aproveitando sobras de produção e controle de qualidade. Com parcerias com empresas como a Mondelēz, o Ambiálcool transforma materiais descartados em um recurso valioso, com potencial para gerar créditos de carbono.

Posto de Gasolina Alcool Diesel
Foto Governo do Brasil
  • Benefícios iniciais do projeto:
    • Reduz resíduos alimentícios descartados.
    • Oferece alternativa ao etanol de cana.
    • Compatível com motores flex sem ajustes.

Produção inovadora de etanol reciclado

A criação do Ambiálcool começa com a coleta de resíduos ricos em açúcar e amido, como balas, chocolates e pães, descartados por validade ou falhas de padronização. Esses materiais passam por fermentação biológica e destilação em usinas parceiras no interior de São Paulo. O processo resulta em etanol hidratado com até 95% de pureza, atendendo às normas rigorosas da ANP. Gabriel Estevam, diretor de pesquisa da Ambipar, destaca que resíduos como balas refrescantes podem ter maior concentração de açúcar que a cana, aumentando a eficiência do combustível.

O projeto também gera subprodutos, como soluções de limpeza a 46% e 70% de concentração, usadas para higienização. A Ambipar já converteu mais de 500 mil litros de álcool desde o início do projeto, com 500 toneladas de resíduos processadas por mês. A empresa planeja expandir parcerias com indústrias alimentícias para aumentar a escala de produção.

  • Etapas do processo produtivo:
    • Coleta de resíduos com alto teor de açúcar.
    • Fermentação para extrair açúcares.
    • Destilação para produzir etanol hidratado.
    • Controle de qualidade para conformidade com a ANP.

Desempenho comprovado em testes

Testes realizados pela Autoesporte com um Citroën Basalt 1.0 flex manual compararam o Ambiálcool ao etanol de posto em circuitos urbanos, rodoviários e em pista de provas. Os resultados, analisados por Rogério Gonçalves, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, mostraram diferenças mínimas. No trajeto urbano, o consumo foi de 9,3 km/l com Ambiálcool, contra 10,1 km/l com etanol comum. Na rodovia, registrou 11,9 km/l contra 12,5 km/l, superando as médias do Inmetro. Na aceleração de 0 a 100 km/h, o Ambiálcool levou 15,7 segundos, contra 15,2 segundos do etanol de posto, uma variação de apenas 3,8%.

O comportamento dinâmico do veículo permaneceu praticamente idêntico, sem alterações perceptíveis em torque ou reatividade. A compatibilidade com motores flex, sem necessidade de ajustes, reforça o potencial do Ambiálcool para integrar a matriz energética automotiva.

Benefícios ambientais e econômicos

O Ambiálcool destaca-se pela sustentabilidade, reinserindo resíduos alimentícios na cadeia produtiva. A indústria alimentícia brasileira, que movimentou R$ 1,3 trilhão em 2024, gera milhares de toneladas de lixo diariamente, grande parte destinada a aterros ou incineração. O projeto reduz essa carga ambiental, diminuindo a dependência de monoculturas como cana e milho. Cada tonelada de resíduos pode gerar de 200 a 400 litros de etanol, dependendo do teor de sacarose.

Economicamente, o custo do Ambiálcool é competitivo, com preço médio de R$ 4,27 por litro, similar ao etanol de posto, segundo a ANP. A ausência de processos produtivos intensivos, como o cultivo agrícola, compensa os custos de coleta e processamento. A possibilidade de comercializar créditos de carbono pode tornar o combustível ainda mais acessível no futuro.

  • Vantagens do Ambiálcool:
    • Redução de resíduos em aterros.
    • Menor uso de culturas agrícolas intensivas.
    • Emissões até 90% inferiores a combustíveis fósseis.
    • Potencial para créditos de carbono.

Reconhecimento internacional

A tecnologia do Ambiálcool conquistou prêmios globais, reforçando sua relevância. Em maio de 2025, venceu o Green Product Awards na categoria Audiência, em Berlim, competindo com 1.500 projetos de 45 países e recebendo mais de 50 mil votos. Em 2024, foi premiado no The Green Apple Awards, em Londres, por práticas ambientais inovadoras. Esses reconhecimentos posicionam o Brasil como referência em biocombustíveis sustentáveis, destacando a inovação da Ambipar.

A empresa mantém parcerias com gigantes como a Mondelēz e negocia com outras indústrias para escalar a produção. A meta é dobrar a capacidade produtiva até dezembro de 2025, processando mais resíduos e ampliando o alcance do projeto.

  • Prêmios conquistados:
    • Green Product Awards 2025, categoria Audiência, Berlim.
    • The Green Apple Awards 2024, Londres.
    • Único projeto latino-americano premiado em Berlim.

Obstáculos para expansão

Apesar dos avanços, o Ambiálcool enfrenta barreiras para chegar ao mercado. Atualmente, é usado apenas na frota experimental de 22 veículos da Ambipar em Nova Odessa. A escalabilidade depende de novas parcerias com indústrias e usinas, além de incentivos governamentais, que ainda não foram implementados. O odor característico do combustível, semelhante ao álcool hospitalar devido à sua alta pureza, também exige ajustes na percepção do consumidor.

A logística de coleta é outro desafio. Transportar resíduos de regiões distantes, como o Sul do Brasil, pode encarecer a produção. A Ambipar estuda instalar usinas próximas às fontes de resíduos para otimizar custos. Especialistas sugerem que o Ambiálcool pode inspirar inovações, como o uso em tecnologias híbridas, ampliando seu impacto no setor automotivo.

  • Barreiras identificadas:
    • Falta de incentivos governamentais.
    • Logística de coleta de resíduos.
    • Percepção do consumidor sobre o odor.
    • Necessidade de maior infraestrutura.

Futuro dos combustíveis renováveis

O Ambiálcool alinha-se à longa tradição do Brasil em biocombustíveis, iniciada com o Fiat 147 a álcool em 1979. A tecnologia flex, consolidada há mais de 20 anos, facilita a adoção de combustíveis reciclados. A iniciativa da Ambipar reforça a economia circular, transformando resíduos em recursos valiosos. Países como China e Estados Unidos, grandes produtores de alimentos, poderiam adotar tecnologias similares, ampliando o impacto global.

Pesquisas na USP exploram o uso de etanol em reatores de hidrogênio, o que pode diversificar ainda mais as aplicações do Ambiálcool. A Ambipar planeja expandir testes e parcerias, mas a comercialização em larga escala depende de avanços logísticos e regulatórios. O projeto prova que é possível unir sustentabilidade e desempenho, pavimentando o caminho para uma matriz energética mais limpa.

  • Inovações em desenvolvimento:
    • Uso de etanol em células de hidrogênio.
    • Expansão de parcerias industriais.
    • Testes para maior escala de produção.
    • Novos subprodutos, como soluções de limpeza.
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