Dirigir enquanto usa o celular tornou-se um dos maiores problemas de trânsito no Brasil em 2025, com multas que podem chegar a R$ 293,47 e recordes de infrações registrados em todo o país. A prática, que compromete a segurança viária, é responsável por milhares de autuações anuais, especialmente em estados como São Paulo e Minas Gerais. Dados recentes mostram um aumento significativo no número de infrações, com mais de 167 mil multas aplicadas apenas em São Paulo entre janeiro e agosto de 2024, um crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2023. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) classifica o uso do celular ao volante em diferentes categorias, com penalidades que variam de infrações médias a gravíssimas, dependendo da ação do condutor. Este cenário reflete a dificuldade em conter o uso indevido do smartphone, que eleva o risco de acidentes em até 400%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A fiscalização intensificada e os altos valores das multas visam reduzir sinistros, mas o comportamento dos motoristas ainda desafia as autoridades.
O aumento das infrações está diretamente ligado à dependência crescente de smartphones, que se tornaram indispensáveis para muitos brasileiros. Em 2024, o IBGE registrou que 89,1% da população com mais de 10 anos usava a internet, com o celular sendo o principal meio de acesso. Essa conectividade, embora prática, tem impactos negativos no trânsito, onde a distração causada pelo celular é comparada à direção sob efeito de álcool. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) alerta que digitar uma mensagem a 80 km/h equivale a dirigir com os olhos vendados por 100 metros, o equivalente a um campo de futebol.
- Tipos de infrações: O CTB diferencia três condutas com penalidades específicas.
- Riscos no trânsito: O uso do celular aumenta o risco de acidentes em 400%.
- Números alarmantes: São Paulo lidera com 37% das multas nacionais por celular.
Penalidades previstas no Código de Trânsito
O CTB, em seu artigo 252, estabelece regras claras para o uso de celulares ao volante, com punições que variam conforme a gravidade da infração. Dirigir falando ao celular, mesmo com fones de ouvido ou viva-voz, é considerado infração média, resultando em multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Já segurar ou manusear o celular, como ao digitar mensagens, é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Essas penalidades foram ajustadas em novembro de 2024, com aumentos de até 53% nos valores, refletindo a preocupação com a segurança viária.
A fiscalização, conduzida por órgãos municipais, estaduais e federais, tem se intensificado, especialmente em grandes centros urbanos. Em São Paulo, por exemplo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) registrou 36.589 multas por segurar o celular entre janeiro e novembro de 2023, uma queda de 27% em relação a 2022, mas ainda um número expressivo. Já as infrações por manusear o celular, como enviar mensagens, totalizaram 141.883 no mesmo período, um aumento de 20,3% em comparação com o ano anterior.
- Infrações médias: Falar ao celular, com ou sem fones, gera multa de R$ 130,16.
- Infrações gravíssimas: Segurar ou manusear o celular custa R$ 293,47.
- Pontuação na CNH: Até sete pontos podem ser adicionados por infração.
- Ajuste de valores: Multas subiram 53% em novembro de 2024.
Aumento de multas e recordes em 2025
O ano de 2025 tem registrado números recordes de multas por uso de celular ao volante, especialmente em estados com maior frota de veículos. São Paulo, responsável por 37% das autuações nacionais em 2021, continua liderando o ranking, com mais de 167 mil infrações entre janeiro e agosto de 2024. Minas Gerais também se destaca, com mais de 6 mil multas no primeiro trimestre de 2023, um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esses dados refletem uma tendência preocupante: mesmo com punições mais severas, muitos motoristas persistem no uso do celular.
A escalada de infrações é parcialmente atribuída ao fim das restrições da pandemia, que aumentou a circulação de veículos e, consequentemente, a fiscalização. Em 2022, o Detran-SP multou 91.151 condutores por uso de celular até abril, sendo 70.754 na capital. Esse crescimento continuou em 2024, com um aumento de 16,32% nas multas por segurar o celular e 13,23% por manuseá-lo, segundo dados do Ministério dos Transportes. A fiscalização por radares e agentes de trânsito tem se tornado mais eficiente, mas especialistas apontam que os números reais podem ser ainda maiores, já que muitos casos não são flagrados.
