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Israel intensifica ofensiva e ordena evacuação total da Cidade de Gaza

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Jash Y Shah/Shutterstock.com Jash Y Shah/Shutterstock.com

Israel ordenou a evacuação total da Cidade de Gaza nesta terça-feira, 9 de setembro de 2025, intensificando sua ofensiva militar contra o Hamas na maior cidade da Faixa de Gaza. A decisão, anunciada pelo Exército israelense por meio de mensagens nas redes sociais e panfletos lançados por aviões, gerou pânico entre os cerca de 1 milhão de moradores, que enfrentam a escolha entre fugir para o sul ou permanecer em meio a bombardeios. O governo de Benjamin Netanyahu justificou a ação como parte de um plano para neutralizar o Hamas, grupo responsável pelo ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou o conflito. A ordem ignora apelos internacionais por um cessar-fogo, enquanto a população enfrenta condições humanitárias críticas, incluindo risco de fome. A movimentação de deslocados já é visível, com famílias carregando pertences em direção à região de Al-Mawasi, designada como zona humanitária.

A decisão marca a primeira vez que Israel emite um aviso de evacuação total para a Cidade de Gaza desde o início do plano de tomada da região, em agosto de 2025. Até então, ordens parciais haviam sido direcionadas a bairros específicos. A ofensiva atual, chamada Operação Gideon’s Chariots II, visa assumir o controle total da cidade, que o Exército afirma ser um reduto do Hamas.

  • Objetivo militar: Israel busca desmantelar a infraestrutura do Hamas e libertar reféns.
  • Impacto imediato: Aumenta o deslocamento de civis e o risco de crise humanitária.
  • Contexto: A guerra, iniciada em outubro de 2023, já matou mais de 64 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
  • Reação internacional: Pedidos de cessar-fogo por Egito e EUA foram ignorados por Israel.

Avanço militar e suas consequências

O Exército israelense já controla cerca de 40% da Cidade de Gaza, segundo suas próprias declarações, com operações que incluem bombardeios aéreos e incursões terrestres. Na última semana, a destruição da torre Al Ruya, um dos edifícios mais altos da região, simbolizou a intensidade dos ataques. Israel alega que a estrutura abrigava “infraestrutura terrorista”, enquanto moradores denunciam a destruição indiscriminada de prédios residenciais. A ofensiva resultou na morte de quatro soldados israelenses em um ataque com explosivos na segunda-feira, 8 de setembro, o que aumentou a pressão para uma resposta militar mais agressiva.

A evacuação ordenada visa abrir caminho para uma nova fase de operações, com o Exército prometendo atuar “com grande força”. O porta-voz militar Avichay Adraee orientou a população a seguir pelo eixo Al Rashid em direção ao sul, para a área de Al-Mawasi. No entanto, a região designada como zona humanitária enfrenta superlotação e escassez de recursos, como água, alimentos e abrigo, segundo relatos de organizações de ajuda.

  • Alvos militares: Israel foca em neutralizar túneis e bases do Hamas.
  • Risco humanitário: Al-Mawasi não tem estrutura para receber mais deslocados.
  • Mortes confirmadas: Cerca de 399 pessoas morreram de fome em Gaza, conforme ONGs.
  • Escalada recente: Bombardeios destruíram pelo menos dois prédios residenciais nos últimos dias.

Reações da população e do Hamas

A ordem de evacuação gerou cenas de desespero na Cidade de Gaza. Famílias foram vistas carregando pertences em carros, carroças e até a pé, enquanto tentam escapar dos combates. Um morador identificado como Mohammad, de 55 anos, relatou que decidiu deixar a cidade com sua filha após resistir inicialmente, temendo pela segurança de sua família. Hospitais como Al Shifa e Al Ali anunciaram planos de evacuação, mas médicos afirmam que não abandonarão pacientes, mesmo sob risco.

O Hamas, por sua vez, condenou a ação como “deslocamento forçado” e uma violação das leis internacionais. O grupo, que controla partes de Gaza, insiste que não desarmará a menos que um estado palestino independente seja estabelecido. Em comunicado, o Hamas acusou Israel de usar bombardeios e ameaças para forçar a saída de civis, agravando a crise humanitária. O grupo também destacou que a guerra, iniciada após seu ataque em outubro de 2023, já deixou mais de 64 mil mortos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

Esforços por um cessar-fogo

A comunidade internacional intensificou esforços para mediar um cessar-fogo, mas as negociações seguem sem progresso. Egito, Qatar e Estados Unidos apresentaram propostas para suspender os combates em troca da libertação de reféns – cerca de 48 ainda estão em cativeiro, com 20 considerados vivos por Israel. Uma nova proposta americana, apresentada na segunda-feira, 8 de setembro, foi bem recebida pelo Hamas, mas Israel ainda não respondeu oficialmente.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu mantém a posição de que a ofensiva é necessária para derrotar o Hamas, mesmo diante de críticas de aliados ocidentais e agências humanitárias. Países como França e Reino Unido pediram a interrupção dos ataques, alertando para o impacto devastador sobre a população civil. A ONU estima que 2,2 milhões de pessoas em Gaza enfrentam risco de fome, com a infraestrutura da cidade severamente danificada.

  • Proposta dos EUA: Troca de reféns por 2.000 a 3.000 prisioneiros palestinos.
  • Posição do Hamas: Aceitação parcial, mas exige garantias de soberania.
  • Críticas internacionais: Ações de Israel são vistas como desproporcionais por ONGs.
  • Al-Mawasi: Zona humanitária sofre com falta de estrutura básica.

Impacto humanitário crescente

A situação em Gaza é descrita como catastrófica por organizações de ajuda. A evacuação em massa sobrecarrega áreas como Al-Mawasi, onde tendas improvisadas abrigam milhares de deslocados. A falta de alimentos, água potável e medicamentos eleva o risco de doenças e desnutrição. Relatos indicam que pelo menos 65 pessoas foram mortas em ataques recentes a escolas e abrigos, agravando o cenário de crise.

A destruição de infraestrutura, como a torre Al Ruya, também compromete o acesso a serviços essenciais. Moradores relatam dificuldades para encontrar abrigo seguro, enquanto o Exército israelense intensifica bombardeios em áreas densamente povoadas. A guerra, que começou após o ataque do Hamas em 2023, já deslocou a maioria dos 2,2 milhões de habitantes de Gaza, muitos dos quais fugiram várias vezes desde o início do conflito.

Cenário político e estratégico

A decisão de Israel de avançar sobre a Cidade de Gaza ocorre em um momento de crescente pressão interna e externa. Netanyahu enfrenta críticas dentro de Israel por prolongar o conflito, enquanto a opinião pública internacional se divide. A estratégia de ocupação gradual, aprovada pelo gabinete de segurança em agosto, visa estabelecer controle militar sobre Gaza, mas enfrenta resistência não apenas do Hamas, mas também de grupos armados menores.

A operação também levanta questões sobre o futuro da Faixa de Gaza. Israel planeja desmilitarizar a região, mas não apresentou um plano claro para a administração pós-conflito. Enquanto isso, a população civil enfrenta as consequências imediatas, com relatos de pânico e incerteza dominando as ruas da Cidade de Gaza.

  • Controle territorial: Israel já domina 75% da Faixa de Gaza, segundo o Exército.
  • Estratégia de Netanyahu: Foco na eliminação total do Hamas como força militar.
  • Resistência local: Hamas e outros grupos mantêm operações de guerrilha.
  • Futuro incerto: Não há plano claro para governança após a ocupação.
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