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Nova ordem de Trump extingue fiança gratuita e intensifica repressão policial

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Trump - Foto: Brian Jason / Shutterstock.com Trump - Foto: Brian Jason / Shutterstock.com

Em 25 de agosto de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto executivo em Washington, D.C., que determina o fim do sistema de fiança sem dinheiro, uma política voltada para réus de baixa renda que não podem pagar valores para aguardar julgamento em liberdade. A medida, anunciada no Salão Oval, tem como objetivo, segundo Trump, combater a criminalidade em cidades como a capital americana, onde ele atribui a violência à liberação de réus sem pagamento de fiança. A decisão, que afeta jurisdições que adotam essa prática, gerou debates sobre justiça social e segurança pública. A assinatura ocorreu durante um encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, em um momento de tensões diplomáticas e foco interno na repressão policial. O decreto reflete a agenda de Trump de endurecer políticas criminais, enquanto críticos apontam riscos de desigualdade no sistema judiciário.

A política de fiança sem dinheiro permite que réus, especialmente os de baixa renda, aguardem julgamento sem custos financeiros, desde que não representem risco à sociedade. Trump, no entanto, alega que a prática incentiva crimes, apesar de dados da polícia de Washington indicarem que a capital registrou períodos sem homicídios em 2025, incluindo semanas consecutivas em fevereiro e março. A decisão do presidente se insere em um contexto de reforço da presença policial em áreas urbanas, com Trump sugerindo a possibilidade de enviar a Guarda Nacional para cidades como Chicago, onde a violência é uma preocupação constante.

O decreto também reacende discussões sobre o papel dos estados na justiça criminal. Embora Trump defenda que decisões sobre aborto devem ser estaduais, ele argumenta que políticas como a fiança sem dinheiro devem ser controladas federalmente, evidenciando contradições em sua abordagem sobre autonomia local. A medida é parte de uma série de ações executivas que buscam reforçar a segurança pública, mas que enfrentam resistência de defensores dos direitos civis, que temem impactos desproporcionais sobre comunidades vulneráveis.

  • Principais pontos do decreto:
    • Extinção da fiança sem dinheiro em jurisdições que adotam a prática.
    • Reforço da repressão policial em áreas urbanas com alta criminalidade.
    • Justificativa de Trump baseada na redução de crimes violentos.
    • Críticas de grupos que apontam aumento da desigualdade no sistema judicial.

Reações à extinção da fiança sem dinheiro

A decisão de Trump gerou reações imediatas de diversos setores da sociedade americana. Organizações de direitos civis, como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), criticaram a medida, afirmando que ela penaliza réus de baixa renda, que ficarão presos por não terem condições de pagar fiança. Um estudo da Universidade de Princeton, publicado em 2024, mostrou que sistemas de fiança sem dinheiro reduziram a superlotação carcerária em 15% em cidades como Nova York, sem aumento significativo nas taxas de criminalidade.

Por outro lado, aliados de Trump, como o conselheiro Stephen Miller, defenderam o decreto, alegando que a fiança sem dinheiro facilita a liberação de indivíduos perigosos. Miller afirmou, durante uma coletiva, que a medida trouxe resultados em Washington, onde, segundo ele, moradores voltaram a usar joias e relógios nas ruas, algo que teriam evitado por medo de crimes. Dados da polícia local, no entanto, contradizem a narrativa de um aumento desenfreado da criminalidade, mostrando que a capital teve uma sequência de 11 dias sem homicídios em agosto de 2025.

O decreto também enfrenta resistência de juízes e legisladores estaduais, que argumentam que a intervenção federal viola a autonomia dos estados. Em estados como Califórnia e Nova Jersey, onde reformas na fiança foram implementadas nos últimos anos, autoridades locais prometeram contestar a ordem executiva na Justiça, alegando que ela compromete avanços na equidade do sistema penal.

  • Impactos esperados da medida:
    • Aumento da população carcerária em jurisdições afetadas.
    • Possível sobrecarga de tribunais devido a processos contestando o decreto.
    • Reação de estados com políticas progressistas, como Califórnia e Nova York.
    • Polêmicas sobre a centralização do poder federal em questões criminais.

