Rio de Janeiro

Traficante Ratomen morre em confronto com a Core na Cidade de Deus após homicídio de agente

Ratomen
Ratomen - Foto: Redes sociais Ratomen - Foto: Redes sociais

Na noite de 18 de agosto de 2025, Gabriel Gomes da Costa, conhecido como Ratomen, foi morto por agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) durante uma operação na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apontado como um dos responsáveis pelo assassinato do policial José Antônio Lourenço Júnior, ocorrido em maio, Ratomen era gerente de uma boca de fumo no Bairro 13 e tinha um mandado de prisão temporária expedido desde 3 de junho. A ação policial, realizada em conjunto com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), visava capturá-lo com base em informações de inteligência. Durante a abordagem, ele reagiu armado, resultando em confronto e sua morte. A operação, marcada por intensa troca de tiros, reflete o esforço contínuo da polícia para combater o crime organizado na comunidade.

A operação na Cidade de Deus foi desencadeada após meses de investigações sobre a morte do agente Lourenço, baleado na cabeça durante a Operação Gelo Podre, que apurava a produção de gelo contaminado. Ratomen, identificado como figura de alta periculosidade, era conhecido por ostentar armas e dinheiro nas redes sociais, reforçando sua imagem no submundo do crime. A ação da Core não resultou em baixas entre os policiais, mas outros criminosos da comunidade também atacaram as equipes, que conseguiram sair em segurança.

A morte de Ratomen marca um capítulo importante na busca por justiça pelo assassinato de Lourenço, mas a Polícia Civil segue investigando para capturar outros envolvidos. A operação expõe os desafios enfrentados pelas forças de segurança em áreas dominadas por facções como o Comando Vermelho, que controla o tráfico na região.

  • Principais pontos da operação:
    • Local: Cidade de Deus, Bairro 13, Zona Oeste do Rio.
    • Alvo: Gabriel Gomes da Costa, o Ratomen, gerente de uma boca de fumo.
    • Objetivo: Cumprir mandado de prisão ligado ao homicídio de José Antônio Lourenço.
    • Resultado: Confronto com morte do suspeito e apreensão de uma pistola.

Operação policial e o confronto fatal

A ação da Core na Cidade de Deus foi planejada com base em informações de inteligência que indicavam a presença de Ratomen na comunidade. Os agentes, em colaboração com a DHC, monitoraram o Bairro 13, uma área estratégica para o tráfico local. Ao localizar o suspeito, que portava uma pistola, a tentativa de abordagem resultou em confronto. Ratomen foi baleado, socorrido e levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

A operação não se limitou à neutralização do traficante. Outros criminosos na comunidade abriram fogo contra os policiais, intensificando a tensão no local. Apesar disso, a equipe da Core conseguiu controlar a situação e deixar a Cidade de Deus sem baixas. A ação destaca a complexidade de operações em áreas controladas por facções, onde confrontos são frequentes e o risco é constante.

  • Detalhes do confronto:
    • Ratomen portava uma pistola no momento da abordagem.
    • Tiros foram disparados por outros criminosos após a morte do suspeito.
    • Nenhuma baixa foi registrada entre os agentes da Core e da DHC.
    • A operação foi concluída com a apreensão da arma do traficante.

Perfil de Ratomen e sua atuação no crime

Gabriel Gomes da Costa, conhecido como Ratomen, era uma figura de destaque no tráfico da Cidade de Deus. Como gerente de uma boca de fumo no Bairro 13, ele desempenhava um papel central na logística do comércio de drogas, área dominada pela facção Comando Vermelho. Sua notoriedade, porém, também vinha de sua atividade nas redes sociais, onde publicava fotos e vídeos ostentando armas de fogo, dinheiro e um estilo de vida ligado ao crime.

Policial civil José Antônio
Policial civil José Antônio – Foto: Reprodução

Além de sua atuação no tráfico, Ratomen era conhecido por sua personalidade marcante. Em postagens, ele mesclava referências à religiosidade, com agradecimentos a Deus, e mensagens sobre superação, como a recuperação de um acidente que quase o deixou sem andar. Sua última publicação no Instagram, com a legenda “nada pode me parar”, tornou-se alvo de comentários irônicos após sua morte.

