A partir de 25 de agosto de 2025, trabalhadores brasileiros com carteira assinada poderão transferir empréstimos consignados entre bancos de forma totalmente digital, utilizando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, sem a necessidade de sair de casa. A iniciativa, implementada pelo governo federal em parceria com a Caixa Econômica Federal e a Dataprev, permite a portabilidade de crédito consignado por meio da Carteira de Trabalho Digital, oferecendo juros até 40% menores em comparação com contratos antigos. A medida, que beneficia cerca de 47 milhões de trabalhadores formais, incluindo empregados rurais, domésticos e motoristas de aplicativo, visa reduzir o endividamento e estimular a concorrência entre instituições financeiras. O processo é 100% online, com propostas enviadas em até 24 horas, e utiliza até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantias, diminuindo o risco para os bancos e os custos para o consumidor. A ausência de um teto de juros, no entanto, levanta preocupações sobre possíveis abusos.
A novidade integra o programa Crédito do Trabalhador, lançado em março de 2025, que já movimentou R$ 27 bilhões em empréstimos consignados, beneficiando 3,8 milhões de pessoas. A portabilidade digital permite que trabalhadores substituam dívidas caras, como cartão de crédito (com taxas de até 15,11% ao mês) ou cheque especial (7,47% ao mês), por contratos com condições mais vantajosas. A expectativa é que o volume de crédito alcance R$ 120 bilhões nos próximos quatro anos, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
- Principais benefícios da portabilidade digital:
- Juros reduzidos em até 40% em relação a contratos antigos.
- Processo 100% online via Carteira de Trabalho Digital.
- Propostas de crédito em até 24 horas.
- Uso do FGTS como garantia, sem comprometer a renda mensal.
- Possibilidade de substituir dívidas caras por contratos mais acessíveis.
A digitalização elimina a necessidade de contato presencial com bancos, simplificando o acesso a melhores condições de crédito. O sistema funciona como um leilão virtual, onde o banco original pode igualar ou melhorar a oferta da instituição concorrente, garantindo vantagens ao trabalhador.
Como a portabilidade digital funciona
O processo de portabilidade é intuitivo e acessível. O trabalhador acessa a Carteira de Trabalho Digital, autoriza o compartilhamento de dados como CPF, margem consignável e tempo de empresa, e solicita propostas de crédito. Em até 24 horas, até 70 instituições financeiras habilitadas enviam ofertas, permitindo a escolha da melhor opção. A nova instituição quita o contrato anterior e assume o crédito com juros e prazos atualizados.
A integração com a Carteira de Trabalho Digital é um marco na modernização do crédito consignado. Antes, a portabilidade exigia idas a agências bancárias, o que desencorajava muitos trabalhadores. Agora, a praticidade do aplicativo agiliza o processo, tornando-o mais acessível. A medida também beneficia negativados, já que a garantia do FGTS reduz a necessidade de análise rigorosa de crédito.
- Etapas para realizar a portabilidade:
- Acesse a Carteira de Trabalho Digital e autorize o compartilhamento de dados.
- Solicite propostas de crédito no aplicativo.
- Compare as ofertas recebidas em até 24 horas.
- Escolha a instituição com as melhores condições.
- A nova instituição quita a dívida antiga automaticamente.
O uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória em caso de demissão como garantias é um diferencial. Essas condições, ainda pendentes de regulamentação pelo Conselho Curador do FGTS até setembro de 2025, diminuem o risco de inadimplência, incentivando bancos a oferecerem taxas mais competitivas.

Por que o FGTS reduz os juros
O FGTS como garantia é um dos pilares da redução de juros. Diferentemente de empréstimos pessoais sem garantia, que podem ultrapassar 8% ao mês, o consignado privado com FGTS tem taxas médias de 3,79% ao mês, segundo dados de junho de 2025. A garantia do fundo assegura o pagamento, mesmo em casos de demissão, o que permite aos bancos oferecerem condições mais atrativas.
A medida também é estratégica para trabalhadores com dívidas caras. Contratos de cartão de crédito ou cheque especial, por exemplo, têm taxas significativamente mais altas. A portabilidade permite migrar essas dívidas para o consignado, aliviando o orçamento mensal. Além disso, as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, até o limite de 35% da renda mensal, garantindo maior controle financeiro.
Preocupações com a ausência de teto de juros
A falta de um teto regulatório para os juros do consignado privado é um ponto de atenção. Enquanto a Febraban defende que a concorrência e a garantia do FGTS manterão as taxas sob controle, especialistas alertam para o risco de práticas abusivas. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo poderá intervir com um limite máximo de juros caso sejam identificados abusos.
