A Toyota anunciou uma nova picape intermediária híbrida, baseada na plataforma do Corolla Cross, com produção confirmada para a fábrica de Sorocaba, São Paulo, e estreia global prevista para 2027 nos Estados Unidos, chegando à América Latina, incluindo Brasil e Argentina, em 2028. O modelo, que competirá diretamente com Fiat Toro, Ford Maverick e Renault Niagara, utilizará a plataforma TNGA-C e terá opções de motorização híbrida flex, incluindo um sistema plug-in (PHEV-FFV) com até 222 cv. A novidade faz parte de um investimento de R$ 11 bilhões da Toyota no Brasil até 2030, visando fortalecer a produção local e a sustentabilidade com o uso de etanol. O projeto, inspirado no conceito EPU apresentado no Salão de Tóquio 2023, promete unir a versatilidade de uma picape à dirigibilidade de um SUV, marcando a entrada da Toyota no crescente segmento de picapes compactas eletrificadas.
O anúncio oficial veio de Cooper Ericksen, vice-presidente de planejamento da Toyota Motor North America, em entrevista à revista MotorTrend. Ele destacou que a decisão de lançar a picape já foi tomada, com foco inicial no mercado norte-americano, onde a Toyota espera vender entre 100 mil e 150 mil unidades anualmente. No Brasil, a produção em Sorocaba reforça a estratégia da marca de atender à demanda regional por veículos mais eficientes e versáteis.
- Principais características esperadas:
- Plataforma TNGA-C, compartilhada com Corolla e Corolla Cross.
- Motorização híbrida flex com opções de 2.0 e 2.5 litros.
- Tração integral em versões topo de linha.
- Design inspirado no conceito EPU, com 5,07 metros de comprimento.
- Produção local com foco em sustentabilidade e etanol.
Detalhes da nova picape
A nova picape da Toyota será construída sobre a plataforma TNGA-C, garantindo uma estrutura monobloco que privilegia conforto e dirigibilidade, diferentemente das picapes tradicionais com chassi de longarinas, como a Hilux. Com cerca de 5,07 metros de comprimento, o modelo terá dimensões próximas às da Ford Maverick, mas um entre-eixos alongado, estimado em 2,80 metros, para acomodar uma caçamba funcional com capacidade de carga entre 800 e 1.000 kg. O design deve incorporar elementos do conceito EPU, apresentado no Salão de Tóquio 2023, como linhas modernas e robustas, faróis exclusivos e uma tampa traseira com abertura inovadora.
A motorização é um dos grandes diferenciais. A Toyota planeja oferecer uma versão híbrida flex plug-in (PHEV-FFV), com um motor 2.5 flex de ciclo Atkinson combinado a dois motores elétricos, entregando potência combinada de até 222 cv. A bateria de 18,1 kWh permitirá uma autonomia elétrica de até 75 km, ideal para uso urbano. Além disso, versões de entrada podem contar com o motor 2.0 Dynamic Force flex, com 175 cv, sem eletrificação, garantindo opções acessíveis.
O projeto reforça a aposta da Toyota na eletrificação. A escolha pelo sistema híbrido flex, que utiliza etanol, alinha-se à realidade brasileira, onde o combustível renovável é amplamente disponível. A produção local de motores e baterias em Porto Feliz (SP) reduz a dependência de importações e fortalece a cadeia produtiva nacional.
Investimento e produção em Sorocaba
A Toyota está investindo R$ 11 bilhões no Brasil até 2030, com R$ 6 bilhões destinados ao período de 2026 a 2030. Parte desses recursos será usada para adaptar a fábrica de Sorocaba, que já produz o Corolla Cross e, a partir de 2025, receberá o Yaris Cross. A nova ala da planta, com conclusão prevista para 2026, permitirá a produção da picape híbrida, consolidando Sorocaba como um polo estratégico da marca na América Latina.
A produção local também inclui a fabricação de motores flex e baterias, um marco para a independência tecnológica da Toyota no Brasil. A estratégia visa atender à crescente demanda por veículos eletrificados, especialmente no segmento de picapes intermediárias, que tem atraído consumidores urbanos e frotistas.
- Impactos da produção local:
- Geração de empregos diretos e indiretos em Sorocaba.
- Redução de custos com importação de componentes.
- Fortalecimento da cadeia de suprimentos nacional.
- Foco em sustentabilidade com uso de etanol.