Contexto da repressão policial intensificada

A assinatura do decreto ocorre em um momento em que Trump intensifica sua agenda de segurança pública. Durante a mesma semana, o presidente sugeriu o envio de tropas da Guarda Nacional para cidades como Chicago, onde a violência armada é um problema crônico. Em uma declaração no Salão Oval, ele afirmou que poderia “resolver Chicago em uma semana”, embora não tenha detalhado planos concretos. A retórica de Trump sobre segurança reflete sua experiência como empresário em Nova York, onde lidava com políticos locais para aprovar projetos, e agora se traduz em uma abordagem centralizada para lidar com a criminalidade.

Além disso, Trump propôs outras medidas controversas, como a criminalização da queima de bandeiras, com pena de até um ano de prisão, apesar de decisões da Suprema Corte que protegem essa prática como liberdade de expressão. Ele também expressou o desejo de renomear o Departamento de Defesa para “Departamento de Guerra”, argumentando que o termo soa mais forte e reflete uma postura mais agressiva. Essas propostas reforçam a imagem de um governo focado em endurecer políticas internas e externas.

Policia EUA
Policia EUA – Foto: halbergman/ Istockphoto.com

Relações internacionais no centro das atenções

Paralelamente à agenda de segurança, Trump usou o encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, para discutir questões comerciais e de defesa. A reunião, realizada no mesmo dia da assinatura do decreto, foi marcada por tensões devido a eventos políticos na Coreia do Sul, onde o ex-presidente Yoon Suk Yeol enfrenta acusações relacionadas a uma tentativa de impor lei marcial. Trump questionou a estabilidade do país asiático, mas elogiou a relação com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e sugeriu a possibilidade de um novo encontro.

Durante a coletiva, Trump anunciou planos para contratar navios sul-coreanos e permitir a entrada de estudantes chineses nos EUA, em um esforço para fortalecer laços econômicos com a Ásia. No entanto, suas declarações sobre a Coreia do Sul, incluindo comentários sobre um possível “expurgo ou revolução”, geraram preocupações entre diplomatas, que temem impactos nas negociações bilaterais.

  • Destaques do encontro com Lee Jae Myung:
    • Discussões sobre acordos comerciais e construção naval.
    • Elogios de Trump ao líder norte-coreano, Kim Jong-un.
    • Críticas à instabilidade política na Coreia do Sul.
    • Proposta de facilitar a entrada de estudantes chineses nos EUA.

Caso de imigração reacende debates

Outro tema que ganhou destaque na mesma semana foi o caso de Kilmar Armando Abrego Garcia, um imigrante preso novamente após ser deportado indevidamente para El Salvador. O governo Trump anunciou planos para deportá-lo para Uganda, uma decisão que gerou críticas de advogados e defensores de direitos humanos. Uma petição de habeas corpus foi apresentada em Maryland, alegando que Garcia não teve a chance de expressar temores de perseguição em Uganda.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Garcia está sendo processado para deportação, mas não esclareceu o destino final. O caso ilustra as tensões em torno da política de imigração de Trump, que combina deportações aceleradas com medidas que, segundo críticos, violam direitos básicos. A ordem judicial de Maryland, que garante 48 horas de prazo após petições de habeas corpus, está sendo usada para contestar a deportação.

Avanços e contradições na agenda de Trump

A agenda de Trump combina medidas de endurecimento interno com uma postura imprevisível em política externa. Enquanto o presidente celebra resultados como a sequência de dias sem homicídios em Washington, suas alegações sobre a criminalidade são frequentemente contestadas por dados oficiais. A extinção da fiança sem dinheiro é vista como parte de um esforço para projetar uma imagem de força, mas pode enfrentar obstáculos legais e resistência popular.

No âmbito internacional, Trump busca equilibrar relações com aliados como a Coreia do Sul e adversários como a China, enquanto mantém uma retórica combativa sobre questões como a guerra na Ucrânia. Suas declarações sobre líderes como Vladimir Putin e Kim Jong-un sugerem uma abordagem personalista, que contrasta com a necessidade de estabilidade em acordos globais.

  • Contradições na agenda de Trump:
    • Defesa da autonomia estadual em temas como aborto, mas intervenção federal na justiça criminal.
    • Elogios a líderes autoritários enquanto nega práticas ditatoriais.
    • Foco em segurança pública com alegações não comprovadas sobre criminalidade.
    • Propostas simbólicas, como renomear o Departamento de Defesa, sem planos concretos.
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