No último domingo, 7 de setembro de 2025, o ator e músico curitibano Alexandre Nero surpreendeu o público ao participar de uma roda de samba na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, em homenagem ao renomado compositor Aldir Blanc, falecido em 2020. Conhecido pelo papel de Marco Aurélio no remake da novela “Vale Tudo”, Nero trocou o terno característico do vilão por uma boina e um violão, integrando-se aos músicos para cantar “Virulência”, canção composta em parceria com Blanc em 2018. O evento, realizado no Jardim Aldir Blanc, reuniu amigos, fãs e músicos em uma celebração marcada por emoção e memórias do letrista carioca. A participação de Nero, que também é cantor e compositor, reforçou sua versatilidade artística e sua conexão com a música popular brasileira.
A roda de samba, organizada pelo bar Bip Bip e liderada por músicos como Thiago Prata, celebrou os 79 anos de Aldir Blanc, cuja obra continua a inspirar gerações. Nero, que já havia colaborado com Blanc em projetos musicais, trouxe um toque pessoal à homenagem, compartilhando histórias de sua parceria com o compositor. O evento atraiu um público diverso, que aplaudiu calorosamente a performance do ator.
- Momentos marcantes da roda de samba:
- Nero cantou “Virulência” e “Kid Cavaquinho”, clássicos que ecoaram na Tijuca.
- O ator estava acompanhado da esposa, a figurinista Karen Brusttolin, e amigos.
- A celebração destacou a relevância de Aldir Blanc na música brasileira.
Uma parceria nascida de e-mails e poesia
A colaboração entre Alexandre Nero e Aldir Blanc começou de forma despretensiosa, em 2018, quando o ator curitibano procurou a viúva de Blanc, Mary Lúcia de Sá Freire, com a ideia de montar um espetáculo baseado na obra do compositor. O que era inicialmente um projeto teatral evoluiu para uma troca de e-mails entre Nero e Blanc, marcada por textos poéticos e ideias musicais. Blanc enviava frases, versos e escritos antigos, enquanto Nero, já imerso na gravação de um álbum, transformava essas palavras em música.
O resultado foi “Virulência”, uma canção presente no disco “Aldir Blanc Inédito”, lançado postumamente em 2021. A composição, finalizada com a ajuda do músico Antonio Saraiva após a morte de Blanc, reflete temas profundos, como a saudade e as transformações sociais, com versos como “Que falta me faz meus pais. Que falta nos faz a paz”. Nero, em entrevistas, destacou a poesia única de Blanc, afirmando que cada mensagem do compositor era uma obra de arte por si só.
A parceria, embora breve, deixou um legado significativo. Durante a roda de samba, Nero compartilhou com o público detalhes dessa troca, emocionando os presentes ao relembrar como a canção foi construída. A performance no Jardim Aldir Blanc foi um momento de conexão entre o ator, o público e a memória do compositor.
- Detalhes da parceria com Aldir Blanc:
- Iniciada em 2018, a colaboração nasceu de um projeto teatral.
- Blanc enviava textos e versos por e-mail, que Nero musicava.
- “Virulência” é parte do álbum “Aldir Blanc Inédito”, com outras parcerias póstumas.
- A canção aborda temas como saudade, política e a pandemia.
O Jardim Aldir Blanc como palco da homenagem
O evento ocorreu no Jardim Aldir Blanc, um espaço na Tijuca inaugurado em 2023 em homenagem ao compositor. Localizado na esquina da Avenida Maracanã com a Rua Marechal Trompowski, o jardim é um marco cultural no bairro onde Blanc viveu. A celebração, chamada “Aldir 79”, incluiu a roda de samba “Furdunço do Aldir”, comandada por Thiago Prata e músicos do bar Bip Bip, em Copacabana. O espaço, adornado com uma escultura de Mello Menezes e versos de Blanc, tornou-se o cenário perfeito para a homenagem.
A presença de Nero no evento reforçou a importância do local como ponto de encontro para celebrações culturais. O ator, que também compartilhou registros nas redes sociais ao lado da esposa e amigos, destacou a energia do público e a relevância de manter viva a obra de Blanc. A roda de samba atraiu tanto fãs do compositor quanto admiradores de Nero, que se surpreenderam com sua desenvoltura musical.
