Lucas Perri, goleiro que brilhou no Botafogo entre 2022 e 2023, abriu um processo trabalhista contra a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube na 65ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, exigindo R$ 2.834.964,68 por pendências contratuais. A ação, protocolada na quinta-feira, 4 de setembro de 2025, envolve valores relacionados a direitos de imagem, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e verbas rescisórias não pagas. A primeira audiência está agendada para 5 de novembro de 2025. Perri, atualmente no Leeds United, da Inglaterra, tentou resolver a questão amigavelmente, mas, sem acordo, optou pela via judicial. O caso, revelado inicialmente pelo jornal O Globo, reacende debates sobre a gestão financeira das SAFs no futebol brasileiro.
O jogador, que se destacou na reconstrução do Botafogo sob o comando da SAF, também marcou história ao ser convocado para a Seleção Brasileira em 2023, interrompendo um jejum de quatro anos sem atletas alvinegros na equipe nacional. A transferência para o Lyon, da França, no início de 2024, e posteriormente para o Leeds, em 2025, consolidou sua carreira internacional. A ação judicial expõe desafios enfrentados pelo Botafogo na quitação de compromissos financeiros, mesmo após acordos para pagamento de dívidas trabalhistas.
- Principais reivindicações: Direitos de imagem, FGTS e verbas rescisórias.
- Valor cobrado: R$ 2.834.964,68, incluindo luvas contratuais.
- Audiência inicial: Marcada para 5 de novembro de 2025.
- Histórico do jogador: Titular no Botafogo e convocado para a Seleção em 2023.
Detalhes da ação judicial
A ação movida por Lucas Perri na 65ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro detalha pendências financeiras que, segundo a defesa do goleiro, não foram honradas pelo Botafogo. O maior montante, R$ 1.293.240,24, refere-se a parcelas de luvas contratuais que teriam deixado de ser pagas entre janeiro de 2024 e agosto de 2025. Além disso, a cobrança inclui valores proporcionais de FGTS, férias, 13º salário e multas contratuais, reforçando a complexidade do caso. A defesa do atleta informou que tentou negociações extrajudiciais com a SAF, mas a ausência de acordo levou à judicialização.
O processo ocorre em um momento delicado para o Botafogo, que já enfrentou outros litígios trabalhistas. Em 2023, o clube anunciou um acordo para quitar dívidas trabalhistas acumuladas em até dez anos, mas casos como o de Perri sugerem que pendências persistem. A SAF, gerida pelo grupo Eagle sob o comando de John Textor, optou por não comentar o caso, assim como a defesa do jogador, que preferiu manter o silêncio até a audiência.
Trajetória de Lucas Perri no Botafogo
Lucas Perri chegou ao Botafogo em 2022, após passagens por São Paulo, Crystal Palace e Náutico. No clube carioca, rapidamente conquistou a titularidade, destacando-se pela segurança no gol e por defesas decisivas. Sua performance contribuiu para a ascensão do time na Série A do Campeonato Brasileiro, culminando na convocação para a Seleção Brasileira em 2023.
- Jogos pelo Botafogo: 67 partidas, com 37 jogos sem sofrer gols.
- Convocação histórica: Primeiro jogador do clube na Seleção em quatro anos.
- Transferências: Vendido ao Lyon em 2024 e ao Leeds em 2025.
- Impacto no clube: Símbolo da reconstrução da SAF alvinegra.
O goleiro foi peça-chave na consolidação do projeto da SAF, que transformou o Botafogo em um clube competitivo. Sua saída para o Lyon, também controlado pelo grupo Eagle, gerou debates sobre a gestão de contratos e pagamentos no clube.
