A Seleção Brasileira foi derrotada por 1 a 0 pela Bolívia, na noite de 9 de setembro de 2025, no Estádio Municipal de El Alto, a 4.150 metros de altitude, pela última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. O gol de Miguel Terceros, de pênalti, selou a vitória boliviana e garantiu a vaga do time da casa na repescagem. Apesar de já classificada, a equipe de Carlo Ancelotti sofreu com a altitude e a estratégia adversária, encerrando a campanha com a pior colocação da história, na quinta posição com 28 pontos. A derrota expôs fragilidades táticas e físicas, levantando questionamentos a nove meses do Mundial. O jogo, marcado por polêmica com o VAR e catimba boliviana, reflete um ciclo instável para o Brasil, que agora foca na preparação para a Copa.
O desempenho brasileiro em El Alto foi comprometido desde o início. A Bolívia, incentivada pela torcida e pela altitude, dominou o primeiro tempo com 23 finalizações, contra apenas 10 do Brasil. A Seleção, com nove alterações na escalação em relação ao jogo anterior, priorizou a posse de bola (58%) para cadenciar o ritmo, mas não conseguiu criar chances claras. A estratégia de Ancelotti, que escalou um time misto com Alisson e Bruno Guimarães como únicos remanescentes do último confronto, não resistiu à pressão boliviana e às dificuldades impostas pelos 4.100 metros de altitude.
O jogo marcou o fim de uma campanha irregular. Com seis derrotas em 18 jogos, o Brasil enfrentou revezes contra cinco seleções diferentes, algo inédito nas Eliminatórias. A quinta colocação, com 28 pontos, ficou atrás de Argentina (38), Equador (29), Colômbia (28) e Uruguai (28), todos classificados diretamente para a Copa. A Bolívia, com 20 pontos, assegurou a sétima posição e uma chance na repescagem, enquanto a Venezuela, derrotada por 6 a 3 pela Colômbia, ficou fora.
Jogo em El Alto revela limitações táticas
A partida em El Alto evidenciou os desafios impostos pela altitude. O Brasil tentou controlar o jogo com um 4-3-3 que se transformava em 4-5-1 ao perder a posse, mas a falta de entrosamento entre os jogadores foi clara. Bruno Guimarães, com 82 ações com a bola, foi o principal articulador, mas não conseguiu conectar o meio-campo ao ataque. Samuel Lino e Richarlison, visivelmente afetados pela altitude, tiveram atuações apagadas, com dificuldades para acompanhar o ritmo acelerado imposto pela Bolívia.
- Bolívia finalizou 23 vezes, com 9 chutes no gol, contra 10 finalizações e 3 no alvo do Brasil.
- Posse de bola brasileira foi de 58%, mas sem efetividade ofensiva.
- Bruno Guimarães cometeu a falta que resultou no pênalti decisivo, cobrado por Miguelito.
- Alisson fez uma defesa crucial no segundo tempo, evitando um placar mais elástico.
No segundo tempo, Ancelotti promoveu mudanças ofensivas, inserindo Estêvão, Raphinha, João Pedro e Marquinhos, e alterando para um 3-5-2. Apesar do maior volume no ataque, o Brasil não conseguiu furar a defesa boliviana, que recuou para proteger a vantagem e explorar contra-ataques. A torcida local, empolgada com o placar e as notícias da goleada colombiana sobre a Venezuela, intensificou a pressão, enquanto a catimba boliviana, com gandulas atrasando o jogo, dificultou ainda mais a reação brasileira.
Pênalti polêmico define o placar
O momento decisivo veio aos 48 minutos do primeiro tempo, quando o VAR indicou um pênalti de Bruno Guimarães sobre Roberto Fernández. A decisão gerou reclamações da Seleção, que considerou o lance duvidoso. Miguel Terceros, jovem atacante do América-MG, cobrou com precisão, superando Alisson, que acertou o canto, mas não alcançou a bola. O gol mudou a dinâmica da partida, permitindo à Bolívia adotar uma postura mais defensiva no segundo tempo, enquanto o Brasil lutava para se adaptar às condições adversas.
A polêmica do pênalti reacendeu discussões sobre o uso do VAR nas Eliminatórias. Jogadores brasileiros, como Fabrício Bruno, contestaram a marcação, apontando que o contato foi mínimo. A arbitragem, no entanto, manteve a decisão, que acabou sendo determinante para o resultado final. A Bolívia, com o gol de Miguelito, assegurou não apenas a vitória, mas também a confiança para a repescagem, onde buscará uma vaga na Copa do Mundo de 2026.
