Em entrevista ao jornal italiano “Il Giornale” nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, fez duras críticas à Fifa e à Uefa pelo calendário sobrecarregado do futebol internacional. Segundo ele, o excesso de partidas compromete a qualidade do espetáculo e aumenta o risco de lesões entre os atletas. O treinador, que assumiu o comando do Brasil após uma longa trajetória na Europa, destacou que a quantidade de jogos disputados por clubes e seleções precisa ser urgentemente revista. A declaração ocorre às vésperas de novas convocações para as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, com jogos contra Chile e Bolívia em setembro. Ancelotti também elogiou o modelo do Campeonato Brasileiro, com 18 times, e sugeriu que ligas europeias sigam o exemplo para reduzir o desgaste. A meta descrição começa aqui: Ancelotti critica Fifa e Uefa por excesso de jogos, defende menos times em ligas e aponta crise no futebol.
O italiano, conhecido por sua passagem vitoriosa pelo Real Madrid, reforçou que o futebol atual é mais intenso e analítico, mas sofre com a falta de qualidade em algumas partidas devido ao volume excessivo de compromissos. Ele destacou que a redução no número de equipes nas ligas nacionais, de 20 para 18, poderia melhorar o cenário. A proposta, segundo Ancelotti, evitaria jogos de baixa competitividade e otimizaria os custos dos clubes.
- Excesso de jogos compromete a qualidade técnica das partidas.
- Lesões frequentes afetam elencos de clubes e seleções.
- Ligas com 18 times podem reduzir custos e melhorar o espetáculo.
Revisão do calendário: uma necessidade urgente
Ancelotti já havia levantado a bandeira da revisão do calendário em sua última temporada no Real Madrid, onde comandou a equipe em 68 jogos em sete competições diferentes durante a temporada 2024/25. A agenda lotada incluiu Supercopa da Espanha, Copa do Rei, Campeonato Espanhol, Supercopa da Europa, Liga dos Campeões, Copa Intercontinental e Mundial de Clubes. Esse volume, segundo o treinador, é insustentável. Ele argumenta que a sobrecarga física e mental dos jogadores resulta em desempenhos inconsistentes e maior incidência de lesões graves, como rupturas de ligamento e problemas musculares.
O técnico também criticou a falta de diálogo entre as entidades organizadoras e os principais envolvidos no esporte, como jogadores e treinadores. Ele destacou que a ausência desses profissionais nas discussões sobre o calendário é um obstáculo para mudanças efetivas. A sugestão de reduzir o número de equipes nas ligas nacionais, como já ocorre no Brasil, na Premier League e na La Liga, foi apontada como uma solução viável para aliviar a pressão sobre os atletas.
- Redução de 20 para 18 times nas ligas nacionais.
- Menos jogos de baixa qualidade competitiva.
- Maior equilíbrio financeiro para os clubes.
- Necessidade de incluir técnicos e jogadores nas decisões.
🇧🇷⚽ Agenda intensa!
— brasil (@CBF_Futebol) August 20, 2025
O técnico Carlo Ancelotti e a comissão da Seleção Brasileira têm acompanhado de perto os principais jogos do país, visitado estádios históricos, interagido com clubes e observado atletas que podem vestir a Amarelinha.
Do Maracanã à Arena MRV, passando por… pic.twitter.com/bN9jJEXiey
Seleção brasileira: novo ciclo e desafios
Ancelotti assumiu a seleção brasileira com a missão de recuperar o protagonismo do país no cenário internacional. Na entrevista, ele elogiou a qualidade dos jogadores brasileiros e a história da equipe, mas também destacou os desafios de sua nova função. O treinador afirmou que a escolha pelo Brasil foi motivada pelo desejo de se afastar temporariamente do futebol europeu, onde comandou clubes como Milan, Chelsea, Bayern de Munique e Real Madrid. Ele vê o projeto com a seleção como uma oportunidade de construir algo novo, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026.
A próxima convocação, marcada para a segunda-feira, 25 de agosto, será crucial para definir os jogadores que enfrentarão Chile, no dia 4 de setembro, e Bolívia, no dia 9, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Ancelotti demonstrou confiança no grupo, mas reforçou que o calendário apertado também afeta as seleções, com jogadores chegando desgastados para os compromissos internacionais.
Crise geracional no futebol italiano
Além de abordar o calendário, Ancelotti comentou sobre o momento do futebol italiano, onde identificou uma “crise geracional”. Segundo ele, a Itália enfrenta dificuldades para produzir atacantes de alto nível, como ocorria nas eras de Christian Vieri, Francesco Totti, Alessandro Del Piero e Filippo Inzaghi. Embora o país tenha bons jogadores na defesa e no meio-campo, a falta de talentos ofensivos preocupa o treinador. Ele comparou o cenário atual com o Brasil, onde a abundância de jogadores técnicos continua sendo uma vantagem competitiva.
O treinador também mencionou a necessidade de maior investimento em categorias de base para reverter o quadro na Itália. Ele acredita que a renovação de talentos é essencial para manter o futebol italiano competitivo em torneios como a Eurocopa e a Copa do Mundo.
- Itália sofre com falta de atacantes de elite.
- Brasil mantém vantagem com talentos ofensivos.
- Investimento em base é crucial para renovação.
- Comparação com gerações passadas de jogadores italianos.
Impacto do calendário nos jogadores
O excesso de jogos não afeta apenas a qualidade do futebol, mas também a saúde física e mental dos atletas. Ancelotti destacou que lesões graves, como as de ligamento cruzado anterior, têm se tornado mais comuns devido ao ritmo intenso das competições. Clubes como o Real Madrid, que disputam múltiplos torneios em uma temporada, enfrentam dificuldades para manter elencos saudáveis. O treinador citou exemplos de jogadores que sofreram com longos períodos de recuperação, impactando suas carreiras e o desempenho das equipes.
A proposta de reduzir o número de partidas passa por um acordo entre clubes, federações e organizadores de torneios. Ancelotti sugeriu que a Fifa e a Uefa criem fóruns de discussão com representantes de todas as partes, incluindo os atletas, para encontrar soluções práticas. Ele acredita que um calendário mais enxuto beneficiaria não apenas os jogadores, mas também os torcedores, que teriam acesso a jogos de maior qualidade.
- Lesões graves aumentam com o calendário atual.
- Necessidade de fóruns com jogadores e técnicos.
- Benefícios para torcedores com jogos mais competitivos.
Soluções práticas para o futebol global
A ideia de reduzir o número de equipes nas ligas nacionais foi bem recebida por alguns dirigentes, mas enfrenta resistência de clubes menores, que dependem das receitas geradas por jogos adicionais. Ancelotti reconhece que o equilíbrio financeiro é um desafio, mas defende que a sustentabilidade do esporte depende de mudanças estruturais. Ele também sugeriu a revisão do formato de competições como a Liga dos Campeões, que aumentou o número de jogos com a adoção do novo modelo em 2024.
O treinador propôs ainda a criação de períodos de descanso obrigatório para os jogadores, especialmente após torneios internacionais. Essa medida, segundo ele, ajudaria a prevenir o esgotamento físico e mental, garantindo que os atletas cheguem em melhores condições para as competições de clubes e seleções.
- Revisão do formato da Liga dos Campeões.
- Períodos de descanso obrigatório para atletas.
- Equilíbrio financeiro para clubes menores.
- Sustentabilidade como prioridade no futebol.