Contexto financeiro da SAF do Botafogo
A SAF do Botafogo, criada em 2022, trouxe mudanças significativas para a gestão do clube, com investimentos robustos e a chegada de jogadores de destaque. No entanto, a transição para o modelo de Sociedade Anônima também revelou desafios financeiros. Em 2023, o clube protocolou um plano para quitar R$ 400 milhões em dívidas trabalhistas, com parcelamentos que se estendem até 2033. Apesar disso, ações como a de Perri indicam que nem todas as obrigações foram cumpridas.
O caso também reflete um cenário comum no futebol brasileiro, onde disputas trabalhistas frequentemente chegam à Justiça. Clubes como Vasco, Flamengo e Corinthians já enfrentaram situações semelhantes, com jogadores cobrando direitos não pagos. No caso do Botafogo, a penhora de ativos em 2023 por atrasos no pagamento de dívidas trabalhistas evidencia a complexidade da gestão financeira pós-SAF.
- Dívidas totais: Cerca de R$ 400 milhões, segundo acordo de 2023.
- Prazo de pagamento: Até 10 anos, com início em 2023.
- Outros processos: Casos como o do técnico Tiago Nunes, que cobrou R$ 2 milhões.
- Impacto financeiro: Penhoras e ações judiciais afetam a imagem da SAF.
Repercussão no futebol brasileiro
A ação de Lucas Perri contra o Botafogo gerou discussões entre torcedores e analistas sobre a sustentabilidade do modelo SAF no Brasil. Enquanto a iniciativa trouxe modernização e competitividade, casos de inadimplência reacendem críticas sobre a transparência na gestão de contratos. O silêncio de ambas as partes no processo reforça a cautela com que o tema é tratado, especialmente em um momento em que o Botafogo se prepara para jogos decisivos, como a partida de volta da Copa do Brasil contra o Vasco.
O caso também destaca a importância de acordos trabalhistas claros no futebol. A convocação de Perri para a Seleção e sua trajetória internacional contrastam com as pendências contratuais, evidenciando a necessidade de maior rigor na administração financeira dos clubes. A audiência de novembro será um marco para determinar se o Botafogo cumprirá as exigências ou enfrentará novas sanções.
Histórico de disputas trabalhistas no futebol
O futebol brasileiro tem um longo histórico de disputas trabalhistas, com clubes frequentemente acionados na Justiça por jogadores e treinadores. No caso do Botafogo, a SAF já enfrentou outros processos, como o do técnico Tiago Nunes, que cobrou R$ 2 milhões por descumprimento de acordo após sua demissão em 2024. Essas ações expõem vulnerabilidades na gestão financeira, mesmo em clubes que adotaram o modelo SAF.
- Casos semelhantes: Ação de Alan Santos contra o Botafogo em 2022, com cobrança de R$ 1,2 milhão.
- Tendência nacional: Clubes como Vasco e Corinthians também enfrentam processos trabalhistas.
- Impacto no esporte: Disputas afetam a reputação e o planejamento dos clubes.
- Judicialização: Cresce o número de ações na Justiça do Trabalho no futebol.
O caso de Perri, embora significativo, não é isolado. Ele reflete um padrão no futebol brasileiro, onde a profissionalização ainda enfrenta barreiras para garantir o cumprimento integral de obrigações trabalhistas.
Próximos passos do processo
A audiência marcada para 5 de novembro de 2025 será o primeiro passo para definir o desfecho da ação de Lucas Perri contra o Botafogo. Até lá, a SAF do clube terá a oportunidade de apresentar sua defesa e, possivelmente, propor um novo acordo para evitar penalidades maiores. O desfecho do caso pode influenciar outras negociações trabalhistas no clube e no futebol brasileiro como um todo.
Enquanto isso, Perri segue focado em sua carreira no Leeds United, onde tem se destacado na segunda divisão inglesa. Sua ação contra o Botafogo, no entanto, mantém o goleiro ligado ao clube carioca, agora em um contexto judicial. O resultado do processo pode trazer novas discussões sobre a gestão da SAF e os desafios de equilibrar competitividade esportiva com responsabilidade financeira.