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Ex-atriz Rejane Schumann resgatada em abandono com sete animais em Porto Alegre

Rejane Schumann
Rejane Schumann - Foto: Reprodução Rejane Schumann - Foto: Reprodução

Ex-atriz da TV Globo Rejane Schumann, de 76 anos, foi resgatada em condições de extrema vulnerabilidade durante uma operação policial de resgate de animais no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na quarta-feira, 3 de setembro de 2025. A ação, iniciada por denúncias anônimas de vizinhos sobre odores fortes e latidos incessantes, revelou um apartamento repleto de sujeira, fezes acumuladas e sem itens básicos como alimentos ou eletricidade, onde a artista vivia sozinha com quatro cães e três gatos. Apesar dos pets terem acesso a ração e água, Rejane apresentava sinais claros de demência, fome evidente e ausência de higiene pessoal há meses, dormindo sobre as molas de um colchão destruído pelos animais estressados. A intervenção, liderada pela ativista Deise Falci da organização Vem Adotar e pela 15ª Delegacia de Polícia Civil, transformou uma denúncia de maus-tratos a bichos em um socorro humanitário urgente, destacando o isolamento voluntário da idosa, que se afastara de familiares próximos. A polícia, sob comando do delegado César Carrion, confirmou que Rejane concordou em doar os cães, reconhecendo sua incapacidade de cuidados, enquanto os gatos poderiam retornar após tratamentos, desde que o imóvel fosse adequadamente mantido.

A comoção gerou um mutirão imediato de voluntários, que doaram colchão novo, alimentos não perecíveis, itens de higiene e lâmpadas para restaurar a luz no local. Rejane, nascida Diana Rejane Schumann em 30 de junho de 1949 em Canoas, reagiu com emoção ao ver a transformação do apartamento, chorando e expressando gratidão aos desconhecidos que a ajudaram pela primeira vez em anos.

  • Geladeira vazia e sem energia elétrica agravavam a desnutrição da atriz.
  • Animais infestados por pulgas e carrapatos, mas priorizados com suprimentos pela idosa.
  • Sobrinha distante contatada pela polícia para assumir cuidados a longo prazo.

Detalhes da operação no Moinhos de Vento

Agentes da Polícia Civil chegaram ao prédio residencial por volta do meio-dia, acompanhados de Deise Falci, que coordenava o resgate inicial dos pets baseado em relatos de vizinhos preocupados com o barulho constante e cheiros desagradáveis emanando do apartamento. Ao entrarem no imóvel, a equipe deparou-se com pilhas de lixo espalhadas, fezes secas pelo chão e um ambiente úmido que favorecia infestações de parasitas, comprometendo a saúde de todos os ocupantes. Rejane, confusa e desorientada, interagiu minimamente com os resgatadores, mas mencionou fragmentos de sua carreira na televisão, o que facilitou sua identificação como ex-atriz da Globo.

Falci, ex-atleta olímpica e defensora ferrenha da causa animal, descreveu o cenário como o mais impactante de sua trajetória, priorizando inicialmente a remoção dos sete bichos para evitar confrontos. Os cães, de portes variados e raças mistas, exibiam estresse comportamental, tendo destruído o colchão da proprietária, enquanto os gatos pareciam mais ariscos, mas responsivos ao manuseio. A inspetora Mari Menezes, presente na ocorrência, destacou que Rejane priorizava os animais em detrimento de si mesma, um traço comum em casos de declínio cognitivo onde o afeto pelos pets se sobrepõe às necessidades pessoais.

A operação durou cerca de duas horas, com os pets sendo transportados imediatamente para clínicas veterinárias parceiras, onde receberam vacinas, desparasitação e exames laboratoriais completos. Autoridades não registraram crime contra os animais, mas iniciaram averiguação sobre cartões de crédito da idosa para prevenir fraudes, intimando possíveis detentores.

Trajetória artística de Rejane Schumann

Nascida em Canoas, Rejane Schumann construiu uma carreira multifacetada nos anos 1970, conciliando atuações na televisão com formações em Direito e Teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sua estreia nacional ocorreu em produções regionais gaúchas, mas o salto para o estrelato veio com papéis secundários em novelas da Globo que capturavam o imaginário da época, explorando temas como família, empoderamento e justiça social. Em O Astro, de 1978, ela interpretou Rita, uma empregada doméstica envolvida em intrigas familiares, adicionando camadas emocionais ao enredo principal estrelado por Dionísio Azevedo.

Dancin’ Days, também de 1978, marcou outro ponto alto, com Rejane contribuindo para a trama que revolucionou a moda e a música disco no Brasil, ao lado de astros como Sônia Braga e José Wilker. Seu personagem secundário trouxe nuances de vulnerabilidade feminina em um contexto de liberdade pós-ditadura, refletindo as transformações sociais da década.

  • Participações chave em Espelho Mágico (1977), como coadjuvante em narrativas mágicas e reflexivas.
  • Papel em Pai Herói (1979), explorando dilemas éticos e paternidade em tramas intensas.
  • Estreia em O Feijão e o Sonho (1976), vivendo Ana Maria, uma sonhadora em busca de casamento ideal.