Perigos da distração no trânsito
A distração causada pelo celular é uma das principais causas de sinistros no Brasil, ficando atrás apenas do excesso de velocidade e da embriaguez ao volante. Estudos da Abramet revelam que o risco de acidentes aumenta em até 23 vezes ao digitar mensagens, e a atenção do condutor permanece comprometida por até três segundos após o uso do celular. A 100 km/h, isso significa percorrer mais de 90 metros sem plena concentração. Testes realizados no autódromo de Interlagos, em parceria com o Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas, mostraram que motoristas usando o celular fazem manobras bruscas e reduzem a velocidade, aumentando o risco de colisões.
Jovens com menos de 30 anos, especialmente mulheres, são os mais propensos a se distrair com o celular, segundo a Abramet. Um estudo nos Estados Unidos apontou que muitos motoristas jovens acessam redes sociais enquanto dirigem, sentindo-se “perdidos” sem o smartphone. No Brasil, 70% dos condutores reconhecem que o celular é perigoso ao volante, mas apenas 20% evitam usá-lo, indicando uma lacuna entre consciência e comportamento.
- Risco elevado: Digitar a 80 km/h é como dirigir vendado por 100 metros.
- Público jovem: Motoristas abaixo de 30 anos lideram as infrações.
- Efeito prolongado: A distração persiste após o uso do celular.
- Consciência limitada: Apenas 20% dos motoristas evitam o celular.
Medidas para evitar multas e acidentes
Para reduzir as infrações e os riscos, especialistas recomendam práticas simples, como manter o celular fora do alcance durante a condução. O uso de suportes para GPS é permitido, desde que o aparelho esteja fixado e o destino configurado antes de iniciar o trajeto. Alterar rotas ou atender chamadas deve ser feito com o veículo estacionado. O Detran-SP orienta que motoristas ativem mensagens automáticas, como “estou dirigindo, ligo depois”, para evitar distrações.
A tecnologia embarcada, como sistemas de viva-voz integrados ao veículo, é uma exceção prevista pelo Contran, mas mesmo assim exige cautela. Capacetes com sistemas de som, usados por motociclistas, também podem gerar multas se configurarem distração. A conscientização é essencial, especialmente entre motociclistas de aplicativos, que frequentemente usam o celular para checar rotas ou pedidos.
- Suporte para GPS: Permitido, se configurado com o carro parado.
- Mensagens automáticas: Reduzem a tentação de atender chamadas.
- Tecnologia embarcada: Viva-voz de fábrica é exceção à regra.
- Motociclistas: Devem evitar celular, mesmo para rotas.
Propostas para endurecer punições
Em 2022, a senadora Maria do Carmo Alves propôs dobrar o valor das multas por uso de celular ao volante, destacando que a prática é a terceira maior causa de mortes no trânsito brasileiro. Embora o projeto de lei (PL 2699/2022) ainda não tenha sido aprovado, ele reflete a preocupação com os altos índices de infrações. Especialistas, como Renato Campestrini, do Observatório Nacional de Segurança Viária, sugerem até a aplicação de fatores multiplicadores, como triplicar o valor da multa para reincidentes.
Enquanto isso, o CTB permite a conversão de multas médias em advertências, desde que o condutor não tenha outras infrações nos últimos 12 meses. Essa possibilidade, prevista no artigo 267, pode evitar os quatro pontos na CNH por falar ao celular, mas não se aplica às infrações gravíssimas. A conscientização, aliada à fiscalização rigorosa, segue como o principal caminho para mudar o comportamento dos motoristas.
- Projeto de lei: Propõe dobrar multas por uso de celular.
- Fatores multiplicadores: Sugestão para punir reincidentes.
- Conversão de multa: Possível para infrações médias, se não reincidente.