Altitude como fator determinante
Jogar a 4.150 metros de altitude sempre foi um desafio para equipes sul-americanas, e o Brasil não foi exceção. A Bolívia, invicta em El Alto nas Eliminatórias, com quatro vitórias e dois empates em seis jogos, soube tirar proveito do ambiente. A velocidade da bola, alterada pela altitude, dificultou as ações defensivas brasileiras, enquanto os chutes de média distância, estratégia recorrente dos bolivianos, exigiram atenção constante de Alisson.
- Bolívia marcou 11 gols e sofreu apenas 2 em El Alto nas Eliminatórias.
- Aproveitamento boliviano no estádio é de 77,8%, com 5 jogos sem sofrer gols.
- Brasil finalizou apenas três vezes no primeiro tempo, nenhuma com real perigo.
- Richarlison e Samuel Lino foram os mais afetados pela altitude, com baixa participação.
A preparação física da Seleção para o jogo foi questionada. Apesar de treinos específicos para lidar com a altitude, o time não conseguiu manter a intensidade necessária. A escolha de Ancelotti por um elenco misto, preservando titulares para amistosos na Ásia, também dividiu opiniões, com críticos apontando que a escalação enfraqueceu a equipe em um confronto historicamente difícil.
Pior campanha histórica preocupa torcedores
A quinta colocação nas Eliminatórias, com 28 pontos, marcou a pior campanha do Brasil na história da competição. Com seis derrotas, o time sofreu revezes contra Argentina, Uruguai, Colômbia, Equador e Bolívia, algo nunca visto em edições anteriores. A instabilidade do ciclo, com quatro técnicos diferentes, contribuiu para o desempenho irregular. A Seleção, que já havia garantido a vaga na Copa na rodada anterior, esperava ao menos superar os 30 pontos, mas o revés em El Alto frustrou as expectativas.
O torcedor brasileiro, já cético após eliminações precoces em Copas recentes, viu na campanha um sinal de alerta. A falta de consistência tática e a dificuldade em impor o jogo, mesmo contra adversários teoricamente mais fracos, levantam dúvidas sobre a preparação para 2026. Ancelotti, que sofreu sua primeira derrota à frente da Seleção, terá três convocações até o Mundial para ajustar o time e reconquistar a confiança da torcida.
Preparação para a Copa em foco
Com o fim das Eliminatórias, o Brasil agora volta suas atenções para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. A Seleção terá amistosos contra Coreia do Sul e Japão, em outubro, como parte da preparação. Esses jogos serão fundamentais para testar novas formações e jogadores, especialmente após as dificuldades evidenciadas em El Alto.
- Amistosos contra Coreia do Sul (10/10) e Japão (14/10) estão confirmados.
- Ancelotti deve manter rodízio no elenco para avaliar opções táticas.
- Estêvão e João Pedro ganharam minutos e podem ser apostas futuras.
- Foco será em melhorar o desempenho ofensivo, que teve apenas 24 gols em 18 jogos.
A pressão sobre Ancelotti aumenta com a proximidade do Mundial. A torcida espera que o treinador italiano, conhecido por conquistas na Europa, consiga implantar um estilo de jogo mais sólido e recuperar a competitividade da Seleção. A derrota para a Bolívia, embora influenciada pela altitude, serve como um lembrete de que ajustes são urgentes para evitar surpresas na Copa.
Catimba boliviana e festa em El Alto
A Bolívia celebrou a vitória com entusiasmo, impulsionada pela torcida que lotou o Estádio Municipal de El Alto. A estratégia de acelerar o jogo no primeiro tempo e adotar a catimba no segundo, com gandulas atrasando reposições e bolas extras aparecendo em campo, foi eficaz para segurar o resultado. A festa nas arquibancadas, com cânticos de “Sí, se puede”, refletiu a importância do resultado para um país que sonha com sua quarta participação em Copas do Mundo.
O jovem Miguel Terceros, de 21 anos, foi o grande destaque. Além do gol, o atacante, emprestado pelo Santos ao América-MG, liderou as ações ofensivas com chutes de fora da área e movimentação constante. Sua atuação reforça a aposta da Bolívia em novos talentos para a repescagem, onde enfrentará seleções de outras confederações em busca de uma vaga no Mundial.