No cinema, Rejane demonstrou versatilidade em filmes independentes como Ana Terra (1972), de Walter Lima Jr., que retratava conflitos rurais no Sul, e O Pobre João (1974), uma comédia satírica sobre desigualdades urbanas. A Quadrilha do Perna-Dura (1976) destacou seu talento em gêneros leves, ao lado de atores como Jorge Dória.

Contribuições no jornalismo e literatura

Além das telas, Rejane atuou como jornalista na antiga TV Manchete, no Rio de Janeiro, cobrindo eventos culturais e entrevistando personalidades da arte brasileira durante os anos 1980. Sua formação em Direito influenciou reportagens sobre direitos das mulheres e preservação patrimonial, publicadas em veículos impressos gaúchos como o Correio do Povo. Como escritora, lançou coletâneas de contos e crônicas que mesclavam ficção autobiográfica com críticas sociais, recebendo elogios por uma prosa direta e engajada, editadas por pequenas casas no Sul.

Esses trabalhos paralelos sustentaram sua independência financeira por décadas, permitindo que equilibrasse a advocacia em Porto Alegre com projetos artísticos locais, como montagens teatrais em teatros regionais. Sua visão reflexiva sobre cultura gaúcha permeou artigos em rádios locais, onde defendia a valorização de narrativas sulistas na mídia nacional.

Falci relatou que, mesmo em confusão mental, Rejane recitava trechos de roteiros antigos, evidenciando o apego à herança profissional que moldou sua identidade. Essa trajetória multifacetada contrasta com o isolamento recente, agravado pela morte recente de seu irmão, também vítima de demência, o que intensificou sua recusa a contatos familiares.

Situação dos animais resgatados

Os quatro cães, incluindo um com suspeita inicial de sarna e outros com pulgas generalizadas, foram isolados em abrigos temporários para tratamento intensivo, respondendo bem a medicamentos tópicos e dietas balanceadas. Os três gatos, desnutridos mas sem lesões graves, adaptaram-se rapidamente ao novo ambiente, ganhando peso com alimentação enriquecida e monitoramento diário contra parasitas. Organizações como a Vem Adotar coordenam triagens rigorosas para adoções, exigindo visitas domiciliares e comprovação de vacinas dos potenciais tutores.

A priorização dos pets por Rejane, que coletava fezes manualmente para descartá-las pela janela, reflete um vínculo afetivo profundo, comum em idosos com declínio cognitivo. Exames veterinários iniciais confirmaram ausência de doenças transmissíveis graves, com perspectivas de recuperação plena em poucas semanas.

  • Vacinação completa contra raiva e parvovirose aplicada em todos os animais.
  • Desparasitação oral e tópica para eliminar infestações comuns em confinamentos.
  • Avaliações comportamentais para matching com adotantes compatíveis.

Voluntários locais arrecadaram fundos via campanhas online, cobrindo custos com consultas e castrações preventivas, garantindo que nenhum pet retorne a situações de risco.

Assistência imediata e familiar

Após o resgate, uma força-tarefa de profissionais de saúde mental e assistentes sociais avaliou Rejane, confirmando estágio avançado de demência possivelmente ligado ao isolamento prolongado e luto familiar. Ela foi transferida temporariamente para um centro de apoio gerontológico, recebendo refeições nutritivas, banhos assistidos e medicamentos estabilizadores, enquanto o apartamento passava por desinfecção profissional. Doações comunitárias incluíram roupas, lençóis e eletrodomésticos básicos, restaurando funcionalidades essenciais no imóvel.

A sobrinha da atriz, residente em outra cidade gaúcha, foi acionada pela polícia e assumirá a guarda legal, coordenando visitas regulares e terapias ocupacionais. Autoridades enfatizam que o caso não envolve abandono familiar, mas uma escolha autônoma de Rejane por solitude, agravada por recusa prévia de ajuda.

Deise Falci utilizou plataformas digitais para ampliar o apoio, resultando em contribuições que financiam consultas neurológicas mensais. Profissionais destacam a rede de solidariedade como modelo para intervenções em idosos isolados, com programas municipais de monitoramento domiciliar ganhando reforço na região.

Alertas para vulnerabilidade idosa

Denúncias anônimas via disque-denúncia da Polícia Civil facilitaram a ação rápida, evitando escalada de riscos como desidratação ou infecções. Vizinhos relataram tentativas prévias de contato, mas barreiras emocionais de Rejane impediram acessos, um padrão observado em cerca de 20% dos casos de demência no Rio Grande do Sul, segundo dados do Ministério da Saúde. Parcerias entre ONGs e secretarias de assistência social promovem visitas preventivas em bairros como Moinhos de Vento, identificando sinais precoces de negligência.

Comunidades são orientadas a observar acúmulos de lixo ou ausências prolongadas, reportando sem medo de retaliação. Programas gratuitos de entrega de mantimentos e atendimento psicológico expandem-se na capital, com foco em artistas veteranos sem pensões robustas.

  • Odores persistentes ou barulhos anormais como indicadores iniciais de problemas.
  • Acúmulo excessivo de animais como sinal de sobrecarga emocional em idosos.
  • Canais oficiais como o 180 para denúncias de vulnerabilidade humana.

Essas medidas fortalecem fiscalizações conjuntas, reduzindo incidências em 15% nos últimos anos na metrópole gaúcha.

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