Na manhã de 7 de setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou o desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sob o tema “Brasil Soberano”. Acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, Lula chegou às 9h04 em carro aberto, saudando o público. O evento, que celebrou o Dia da Independência, reuniu autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e diversos ministros, mas foi marcado pela ausência dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Parte do público gritou “sem anistia”, em referência a um projeto em tramitação no Congresso para anistiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A cerimônia destacou a defesa da soberania nacional, a organização da COP30 e obras do novo PAC, em resposta às tarifas impostas pelos EUA.
O desfile, iniciado às 9h, trouxe exibições militares, bandeiras gigantes e mensagens sobre sustentabilidade e desenvolvimento. A presença de Hugo Motta na tribuna gerou reações no público, que expressou descontentamento com o projeto de anistia. A escolha do tema “Brasil Soberano” reflete a resposta do governo às tensões internacionais, especialmente após as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o julgamento de Jair Bolsonaro.
- Principais destaques do evento:
- Exibições das Forças Armadas, incluindo desfiles de tanques e tropas.
- Participação de 38 autoridades, entre ministros e líderes militares.
- Ausência notável dos ministros do STF, sem justificativa oficial.
- Gritos de “sem anistia” ecoaram entre o público presente.
Reações do público e contexto político
A presença de Hugo Motta, presidente da Câmara, intensificou as manifestações de parte do público, que entoou “sem anistia” em referência ao projeto que tramita no Congresso. A proposta, ainda em fase inicial, busca anistiar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, gerando divisões entre parlamentares e a sociedade. O desfile ocorreu em um momento de tensão política, com o julgamento de Jair Bolsonaro no STF, iniciado em 2 de setembro, sob relatoria de Alexandre de Moraes.
O público, estimado em milhares, ocupou a Esplanada dos Ministérios, acompanhando as apresentações militares e culturais. Apesar do tom festivo, as manifestações contra a anistia evidenciaram a polarização em torno do tema. O governo, por sua vez, reforçou o discurso de unidade e soberania, com faixas e mensagens destacando o mote “Brasil Soberano”.
- Fatos que marcaram o evento:
- Gritos contra a anistia durante a passagem de Hugo Motta.
- Ausência de confrontos ou incidentes graves, segundo a Polícia Militar.
- Forte presença de bandeiras brasileiras e símbolos nacionais.
- Participação de escolas e bandas marciais locais.
Tema Brasil Soberano e resposta às tarifas de Trump
O mote “Brasil Soberano” foi escolhido como resposta direta às tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada em julho de 2025, foi justificada pelo presidente americano com críticas ao julgamento de Bolsonaro, considerado por ele uma “vergonha internacional”. Durante o desfile, o governo brasileiro destacou ações para fortalecer a economia e a autonomia nacional, como os investimentos do novo PAC e a preparação para a COP30, prevista para 2026 em Belém.
Lula, em discurso breve após o desfile, reforçou a importância de proteger os interesses do país. Ele mencionou o fortalecimento das indústrias locais e a ampliação de parcerias internacionais para mitigar os impactos das tarifas. A presença de ministros como Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) reforçou o compromisso com pautas de sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
- Medidas destacadas no discurso de Lula:
- Ampliação de obras do novo PAC em infraestrutura.
- Preparativos para a COP30, com foco em sustentabilidade.
- Estratégias para enfrentar as tarifas impostas pelos EUA.
- Incentivo à produção industrial e agrícola nacional.
Ausência do STF e tensões políticas
A ausência dos ministros do STF no desfile foi notada por analistas e pelo público. Embora não tenha sido oficialmente justificada, especula-se que a decisão esteja ligada às tensões com o Congresso, especialmente em torno do julgamento de Bolsonaro e do projeto de anistia. O STF, sob pressão desde o início do processo em 2 de setembro, tem enfrentado críticas de setores políticos que apoiam o ex-presidente.
A Primeira Turma do STF, responsável pelo caso, iniciará a votação na terça-feira, 9 de setembro, com expectativa de desdobramentos significativos. A ausência dos ministros no evento cívico, um dos mais simbólicos do país, foi interpretada como um sinal de distanciamento em meio ao clima político acirrado.
- Pontos de atenção sobre o STF:
- Julgamento de Bolsonaro iniciado em 2 de setembro.
- Primeira Turma do STF votará a partir de 9 de setembro.
- Tensões com o Congresso sobre o projeto de anistia.
Participação de autoridades e simbolismo do evento
O desfile reuniu 38 autoridades, incluindo líderes das Forças Armadas, como o almirante Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e o general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva (Exército). A presença de ministros de partidos que recentemente deixaram a base do governo, como Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte), também chamou atenção. Sabino, do União Brasil, usou o boné “Brasil Soberano”, em um gesto que foi interpretado como tentativa de reforçar sua posição no governo.
O evento foi marcado por apresentações culturais, com bandas marciais e grupos folclóricos, além de exibições aéreas da Força Aérea Brasileira. A organização destacou a participação de crianças e jovens de escolas públicas, reforçando o caráter cívico da celebração.
- Autoridades em destaque no desfile:
- Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento.
- Hugo Motta, presidente da Câmara, alvo de protestos.
- Celso Sabino, ministro do Turismo, sob pressão do União Brasil.
- Marina Silva, reforçando pautas ambientais para a COP30.
- Simone Tebet, presente com foco no planejamento econômico.
Organização e logística do desfile
A logística do desfile envolveu meses de preparação, com a mobilização de cerca de 3 mil militares e 500 civis, segundo o Ministério da Defesa. A Esplanada dos Ministérios foi fechada ao tráfego desde a noite de sábado, garantindo segurança e espaço para o público. A Polícia Militar do Distrito Federal estimou um público de 50 mil pessoas, sem registros de incidentes graves.
As apresentações incluíram tanques, helicópteros e demonstrações de paraquedistas, além de um bandeirão de 300 metros quadrados levado por cadetes. A organização do evento priorizou mensagens de unidade nacional e sustentabilidade, com faixas destacando a COP30 e o novo PAC.
- Detalhes da logística:
- Mobilização de 3 mil militares e 500 civis.
- Público estimado em 50 mil pessoas.
- Bandeirão de 300 metros quadrados como destaque visual.
- Fechamento da Esplanada desde a noite de sábado.