Concorrência no segmento de picapes
O mercado de picapes intermediárias no Brasil é altamente competitivo, com a Fiat Toro liderando as vendas, seguida por Chevrolet Montana, Ford Maverick e Ram Rampage. A entrada da Toyota nesse segmento, prevista para 2028 no Brasil, intensificará a disputa. A Ford Maverick Hybrid, única picape eletrificada do segmento atualmente, será a principal rival da nova Toyota, que aposta na tração integral e na eficiência do sistema PHEV-FFV para se destacar.
Outras marcas também planejam novidades. A Renault prepara a Niagara para 2026, enquanto a Volkswagen trabalha na Tarok e a GWM na Poer, ambas com possíveis versões híbridas. A Toyota, no entanto, tem a vantagem de sua reputação de confiabilidade e da experiência com híbridos, consolidada com modelos como Corolla e Corolla Cross.
- Concorrentes diretos:
- Fiat Toro: Líder de vendas, com foco em versatilidade.
- Ford Maverick Hybrid: Tecnologia híbrida já consolidada.
- Renault Niagara: Previsto para 2026, com design moderno.
- Ram Rampage: Aposta em desempenho e luxo.
- GWM Poer: Produção local e tecnologia avançada.
Tecnologia híbrida flex e sustentabilidade
A motorização híbrida flex plug-in é o coração do projeto. O sistema PHEV-FFV combina um motor a combustão 2.5 flex com dois motores elétricos, um no eixo dianteiro e outro no traseiro, garantindo tração 4×4 sem a necessidade de um cardã. A bateria de íons de lítio, com 18,1 kWh, oferece até 75 km de autonomia elétrica, ideal para trajetos urbanos. Testes realizados com o RAV4 plug-in mostram consumo de 17,7 km/l na cidade com gasolina, e a Toyota espera resultados similares com etanol, ajustados às condições brasileiras.
A escolha pelo etanol reforça o compromisso da Toyota com a sustentabilidade. O combustível renovável reduz emissões de carbono, alinhando-se às metas globais de descarbonização. Além disso, a produção local de baterias e motores híbridos em Porto Feliz (SP) minimiza a pegada ambiental do processo fabril.
Design e funcionalidades esperadas
O design da picape será inspirado no conceito EPU, com linhas modernas e robustas que remetem ao Corolla Cross, mas com elementos exclusivos, como para-choques reforçados e uma caçamba funcional. O interior deve herdar o acabamento premium do SUV, com central multimídia de tela flutuante, painel digital e o pacote Toyota Safety Sense, que inclui frenagem autônoma, piloto automático adaptativo e assistente de permanência em faixa.
- Recursos esperados:
- Seis airbags e controle de estabilidade.
- Freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold.
- Central multimídia com conectividade Apple CarPlay e Android Auto.
- Suspensão ajustada para maior conforto em uso urbano.
A picape terá cabine dupla, com foco em conforto para cinco ocupantes, e um entre-eixos alongado para maximizar o espaço interno. A capacidade de carga, estimada entre 800 e 1.000 kg, a torna competitiva com a Fiat Toro e a Ram Rampage.
Estratégia global e mercado sul-americano
Embora a estreia global esteja marcada para 2027 nos Estados Unidos, a chegada à América Latina, incluindo Brasil e Argentina, está prevista para 2028. A Toyota planeja posicionar a picape como uma alternativa acessível à Hilux, com foco em consumidores urbanos que buscam eficiência energética e versatilidade. Na Argentina, o modelo também será estratégico, competindo com a Fiat Toro e a Renault Oroch, que dominam o segmento na região.
A produção em Sorocaba permitirá à Toyota atender à demanda sul-americana com custos reduzidos, aproveitando incentivos fiscais e a infraestrutura local. A estratégia reforça a posição do Brasil como um hub de produção de veículos híbridos na América Latina, com potencial para exportação para outros países da região.
- Mercados-alvo na América Latina:
- Brasil: Foco em consumidores urbanos e frotistas.
- Argentina: Competição com Toro e Oroch.
- Chile e Colômbia: Expansão para mercados emergentes.
- México: Possível exportação a partir do Brasil.
Expectativas para o lançamento
A nova picape da Toyota chega em um momento de transformação do mercado automotivo, com a eletrificação ganhando espaço no segmento de utilitários. A combinação de tecnologia híbrida flex, produção local e design inspirado no Corolla Cross posiciona o modelo como uma forte concorrente no segmento. A Toyota espera repetir o sucesso de seus híbridos, como o Corolla, que lidera as vendas de eletrificados no Brasil.
A revelação oficial pode ocorrer no Salão do Automóvel de São Paulo em 2025, antes da estreia global. Até lá, a Toyota deve intensificar os testes do sistema PHEV-FFV no Brasil, garantindo que a picape atenda às condições locais de uso, como estradas rurais e trânsito urbano intenso.