Outro desafio é a integração total das instituições financeiras à plataforma digital. Atualmente, 39 bancos participam do programa Crédito do Trabalhador, mas a adesão completa de todas as instituições habilitadas é essencial para maximizar a concorrência. Uma transição incompleta pode limitar as opções disponíveis, reduzindo os benefícios para os trabalhadores.
- Riscos a serem monitorados:
- Possíveis abusos nas taxas de juros sem regulamentação.
- Integração incompleta de bancos à plataforma digital.
- Falta de clareza nos contratos sobre o uso do FGTS.
- Risco de comprometimento do saldo do FGTS em longo prazo.
A regulamentação do uso do FGTS, prevista para setembro de 2025, será crucial para definir os limites e condições de garantia, garantindo transparência e segurança aos trabalhadores.
Impacto para os trabalhadores
A possibilidade de usar o FGTS para renegociar dívidas é uma oportunidade para milhões de brasileiros. O programa Crédito do Trabalhador já aprovou R$ 11,3 bilhões em consignados para mais de 2 milhões de trabalhadores até maio de 2025, com uma média de R$ 5.383,22 por contrato. A portabilidade digital amplia esse alcance, permitindo que mais pessoas substituam dívidas caras por contratos mais acessíveis.
Para trabalhadores negativados, a medida é especialmente vantajosa, já que a garantia do FGTS elimina barreiras comuns na aprovação de crédito. No entanto, é fundamental planejar o uso do fundo, que tradicionalmente serve como reserva para situações como demissão ou compra de imóvel. A decisão de utilizá-lo como garantia exige equilíbrio entre alívio imediato e segurança financeira futura.
Bancos líderes na oferta de portabilidade
O Banco do Brasil lidera o volume de empréstimos no programa Crédito do Trabalhador, com R$ 3,1 bilhões concedidos até maio de 2025. Outras instituições, como Itaú, Banco PAN e PicPay, também oferecem condições competitivas, com taxas a partir de 1,29% ao mês para antecipação do Saque-Aniversário e portabilidade de consignado. A meutudo, por exemplo, destaca-se com taxas de 1,15% ao mês para consignados de aposentados e pensionistas, segundo dados de fevereiro de 2025.
A concorrência entre bancos é um dos principais impulsionadores da redução de juros. Instituições menores, como a Up.p e o Banco Inter, também ganham espaço ao oferecer processos 100% digitais e taxas atrativas, a partir de 1,29% ao mês, para antecipações e portabilidade.
- Bancos com melhores condições em 2025:
- Banco do Brasil: maior volume de crédito, com R$ 3,1 bilhões concedidos.
- Itaú: taxas a partir de 1,75% ao mês para consignado e antecipação.
- Banco PAN: antecipação do FGTS com taxas de 1,29% ao mês.
- meutudo: taxas de 1,15% ao mês para consignados de aposentados.
- PicPay: portabilidade e antecipação com crédito em até 2 minutos.
Cuidados ao usar o FGTS como garantia
Embora a portabilidade digital seja uma ferramenta poderosa, os trabalhadores devem tomar precauções. O FGTS é uma reserva de longo prazo, e seu uso como garantia pode limitar o acesso a esses recursos em situações futuras, como compra de imóvel ou aposentadoria. Além disso, é essencial comparar o Custo Efetivo Total (CET) das ofertas, que inclui juros, taxas e encargos, para evitar surpresas.
Especialistas recomendam ler atentamente os contratos e evitar ofertas que pareçam vantajosas demais sem clareza sobre as condições. A transparência na simulação e o suporte ao cliente são critérios importantes na escolha do banco. Plataformas como Konsi e Serasa Crédito podem ajudar a comparar ofertas e encontrar as melhores taxas.
- Dicas para uma portabilidade segura:
- Compare o CET de todas as ofertas antes de contratar.
- Leia o contrato com atenção, especialmente as cláusulas sobre o FGTS.
- Evite comprometer mais de 35% da renda mensal com parcelas.
- Use plataformas confiáveis para simular e comparar propostas.
- Priorize bancos com boa reputação e suporte eficiente.
A portabilidade digital com FGTS representa um avanço significativo no acesso a crédito mais barato e na modernização do sistema financeiro. Com a implementação a partir de 25 de agosto, os trabalhadores têm uma oportunidade única de reorganizar suas finanças, desde que façam escolhas informadas e planejem o uso do fundo com cuidado.