Economia

Dólar despenca a R$ 5,37 e Ibovespa atinge máxima com dados econômicos dos EUA

Ibovespa, bolsa de valores
Ibovespa - Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com Ibovespa - Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O dólar comercial registrou forte queda nesta quinta-feira (11), atingindo R$ 5,3741, menor patamar desde julho de 2024, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, alcançou a máxima de 144.012 pontos. A movimentação foi impulsionada pela divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos, que mostraram inflação ligeiramente acima do esperado e aumento nos pedidos de seguro-desemprego, reforçando apostas em um corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana. No Brasil, o mercado também monitora o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, com o voto da ministra Cármen Lúcia previsto para hoje. A combinação de fatores externos e internos gerou otimismo entre investidores, favorecendo a valorização do real e a alta das ações na B3.

A queda do dólar e a disparada do Ibovespa refletem a sensibilidade do mercado brasileiro a indicadores globais. A possibilidade de juros menores nos EUA atrai capital para mercados emergentes, como o Brasil, onde as taxas seguem elevadas. Além disso, a estabilidade política interna, mesmo com o julgamento em curso, não abalou a confiança dos investidores.

  • Principais drivers do mercado:
    • Dados de inflação nos EUA (CPI) com alta de 0,4% em agosto.
    • Pedidos de seguro-desemprego nos EUA em 263 mil, acima do esperado.
    • Expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana.
    • Julgamento de Bolsonaro no STF como fator secundário no radar.

Movimentos do mercado financeiro

O dólar abriu o dia em alta, mas inverteu a tendência após a divulgação dos dados econômicos americanos. Por volta das 15h15, a moeda americana caía 0,32%, cotada a R$ 5,3896, enquanto o Ibovespa avançava 1,02%, alcançando 143.801 pontos. A máxima intradiária do índice, de 144.012 pontos, foi a maior desde o início do ano, sinalizando confiança dos investidores. O desempenho reflete a percepção de que a economia americana pode estar desacelerando, o que aumenta a probabilidade de uma política monetária mais flexível pelo Federal Reserve.

No cenário doméstico, a B3 foi impulsionada por setores sensíveis a juros, como varejo e tecnologia, com empresas como Magazine Luiza e Totvs registrando altas expressivas. A entrada de capital estrangeiro também contribuiu para o fortalecimento do real, que se beneficia da diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos.

  • Fatores que impulsionaram o Ibovespa:
    • Alta nas ações de empresas de consumo e tecnologia.
    • Entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes.
    • Estabilidade política relativa, apesar do julgamento no STF.
    • Expectativa de manutenção da Selic em 10,75% no curto prazo.

Dados econômicos dos EUA e suas implicações

A divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, que registrou alta de 0,4% em agosto e 2,9% no acumulado do ano, superou levemente as projeções dos economistas. Apesar disso, o mercado interpretou o dado como insuficiente para mudar as expectativas de corte de juros. O aumento nos pedidos de seguro-desemprego, que alcançaram 263 mil na semana encerrada em 6 de setembro, reforçou a percepção de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, o que pressiona o Federal Reserve a agir.

Analistas apontam que um corte de juros nos EUA pode reduzir a atratividade do dólar, favorecendo moedas de países emergentes. No Brasil, a taxa Selic, atualmente em 10,75%, torna os investimentos em renda fixa e variável mais atraentes, atraindo fluxo de capital. Essa dinâmica explica a queda do dólar e a valorização do Ibovespa, que se beneficia do otimismo global.

dólar
dólar – Foto: Al Alex/Shutterstock.com

Julgamento no STF e impacto político

No Brasil, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado segue no radar do mercado. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou a análise do caso, com o voto da ministra Cármen Lúcia marcado para esta quinta-feira, a partir das 14h. Até o momento, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação, enquanto Luiz Fux defendeu a absolvição de Bolsonaro, gerando um placar de 2 a 1. Caso Cármen Lúcia vote pela condenação, será formada maioria para condenar o ex-presidente.

Embora o julgamento tenha potencial para gerar tensões políticas, o mercado parece não reagir fortemente ao tema. Investidores consideram que o impacto econômico direto é limitado, mas monitoram possíveis desdobramentos, como retaliações do governo americano, mencionadas como fator de risco. A estabilidade institucional brasileira, reforçada pelo andamento do processo no STF, contribui para a confiança no real e na bolsa.

  • Pontos em destaque no julgamento:
    • Votos de Moraes e Dino pela condenação de Bolsonaro e aliados.
    • Divergência de Fux, que questionou a competência do STF no caso.
    • Expectativa pelo voto de Cármen Lúcia para formação de maioria.
    • Possíveis recursos e embargos após a decisão final.

Cenário econômico brasileiro

Além do julgamento, o mercado acompanha as projeções fiscais divulgadas pelo Ministério da Fazenda. O relatório Prisma Fiscal de setembro estima um déficit primário de R$ 69,99 bilhões para 2025, uma leve melhora em relação à projeção anterior de R$ 70,88 bilhões. Para 2026, no entanto, a previsão piorou, com déficit esperado de R$ 81,83 bilhões, ante R$ 81,06 bilhões. Esses números reforçam a necessidade de ajustes fiscais, mas não abalaram o otimismo do mercado, que vê o Brasil como destino atrativo para investimentos.

A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter a taxa de juros em 2% também foi bem recebida, já que a inflação na Europa está próxima da meta, sinalizando estabilidade global. No Brasil, a perspectiva de manutenção da Selic em patamares elevados sustenta a atratividade do mercado local, especialmente para investidores estrangeiros.

Expectativas para os próximos dias

O mercado financeiro deve continuar reagindo aos desdobramentos nos Estados Unidos, especialmente à decisão do Federal Reserve sobre os juros, esperada para a próxima semana. No Brasil, o desfecho do julgamento no STF pode trazer volatilidade, mas analistas acreditam que o impacto será contido, dado o foco do mercado em indicadores econômicos. A entrada de capital estrangeiro deve manter a pressão de baixa sobre o dólar, enquanto o Ibovespa pode testar novas máximas, caso o cenário global permaneça favorável.

A combinação de dados econômicos globais e a estabilidade política interna cria um ambiente propício para a valorização dos ativos brasileiros. A atenção agora se volta para o voto de Cármen Lúcia e os próximos passos do Federal Reserve, que podem definir o rumo dos mercados nas próximas semanas.

  • O que esperar nos próximos dias:
    • Decisão do Federal Reserve sobre corte de juros.
    • Desfecho do julgamento de Bolsonaro no STF.
    • Possível manutenção da Selic em 10,75% pelo Copom.
    • Continuidade do fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.
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