  • Aspectos do perfil de Ratomen:
    • Atuava como gerente de uma boca de fumo no Bairro 13.
    • Exibia armas e dinheiro em redes sociais, reforçando sua imagem.
    • Mencionava sequelas de um acidente em postagens recentes.
    • Ligado ao Comando Vermelho, uma das principais facções do Rio.

A morte de José Antônio Lourenço e a Operação Gelo Podre

O assassinato do agente José Antônio Lourenço, em 19 de maio de 2025, foi um marco que intensificou as ações policiais na Cidade de Deus. Lourenço, conhecido como Mocotó, era um agente experiente da Core, diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis e ex-subsecretário de Ordem Pública do Rio. Durante a Operação Gelo Podre, que investigava a produção de gelo contaminado em comunidades, ele foi baleado na cabeça por um atirador posicionado em uma seteira, a curta distância.

A operação visava fiscalizar fábricas de gelo que abasteciam quiosques na Barra da Tijuca e no Recreio, após laudos da Cedae detectarem coliformes fecais no produto. Lourenço liderava a equipe que abria caminho para policiais das delegacias do Consumidor e do Meio Ambiente, além de técnicos do Inea. Sua morte gerou comoção na corporação e na sociedade, com promessas de uma “resposta à altura” por parte da Polícia Civil.

  • Contexto da Operação Gelo Podre:
    • Investigação sobre fábricas de gelo sem licença ambiental.
    • Laudos da Cedae apontaram contaminação por coliformes fecais.
    • Lourenço foi atingido por um atirador em uma seteira.
    • A operação resultou em duas pessoas detidas para esclarecimentos.

Repercussão na comunidade e na segurança pública

A morte de Ratomen reacendeu o debate sobre a violência na Cidade de Deus e os desafios da segurança pública no Rio. A comunidade, marcada por confrontos frequentes entre policiais e traficantes, vive um cotidiano de tensão. A operação de 18 de agosto não interrompeu as atividades na região, com a Polícia Civil prometendo continuar as diligências para capturar outros suspeitos envolvidos no assassinato de Lourenço.

Moradores relatam impacto direto das operações policiais, com escolas e unidades de saúde fechadas durante ações de grande porte. Em maio, após a morte de Lourenço, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu aulas em 30 unidades na Cidade de Deus e na Gardênia Azul. A presença constante de policiais, incluindo unidades como o Bope e o GAM, reflete a estratégia de asfixiar financeiramente o tráfico, que também explora serviços como gás e internet.

  • Impactos na comunidade:
    • Suspensão de aulas em 30 escolas após operações policiais.
    • Fechamento temporário de unidades de saúde na região.
    • Aumento da presença policial para conter o avanço do Comando Vermelho.
    • Relatos de tensão constante entre moradores e forças de segurança.

Esforços contínuos da Polícia Civil

A Polícia Civil, sob comando do secretário Felipe Curi, reforçou o compromisso de não recuar até que todos os responsáveis pela morte de Lourenço sejam presos ou neutralizados. Desde maio, operações na Cidade de Deus e na Gardênia Azul resultaram na prisão de outros suspeitos, como Da Bahia, que portava armamento pesado e tinha cinco mandados de prisão. A busca por Matuê, outro suspeito que estaria ferido e escondido em uma área de mata, continua.

A estratégia da Core e da DHC combina inteligência policial com ações táticas, visando desmantelar a estrutura do Comando Vermelho na região. A morte de Ratomen é vista como um passo significativo, mas a polícia reconhece que a guerra contra o tráfico está longe do fim. Apreensões de fuzis, pistolas e granadas em operações recentes mostram o poderio bélico das facções, exigindo respostas cada vez mais robustas.

  • Ações em andamento:
    • Busca por Matuê, suspeito ferido em área de difícil acesso.
    • Prisão de Da Bahia com fuzis e granadas em 13 de agosto.
    • Reforço de unidades como Bope e GAM na Cidade de Deus.
    • Foco em asfixiar financeiramente o tráfico local.
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