A trajetória musical de Alexandre Nero
Embora seja amplamente reconhecido por papéis em novelas como “A Favorita”, “Fina Estampa” e “Império”, Alexandre Nero tem uma sólida carreira musical. Antes de se destacar na televisão, o curitibano liderava a banda Maquinaíma, que agitava a cena musical de Curitiba no final dos anos 2000, com apresentações regulares no AOCA Bar. Ele também foi vocalista do grupo Denorex 80, interpretando clássicos dos anos 80 em shows pelo John Bull Music Hall.
Nero lançou quatro álbuns solo, incluindo “Vendo Amor em suas Mais Variadas Formas, Tamanhos e Posições” (2011) e “Quarto, Suítes, Alguns Cômodos e Outros Nem Tanto” (2022), que conta com “Virulência” e participações de nomes como Milton Nascimento e Elza Soares. Sua versatilidade como multi-instrumentista e compositor o coloca como uma figura única no cenário artístico brasileiro, capaz de transitar entre a atuação e a música com naturalidade.
- Carreira musical de Nero em destaque:
- Liderou a banda Maquinaíma em Curitiba, com shows semanais.
- Foi vocalista do Denorex 80, focado em sucessos dos anos 80.
- Lançou quatro álbuns solo, com parcerias de peso como Aldir Blanc e Milton Nascimento.
- “Quarto, Suítes” inclui a canção “Virulência”, gravada em 2022.
Aldir Blanc e seu legado na música brasileira
Aldir Blanc, falecido em maio de 2020 vítima de complicações da Covid-19, é um dos maiores nomes da música popular brasileira. Com mais de 600 canções em 50 anos de carreira, o letrista carioca colaborou com gigantes como João Bosco, Guinga, Moacyr Luz e Ivan Lins. Suas letras, marcadas por poesia e crítica social, estão em clássicos como “O Bêbado e a Equilibrista” e “O Mestre-Sala dos Mares”.
O compositor, que também era cronista e médico, deixou um impacto duradouro na cultura brasileira. Projetos como o álbum “Aldir Blanc Inédito” e eventos como o “Furdunço do Aldir” mantêm sua obra viva, conectando novas gerações aos seus versos. A roda de samba na Tijuca foi mais um capítulo dessa celebração, com Nero desempenhando um papel central ao trazer “Virulência” para o centro do evento.
- Legado de Aldir Blanc:
- Autor de mais de 600 canções, com parcerias com João Bosco e outros.
- Suas letras combinam poesia, crítica social e temas do cotidiano carioca.
- “Virulência” foi sua última composição, finalizada postumamente.
- Eventos como “Aldir 79” e o Jardim Aldir Blanc perpetuam sua memória.
A emoção do público e a repercussão nas redes
A participação de Alexandre Nero na roda de samba gerou grande repercussão, tanto no local quanto nas redes sociais. Fãs compartilharam vídeos e fotos do ator cantando, com destaque para sua interpretação de “Virulência” e “Kid Cavaquinho”. O perfil do bar Bip Bip no Instagram publicou um registro do momento, elogiando a parceria “emocionante” entre Nero e Blanc. O público presente aplaudiu calorosamente, com muitos se emocionando ao ouvir as histórias por trás da canção.
Nero, que costuma ser reservado sobre sua vida pessoal, usou suas redes para compartilhar cliques ao lado da esposa, Karen Brusttolin, e amigos, reforçando a atmosfera de celebração. A presença de um ator de novelas em um evento de rua, tocando violão e cantando samba, surpreendeu e encantou os fãs, que destacaram sua autenticidade e conexão com a cultura popular.
Um evento que une gerações
A roda de samba no Jardim Aldir Blanc não foi apenas uma homenagem ao compositor, mas também um momento de união entre diferentes gerações de artistas e público. A presença de Nero, um nome conhecido da televisão, ao lado de músicos como Thiago Prata, trouxe um diálogo entre a música popular e a dramaturgia. O evento reforçou a importância de espaços culturais como o Jardim Aldir Blanc, que se tornaram pontos de resistência e celebração da cultura carioca.
A participação de Nero também destacou sua trajetória como um artista completo, capaz de transitar entre palcos, estúdios e rodas de samba. Sua relação com Aldir Blanc, marcada por respeito e admiração, foi celebrada de forma genuína, conectando o público à memória de um dos maiores letristas do Brasil.